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Grupo desafia a lei para produzir remédio extraído da maconha 09/11/2014

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Canabidiol é o único remédio que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Substância não é vendida legalmente no Brasil.

Plantar maconha é ilegal no Brasil. Mas uma substância extraída da folha da maconha, chamada Canabidiol, serve como remédio. E esse remédio é o único que funciona para tratar algumas pessoas doentes. Produzir Canabidiol também é proibido. Mas um grupo secreto está agindo fora da lei, e está plantando maconha, fazendo o remédio e distribuindo de graça a mães que já não sabem mais o que fazer para ajudar os filhos doentes.

A reunião é clandestina. Todos no grupo escondem o rosto, não revelam o nome, porque sabem os riscos de agir na ilegalidade. O motivo são estufas caseiras: cada um deles tem seu cultivo próprio de maconha.

Os encontros rotineiros já serviram só para trocar ideias sobre o plantio, mas, há pouco mais de oito meses, o assunto ficou sério. Os amigos decidiram que a plantação de maconha podia virar uma fonte de remédios artesanais.

“A gente sabe do risco que corre, mas a gente tem que enfrentar”, diz um dos jovens do grupo.

Era o começo de uma rede clandestina de produção e distribuição de substâncias proibidas no Brasil, mas que podem mudar histórias de muita gente.

Clárian, em São Paulo, está na outra ponta da rede clandestina. A filha caçula do Fábio e da Aparecida nasceu com Síndrome de Dravet, uma doença rara que provoca crises graves de epilepsia e afeta o desenvolvimento do cérebro.

“Ela não tinha ânimo nenhum para brincar. E fora isso quando tentávamos levar ela em um parque alguma coisa, ela tinha crises convulsivas porque ela não podia se expor ao sol, ela não podia fazer esforço físico”, conta Maria Aparecida de Carvalho, mãe da Clárian.

Desde os primeiros anos de vida, convulsões quase diárias e 17 internações na UTI. “A Clárian já teve algumas paradas respiratórias, cardiorrespiratórias. Já vimos, assim, a morte perto da minha filha várias vezes”, lembra a mãe da menina.

Os médicos tentaram vários remédios, mas nenhum trouxe qualidade de vida.

A mudança começou com gotinhas diárias. O remédio é o Canabidiol, ou CBD, uma das substâncias presentes na maconha. E, diferente da droga fumada, o extrato de CBD não altera os sentidos, ou seja, não dá barato e não provoca dependência.

O Canabidiol não é vendido legalmente no Brasil. Precisa ser importado, e só com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Em São Paulo, Fábio e Cida chegaram a importar CBD ilegalmente dos Estados Unidos. Pagaram US$ 500, mais de R$ 1,2 mil, por um frasco do remédio. A importação com autorização da Anvisa ficaria ainda mais cara, por causa dos impostos e gastos com despachantes.

“Isso ia alavancar o custo para R$ 8 mil. Foi aí que nós começamos a usar o óleo, o derivado do CBD artesanal”, conta Fábio Carvalho, pai de Clárian.

O óleo que Clárian está tomando atualmente vem da rede clandestina de cultivadores cariocas e não custa nem R$ 1. “Não existe nenhum fim comercial relacionado a esse tipo de prática, a questão é mesmo de solidariedade, de auxílio a outras pessoas”, afirma um dos jovens do grupo.

A produção é caseira. As flores colhidas são trituradas com gelo seco em um pote ou em um saco de lona. Esses dois processos artesanais dão origem a uma quantidade de extrato da cannabis, que é matéria prima para a confecção do medicamento. Essa base é suficiente para produzir 20 vidrinhos de 25 ml, que garante um ano de tratamento a um paciente.

Quem ajuda a preparar é um médico, estudioso do uso medicinal da maconha. “Minha assessoria é principalmente na transmissão de informação, de conhecimento, sobre as melhores práticas, a melhor forma de se fazer o produto a um grau medicinal, com o menor nível de contaminação possível, e mais eficiente possível para os pacientes”, afirma.

Ele reconhece que ainda não existem pesquisas que expliquem os mecanismos de ação ou a dosagem apropriada de cada remédio. “É uma medicina diferente da medicina tradicional, é uma medicina de observação. Tem que encontrar a dosagem certa para ele, principalmente a dosagem que não cause efeitos adversos pra ele, como perturbação do sono, aceleração e ao mesmo tempo consiga se beneficiar em relação a patologia dele”, explica.

“Estamos buscando sozinhos, nós mães, observacionalmente, por isso que é necessária a regulamentação”, afirma a mãe de Clárian.

O desespero e a esperança de controle dos sintomas da doença também podem levar a situações bem perigosas, como por exemplo, o preparo do Canabidiol em casa, sem nenhuma orientação médica. Essas pessoas aprendem, na prática, que o uso do CBD artesanal, preparado de forma inadequada, pode provocar efeitos colaterais.

Os ataques de epilepsia tornaram a vida de Miguel, de 5 anos, um risco constante. O menino de Curitiba é autista e tem uma doença no sistema de defesa do organismo que já chegou a provocar 30 convulsões por dia. Depois de tentar 20 medicamentos diferentes, sem resultado, a mãe pesquisou na internet como produzir o óleo de Canabidiol em casa.

“Eu descobri num site americano, em um artigo americano, um médico falando que existiam várias formas e que a forma menos tóxica, no caso para quem não tinha muito conhecimento de fazer, seria no azeite de oliva. Plantar dentro do azeite de oliva, em banho-Maria”, afirma Priscila Dumas Inocente, mãe de Miguel.

Ela ficou assustada com os efeitos. “Eu senti que ele relaxou. Ele começou a assistir o desenho dele e os olhos ficaram levemente avermelhados. Foi o efeito colateral que eu senti. A gente deu por mais dois dias, mas eu fiquei com medo. Falei: ‘Será que estou fazendo certo?’”, lembra.

O psiquiatra José Alexandre Crippa, da Universidade de São Paulo, é um dos maiores estudiosos do Brasil de canabinóides, ou seja, as substâncias encontradas na maconha. E faz um alerta: a produção caseira de medicamentos à base de CBD, como a da rede do Rio, não é segura. “Se fosse meu filho, eu não daria, eu buscaria certamente um Canabidiol com máximo de pureza, e existe no exterior, e existem mecanismos de buscar isso, mesmo dentro do nosso país. E a gente acredita que o Canabidiol é uma medicação. Ele não é maconha. Ele não é um droga. Saber sua dose, saber sua quantidade, isso é fundamental para que haja uma segurança e o paciente possa se beneficiar dos canabinóides como medicamento”, afirma o psiquiatra da USP.

Crippa explica que o CBD nunca vem puro, contém sempre alguma quantidade de THC, o composto que provoca as alterações dos sentidos, o barato. E aí está o perigo.

