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Você sabe o que é esclerose múltipla? 23/01/2015

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A esclerose múltipla é uma doença com muitas peculiaridades e, cada vez mais, tem se abordado este tema. Apesar da maior difusão, ainda existem confusões com outras duas doenças, em relação ao nome. Os antigos chamavam as pessoas com pouca memória de esclerosadas. Apenas posteriormente, com os estudos, surgiu o termo Alzheimer. O outro equívoco é com a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que também é uma doença grave e com sintomas um pouco semelhantes, porém que atingem populações diferentes. No entanto, a principal diferença é que a ELA não tem tratamento, enquanto a esclerose múltipla tem inúmeros tratamentos e eficientes.

A esclerose múltipla afeta, mais frequentemente, populações de latitudes altas. Isto é, em regiões mais frias a prevalência é maior. Na Europa e Estados Unidos, a doença é bem mais frequente do que no Brasil, por exemplo. Atinge especialmente as mulheres jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos, uma fase muito produtiva da mulher, inclusive no assunto fertilidade. É uma doença autoimune, fazendo com que o sistema de imunidade da pessoa reaja ao próprio organismo, causando lesões graves no sistema nervoso central.

Na prática, o organismo confunde a capa dos axônios, chamada bainha de mielina, com um agente nocivo, lesionando-a e causando sintomas multivariados, tais como cegueira unilateral, paralisia dos membros inferiores e até lesão que se assemelha a um acidente vascular cerebral (AVC). Estes eventos são normalmente repentinos e melhoram gradativamente. Com o passar dos anos e dependendo do perfil da doença do portador – às vezes mais suave ou mais grave – aparecem as sequelas, principalmente motora e de equilíbrio. Mas, atualmente com todas as estratégias modernas de tratamento, as sequelas aparecem cada vez menos.

O diagnóstico desta doença se baseia em sintomas clínicos característicos, além da ressonância magnética nuclear, exame que se assemelha a tomografia computadorizada, exceto pelo uso da energia eletromagnética para produzir as imagens, no lugar do raio X. As imagens são bem especificas para o diagnóstico. Neurologistas em geral não tem dificuldade para identificar a doença.

O tratamento da doença é voltado para equilibrar o sistema imune e existem várias opções terapêuticas: os mais antigos são os imunomoduladores (interferons, glatiramer), que são medicações injetáveis. Já os mais modernos podem ser injetáveis, como natalizumab, alentuzumab e aqueles que são de via oral, como o fingolimod, teriflunomida, estes últimos lançados no mercado brasileiro.

Dr. Cleverson de Macedo Gracia, neurologista do Hospital VITA Curitiba

Fonte: centralpress@centralpress.com.br

Fonte: Paran@shop

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Vacina contra HPV não aumenta risco de ter esclerose múltipla, diz estudo 06/01/2015

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Vacina contra HPV não aumenta risco de ter esclerose múltipla, diz estudo

Um novo estudo feito em jovens e mulheres na Dinamarca e na Suécia desmistificaram rumores que associavam a vacinação contra o HPV (Vírus do Papiloma Humano, sigla em inglês) ao desenvolvimento de esclerose múltipla ou outras doenças desmielinizantes (grupo de desordens no sistema nervoso central). Segundo uma pesquisa publicada esta terça-feira na Jama (The Journal of the American Medical Association), os riscos de ter uma dessas desordens não aumentam em quem tomou a vacina.

Desde o licenciamento da vacina quadrivalente do HPV (qHPV), em 2006, e, posteriormente da bivalente, mais de 175 milhões de doses foram distribuídas em todo o mundo. A introdução da imunização em larga escala num novo público-alvo – jovens e jovens mulheres – tem sido alvo de preocupações em relação à sua segurança, algumas com o potencial de “minar” a confiança do público nessas novas vacinas.

Para verificar se há motivos reais para preocupação, Nikolai Madrid Scheller, do Statens Serum Institut, de Copenhaga, na Dinamarca, e os seus colegas realizaram um estudo que incluiu meninas e mulheres suecas e dinamarquesas, entre 10 e 44 anos, acompanhadas entre 2006 e 2013. Foram usados registos de saúde dos dois países, com dados sobre imunização contra o HPV e diagnósticos incidentes de esclerose múltipla e outras doenças desmielinizantes, para identificar o grupo de estudo.

Um total de 3.983.824 meninas e mulheres foram identificadas e, delas, 789.082 foram vacinadas contra o HPV no recorte de tempo feito no estudo. De 2006 a 2013, houve 4.322 casos de esclerose múltipla e 3.300 casos de outras doenças desmielinizantes, dos quais apenas 73 e 90, respectivamente, ocorreram dentro do período de risco, que é de dois anos após a vacinação.

Após a análise dos dados, os investigadores não encontraram um risco aumentado de incidência de esclerose múltipla ou outras doenças desmielinizantes associado à vacinação.

«O nosso estudo soma-se ao corpo de dados que comprovam o nível favorável de segurança global da vacina qHPV. O tamanho do estudo e o uso de dados de registo dos países permitiram uma análise com potência adequada para generalizações», escrevem os autores no estudo.

Fonte: Diário Digital

Cientista de Harvard ilumina neurônios para encontrar curas para o cérebro 17/12/2014

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O vídeo começa com uma imagem de um neurônio espectral cinza. Uma onda de lampejos vermelhos em um dos braços da célula do cérebro desaparece, depois retorna, descendo pelo cacho até o núcleo da célula e enchendo-a de cor.

A filmagem captura um disparo de neurônios, permitindo que os pesquisadores vejam o sinal fluindo através de toda uma célula pela primeira vez. Ver essas células funcionando pode possibilitar que os pesquisadores monitorem e meçam a atividade cerebral, incluindo padrões de disparo de células afetadas por desordens como epilepsia ou esclerose múltipla.

O vídeo, publicado on-line no jornal Nature Methods em junho, mostra um novo método para converter a atividade elétrica em luz fluorescente. Essa tecnologia incipiente foi descoberta pelo neurocientista Adam Cohen, da Universidade de Harvard, um novaiorquino de 35 anos com dois doutorados no currículo. Empresas farmacêuticas como a Biogen Idec Inc. e a GlaxoSmithKline Plc já se prontificaram a colaborar com a firma de biotecnologia de Cohen, a Q-State Biosciences, esperando avançar no desenvolvimento de medicamentos.

“Conseguir um bom sensor de voltagem foi o santo graal desse campo nos últimos 40 anos”, disse Michael Hausser, neurocientista da University College London que não esteve envolvido no projeto de Cohen. “Os sinais são a linguagem do cérebro — se você tem um bom sensor, ele abre um mundo completo de experimentos diferentes e, potencialmente, de novas terapias”.

Almôndega, espaguete

O trabalho de Cohen é baseado em um organismo unicelular do Mar Morto, o Halorubrum sodomense, que tem uma proteína que converte luz em energia. Embora proteínas similares tenham sido usadas por outros pesquisadores para estimular com luz os cérebros de ratos, Cohen teve uma ideia diferente: será que ele poderia fazer a proteína funcionar ao contrário para que ela sentisse a eletricidade e a transformasse em luz?

Se sua ideia funcionasse, os pesquisadores poderiam visualizar a atividade elétrica em neurônios, as células que são componentes-chave do cérebro, na medula espinhal e no sistema nervoso central.

Daniel Hochbaum, estudante de pós-doutorado no laboratório de Cohen, compara um neurônio com uma almôndega com fios de espaguete. Com a atual tecnologia, os cientistas podem monitorar a atividade elétrica apenas no núcleo do neurônio — a almôndega — introduzindo sondas cuidadosamente ou injetando corantes com minúsculas pipetas de vidro, um processo que é lento e delicado e permite que os pesquisadores monitorem apenas uma célula por vez.

Com as proteínas de Cohen, contudo, as mudanças de voltagem são monitoradas em todo o neurônio, até nos minúsculos braços — os fios de espaguete — que as sondas não conseguem penetrar. É ainda mais eficiente: em um microscópio, o laboratório de Cohen pode ver dezenas de neurônios em uma placa de petri dispararem conjuntamente.