Toda cepa, ou tipo diferente de maconha, contém em maior ou menor grau CBD e THC. Por isso, dependendo da planta usada, e do modo de preparo, o óleo medicinal pode ser mais rico em Canabidiol ou em THC. As duas substâncias têm propriedades muito diferentes, e podem ser usadas no tratamento de doenças distintas.

“Dependendo da dose de THC, o THC pode permanecer por até três meses no cérebro dessa criança. Além disso, sabe-se que o uso regular nessa fase da vida, especialmente, pode aumentar em até 400% o desenvolvimento de alguns transtornos psiquiátricos”, afirma o psiquiatra José Alexandre Crippa.

Apesar dessas ressalvas importantes, alguns remédios à base de THC, produzidos em laboratórios fora do Brasil, têm funcionado para aliviar dores crônicas e náuseas decorrentes da quimioterapia.

É com THC que Gilberto tenta diminuir os sintomas da esclerose múltipla, outra doença para a qual a substância pode trazer algum benefício. Há três meses, Gilberto passou a usar um óleo artesanal rico em THC, fornecido pela rede clandestina de cultivadores do Rio.

“Ela me ajuda com as sensações da esclerose múltipla, das dores que eu tenho o tempo todo”, conta Gilberto Elias Castro, designer.

Mais de 20 países já autorizam o comércio de remédios à base de maconha, incluindo alguns estados americanos, Inglaterra, Israel e o Uruguai. O Brasil está fora desta lista.

Por aqui, importar já é possível, mas a Anvisa impõe várias exigências ao laudo médico, entre elas a comprovação de que o paciente pode morrer sem o medicamento. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo autoriza a prescrição de Canabidiol apenas para crianças com algumas doenças específicas.

No fim do mês passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou uma proposta de lei que pode facilitar a importação de derivados da maconha para uso medicinal. O texto ainda não tem data para votação.

Por enquanto, para a legislação brasileira, a atividade da rede de cultivadores é crime, assim como a importação ilegal do medicamento feita por muitos pais.

“Quem planta, quem importa substancia entorpecente, mesmo para criar um medicamento, em tese estaria em curso nas penas do crime de tráfico, em uma conduta equiparada ao tráfico. Mas há ainda um outro crime punido com pena muito mais grave, que é o crime de vender, ceder, ainda que gratuitamente, ter em depósito, fabricar produto medicamentoso sem registro na Anvisa, punido com a pena mínima de 10 anos, que é o dobro da pena mínima do tráfico”, afirma Paulo Freitas, advogado criminalista.

“O que é crime maior? Você traficar por amor ou você deixar alguém morrer, ter 20 ou 30 crises em um dia?”, pergunta um dos jovens do grupo.

Mas o criminalista diz que a lei também prevê recursos para casos como os das pessoas que participam da rede de CBD. “Existe uma figura no direito penal chamada ‘estado de necessidade’. Então, por exemplo, uma mãe que importa para o filho esse medicamento, porque não tem outra forma de trazer esse medicamento, que efetivamente traz benefícios à saúde dessa criança, evidentemente que ela não pode ser punida. Se esse medicamento, feito à base do que for, é efetivamente benéfico à saúde dos que sofrem gravemente, severamente, o Estado tem que tomar uma atitude. O Estado tem que regulamentar isso. Esse produto é bom ou não é bom? É lícito ou não é lícito?”, destaca Paulo Freitas.

“Ilegal, na minha opinião, do jeito que está, é me privar de eu dar uma condição de vida melhor para a minha filha. Isso eu acho ilegal”, lamenta o pai de Clárian.

“As pessoas têm que olhar e perguntar, tentar viver um pouco daquilo antes de julgar. Antes de condenar. Se ela está dando o artesanal, se ela está dando o comprado. Está fazendo bem? Amém”, ressalta a mãe de Miguel.

No universo de quem descobriu um caminho para superar o pesadelo da doença, enfrentar todos os riscos pode significar, simplesmente, levar uma vida normal. “Os espasmos diminuíram significativamente. Ela melhorou no equilíbrio, ela melhorou no cognitivo. Ela está mais ativa, mais espontânea. Eu fui na reunião de escola, da escola dela e a professora falou: ‘Mãe, de três meses para cá, a Clárian é outra criança’. Isso me encheu de alegria”, comemora a mãe da Clárian.

Fonte: Fantástico, Rede Globo de Televisão

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Pesquisa nega que maconha tenha benefício contra esclerose múltipla progressiva 24/07/2013

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  • Estudo britânico reuniu cerca de 500 portadores da doença inflamatória por oito anos
  • Foram vistas vantagens, no entanto, para parte dos pacientes no estágio mais leve da enfermidade
<br />Ilustração mostra conexões entre neurônios. Esclerose múltipla é caracterizada por danificar a comunicação entre as células nervosas<br />Foto: Agência O Globo
Ilustração mostra conexões entre neurônios. Esclerose múltipla é caracterizada por danificar a comunicação entre as células nervosas Agência O Globo

É mito que a maconha tenha benefícios contra dos efeitos da esclerose múltipla progressiva. A afirmação é de pesquisadores britânicos que conduziram um amplo estudo clínico com cerca de 500 portadores da doença autoimune, em que foram testados os efeitos da substância ativa da planta, o tetraidrocanabiol (THC, na sigla em inglês). A exceção, ponderam os cientistas é para pacientes que apresentam a menor escala entre os graus de danos causados pela enfermidade.

O estudo foi publicado na revista “The Lancet Neurology”, uma das mais conceituadas no mundo científico. Pacientes de 26 centros de referência da doença em todo o Reino Unido foram estudados por oito anos. Os voluntários foram divididos em dois grupos: parte recebeu cápsulas com o THC e outra recebeu as mesmas cápsulas, mas sem a substância. Nenhum paciente sabia se a pílula tinha ou não o THC e todos receberam as cápsulas por três anos.

Em geral, o estudo não encontrou nenhuma evidência para apoiar um efeito do THC sobre a progressão da esclerose múltipla no resultado principal da pesquisa. No entanto, houve alguns indícios que sugerem um efeito benéfico nos participantes que estavam no extremo inferior da escala de incapacidade no início da pesquisa, mas, como o benefício só foi encontrado em um pequeno grupo de pessoas, e não em todo o grupo, mais estudos serão necessários para avaliar a robustez deste resultado.

Os atuais tratamentos para a esclerose múltipla são limitados, tanto quando destinados para o sistema imunológico nas fases mais iniciais da doença quanto em sintomas específicos, como espasmos musculares, fadiga e problemas na bexiga, disse o professor de neurociências clínicas John Zajicek, da Universidade de Plymouth.