Trocando em miúdos, “você pode jogar os eletrodos fora”, disse Hausser.

Quando a notícia de seu trabalho se espalhou, Cohen foi assediado por pedidos de pesquisadores que queriam colaborar com ele. Ele iniciou o Q-State em abril de 2013 para criar uma plataforma para essas parcerias e desde então tem se envolvido em discussões com aproximadamente “todas as grandes empresas farmacêuticas do mundo”, disse ele. Ele disse que não pode citar a maioria delas porque as parcerias são privadas.

Segurança cardíaca

A empresa de biotecnologia Biogen é um desses clientes. A Biogen, que assim como Harvard tem sede em Cambridge, Massachusetts, é especializada em doenças neurológicas como a esclerose múltipla, que afeta cerca de 3,2 milhões de pessoas em todo o mundo e não tem cura. A empresa preferiu não dar detalhes sobre em que está trabalhando com Cohen.

A fabricante de medicamentos GlaxoSmithKline, com sede em Londres, também pediu que Cohen a ajudasse a estudar a segurança cardíaca observando a atividade elétrica no coração.

Se Cohen puder ajustar os níveis necessários de luz, algum dia os cientistas poderão até mesmo ser capazes de visualizar a atividade elétrica em humanos, simplesmente emitindo luzes através do crânio, disse Hausser. “Todos têm esperanças de que ele tire a sorte grande”.

Título em inglês: Harvard Scientist Lights Up Neurons to Find Brain Cures: Health

Para entrar em contato com o repórter: Caroline Chen, em Nova York, cchen509@bloomberg.net.

Fonte: UOL

Grupo desafia a lei para produzir remédio extraído da maconha 09/11/2014

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Canabidiol é o único remédio que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Substância não é vendida legalmente no Brasil.

Plantar maconha é ilegal no Brasil. Mas uma substância extraída da folha da maconha, chamada Canabidiol, serve como remédio. E esse remédio é o único que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Produzir Canabidiol também é proibido. Mas um grupo secreto está agindo fora da lei, e está plantando maconha, fazendo o remédio e distribuindo de graça a mães que já não sabem mais o que fazer para ajudar os filhos doentes.

A reunião é clandestina. Todos no grupo escondem o rosto, não revelam o nome, porque sabem os riscos de agir na ilegalidade. O motivo são estufas caseiras: cada um deles tem seu cultivo próprio de maconha.

Os encontros rotineiros já serviram só para trocar ideias sobre o plantio, mas, há pouco mais de oito meses, o assunto ficou sério. Os amigos decidiram que a plantação de maconha podia virar uma fonte de remédios artesanais.

“A gente sabe do risco que corre, mas a gente tem que enfrentar”, diz um dos jovens do grupo.

Era o começo de uma rede clandestina de produção e distribuição de substâncias proibidas no Brasil, mas que podem mudar histórias de muita gente.

Clárian, em São Paulo, está na outra ponta da rede clandestina. A filha caçula do Fábio e da Aparecida nasceu com Síndrome de Dravet, uma doença rara que provoca crises graves de epilepsia e afeta o desenvolvimento do cérebro.

“Ela não tinha ânimo nenhum para brincar. E fora isso quando tentávamos levar ela em um parque alguma coisa, ela tinha crises convulsivas porque ela não podia se expor ao sol, ela não podia fazer esforço físico”, conta Maria Aparecida de Carvalho, mãe da Clárian.

Desde os primeiros anos de vida, convulsões quase diárias e 17 internações na UTI. “A Clárian já teve algumas paradas respiratórias, cardiorrespiratórias. Já vimos, assim, a morte perto da minha filha várias vezes”, lembra a mãe da menina.

Os médicos tentaram vários remédios, mas nenhum trouxe qualidade de vida.

A mudança começou com gotinhas diárias. O remédio é o Canabidiol, ou CBD, uma das substâncias presentes na maconha. E, diferente da droga fumada, o extrato de CBD não altera os sentidos, ou seja, não dá barato e não provoca dependência.

O Canabidiol não é vendido legalmente no Brasil. Precisa ser importado, e só com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Em São Paulo, Fábio e Cida chegaram a importar CBD ilegalmente dos Estados Unidos. Pagaram US$ 500, mais de R$ 1,2 mil, por um frasco do remédio. A importação com autorização da Anvisa ficaria ainda mais cara, por causa dos impostos e gastos com despachantes.

“Isso ia alavancar o custo para R$ 8 mil. Foi aí que nós começamos a usar o óleo, o derivado do CBD artesanal”, conta Fábio Carvalho, pai de Clárian.

O óleo que Clárian está tomando atualmente vem da rede clandestina de cultivadores cariocas e não custa nem R$ 1. “Não existe nenhum fim comercial relacionado a esse tipo de prática, a questão é mesmo de solidariedade, de auxílio a outras pessoas”, afirma um dos jovens do grupo.

A produção é caseira. As flores colhidas são trituradas com gelo seco em um pote ou em um saco de lona. Esses dois processos artesanais dão origem a uma quantidade de extrato da cannabis, que é matéria prima para a confecção do medicamento. Essa base é suficiente para produzir 20 vidrinhos de 25 ml, que garante um ano de tratamento a um paciente.

Quem ajuda a preparar é um médico, estudioso do uso medicinal da maconha. “Minha assessoria é principalmente na transmissão de informação, de conhecimento, sobre as melhores práticas, a melhor forma de se fazer o produto a um grau medicinal, com o menor nível de contaminação possível, e mais eficiente possível para os pacientes”, afirma.

Ele reconhece que ainda não existem pesquisas que expliquem os mecanismos de ação ou a dosagem apropriada de cada remédio. “É uma medicina diferente da medicina tradicional, é uma medicina de observação. Tem que encontrar a dosagem certa para ele, principalmente a dosagem que não cause efeitos adversos pra ele, como perturbação do sono, aceleração e ao mesmo tempo consiga se beneficiar em relação a patologia dele”, explica.

“Estamos buscando sozinhos, nós mães, observacionalmente, por isso que é necessária a regulamentação”, afirma a mãe de Clárian.

O desespero e a esperança de controle dos sintomas da doença também podem levar a situações bem perigosas, como por exemplo, o preparo do Canabidiol em casa, sem nenhuma orientação médica. Essas pessoas aprendem, na prática, que o uso do CBD artesanal, preparado de forma inadequada, pode provocar efeitos colaterais.

Os ataques de epilepsia tornaram a vida de Miguel, de 5 anos, um risco constante. O menino de Curitiba é autista e tem uma doença no sistema de defesa do organismo que já chegou a provocar 30 convulsões por dia. Depois de tentar 20 medicamentos diferentes, sem resultado, a mãe pesquisou na internet como produzir o óleo de Canabidiol em casa.

“Eu descobri num site americano, em um artigo americano, um médico falando que existiam várias formas e que a forma menos tóxica, no caso para quem não tinha muito conhecimento de fazer, seria no azeite de oliva. Plantar dentro do azeite de oliva, em banho-Maria”, afirma Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel.

Ela ficou assustada com os efeitos. “Eu senti que ele relaxou. Ele começou a assistir o desenho dele e os olhos ficaram levemente avermelhados. Foi o efeito colateral que eu senti. A gente deu por mais dois dias, mas eu fiquei com medo. Falei: ‘Será que estou fazendo certo?’”, lembra.

O psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, é um dos maiores estudiosos do Brasil de canabinóides, ou seja, as substâncias encontradas na maconha. E faz um alerta: a produção caseira de medicamentos à base de CBD, como a da rede do Rio, não é segura. “Se fosse meu filho, eu não daria, eu buscaria certamente um Canabidiol com máximo de pureza, e existe no exterior, e existem mecanismos de buscar isso, mesmo dentro do nosso país. E a gente acredita que o Canabidiol é uma medicação. Ele não é maconha. Ele não é um droga. Saber sua dose, saber sua quantidade, isso é fundamental para que haja uma segurança e o paciente possa se beneficiar dos canabinóides como medicamento”, afirma o psiquiatra da USP.

Crippa explica que o CBD nunca vem puro, contém sempre alguma quantidade de THC, o composto que provoca as alterações dos sentidos, o barato. E aí está o perigo.

Toda cepa, ou tipo diferente de maconha, contém em maior ou menor grau CBD e THC. Por isso, dependendo da planta usada, e do modo de preparo, o óleo medicinal pode ser mais rico em Canabidiol ou em THC. As duas substâncias têm propriedades muito diferentes, e podem ser usadas no tratamento de doenças distintas.

“Dependendo da dose de THC, o THC pode permanecer por até três meses no cérebro dessa criança. Além disso, sabe-se que o uso regular nessa fase da vida, especialmente, pode aumentar em até 400% o desenvolvimento de alguns transtornos psiquiátricos”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa.

Apesar dessas ressalvas importantes, alguns remédios à base de THC, produzidos em laboratórios fora do Brasil, têm funcionado para aliviar dores crônicas e náuseas decorrentes da quimioterapia.

É com THC que Gilberto tenta diminuir os sintomas da esclerose múltipla, outra doença para a qual a substância pode trazer algum benefício. Há três meses, Gilberto passou a usar um óleo artesanal rico em THC, fornecido pela rede clandestina de cultivadores do Rio.

“Ela me ajuda com as sensações da esclerose múltipla, das dores que eu tenho o tempo todo”, conta Gilberto Elias Castro, designer.

Mais de 20 países já autorizam o comércio de remédios à base de maconha, incluindo alguns estados americanos, Inglaterra, Israel e o Uruguai. O Brasil está fora desta lista.

Por aqui, importar já é possível, mas a Anvisa impõe várias exigências ao laudo médico, entre elas a comprovação de que o paciente pode morrer sem o medicamento. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo autoriza a prescrição de Canabidiol apenas para crianças com algumas doenças específicas.

No fim do mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de lei que pode facilitar a importação de derivados da maconha para uso medicinal. O texto ainda não tem data para votação.

Por enquanto, para a legislação brasileira, a atividade da rede de cultivadores é crime, assim como a importação ilegal do medicamento feita por muitos pais.

“Quem planta, quem importa substancia entorpecente, mesmo para criar um medicamento, em tese estaria em curso nas penas do crime de tráfico, em uma conduta equiparada ao tráfico. Mas há ainda um outro crime punido com pena muito mais grave, que é o crime de vender, ceder, ainda que gratuitamente, ter em depósito, fabricar produto medicamentoso sem registro na Anvisa, punido com a pena mínima de 10 anos, que é o dobro da pena mínima do tráfico”, afirma Paulo Freitas, advogado criminalista.

“O que é crime maior? Você traficar por amor ou você deixar alguém morrer, ter 20 ou 30 crises em um dia?”, pergunta um dos jovens do grupo.

Mas o criminalista diz que a lei também prevê recursos para casos como os das pessoas que participam da rede de CBD. “Existe uma figura no direito penal chamada ‘estado de necessidade’. Então, por exemplo, uma mãe que importa para o filho esse medicamento, porque não tem outra forma de trazer esse medicamento, que efetivamente traz benefícios à saúde dessa criança, evidentemente que ela não pode ser punida. Se esse medicamento, feito à base do que for, é efetivamente benéfico à saúde dos que sofrem gravemente, severamente, o Estado tem que tomar uma atitude. O Estado tem que regulamentar isso. Esse produto é bom ou não é bom? É lícito ou não é lícito?”, destaca Paulo Freitas.

“Ilegal, na minha opinião, do jeito que está, é me privar de eu dar uma condição de vida melhor para a minha filha. Isso eu acho ilegal”, lamenta o pai de Clárian.

“As pessoas têm que olhar e perguntar, tentar viver um pouco daquilo antes de julgar. Antes de condenar. Se ela está dando o artesanal, se ela está dando o comprado. Está fazendo bem? Amém”, ressalta a mãe de Miguel.

No universo de quem descobriu um caminho para superar o pesadelo da doença, enfrentar todos os riscos pode significar, simplesmente, levar uma vida normal. “Os espasmos diminuíram significativamente. Ela melhorou no equilíbrio, ela melhorou no cognitivo. Ela está mais ativa, mais espontânea. Eu fui na reunião de escola, da escola dela e a professora falou: ‘Mãe, de três meses para cá, a Clárian é outra criança’. Isso me encheu de alegria”, comemora a mãe da Clárian.

Fonte: Fantástico, Rede Globo de Televisão

Médicos falam de esclerose múltipla e esclerose lateral amiotrófica 30/10/2014

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Bem Estar desta quinta-feira (30) falou de doenças no sistema neurológico.
Problemas podem atingir o sistema nervoso central ou periférico; entenda.

Assista aos videos complementares em:

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/10/medicos-falam-de-esclerose-multipla-e-esclerose-lateral-amiotrofica.html

Doenças no sistema neurológico, como a esclerose múltipla, a esclerose lateral amiotrófica e a síndrome de Guillain-Barré, por exemplo, podem afetar o corpo todo e causar alterações ou perda dos movimentos. No Bem Estar desta quinta-feira (30), os neurologistas Tarso Adoni e Leandro Calia falaram sobre os tratamentos desses problemas e as consequências deles na qualidade de vida dos pacientes.

Segundo os médicos, a causa da esclerose múltipla é desconhecida. O que se sabe é que a doença ataca as bainhas de mielina, que são espécies de “capas” dos neurônios – sem essa proteção, os impulsos começam a passar em uma velocidade mais lenta.

Mais comum nas mulheres, a esclerose é uma doença crônica, ou seja, não tem cura. Mas como explicou o neurologista Tarso Adoni, existem diversos tratamentos e medicamentos que permitem que o paciente tenha uma vida normal.

Os médicos falaram também da síndrome de Guillain-Barré, doença no sistema nervoso periférico, em que o próprio sistema imunológico do paciente ataca a bainha de mielina, no sistema nervoso. A síndrome não tem causa conhecida e pode provocar sequelas e levar à perda dos movimentos no corpo todo. Uma das maneiras de tratamento é a fisioterapia e a reabilitação, como mostrou a reportagem. Segundo o neurologista Leandro Caia, se tratada do jeito certo, a doença tem uma chance alta de cura.

Ainda no sistema nervoso periférico, pode ocorrer a esclerose lateral amiotrófica (E.L.A.), doença que leva à morte progressiva dos neurônios responsáveis por comandar músculos e movimentos voluntários. Nesse caso, não tem cura e a progressão pode ser rápida e levar de 3 a 5 anos, por exemplo. Seja qual for a doença, ao receber o diagnóstico, alguns pacientes acabam se isolando, o que é um caminho para a depressão, um problema que pode piorar ainda mais a qualidade de vida. O neurologista Tarso Adoni explica que o ideal é encarar o tratamento, com a ajuda e o aconchego dos outros).

Fonte: Programa Bem Estar, Rede Globo de Televisão

Benefícios do tratamento para esclerose múltipla podem se estender após quatro anos 17/09/2014

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Cerca de 70% dos pacientes com esclerose múltipla apresentaram estabilidade ou melhora do estado de incapacidade por dois anos, após os dois anos iniciais nos estudos-piloto

A Genzyme, empresa do grupo Sanofi, anunciou os resultados do segundo ano da extensão dos estudos clínicos com Lemtrada™ (alentuzumabe) para a esclerose múltipla durante a reunião da Comissão Europeia de Pesquisa e Tratamento da Esclerose Múltipla (European Committee for Research and Treatment in Multiple Sclerosis – Ectrims), em Boston, Estados Unidos, entre 13 e 15 de setembro.

Nessa análise, as taxas de surtos e do acúmulo sustentado da incapacidade permaneceram baixas entre os pacientes que haviam recebido tratamento com Lemtrada anteriormente, nos dois estudos Fase III, CARE-MS I e II CARE-MS. Nesses estudos-piloto, foram administrados dois ciclos anuais de Lemtrada, o primeiro no início da análise, e o outro 12 meses depois. Em aproximadamente 70% dos pacientes que receberam Lemtrada, não houve necessidade de mais um ciclo de tratamento no segundo ano da extensão dos estudos-piloto. Além disso, não foram identificados novos tópicos relacionados à segurança do medicamento.