– Atualmente, não há tratamento disponível para retardar os efeitos da esclerose múltipla quando ela se torna progressiva. Experimentos em laboratório já sugeriram que alguns derivados da cannabis podem ser neuroproterores. Nosso estudo não confirmou as descobertas feitas em laboratório, apesar de haver algum indício de benefício que aqueles no menor grau na escala de evolução, há pouca evidência para sugerir que o THC tem um impacto a longo prazo no retardamento da progressão da esclerose múltipla.

A forma progressiva é um dos subtipos da esclerose múltipla. A forma mais comum é a remitente-recorrente, caracterizada por surtos que duram dias ou semanas e, em seguida, desaparecem.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Plymouth e financiado pelo Conselho de Pesquisa Médica, do Reino Unido, a Sociedade de Esclerose Múltipla, do mesmo país e gerenciado pelo Instituto britânico de Pesquisa em Saúde.

Fonte: Jornal O Globo

Riscos da maconha são ‘subestimados’, dizem especialistas 08/06/2012

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Especialistas alertam que o público perigosamente subestima os riscos de saúde ligados a fumar maconha.

A British Lung Foundation realizou um levantamento de 1.000 adultos e constatou que um terço erroneamente acredita que a cannabis não prejudica a saúde.

E 88% pensavam incorretamente que cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha – quando um cigarro de maconha traz os mesmos riscos de um maço de cigarros.

Foto: AFP

Jovens são grupo menos consciente sobre riscos associados ao uso da maconha

Amplamente utilizado

Os números mais recentes mostram que 30% das pessoas entre 16 e 59 anos de idade na Inglaterra e no País de Gales usaram cannabis em suas vidas.

Um novo relatório do BLF diz que há ligações científicas entre fumar maconha e a ocorrência de tuberculose, bronquite aguda e câncer de pulmão.

O uso de cannabis também tem sido associado ao aumento da possibilidade de o usuário desenvolver problemas de saúde mental, como a esquizofrenia.

Parte da razão para isso, dizem os especialistas, é que as pessoas, ao fumar maconha, fazem inalações mais profundas e mantêm a fumaça por mais tempo do que quando fumam cigarros de tabaco.

Isso significa que alguém fumando um cigarro de maconha traga quatro vezes mais alcatrão do que com um cigarro de tabaco, e cinco vezes mais monóxido de carbono, diz a BLF.

A pesquisa descobriu que particularmente os jovens desconhecem os riscos.

‘Campanha pública’

Quase 40% dos entrevistados com até 35 anos de idade – a faixa etária mais propensa a ter fumado cannabis – acreditam que maconha não é prejudicial.

No entanto, cada cigarro de cannabis aumenta suas chances de desenvolver câncer de pulmão para o equivalente aos riscos de quem fuma um pacote inteiro de 20 cigarros de tabaco, a BLF advertiu.

A chefe-executiva da BLF, Helena Shovelton, disse: “É alarmante que, enquanto pesquisas continuam a revelar as múltiplas consequências para a saúde do uso de maconha, ainda há uma perigosa falta de sensibilização do público sobre o quão prejudicial esta droga pode ser.”

“Este não é um problema de nicho – a cannabis é uma das drogas recreativas mais utilizadas no Reino Unido, já que quase um terço da população afirma ter provado.”

“Precisamos, portanto, de uma campanha de saúde pública – à semelhança das que têm ajudado a aumentar a conscientização sobre os perigos de se comer alimentos gordurosos ou fumar tabaco – para finalmente acabar com o mito de que fumar maconha é de algum modo um passatempo seguro.”

O relatório do BLF recomenda a adoção de um programa de educação pública para aumentar a conscientização do impacto de fumar maconha e um maior investimento na pesquisa sobre as consequências para a saúde de seu uso.

Fonte: BBC Brasil

Cientistas israelenses desenvolvem maconha medicinal sem ‘barato’ 08/06/2012

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Guila Flint – de Tel Aviv para a BBC Brasil
Pesquisadores dizem que canabidiol pode ser usado em tratamendo de doenças crônicas
Cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém desenvolveram um tipo de maconha medicinal, neutralizando a substância THC, que gera os efeitos cognitivos e psicológicos conhecidos como “barato”. De acordo com a professora Ruth Gallily, especialista em imunologia da Universidade Hebraica de Jerusalém, a segunda substância mais importante da cannabis – o canabidiol (CBD) – tem propriedades “altamente benéficas e significativas” para doentes que sofrem de diabetes, artrite reumatóide e doença de Crohn.
Foto: Z. Klein
Gallily, que estuda os efeitos medicinais da cannabis há 15 anos, disse à BBC Brasil que o CBD que se encontra na planta “não gera qualquer fenômeno psicológico ou psiquiátrico e reprime reações inflamatórias, sendo muito útil para o tratamento de doenças autoimunes”. “Obtivemos resultados fantásticos nas experiências que fizemos in vitro e com ratos, no laboratório da Universidade Hebraica”, afirmou a cientista, que é professora da Faculdade de Medicina. De acordo com ela, após o tratamento com o CBD, o índice de mortalidade em consequência de diabetes nos animais foi reduzido em 60%, tanto em casos de diabetes tipo 1 como tipo 2. “Para pacientes idosos que sofrem de artrite reumatoide, o uso da cannabis pode ter efeitos maravilhosos e melhorar muito a qualidade de vida”, disse Gallily. “Constatamos em nossas experiências que o CBD leva à diminuição significativa e muito rápida do inchaço em consequência da artrite.” A pesquisadora afirma que remédios à base de CBD seriam muito mais baratos que os medicamentos convencionais no tratamento dessas doenças. A empresa Tikkun Olam obteve a licença do Ministério da Saúde israelense para desenvolver a maconha medicinal e cultiva diversas variedades da planta em estufas na Galileia, no norte de Israel.

Pacientes

De acordo com Zachi Klein, diretor de pesquisa da Tikkun Olam, mais de 8.000 doentes em Israel já são tratados com cannabis, a qual recebem com receitas médicas autorizadas pelo Ministério da Saúde. De acordo com Klein, a empresa pretende desenvolver um tipo de maconha com proporções diferentes de THC e canabidiol, para poder ajudar a diversos tipos de pacientes.

Foto: Z. KleinMilhares de pacientes em Israel já recebem receitas médicas para maconha

“Há pacientes para os quais o THC é muito benéfico, pois ajuda a melhorar o estado de espírito e abrir o apetite”, afirmou. Ele diz ainda que, em casos de doentes de câncer, a cannabis em seu estado natural, com o THC, pode melhorar a qualidade de vida, já que a substância provoca a fome conhecida como “larica”, incentivando os pacientes a se alimentarem. O psiquiatra Yehuda Baruch acredita que “o CBD tem significados medicinais fortes que devem ser examinados”. Baruch, que é o responsável pela utilização da maconha medicinal no Ministério da Saúde, disse à BBC Brasil que “sem o THC, a cannabis será bem menos atraente para os traficantes de drogas”. O psiquiatra afirmou que nos próximos meses o Ministério da Saúde dará inicio a um estudo sobre os efeitos do THC e do CBD em pacientes que sofrem dores crônicas. O experimento será feito com 50 pacientes, que serão divididos em dois grupos. Um grupo receberá cannabis com alto nível de THC e baixo nível de CBD e o segundo receberá mais canabidiol do que THC. Depois de um mês os grupos serão trocados e, durante a experiência, os pacientes preencherão questionários avaliando as alterações na intensidade da dor.