“Os resultados da extensão dos estudos-piloto fornecem mais evidências da eficácia do Lemtrada, tanto nos surtos como na progressão da incapacidade”, observa o dr. Alasdair Coles, conferencista sênior do Departamento de Neurociências Clínicas, da Universidade de Cambridge. “A maioria dos pacientes continuou a apresentar redução da atividade da doença, apesar de o último tratamento com Lemtrada ter sido administrado três anos antes.”

Resultados da extensão dos estudos-piloto

Nos estudos-piloto Fase III, os pacientes com Esclerose Múltipla Recorrente Remitente (EMRR) foram alocados de forma aleatória no grupo Lemtrada ou entre os que receberam altas doses subcutâneas de interferon beta-1a, que apresentavam doença ativa virgem de tratamento (CARE-MS I) ou tinham apresentado surtos durante a terapia anterior (CARE-MS II).

Mais de 90% dos pacientes tratados com o Lemtrada dos estudos Fase III permaneceram na extensão da análise. Esses pacientes foram elegíveis para receber tratamento adicional com o Lemtrada na extensão do estudo, caso tivessem experimentado pelo menos um surto ou duas novas ou crescentes lesões no cérebro ou na coluna vertebral.

Os seguintes resultados foram obtidos no segundo ano de extensão, em pacientes que receberam previamente Lemtrada nos dois anos de estudo-piloto:

·         No quarto ano, as taxas anuais de surtos para pacientes que receberam Lemtrada no CARE-MS I e no CARE-MS II foram de 0,14 e 0,23, respectivamente. As taxas foram comparáveis às encontradas nos pacientes que receberam Lemtrada nos estudos-piloto.

·         Até o fim do quarto ano, 74% dos pacientes no CARE-MS I e 66% no CARE-MS II apresentaram melhora ou estabilização da doença, de acordo com a Escala Expandida do Estado de Incapacidade (Expanded Disability Status Scale – EDSS).

·         Até o fim do quarto ano, 83% e 76% dos pacientes que receberam Lemtrada nos estudos-piloto, respectivamente, não apresentaram piora na incapacidade, efeito que se manteve durante seis meses seguidos dos quatro anos observados.

·         Cerca de 70% dos pacientes tratados com o Lemtrada nos estudos-piloto não necessitaram de um terceiro ciclo de tratamento nos anos três e quatro da extensão.

“A esclerose múltipla é uma doença devastadora, e os pacientes ainda precisam de novas opções de tratamento que ofereçam maior eficácia. Esses novos dados realçam o potencial transformador do Lemtrada”, disse o presidente e CEO da Genzyme, David Meeker, M.D. “É animador ver que a eficácia duradoura e a segurança administrável do Lemtrada se mantêm durante os dois anos da extensão dos estudos.”

Os resultados de segurança do segundo ano da extensão dos estudos foram relatados. Não se identificou nenhum risco novo com o tratamento. Como já exposto, houve duas mortes durante a extensão dos estudos. Uma delas foi resultado de septicemia, e a outra foi dada como acidental e considerada sem relação com o tratamento em estudo.

Durante quatro anos, aproximadamente 2% dos pacientes tratados com Lemtrada nos estudos-piloto desenvolveram púrpura trombocitopênica imune (PTIs), e todos responderam bem à terapia. O monitoramento regular dos distúrbios autoimunes em pacientes tratados com Lemtrada deve ser realizado e faz parte de um plano de minimização de risco.

Os eventos adversos mais comuns com Lemtrada são reações associadas à infusão (dor de cabeça, erupção cutânea, febre, náusea, fadiga, urticária, insônia, prurido, diarreia, calafrios, tontura e rubor), infecções (do trato respiratório superior e trato urinário) e distúrbios da tiroide. Condições autoimunes (incluindo a PTI, outras citopenias, glomerulonefrite e doenças da tiroide) e graves infecções poderão ocorrer em pacientes que recebem o Lemtrada. O plano de minimização de risco, que integra a educação médica e do paciente, assim como o monitoramento regular auxiliam muito na detecção precoce e no gerenciamento dos riscos identificados.

Sobre o CARE-MS

O programa de desenvolvimento clínico do Lemtrada incluiu dois estudos randomizados Fase III  – que comparam a terapia com o medicamento ante a aplicação de altas doses subcutâneas de interferon beta-1a em pacientes com EMRR cuja doença estava ativa e eram ou novos no tratamento (CARE-MSI) ou haviam apresentado surto durante a terapia anterior (CARE-MS II) –, bem como a extensão das análises em andamento. No CARE-MS I, Lemtrada foi significativamente mais eficaz que a interferon beta-1a na redução da taxa anual de surtos. No CARE-MS II, Lemtrada foi muito mais eficaz que altas doses de interferon beta-1a na redução anual de surtos, e retardou significativamente o acúmulo da incapacidade.

Sobre o Lemtrada (alentuzumabe)

O Lemtrada tem o apoio de um programa de desenvolvimento clínico amplo e abrangente, que envolveu quase 1.500 pacientes e 5.400 pacientes-ano de acompanhamento. O Lemtrada 12 mg é administrado por esquema único, com a aplicação de dois ciclos anuais. O primeiro ciclo de tratamento é realizado mediante administrações intravenosas em cinco dias consecutivos, e o segundo é aplicado em três dias consecutivos, 12 meses após a última aplicação.

O alentuzumabe é um anticorpo monoclonal seletivo contra a CD52, uma proteína abundante na superfície das células T e B. O tratamento com o alentuzumabe resulta na redução das células T e B circulantes, responsáveis pelo processo inflamatório na esclerose múltipla. O alentuzumabe exerce impacto mínimo sobre outras células imunes. O efeito inicial anti-inflamatório do alentuzumabe é seguido imediatamente pelo distinto padrão de repopulação de células T e B, que continua com o passar do tempo, reequilibrando o sistema imune, de forma que potencialmente reduz a atividade da doença por um longo período de tempo.

O medicamento é aprovado na União Europeia, Austrália, Canadá, México, Brasil, Argentina, Chile e Guatemala. Atualmente, Lemtrada não tem aprovação nos Estados Unidos. O U.S. Food and Drug Administration (FDA) aceitou reavaliar a solicitação de aprovação do Lemtrada, e a Genzyme aguarda uma posição do FDA no quarto trimestre deste ano. A Genzyme detém os direitos mundiais do alemtuzumabe e é a principal responsável pelo desenvolvimento e pela comercialização do alentuzumabe para o tratamento da esclerose múltipla.

Fonte: Segs

Remédio caro 15/09/2014

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Não há dinheiro público que pague toda a pesquisa na área da neurologia. A conta é para dividir com a indústria

Cientistas e clínicos especialistas em doenças autoimunes do sistema nervoso, em especial a esclerose múltipla, vieram de todas as partes do mundo para Boston, nos EUA, para debater o tema no encontro anual dos comitês americano e europeu.

Remédio

Encontrar uma nova molécula com uso terapêutico é como achar uma agulha no palheiro

Vinte anos atrás, o primeiro tratamento eficaz para essa doença foi liberado para comercialização. O Interferon Beta, desenvolvido inicialmente para tratar outra doença, encontrou seu destino controlando surtos de inflamação no cérebro e na medula espinal provocados pela doença autoimune, que ocorre quando o nosso sistema de defesa passa a atacar o próprio corpo, chamada esclerose múltipla. O desenvolvimento do Interferon foi inicialmente patrocinado pela agência do governo americano National Institutes of Health (NIH) e depois a droga passou a ser comercializada pela indústria farmacêutica. A partir daí diversas drogas foram desenvolvidas para a doença, hoje são mais de 12 aprovadas e em uso. Juntas, mudaram por completo a vida das pessoas que sofrem de esclerose múltipla.