Fonte: BBC Brasil

Doentes podem plantar própria maconha 27/09/2008

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Em casos muito excepcionais, será permitido o cultivo caseiro do cânhamo para uso medicinal. Essa foi a determinação da Corte Suprema de Justiça na Holanda no caso de um paciente que sofre de esclerose múltipla e se beneficia do cânhamo cultivado em casa. A maconha medicinal, que pode ser adquirida na farmácia mediante apresentação de receita médica, não surtia o efeito desejado.

Há quatro anos, a polícia invadiu a casa de Wim Moorlag, portador de esclerose múltipla. As folha de cânhamo43 plantas e os instrumentos necessários para o cultivo do cânhamo foram apreendidos.

Situação de emergência
Como muitos outros pacientes que sofrem de esclerose múltipla, Moorlag consome o cânhamo para aliviar a dor.

Na Holanda, o cultivo caseiro da maconha está proibido. A exceção é quando se trata do cultivo para fins medicinais. No entanto, o cânhamo só pode ser produzido por cultivadores profissionais que tenham autorização e prescrição médica.

Há dois anos, Moorlag foi absolvido de perseguição judicial pela corte de Leeuwarden porque o juiz julgou que se tratava de uma situação de emergência e de força maior.

O Superior Tribunal de Justiça holandês seguiu a mesma argumentação: para pacientes de esclerose múltipla há um conflito de interesses. Por um lado, desejam aliviar a dor e, por outro, enfrentam a proibição do cultivo de cânhamo.

Lei de entorpecentes
Wim Anker, advogado de Moorlag, mostra-se muito otimista sobre o veredicto da Corte Suprema, mas frisa que esse pronunciamento não beneficia a todos os pacientes de esclerose múltipla:

“Tal veredicto diz respeito apenas ao caso de Wim Moorlag. Para que todos os pacientes que sofrem dessa enfermidade se beneficiem, é preciso modificar a lei de entorpecentes.

Os políticos holandeses também se mostram interessados no tema. Um parlamentar quer apresentar uma proposta de modificação na lei para que pacientes de várias enfermidades possam cultivar cânhamo para consumo próprio. Na Holanda, é tolerado o cultivo de quatro pés de maconha para o consumo doméstico, mas esse número de plantas é insuficiente para o uso medicinal.

Fonte: Radio Nederland Wereldomroep

Parte ‘boa’ da maconha controla fobia e psicose 02/09/2008

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O canabidiol, nome de uma substância isolada da maconha (cannabis sativa) demonstrou funcionar eficientemente no controle da ansiedade em geral e da ansiedade patológica, tanto em animais como em seres humanos. A informação foi confirmada pelo grupo de pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, que lidera mundialmente as investigações com o uso medicinal do canabidiol em transtornos psiquiátricos. A mesma substância demonstrou controlar também distúrbios psicóticos.

O canabidiol, que tem efeito neuroprotetor e antioxidante, parece ter potencial de ajudar no tratamento de doenças degenerativas. Mas não funcionou em pacientes com sintomas do transtorno bipolar, doença antigamente denominada como psicose maníaco-depressiva (PMD). Em animais, demonstrou efeitos antidepressivos e anticonvulsivantes.

Com o uso da ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrom, sofisticadas técnicas de neuroimagem, foi possível saber que o canabidiol age no cérebro nas mesmas áreas ligadas ao processamento emocional, fato desconhecido da literatura médica até 2004.

– A substância “boa” da planta (canabidiol) é justamente a que não dá o chamado “barato”. Por outro lado, o THC, que provoca efeitos psicoativos, como sedação e euforia, pode levar pessoas com problemas psiquiátricos a quadros agudos de psicose e de ansiedade – alerta o professor José Alexandre de Souza Crippa, do departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica a Faculdade de Medicina da USP, de Ribeirão Preto. Ele está lançando livro em co-autoria com o chefe do mesmo departamento, Antônio Waldo Zuardi, professor titular de psiquiatria, e com o professor Francisco Silveira Guimarães, titular do Departamento de Farmacologia, também da USP de Ribeirão Preto, contando a experiência científica do grupo até agora: “Cannabis e a Saúde Mental: uma revisão sobre a Droga de Abuso e o Medicamento”, pela editora FUNPEC. A obra é a primeira no País que aborda pesquisas associando a maconha com saúde mental e traz também artigos de 34 cientistas de universidades nacionais e estrangeiras.

O livro será lançado em duas datas: no exterior, dia 4 de setembro, em congresso internacional de Barcelona, na Espanha, e no Brasil dia 15 de outubro, em Brasília, durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria. O lançamento em Ribeirão Preto ocorrerá em breve, em data a ser definida.

Agente ‘do bem’ poderá substituir remédios contra ansiedade
José Alexandre de Souza Crippa é professor do departamento de Psiquiatria e Coordenador do serviço de Interconsulta em Saúde Mental do HC da FMRP-USP e do Grupo de Estudo e Pesquisa em Ansiedade Social. Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, se doutorou em Saúde Mental pela USP e fez pós-doutorado no Instituto de Psiquiatria de Londres. Preocupado em deixar claro que o uso da maconha pode fazer mal à saúde em pessoas vulneráveis, se entusiasma com a possibilidade futura de utilizar o canabidiol no tratamento de várias doenças.

– O problema com a maconha é o THC – tetrahidrocanabinol- responsável pela dependência. As pessoas não fumam maconha por causa do canabidiol que é um agente com efeito oposto, que atua no sistema cerebral batizado de endocanabinóide. Ele não induz a nenhuma “viagem”. Nossa perspectiva é de que um dia esse composto da maconha possa ser uma alternativa aos medicamentos benzodiazepínicos (como diazepam, lorazepam, etc) contra a ansiedade.

Eficiência
Crippa considera eficientes os medicamentos em uso para controlar a ansiedade, só que eles podem induzir à dependência depois de alguns meses, além de sedação e tolerância. O que parece que não é o caso do canabidiol: a substância mostrou que não causa dependência, não induz tolerância, nem tem maiores efeitos colaterais. Outra esperança é empregar o canabidiol no lugar dos antidepressivos usados também para tratar o transtorno de ansiedade social, muito confundido com a timidez, mas que atrapalha a pessoa de se relacionar socialmente.

– A vantagem do canabidiol é que faz efeito imediato, enquanto os antidepressivos demoram de 15 a 20 dias para apresentar os primeiros efeitos – observa.

O canabidiol demonstrou em um estudo em parceria com o professor Vitor Tumas, da Neurologia da USP de Ribeirão Preto, que pode reduzir alguns sintomas desconfortáveis produzidos pelo medicamento usado no tratamento do mal de Parkinson e os próprios tremores da doença.

É uma certeza científica: parte ‘má’ da maconha provoca dependência
RUBENS ZAIDAN/ESPECIAL

O professor José Alexandre Crippa explica: hoje a quantidade de THC presente na maconha é muito maior que era há anos:

– E o consumo da maconha de forma geral, pode induzir doenças graves como esquizofrenia ou transtorno de pânico em pessoas com uma vulnerabilidade específica – alerta. O risco maior, acentua, é das pessoas que têm ou que apresentam familiares com transtornos psiquiátricos.

Conta que foi observado que em uma região na África do Sul, algumas pessoas apresentam quadros psicóticos, depois de fumar maconha.

– Foram avaliar as amostras de maconha daquela região e verificaram que não tinha praticamente nada de canabidiol. Talvez o canabidiol proteja contra o desenvolvimento de doenças psiquiátricas.

Foi descoberto na década de 90 que o ser humano tem um sistema endocanabinóide. Ou seja: temos receptores no cérebro nos quais o THC e substâncias endógenas se ligam. Estas parecem modular a dor, inflamação e os quadros de ansiedade. A hipótese é de que a psicose também esteja ligada a esse sistema – diz Crippa.

Áreas cerebrais ativadas
Na maconha existem mais de 400 substâncias diferentes, das quais 60 (denominadas canabinóides) atuam sobre o sistema nervoso central. Entre elas o THC e o canabidiol.

– Até 2004 não se sabia em que local o canabidiol atuava no cérebro. Em Ribeirão Preto, utilizando uma técnica de neuroimagem funcional, que avalia o fluxo sangüíneo cerebral, verificamos que o canabidiol ativa as áreas límbicas e paralímbicas, ligadas ao humor e às emoções – conta Crippa.

Já na Inglaterra o pesquisador passou a utilizar a técnica de ressonância magnética, específica para obter informações funcionais cerebrais dos voluntários que recebiam – sem saber o que estavam consumindo – canabidiol, placebo e THC (que não foi utilizada no Brasil).

– Constatamos que o canabidiol atua nas mesmas áreas verificadas aqui e que o THC em outras regiões cerebrais. Algumas pessoas desenvolveram quadros psicóticos tomando 10 miligramas de THC via oral durante o estudo e depois melhoraram. Já os que recebiam canabidiol ficaram mais tranqüilos – conta Crippa.

Ansiedade patológica
De volta ao Brasil, a idéia era testar o canabidiol em um transtorno de ansiedade. A escolha foi em pessoas com o transtorno de ansiedade social, também conhecido como fobia social, que acomete de 10 a 15% da população.

– São pessoas que ficam muito ansiosas para fazer uma pergunta numa aula, que tem dificuldade em falar em público e ficam muito ansiosas quando tem que realizar alguma atividade diante de outras pessoas. Testamos em 10 pessoas com fobia social e verificamos que o canabidiol diminuiu a ansiedade – revela, acrescentando que o estudo é mais amplo, junto com pesquisadores de Barcelona, Londres e da USP de São Paulo.

Pesquisa começa com Zuardi na Universidade Federal de SP
O canabidiol foi isolado em 1963, na Universidade de Israel por Raphael Mechoulam, que no ano seguinte descobriu o THC, a substância que provoca sedação e euforia, com grandes efeitos nocivos. Depois o canabidiol ficou esquecido por muitos anos. As pesquisas no Brasil começaram há mais de 30 anos nos laboratórios do professor Elisaldo Carlini da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. Os primeiros testes foram em epilepsia.

Antônio Waldo Zuardi, realizou as primeiras experiências com o canabidiol entre 1976 e 1980 durante seu doutorado em psicobiologia no laboratório do professor Carlini, sob orientação do professor Isaac Karniol. Nesse período encontrou as primeiras indicações de efeitos ansiolíticos e antipsicóticos da substância, fato responsável pela seqüência de pesquisas nos anos 80 e 90.

Com base num estudo do professor Antônio Waldo Zuardi, de 1982, por exemplo, o laboratório inglês GW desenvolveu uma medicação denominada Sativex, um spray que tem a associação equillibrada do THC com canabidiol, já vendido no Canadá para pacientes com esclerose múltipla, neuropatias crônicas e fibromialgia. Esse tipo de medicação ainda não foi aprovado nos Estados Unidos e Inglaterra.

– Colocaram um pouco de canabidiol e verificaram que a pessoa poderia ter os benefícios do THC sem apresentar os efeitos subjetivos deste, como prejuízo da atenção, memória e orientação, além de prevenir a indução de crises de psicose e ansiedade – explica o professor Crippa.

Ansiedade e esquizofrenia
O professor de Farmacologia, Francisco Silveira Guimarães, testou o efeito ansiolítico do canabidiol em camundongos e verificou efeito similar ao dos benzodiazepínicos usados contra ansiedade.

Estudos iniciais em pacientes com esquizofrenia em 1995, feitos pelo professor Zuardi, mostraram indícios promissores do canabidiol em controlar os sintomas dessa doença, mas ainda foram incompletos. O grupo dirigido pelo professor Markus Leweke, da Universidade de Köin, da Alemanha, concluiu as pesquisas com pacientes esquizofrênicos, iniciadas em Ribeirão Preto.

– Com um número bem maior de pacientes, o grupo alemão demonstrou que o canabidiol apresentou uma eficácia tão grande quanto a amilsulprida, um antipsicótico muito usado pelos psiquiatras, porém o canabidiol demonstrou menos efeitos adversos – informa o especialista.

Em modelos animais, segundo Crippa, foi demonstrado que o canabidiol melhora os sintomas depressivos e tem efeito anticonvulsivante, etapas que ainda precisam ser mais testadas no ser humano.

– E com uma parceria nossa com grupos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, mostramos que essa substância tem um efeito neuroprotetor e antioxidante, podendo eventualmente funcionar, no futuro, contra as doenças degenerativas.

Amostras modificadas
As pesquisas no campus da USP de Ribeirão Preto são feitas com o canabidiol extraído da planta cannabis sativa. Dois laboratórios – um da Alemanha e outro da Inglaterra – fornecem esta substância.

– Para se conseguir um pouco de canabidiol é preciso uma grande quantidade de planta. Essas empresas trabalham com amostras modificadas geneticamente com maior quantidade de canabidiol do que de THC – conta o professor Crippa, revelando que o custo das pesquisas é caro. Para que não haja interrupção, os estudos são financiados por agências brasileiras e do exterior.