Espera-se que até 2020 encontremos medicações que não só interrompam por completo a progressão da doença, mas que também promovam a recuperação de várias sequelas. Já existe uma medicação que melhora a marcha de pessoas com esclerose múltipla e que precisam do auxílio de bengala ou cadeira de rodas.

Encontrar uma nova molécula com uso terapêutico é como achar uma agulha no palheiro. De cada 10 mil moléculas desenvolvidas, uma vira remédio. Na área da neurologia isso demora em média 15 anos, da formulação até a liberação para uso, e custa em torno de 1,2 bilhão de dólares. Bibiana Bielekova, chefe da Unidade de Doenças Neuro-Imunológicas do NIH, acredita que a conta não pode ser paga só pelos governos, pois não existe uma estrutura pública que associe o espírito de encontrar a cura de uma doença com o interesse em produzir e comercializar medicamentos. É aí que entra a iniciativa privada.

O órgão público que mais financia estudos para desenvolvimento de drogas é o NIH.Foram 29,2 bilhões de dólares em 2012, enquanto a indústria farmacêutica gastou 51,1 bilhões no mesmo ano. O NIH investe a maior parte de seus recursos em estudos básicos para descobrir o porquê do aparecimento de uma doença e potenciais alvos para medicações, enquanto a indústria farmacêutica gasta seu dinheiro desenvolvendo e testando clinicamente as novas drogas.

Poucas são as indústrias que mantêm investimentos na neurologia, já que o tempo de descoberta e aprovação de uma droga é muito mais longo. Mesmo assim é na neurologia onde estão as maiores demandas da humanidade, a descoberta da cura da doença de Alzheimer, da doença de Parkinson, do autismo e da esquizofrenia, além de um tratamento eficaz para sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) e da lesão cerebral por trauma.

Há, portanto, uma oportunidade que é associar os esforços de ambos: o governo poderá dedicar recursos onde a indústria não está, e vice-versa. Esse debate deve nos servir como lição, pois se no Brasil continuarmos achando que a associação da iniciativa privada com o setor público é um sacrilégio, permaneceremos na lanterninha do conhecimento e fadados a sermos meros consumidores da única indústria cujo valor agregado é maior que o da tecnologia da informação: a farmacêutica.

Fonte: Carta Capital

Cientistas descobrem como “desligar” doenças autoimunes 03/09/2014

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Cientistas acreditam estar perante um novo fármaco capaz de “desligar” doenças autoimunes, como a esclerose múltipla

 

Injeções regulares poderão ajudar a “desligar”Robert Cianflone
 

Um grupo de cientistas da Universidade de Bristol no Reino Unido acredita ter feito uma importante descoberta no combate contra as doenças autoimunes, como a esclerose múltipla ou a diabetes de tipo 1. O estudo, financiado pelaWellcome Trust, foi hoje publicado na revista Nature Communications.

A equipa dirigida pelo Professor David Wraith, acredita ter descoberto forma de impedir as células de atacarem os tecidos saudáveis do corpo. As doenças autoimunes, altamente debilitantes, enganam o corpo, levando-o a atacar-se a ele próprio. No caso de doenças como a esclerose múltipla, por exemplo, os nervos, que transportam as mensagens do cérebro e para o cérebro, são afetados, o que causa o surgimento de diversos problemas, como fadiga, perda de mobilidade e até perturbações na visão e, em última instância, invalidez.

 

“O sistema imunitário trabalha a partir do reconhecimento de antigénios [que provoca a formação de anticorpos] que podem provocar uma infeção”, afirmouBronwen Burton ao jornal Telegraph, um dos cientistas responsáveis pela investigação. “Nas alergias, o sistema imunitário cria uma resposta a alguma coisa, como o pólen ou as nozes, porque acredita que estes irão fazer mal ao corpo. Mas nas doenças autoimunes, o sistema imunitário vê pequenos fragmentos de proteína dos nossos próprios tecidos como invasores e começa a atacá-los”. Porém, através da injeção de proteínas sintéticas na corrente sanguínea em doses crescentes, é possível “treinar” o corpo, fazendo-o perceber de que elas são seguras.

Este tipo de terapia, conhecida por dessensibilização, já tinha sido utilizado no tratamento de alergias, mas só recentemente é que os cientistas se aperceberam que esta poderia ser também usada para tratar outras doenças. Esta nova descoberta trata-se de um importante avanço no tratamento de doenças autoimunes, que poderá melhorar as condições de vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Atualmente, as doenças autoimunes são tratadas recorrendo a medicamentos que suprimem o sistema imunológico, algo que provoca diversos efeitos secundários, como infeções e perturbações nos mecanismos reguladores naturais, que têm de ser minimizados através do uso de outros fármacos mais específicos. O desenvolvimento deste novo tratamento poderá oferecer uma opção de baixo risco, face aos medicamentos atuais, permitindo manter o bom funcionamento do sistema imunitário.

O tratamento está atualmente em fase de desenvolvimento clínico na empresa de biotécnica Apitopo, uma “spin-out” da Universidade de Bristol, onde está a ser testado em humanos.

Fonte: Observador

SUS vai oferecer medicamento para esclerose múltipla 01/09/2014

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Primeiro medicamento via oral fabricado para o tratamento da doença está previsto para entrar no mercado em janeiro de 2015

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) de um novo medicamento para o tratamento de esclerose múltipla: o primeiro medicamento oral para a doença que afeta cerca de 30 mil brasileiros.

A estimativa é que o novo medicamento esteja disponível na rede pública de saúde a partir de janeiro de 2015. Até então, todo o tratamento para a esclerosa múltipla era feito por meio de medicamentos injetáveis. A doença é autoimune e atinge o sistema nervoso central. A taxa de prevalência, no Brasil, é de aproximadamente 15 casos por 100 mil habitantes.

O ministro da Saúde, Arthur Chiorou, explicou a importância da nova incorporação para o tratamento da doença. “Com esta incorporação, os pacientes brasileiros passam a contar com que o que há de mais moderno, do ponto de vista de medicação, para o tratamento da doença, ainda que o Ministério da Saúde esteja acompanhando o conjunto de inovações com novos medicamentos que estão sendo produzidos no Brasil. Inclusive, acabamos de publicar um edital no valor de R$ 6 milhões para pesquisas no campo de doenças neurodegenerativas, grupo em que a esclerose múltipla está incluída”, informou.

O novo medicamento é mais uma alternativa de tratamento aos pacientes que não responderam aos medicamentos já disponibilizados na rede pública. Para receber o medicamento, o paciente deve ter apresentado resistência ou não ter apresentado resposta aos tratamentos com o betainterferona e glatirâmer e a impossibilidade do uso de natalizumabe, além de não apresentar contraindicação ao uso de fingolimode.

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, o Ministério da Saúde realiza um trabalho permanente de avaliação de novos medicamentos, visando ampliar o acesso da população a novas tecnologias. “Esse trabalho triplicou a média anual de incorporações. Nos últimos dois anos, o Ministério da Saúde incorporou 95 novas tecnologias, sendo cerca de 70% de medicamentos. Entendemos que a incorporação de medicamentos e procedimentos no SUS com base em evidências científicas tem sido um grande aliado do Ministério na oferta de tratamentos mais seguros, custo-efetivos e convenientes para a população brasileira”, avaliou.

Incorporação

A inclusão de qualquer medicamento no SUS obedece às regras da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que exige comprovação da eficácia, custo-efetividade e segurança do produto por meio de evidência clínica consolidada e assim garante a proteção do cidadão que fará uso do medicamento. Após a incorporação, o medicamento ou tecnologia pode levar até 180 dias para estar disponível ao paciente.

Fonte: Ministério da Saúde

Alto consumo de sal pode agravar sintomas da esclerose múltipla, diz estudo 31/08/2014

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Pacientes que consumiam maior quantidade de sal tiveram mais surtos da doença do que aqueles que ingeriam menores quantidades

Alto consumo de sal pode agravar sintomas da esclerose múltipla, diz estudo

Um novo estudo constatou que uma dieta rica em sal pode agravar os sintomas da esclerose múltipla. A descoberta foi publicada nesta quinta-feira no periódico Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, de causa desconhecida e incurável. Ela danifica ou destrói a mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinal e do nervo óptico. Essas lesões desencadeiam sintomas sensitivos, motores e psicológicos.