Fonte: Jornal A Cidade

Componente da maconha combate a depressão em pequenas doses 25/10/2007

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Um ingrediente ativo da maconha ajuda a combater a depressão quando administrado em pequenas doses, revela um estudo divulgado pela revista “The Journal of Neuroscience” em sua edição desta quarta-feira (24).

No entanto, a pesquisa alerta que o aumento da dose pode provocar um efeito contrário, aumentando a depressão e até causando transtornos psíquicos, entre eles a psicose.

Segundo os cientistas do Centro de Pesquisas da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, esta é a primeira prova de que o canabinóide identificado como WIN55,212,2 pode aumentar os níveis de serotonina. O neurotransmissor atua regulando os estados de ânimo.

Os efeitos foram constatados em experimentos com animais de laboratório que receberam injeções da substância, obtida de forma sintética. Em seguida, eles foram submetidos a testes para determinar seu nível de depressão.

Neurônios mais ativos

Os cientistas observaram que o efeito antidepressivo do canabinóide era paralelo a uma maior atividade dos neurônios que produzem a serotonina. No entanto, quando as doses aumentaram, os benefícios mudaram totalmente, relatou Gabriella Gobbi, que faz parte da equipe de pesquisadores.

As doses baixas tiveram um potente efeito contra a depressão. Mas, quando aumentaram, a serotonina em ratos se reduziu a níveis inferiores aos do grupo de controle, explicou.

“Demonstramos um efeito duplo: em dose baixas, aumenta a serotonina. Mas em dose maiores o efeito se reverte e é completamente devastador”, acrescentou.

Segundo a cientista, esse tipo de efeito da maconha já tinham sido detectado em pacientes de esclerose múltipla e Aids, que ao consumir a droga tinham mostrado uma mudança de estado de ânimo. O estudo alertou para os riscos no uso da maconha como antidepressivo, porque é difícil controlar suas quantidades.

“O uso excessivo da maconha por pessoas com depressão cria um alto risco de psicose”, afirmou Gobbi.

Fonte: Portal G1

Autoridades liberam uso medicinal da maconha na Alemanha 22/08/2007

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Em 2003, farmácias holandesas começaram a vender pequenas quantidades de maconha perante receita médica


Em 2003, farmácias holandesas começaram a vender pequenas quantidades de maconha perante receita médica

Paciente recebe do departamento de entorpecentes permissão legal para fazer uso de maconha como analgésico e relaxante. É a primeira vez que o uso da erva é permitido para fins terapêuticos.

Depois de sofrer por 14 anos consecutivos sob os efeitos da esclerose múltipla, a alemã Claudia H., programadora de software de 51 anos, recebeu uma permissão oficial para comprar maconha “em gotas” na farmácia. A partir do fim deste mês de agosto, ela deverá poder comprar seu medicamento à base da cannabis sativa durante um ano, a fim de minimizar as dores acarretadas pela doença.

A notícia, veiculada inicialmente pelo diário Süddeutsche Zeitung, foi confirmada à emissora de televisão SWR por Johannes Lutz, do Departamento Nacional de Entorpecentes. Lutz acentua que a permissão vai depender de cada caso e que o acompanhamento médico do uso da substância é imprescindível. Cada pedido deverá ser analisado “com cuidado, mas também com benevolência”, observa o especialista.

Até maio de 2005, todos os pedidos oficiais entregues ao departamento haviam sido rejeitados, com exceção do uso destinado a pesquisas científicas e de “interesse público”. O argumento usado pela paciente do sul da Alemanha para convencer as autoridades foi exatamente este: o de que a saúde de cada paciente seria também “de interesse público”.

“Haxixe no cofre”

Segundo o Süddeutsche Zeitung, em artigo intitulado “haxixe no cofre”, há cada vez mais estudos apontando os efeitos analgésicos e tranquilizantes da cannabis, principalmente nos pacientes que sofrem de esclerose múltipla, além do fato de a substância ser útil na prevenção da perda de peso em pacientes que sofrem de Aids ou câncer, por estimular o apetite.

Pesquisas apontam efeitos medicianais da canabis

Pesquisas apontam efeitos medicianais da canabis

Como a maconha continua sendo ilegal na Alemanha, os médicos só estão aptos a prescrever o medicamento Dronabinol, agente sinteticamente fabricado. Os custos, porém, não são cobertos pelas seguradoras, como é de praxe na Alemanha no caso de medicamentos prescritos, sob o argumento de que a substância não foi oficialmente liberada para o consumo no país. Uma embalagem com 60 cápsulas do Dronabinol pode custar até 1700 euros.

Ilegalidade

Especialistas em defesa do uso legal da substância apontam para o fato de que muitos pacientes acabam optando pela compra ilegal da cannabis no mercado negro. Mesmo que o porte de pequenas quantidades de maconha ou haxixe – até 30 gramas, dependendo do estado da federação – seja tolerado, muitos desses pacientes prefeririam comprar a substância na farmácia.

A própria Claudia H., do estado de Baden-Württenberg, que acaba de receber a permissão para adquirir oficialmente o Dronabinol nas farmácias, afirma ter “arranjado maconha” para fins terapêuticos anteriormente. “Fiz isso com total apoio da minha médica. Duas a três vezes por semana, faço um chá das flores secas da maconha à noite para amenizar as dores fortes que sinto”, conta a paciente ao jornal alemão. (sv)

Fonte: Deutsch Welle

Conferência aborda potencial terapêutico da maconha 28/03/2007

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18-07-2006

REUNIÃO ANUAL DA SBPC: Maconha, droga perigosa ou importante remédio? Esta é a questão fundamental apresentada na conferência Maconha: Medicamento esquecido que renasce pela ciência, que será apresentada pelo professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Elisaldo Carlini, personalidade no estudo sobre drogas psicotrópicas. O evento, que integra a 58ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), vai ocorrer nesta quarta, 19/7, das 10h às 11h45min, no auditório principal do Centro de Cultura e Eventos.

Professor do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da UNIFESP e mestre em Psicofarmacologia pela Universidade de Yale – EUA, Carlini revela que muito foi estudado acerca dos efeitos do THC (delta 9-tetrahidrocanabinol), princípio ativo da maconha, nos últimos 30 anos. Desta forma foram descobertos alguns dos seus usos terapêuticos comprovados, como na redução das náuseas e vômitos causados pela quimioterapia, no aumento do apetite em pacientes com AIDS e no tratamento de pacientes com esclerose múltipla, atuando como eficiente analgésico. Além disso, a Canabis sativa, nome científico da maconha, já se revelou também um importante aliado no tratamento de pacientes que sofrem com convulsões.

Entre os efeitos nocivos, o professor destaca a diminuição da capacidade de medir intervalos de tempo e perceber diferenças de espaço, assim como das capacidades de atenção, memória e raciocínio. Assim como também pode causar reações desagradáveis, tais quais a dificuldade para conectar idéias, ataques de pânico, alterações na percepção e experiências alucinatórias. Os seus efeitos físicos e psicológicos em longo prazo, no entanto, não são conhecidos, visto que não existem estudos sobre o seu uso prolongado.

Segundo Carlini, poucas drogas tiveram tanto problema em serem aceitas como remédio. Apesar de não constituir risco à saúde pública e ser raro o seu uso abusivo, preconceitos, superstições, opiniões passionais e ideológicas têm levado a Canabis a altos e baixos na opinião pública. Nos últimos anos, no entanto, muitos avanços foram feitos e, ao menos parcialmente, o THC já é reconhecido como um medicamento valioso e a maconha não é mais considerada uma perigosa droga causadora de vício.

Por Daniel Ludwich / Bolsista de Jornalismo na Agecom

Fonte: Agecom/UFSC

Maconha – entrevista com Dr. Elisaldo Carlini 05/03/2007

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Dr. Drauzio Varella entrevista o Dr. Elisaldo Carlini, médico psicofarmacologista e trabalha no CEBRID, Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas, e professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Tópicos:

Maconha
O intrigante problema da dependência
Legalização e descriminalização da maconha
Ação da maconha no sistema nervoso central
Grau de dependência da droga
Maconha e memória
Aplicação terapêutica da droga
Questionando a metodologia
Experiência em outros países
Relação entre maconha e violência
THC mimetiza a anandamida
Planta originária da África

Fonte: Dr. Drauzio Varella

Substância semelhante à maconha pode atacar doenças do cérebro 12/07/2006

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Segundo cientistas, o corpo humano produz sustâncias semelhantes ao componente ativo da maconha

VIENA – As substâncias canabinóides criadas pelo próprio corpo humano poderiam abrir novas possibilidades de tratamento para doenças como o mal de Alzheimer ou a esclerose múltipla, anunciaram nesta terça-feira vários especialistas reunidos em um congresso científico europeu em Viena.

Os cientistas explicaram, durante o 5º Fórum Europeu de Pesquisadores de Neurociência, que acontece na cidade até 12 de julho, que o corpo humano produz substâncias semelhantes ao componente ativo da maconha.

Os canabinóides são moléculas presentes na planta Cannabis sativa, que também são produzidas de forma natural pelo corpo humano e que podem ser modificadas no laboratório.

Estas sustâncias atuam sobre o cérebro aumentando ou diminuindo a atividade das células que reconhecem a dor, as que movem os músculos ou as que produzem o apetite, entre outras.

A maconha natural já foi aplicada como analgésico por um cirurgião chinês há cerca de 4 mil anos, e no século 18 um médico irlandês a utilizou com sucesso contra a enxaqueca. Entre 1900 e 1936, dois preparados de maconha estiveram no mercado nos Estados Unidos, explicou Michael Walker, da Universidade de Indiana.

Os efeitos positivos da maconha foram comprovados no passado por pacientes de aids, esclerose múltipla e outras doenças, mas até pouco tempo os biólogos ainda não haviam começado a decifrar seu impacto.

Recentemente, a farmacêutica Sanofi Aventis colocou no mercado o primeiro medicamento que surte o mesmo efeito que a maconha natural no sistema cerebral e na medula óssea.

Os especialistas atribuem ao novo medicamente, conhecido como Rimonabant, um efeito positivo para os que querem emagrecer ou para abandonar o vício do tabaco.

David Becker, do Instituto UCL de Neurologia de Londres, realizou experimentos com ratos nos quais havia provocado artificialmente uma doença semelhante à esclerose múltipla em seres humanos.

Ele disse no congresso que, até agora, se procurava frear o processo auto-imune e a inflamação do sistema nervoso central desses pacientes, o que ajuda a impedir os ataques agudos da esclerose múltipla.

Mas quando o estado do paciente piora em uma fase tardia da doença, os medicamentos comuns já não funcionam e então tem-se que combater, frente ao quadro, a morte das células cerebrais estimulando os receptores de canabinóides I, o que Becker conseguiu nos ratos.

O cientista conseguiu proteger as células nervosas através do sistema próprio de produção de canabinóides, e os animais, ainda que continuassem sofrendo surtos da doença, se recuperaram mais rapidamente.

Um efeito parecido parece possível no tratamento do Alzheimer, ainda que aí seja decisivo o emprego da substância em uma fase inicial, enquanto que a aplicação tardia pode inclusive piorar a doença.

Além disso, os pesquisadores informaram sobre a possibilidade de combater os ataques de epilepsia ativando os receptores de canabinóides no cérebro.

No entanto, assinalaram que não é preciso recorrer à maconha natural como medicamento, pois bastaria refrear a redução dos canabinóides próprios do organismo ou estimular os receptores mediante imitações da maconha.

Fonte: Estadão

FDA não aprova uso medicinal da maconha 21/04/2006

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A Food and Drug Administration (EUA) anunciou que não apóia o uso da maconha para finalidades médicas. Segundo comunicado oficial, “nenhum estudo científico conclusivo deu suporte ao uso médico da maconha para tratamentos nos EUA, e nenhuma pesquisa com animais ou humanos provou a segurança ou eficácia da maconha para uso médico em geral.”

A declaração contradiz uma descoberta do Institute of Medicine, parte da National Academy of Sciences, que relata que “os componentes ativos da maconha são potencialmente eficazes no tratamento da dor, náuseas, anorexia da AIDS e outros sintomas, o que deve ser avaliado com rigor em testes clínicos.”

Bruce Mirken, diretor de comunicações do Projeto de Políticas da Maconha (Marijuana Policy Project), disse: “Se alguém precisava de prova de que a FDA se transformou num órgão totalmente político, aqui está ela. Essa não é uma declaração científica; é uma declaração política.”

Souder, do subcomitê de política de drogas estadunidense, afirma que a promoção do uso medicinal da maconha “é apenas uma brecha para a legalização da maconha para uso recreativo. Os estudos rejeitaram continuamente a noção que a maconha seja apropriada para o uso médico porque impacta adversamente a concentração, a memória, os pulmões, a coordenação motora e o sistema imunológico.”

A declaração do FDA informa, ainda, que “atualmente há evidências claras de que fumar maconha é prejudicial (…) e há medicamentos alternativos aprovados pela FDA para o tratamento de muitos dos usos propostos.”

Mirken responde: “Há várias provas de que a maconha pode ajudar pacientes de câncer, de esclerose múltipla e de AIDS. Não há nenhuma dúvida científica que a maconha alivia náuseas, vômito, determinados tipos de dor e outros sintomas que não respondem bem às drogas convencionais, e o faz com mais segurança do que outras drogas. É vergonhoso o FDA ignorar todas essas evidências.”

Leia aqui o que já foi publicado na Folha Online sobre o uso medicinal da maconha.