Pesquisas anteriores apontaram que o sal pode alterar a resposta autoimune, mas não concluíram se seu consumo afeta o desenvolvimento da esclerose múltipla. No presente estudo, os pesquisadores analisaram amostras de sangue e de urina de 70 pessoas com esclerose múltipla.

Em três ocasiões ao longo de nove meses, os autores mediram os níveis de sal, creatinina e vitamina D dos pacientes. A saúde neurológica dos participantes foi monitorada ao longo de dois anos. Para comparação, o teor de sal na urina também foi mensurado em um segundo grupo com 52 pessoas também com a doença.

Nos dois grupos, o consumo médio de sódio foi de 4 gramas por dia, mas variou de menos de 2 gramas (baixo), 2 a 4,8 gramas (médio) e acima de 4,8 gramas (alto).

Conclusão — Depois de excluir fatores como tabagismo, idade, gênero, tempo de diagnóstico da doença, peso, tratamento e taxa de vitamina D nos pacientes, os pesquisadores observaram uma relação entre consumo de sal e piora nos sintomas da esclerose múltipla. As pessoas com consumo moderado a alto tinham três surtos a mais do que aquelas com consumo baixo.

Ao comparar a evolução da doença por meio de exames de imagem, os pesquisadores constataram novamente a relação entre o sal e as lesões. Os participantes que consumiam maior quantidade tinham quase 3,5 vezes mais probabilidade de apresentar sinais de progressão da enfermidade. Resultados semelhantes foram obtidos no grupo de comparação.

“Como esse é um estudo de observação, não podemos tirar conclusões definitivas de causa e efeito. Os altos níveis de sal na urina podem ser consequência da maior atividade da doença, não o contrário”, dizem os autores. “Mais estudos são necessários para confirmar se o baixo consumo de sal pode reduzir os sintomas da esclerose múltipla e sua progressão.”

Fonte: CenárioMT.com.br

Um remédio para a esclerose múltipla supera a primeira fase de testes 28/08/2014

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A esclerose múltipla é uma doença degenerativa. Consiste na destruição da mielina (a capa que recobre os nervos) pelo funcionamento anormal do sistema imunológico, e tem como consequência que os sinais do cérebro não chegam ao seu destino. Por isso se manifesta de maneiras muito variadas (problemas de visão, de coordenação, de memória, fraqueza muscular, fisgadas, tiques). Não tem cura e só podem ser prescritas terapias paliativas durante os surtos ou como manutenção. Por isso, um fármaco que tenha superado a primeira fase dos testes em humanos é uma boa notícia para os doentes (entre eles, dois milhões de europeus). Isso é o que publicou nesta quarta-feira, na revista Neurology, Neuroimmunology & Neuroinflammation, uma equipe da Associação Americana de Neurologia.

O trabalho é apenas a fase I, a que mede a segurança do medicamento, e ainda falta um longo caminho até chegar ao uso clínico, mas tem uma abordagem inovadora, explicam os autores. Até agora, o que se tenta com as terapias para a esclerose múltipla é que não se volte a ter surtos (a doença não atua de maneira contínua, mas o faz por episódios intercalados com períodos de estabilidade).

Neste caso se descobriu —ao menos nos testes com ratos— que é possível interferir na atividade de uma proteína, chamada lingo-1, que bloqueia o processo de reconstrução da mielina dos nervos.

O anti-lingo-1, como o fármaco foi chamado, impede essa atuação, o que levou animais de laboratório a recuperarem as funções nervosas. O teste em pessoas, por ora, não produziu dados disponíveis. Nesta fase foram recrutadas 72 pessoas saudáveis e 47 que tinham a doença em uma fase de não atividade ou com baixa progressão, e, como é normal nesses estudos, elas foram divididas em grupos para receberem o placebo ou várias doses do medicamento, que é injetado.

O resultado principal do estudo foi que não houve efeitos colaterais de importância. Mas foi possível determinar qual quantidade de fármaco permitia manter no sangue o nível ótimo de anti-lingo-1 que se tinha observado permitir a regeneração da mielina em animais. Por isso Diego Cadavid, membro da Associação Americana de Neurologia e do laboratório Biogen, que desenvolveu o fármaco, se mostrou otimista. “Com esses resultados podemos começar os testes da fase II para ver se esse fármaco pode recompor a mielina e se tem efeito na recuperação das funções físicas e intelectuais”, disse. Logo se fará um teste em grande escala para refinar os protocolos e medir definitivamente sua eficácia, o que costuma levar anos, a não ser que se decida, como aconteceu com o ebola, que a situação dos pacientes é tão desesperadora a ponto de se acelerar os prazos ou, diretamente, saltar essas etapas.

Fonte: El País

Perfis dos pacientes podem indicar melhor tratamento 26/08/2014

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Especialista canadense aponta evolução nas terapias e aposta na segmentação conforme as características dos doentes e a escala da esclerose múltipla para definir a melhor abordagem

Dia 30 de agosto é celebrado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A doença atinge mais de 30 mil brasileiros e está em discussão após a divulgação de novas drogas, que, apesar de chegarem aos poucos, estão fazendo a diferença no tratamento e na recuperação dos pacientes. A esclerose múltipla atinge na maioria mulheres adultas jovens, causa incapacidade e pode levar à morte.

Em palestra em Campinas (SP), durante congresso sobre o tema, o médico cientista do Instituto Neurológico de Montreal e diretor científico da Unidade de Pesquisa Clínica da MNI, onde dirige um programa experimental de terapias, prof. dr. Amit Bar-Or, afirmou que os pacientes desenvolvem a patologia de formas diversas, assim como desejam tratamentos distintos. “Alguns querem um tratamento mais leve, escalado. Outras pessoas me dizem  ‘receite-me o mais forte que puder agora mesmo’”, conta dr. Bar-Or. “A ideia de delinear um tratamento ‘one to one’ é fazer o melhor possível para diagnosticar e prescrever o que é o mais adequado para o paciente de acordo com a atividade da doença, o histórico médico da pessoa e as terapias existentes atualmente.”

Bar-Or acredita que é necessário reconhecer que diferentes tratamentos  podem ser eficazes para os diversos momentos dos pacientes, tanto para os casos mais simples quanto para os mais complicados. Segundo o pesquisador, há várias categorias de medicamentos, e é possível integrá-las após um conhecimento vertical do paciente e o acompanhamento de sua evolução, melhorias e surtos, para poder avaliar e seguir para a próxima terapia. “Nós fizemos um bom e importante progresso para entender os surtos e suas frequências, as opções de produtos e a tolerabilidade de cada um”, explica.

O especialista destaca as opções disponíveis no mercado mundial e agora acessíveis aos pacientes brasileiros. É o caso da Teriflunomida, medicação via oral com dose única diária que facilita a adesão ao tratamento, indicada para os casos leves a moderados da doença. Já o Alemtuzumabe é a mais nova promessa do tratamento da esclerose múltipla. A administração é intravenosa, mas feita em dois ciclos de cinco dias, no primeiro ano, e mais três dias no ano seguinte. Após esse segundo ciclo de tratamento anual, sob a orientação médica, cerca de 80% dos pacientes não precisam repetir mais a medicação, tendo a possibilidade de ter uma vida mais próxima da normalidade. “É bom saber que grandes empresas estão investindo no desenvolvimento de novas terapias. Agora já temos como retardar a progressão da doença e, em alguns casos, até fazer com que o paciente retome as atividades cotidianas.  Num futuro distante podemos pensar em identificar o grande causador da esclerose múltipla, o que seria um grande passo.”

Amit Bar-Or é neurologista e neuroimunologista. Seu interesse original pelo funcionamento da mente o levou a escolher a neurologia. Durante sua residência médica, gostou da imunologia e decidiu ser neurocientista.  Daí para a esclerose múltipla foi um passo. “A esclerose múltipla não permite ao paciente ter uma rotina. Você não sabe, um dia pode ser diferente do outro. Você tem um plano, e o muda muitas vezes. A incerteza faz  a doença se tornar um desafio. Gosto de pensar que estou ajudando as pessoas a seguir em frente com sua vida.”

Terapias alternativas e outras doenças

Atualmente muito se fala sobre a vitamina D, que poderia ser uma das terapias indicadas para o tratamento da esclerose múltipla. Dr. Amir Bar-Or não recomenda tomar vitamina D no lugar dos medicamentos existentes. “Não há estudos que provem sua eficácia, mas também não faz mal”, explica. Para o cientista, a falta dessa substância é um dos componentes que influenciam no desenvolvimento da doença, assim como o tabagismo e fatores genéticos. Mas o sol tomado no dia a dia já seria suficiente para suprir a necessidade do corpo humano.

Outra confusão, que merece ser explicada, é a diferença entre esclerose múltipla e esclerose lateral amiotrófica, mais conhecida como ELA. Apesar do termo “esclerose”, que significa cicatriz, as duas doenças são bem diferentes.

A ELA tem como principal sintoma a fraqueza muscular, juntamente com o endurecimento dos músculos, que ocorre em um dos lados do corpo inicialmente. Mas existem outros sintomas, como tremor muscular, perda de sensibilidade, cãibras e espasmos. A doença faz com que surjam lesões cicatriciais que envolvem a porção lateral da medula espinhal, o que leva à atrofia muscular. De difícil diagnóstico, a ELA requer um tratamento sob a supervisão de um médico e também o acompanhamento de fisioterapeutas e nutricionistas. No Brasil, cerca de 12 mil pessoas sofrem com a doença. Estima-se que, a cada 100 mil habitantes, um a três novos casos apareçam. Sua frequência é maior na população com idade entre 65 e 74 anos, e a incidência é maior em homens. A ELA ficou bastante conhecida atualmente pelo “desafio do gelo”, no qual uma celebridade toma um banho gelado e desafia outra a fazer o mesmo ou doar um valor para a pesquisa da causa.

Já a esclerose múltipla é uma doença debilitante, muito mais comum que a ELA, que compromete o Sistema Nervoso Central e atinge cerca de 30 mil brasileiros. No mundo, já são cerca de 2,5 milhões (2013). É uma das doenças que mais causam a incapacidade de jovens adultos, com idade de 20 a 40 anos, atingindo principalmente mulheres. Entre os sintomas, dados de vários estudos internacionais estimam que cerca de 85% das pessoas com a doença se queixam de fadiga constante, independentemente de seu grau de incapacidade, o que interfere com sua qualidade de vida e produtividade. A esclerose múltipla é uma inflamação crônica de origem autoimune que pode causar desde problemas momentâneos de visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como cegueira e paralisia completa dos membros, e pode levar à morte.

Fonte: Segs

Medicamento para esclerose múltipla é incorporado pelo SUS 01/07/2014

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Portaria do Ministério da Saúde publicada hoje (1º) no Diário Oficial da União incorpora o fingolimode no tratamento para esclerose múltipla oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até então, a rede pública oferecia apenas três medicamentos para a doença (betainterferonas, glatirâmer e natalizumabe).

O fingolimode já tem a comercialização autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Em maio, entidades que defendem pacientes com esclerose múltipla cobraram do governo a incorporação do tratamento no rol de serviços oferecidos pela rede pública.

Dados da Associação dos Portadores de Esclerose Múltipla de Santa Maria e Região mostram que, em todo o Brasil 1.600 pessoas recebem o fingolimode judicialmente. O remédio custa R$ 6 mil por mês.

No Brasil, mais de 35 mil pessoas têm esclerose múltipla. De acordo com a associação, a maioria dos pacientes consegue levar uma vida normal, sem redução da expectativa de vida, caso siga corretamente o tratamento.

Agência Brasil

Fonte: Portal AZ

Estudos associam obesidade e pílula à esclerose múltipla 29/06/2014

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Causas da doença ainda são desconhecidas, mas novas pesquisas dão pistas sobre uma possível influência do fator hormonal no surgimento dos sintomas

Pílula anticoncepcional: Segundo estudo americano, método contraceptivo pode aumentar em 35% o risco de esclerose múltipla

Pílula anticoncepcional: Segundo estudo americano, método contraceptivo pode aumentar em 35% o risco de esclerose múltipla (Thinkstock)

O fator hormonal pode contribuir com o surgimento da esclerose múltipla, uma doença autoimune cuja causa é desconhecida e para a qual ainda não existe cura. É o que concluíram dois novos estudos que associaram um hormônio relacionado à obesidade e à pílula anticoncepcional ao risco aumentado da condição. As pesquisas serão apresentadas durante o encontro anual da Academia Americana de Neurologia, que acontece até a próxima segunda-feira na Filadélfia, nos Estados Unidos.

A esclerose múltipla ocorre quando há danos ou destruição da mielina, uma substância que envolve e protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinal e do nervo óptico. Quando isso acontece, são formadas áreas de cicatrização, ou escleroses, e surgem diferentes sintomas sensitivos, motores e psicológicos.

Uma das pesquisas, assinada pelo Instituto de Pesquisas Neurológicas Raúl Carrera, na Argentina, foi feita com 420 pessoas de 15 a 20 anos — metade delas apresentava esclerose múltipla. Após calcular o índice de massa corporal (IMC) dos participantes, os autores observaram que a prevalência da doença entre os jovens obesos (com IMC maior do que 30) foi o dobro da apresentada pelos outros adolescentes.

O estudo ainda descobriu que quanto maior o IMC de uma pessoa, mais elevados os seus níveis de leptina, um hormônio produzido pelo tecido de gordura que ajuda a regular o peso, o apetite e a resposta do sistema imunológico. “Em excesso, a leptina pode promover uma reação inflamatória no organismo, o que poderia ajudar a explicar a possível relação entre obesidade e esclerose múltipla”, diz Jorge Correale, coordenador do estudo.

A segunda pesquisa foi desenvolvida na Califórnia, nos Estados Unidos. Nela, os autores acompanharam 305 mulheres com esclerose múltipla durante três anos e, depois, as compararam a outras 3 050 mulheres sem a doença. Segundo os pesquisadores, a esclerose múltipla foi 35% mais prevalente entre mulheres que faziam uso de anticoncepcional do que entre aquelas que não usavam o método. De acordo com os autores do estudo, porém, são necessárias mais pesquisas para comprovar – e explicar — o vínculo.

Fonte: Revista Veja

Médicos questionam tratamento de esclerose múltipla à base de vitamina D 28/06/2014

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Professores, pesquisadores e representantes da Academia Brasileira de Neurologia afirmam que tratamento praticado por neurologistas como Cícero Galli Coimbra não tem evidência científica e pode colocar a saúde do paciente em risco

Marcella Centofanti, Rita Loiola e Vivian Carrer Elias
Cícero Galli Coimbra

Cícero Galli Coimbra: médico usa vitamina D para tratar pacientes com esclerose múltipla (Reprodução)

A esclerose múltipla é uma doença neurológica que desafia a medicina. Cerca 2,3 milhões de pessoas no mundo, dentre elas 35 000 brasileiros, sofrem dessa enfermidade, que é incurável e gera efeitos devastadores. De causa desconhecida, a doença se manifesta de uma hora para outra, quando o sistema imunológico ataca a mielina, substância que protege as fibras nervosas do cérebro, da medula espinal e do nervo óptico. A cada surto, as lesões formam áreas de cicatrização, ou escleroses, que causam danos irreversíveis e podem deixar sequelas como cegueira, paralisia, lapso de memória e dificuldades na fala e na deglutição. Os medicamentos usados para conter a moléstia não são 100% eficazes e podem proporcionar fortes efeitos adversos ao paciente.

Diante desse cenário, é comum — e compreensível — que portadores de esclerose múltipla entrem em uma busca constante por novos tratamentos e soluções milagrosas de cura. Dentre as novidades na seara científica estão os medicamentos orais, como o fingolimode e a teriflunomida — até pouco tempo, as únicas opções eram remédios injetáveis. No campo da especulação, a vitamina D é a bola da vez.

O mais notório defensor dessa teoria, no Brasil, é o neurologista Cícero Galli Coimbra, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Coimbra afirma que a deficiência de vitamina D é a causa da esclerose múltipla, ao lado do stress emocional. Dessa forma, a doença poderia ser combatida com a reposição do nutriente, sem a necessidade de remédios.

Depois de pagar mil reais pela consulta (preço informado pela recepcionista da clínica), seus pacientes saem do consultório com três recomendações: ingerir doses cavalares de vitamina D, seguir uma dieta livre de alimentos ricos em cálcio e beber 2 litros de água por dia. “A atividade da doença desaparece em 95% dos casos, desde que não esteja num estágio muito avançado. Nos outros 5% o tratamento tem um efeito parcial, mas ainda assim significativo”, garantiu o médico, em entrevista ao site de VEJA.

Falta de provas — Fácil de seguir, barato, livre dos efeitos adversos das drogas convencionais e com 95% de promessa de cura. O problema é que o tratamento sugerido por Coimbra não tem comprovação científica.

Há décadas a medicina reconhece que bons níveis de vitamina D no organismo ajudam a proteger os ossos. Nos últimos anos, estudos têm investigado outro benefício do nutriente: a capacidade de blindar o sistema imunológico. No caso da esclerose múltipla, a teoria ganhou força porque estimativas indicam que a condição é mais prevalente entre pessoas que moram em locais afastados da linha do Equador – e, portanto, menos expostas ao sol.

Em um primeiro momento, pesquisas sugeriram que a deficiência de vitamina D poderia enfraquecer as células de defesa do organismo e abrir as portas para uma série de doenças, da dor de garganta ao câncer. Revisões mais recentes, porém, apontam no caminho contrário: um sistema imune combalido é que teria dificuldade de produzir o nutriente (a vitamina D é fabricada pelo organismo, com o estímulo de banhos de sol).

Em dezembro do ano passado, o prestigioso periódico The Lancet publicou a mais completa revisão de estudos sobre os efeitos da vitamina D no organismo. O objetivo era reunir evidências científicas de que o nutriente poderia prevenir doenças cardiovasculares, diabetes, câncer ou esclerose múltipla.

Depois de analisar 462 artigos, os pesquisadores concluíram que a falta de vitamina D não é causa de um sistema imunológico fraco e, sim, sua consequência. Baixas doses do nutriente são resultado dos processos inflamatórios que acompanham muitas doenças, como a esclerose múltipla. Dessa forma, a vitamina D não interfere na prevenção ou tratamento de enfermidades crônicas.

“Não há evidências de que altas doses de vitamina D melhoram os sintomas da esclerose múltipla”, diz Philippe Autier, coordenador do estudo e professor do Instituto Internacional de Pesquisa em Prevenção de Lyon, na França. “Usar altas doses do nutriente para tratar uma doença como a esclerose múltipla é perda de dinheiro. Além do mais, prescrever um medicamento sem ter a eficiência comprovada por estudos randomizados é uma péssima prática médica.”

Consenso brasileiro — A conclusão foi a mesma em uma revisão de estudos publicada em fevereiro desde ano pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN) para elaborar um consenso médico sobre o uso terapêutico da vitamina D em pacientes com esclerose múltipla.

De acordo com a neurologista Doralina Guimarães Brum, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da ABN e professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), os estudos que relacionam a vitamina D à esclerose múltipla, além de poucos, foram feitos com grupos pequenos de pessoas ou com modelos animais. Não existe nenhum trabalho amplo e de longo prazo com humanos para especificar qual seriam os efeitos diretos da vitamina D e as doses recomendadas.

“Adoraríamos ter um estudo com um grande número de pacientes de esclerose múltipla mostrando os efeitos da vitamina D no tratamento. No entanto, isso não existe e não é possível basear condutas médicas em especulações”, diz Doralina.

O estudo da ABN estabeleceu que o uso de vitamina D como terapia única no combate à esclerose múltipla deve ser considerado experimental. Ou seja, se um médico quiser substituir o tratamento reconhecido pela entidade por um exclusivo à base de vitamina D, precisa fazer isso dentro de um estudo clínico, aprovado por um comitê de ética, com consentimento do paciente e de graça.

O documento estabelece também que doses consideradas seguras para a suplementação são de no máximo 10.000 unidades internacionais (UI) ao dia, até o nutriente alcançar, no sangue, uma taxa entre 40 ng/ml e 100 ng/ml, consideradas saudáveis. Doses superiores podem causar problemas graves, como insuficiência renal aguda e crônica.

E existe um agravante. “Parar de tomar o suplemento não significa que o nível de vitamina D no sangue voltará ao normal rapidamente. Há relatos de pessoas que demoraram um ano para voltar às taxas normais”, alerta Dagoberto Callegaro, coordenador de neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Prática suspeita — Médicos como Cícero Galli Coimbra contrariam o consenso. O neurologista da Unifesp receita doses superiores a 10.000 UI em substituição a remédios que comprovadamente ajudam a impedir novos surtos da doença. Ele nunca publicou uma pesquisa sobre esse tema e não tem nenhuma em andamento. Diz, inclusive, se recusar a fazer um estudo por ter certeza dos efeitos positivos da vitamina D à saúde e do malefício que o placebo poderia causar ao paciente, em uma análise comparativa.

O argumento é fraco, como explica o médico Tarso Adoni, coordenador científico do Departamento de Neuroepidemiologia da ABN: “Não é preciso usar placebo. Um estudo poderia comparar a vitamina D com os remédios tradicionais para a esclerose”, diz ele. Mas antes disso, salienta Adoni, há outra questão: seria ético submeter pacientes a uma pesquisa com vitamina D, quando as evidências apontam cada vez mais que o nutriente não traz benefício nenhum ao doente?

A conduta de Cícero Galli Coimbra é repreendida por Reinaldo Ayer, coordenador do Centro de Bioética do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e professor de bioética da Universidade de São Paulo. “Um tratamento que não tem comprovação científica só deve ser aplicado em um contexto de pesquisa”, diz. Segundo ele, o Cremesp deveria abrir uma sindicância para investigar casos como o de Cícero Galli Coimbra por possível infração ao Código de Ética Médica. Pelo regimento do órgão, a investigação correria em sigilo e poderia ser arquivada ou, em caso de condenação, resultar em desde uma advertência até a cassação do registro profissional, publicada em Diário Oficial.

Ameaça ao paciente — Além dos riscos inerentes ao uso de superdosagens de vitamina D, o tratamento exclusivo da esclerose múltipla com a substância pode trazer mais um prejuízo sério: a pessoa deixa de fazer uso dos medicamentos que comprovadamente ajudam a conter a doença, o que pode aumentar o risco de novos surtos. “Os remédios convencionais podem não ser 100% eficazes, mas têm respaldo científico”, diz Jefferson Becker, neurologista da Faculdade de Medicina da PUC do Rio Grande do Sul e do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla.

Atualmente, o tratamento da doença inclui o uso de medicamentos imunossupressores ou imunomoduladores, usados para prevenir novos surtos. Nem todos os pacientes com esclerose múltipla, porém, precisam tomá-los durante a vida toda: existem casos em que a condição é pouco agressiva e fases em que ela deixa de evoluir.

Esse é um dos motivos, segundo os médicos, que levam pacientes a acreditar no tratamento com vitamina D. “As doenças autoimunes são muito heterogêneas, entram em atividade ou param de agir de repente. Então o paciente pode atribuir à vitamina D uma característica que é da evolução natural da enfermidade”, afirma Tarso Adoni. Outra razão é o efeito placebo — a pessoa crê que está recebendo uma terapia eficaz e, por isso, sente uma melhora.

“Por que com todos os medicamentos seguimos rígidos protocolos e com a vitamina D há esse uso irresponsável?”, pergunta Doralina Guimarães Brum, da ABN. “Normas éticas e científicas foram criadas para que não se repita a história de atrocidades médicas que a humanidade já sofreu.”

Fonte: Revista Veja