Fonte: The Associated Press / MSNBC

Maconha em drágeas 12/04/2006

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A Bíblia ensina que “Deus faz crescer nos campos ervas com o poder de curar e que um homem sábio deve saber usar”. Talvez sob essa inspiração, o Colégio de Farmacêuticos da Comunidade da Catalunha (Espanha) preparou e recomendou a liberação, em 60 farmácias de Barcelona e quatro hospitais, da erva canábica (maconha) em drágeas, mediante prescrição médica.(…)

A experiência representa um “ato de responsabilidade social”: a erva canábica possui componentes terapêuticos e de portadores de doenças graves acabam comprando maconha no mercado clandestino, sem controle médico e sanitário. Os usuários mais freqüentes são os portadores de câncer, esclerose múltipla, Parkinson e Aids.

Fonte: Revista Carta Capital – Edição: 16/02/2005 – Ano XI – Número 329

Cientistas espanhóis confirmam que a Cannabis Sativa retarda a esclerose múltipla 02/07/2012

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Javier Ruiz Fernandes lidera a equipe de pesquisadores da Universidade Complutense de Madrid conseguiu parar esclerose em ratos através da molécula WIN55 ,512-2.

MADRID -. Muitos pacientes que sofrem de esclerose múltipla (MS) escolheu a consumir cannabis sativa para parar a contração muscular permanente, espasmos, dor intensa e dificuldade para dormir.

A razão: as drogas tradicionalmente usadas para tratar estes sintomas como um resultado da destruição da bainha de mielina, não são eficazes em algumas pessoas.

A base biológica para este efeito positivo de maconha foi descoberta pelo Grupo de Pesquisa de canabinóides, Faculdade de Medicina da Universidad Complutense de Madrid, liderado por Javier Fernández Ruiz.

A equipe estudada a interacção de alguns compostos produzidos pela planta, de canabinóides, com proteínas localizadas na membrana das células de tecido neural chamado tipo de receptor canabinóide 1 ou CB1.

Ambos os tipos de receptores são parte de um sistema de comunicação celular particularmente activa no cérebro, chamado de sistema endocanabinóide.

Fruto do estudo de canabinóides como possível terapia para esclerose múltipla empresa britânica GW Pharmaceuticals farmacêutica desenvolveu um medicamento útil para reduzir sintomas como a espasticidade e dor chamado Sativex ®, que já foram aprovados para uso em vários países como a Espanha.

No entanto, canabinóides pode também ser eficaz na redução da progressão da doença e que está actualmente sob investigação.

“Limpeza” de células

Com a idéia de retardar a progressão da doença, Fernandez passou anos investigando os canabinóides potenciais terapêuticos e neuroprotetoras para tratar os sintomas e retardar o desenvolvimento de EM.

Em um estudo publicado recentemente na revista Neurofarmacologia, grupo de pesquisa voltado para o estudo dos efeitos positivos de uma molécula sintética chamada WIN55 ,512-2 (WIN), que imita a ação da maconha sobre os receptores de canabinóides em um modelo de  esclerose múltipla em ratos.

Os resultados do estudo mostraram que o ato do WIN através de várias frentes. Por um lado, observou-se que a expressão aumentada de genes responsáveis pela “limpeza” o glutamato, os neurônios em excesso danos. Além disso, WIN diminui a expressão de genes associados com uma resposta inflamatória prejudicial para as células neuronais ambiente, como se vê na medula de ratos tratados com a referida droga.

Todas estas reacções como um resultado deu uma redução combinada na progressão da doença em ratinhos tratados com WIN em comparação com ratinhos tratados com uma substância inócua ou placebo.

E, graças à utilização de moléculas que bloqueiam CB1 ou CB2 selectivamente, os autores descobriram que estes efeitos de WIN numa fase precoce da doença foram realmente interagir com o receptor CB1.

Fonte: Emol

Coma chocolate! 26/10/2007

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De preferência o amargo. Delicie-se com as recentes descobertas científicas que revelam: o alimento protege, sim, o coração, ajuda a prevenir o diabete tipo 2, reforça as defesas do corpo e, incrível, ainda pode auxiliar no controle do apetite

Sua matéria-prima, o cacau, era considerada por maias e astecas o alimento dos deuses. Tamanha veneração talvez tenha se originado da dedução de que as sementes do fruto do cacaueiro escondiam diversas propriedades. Se eram realmente divinas, isso ainda carece de comprovação. No entanto, quase cinco séculos depois de os espanhóis enriquecerem o paladar europeu com um dos sabores do Novo Mundo, sobram evidências científicas de que o chocolate amargo, guloseima com um gosto peculiar justamente por ter maior teor de cacau na sua composição, promove uma série de benefícios para a nossa saúde. Os resultados de uma das pesquisas mais recentes sobre esse chocolate confirmam que ele protege o coração. Realizado na Universidade Hospital Colônia, na Alemanha, o estudo revela que seu consumo rotineiro reduz os níveis da pressão arterial.

O trabalho avaliou 44 pacientes entre 56 e 73 anos, pré-hipertensos ou no estágio inicial do problema. Durante 18 semanas parte deles consumiu 30 calorias diárias, ou 6,3 gramas de chocolate amargo, algo equivalente a um único pedaço de uma barrinha. Os demais participantes ingeriram o tipo branco. Aqueles ínfimos 6,3 gramas da versão de gosto mais acre derrubaram a pressão que o sangue exerce sobre os vasos — a máxima, ou sistólica, em 1,6 milímetros de mercúrio e a mínima, a diastólica, em 1 milímetro de mercúrio. Além disso, a prevalência da hipertensão — problema que acomete cerca de 1 bilhão de pessoas no globo e é responsável por milhares de casos de infarto e derrame — caiu de 86% para 68%. “A queda de cada 2 milímetros de mercúrio na medida da pressão máxima já diminui bastante o risco de morrer de AVC ou do coração”, assegura o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. No estudo alemão, provou-se ainda que tudo isso pode se dar sem alterações no peso e nas taxas de açúcar e gordura na circulação.

O segredo do chocolate amargo está na altísssima concentração de certos flavonóides, como as catequinas, substâncias de nome estranho encontradas no cacau. São elas que agem nas artérias, promovendo a queda da pressão. “Esses compostos elevam a produção de óxido nítrico, um vasodilatador natural”, explica Malachias, que é diretor do Instituto de Hipertensão Arterial de Minas Gerais, em Belo Horizonte. “O endotélio, a camada interna das artérias, fica mais flexível. Assim, o sangue passa por ali gerando menos pressão”, explica a nutricionista Vanderlí Marchiori, colaboradora da Associação Paulista de Nutrição.

Para que isso ocorra é preciso que o consumo do alimento seja diário. “Bastam de 30 a 40 gramas, ou quatro quadradinhos daqueles tabletes grandes”, recomenda Vanderlí. Ela dá outra boa notícia: o chocolate amargo não contribui para a subida do colesterol. “Os polifenóis impedem a oxidação do LDL, o tipo ruim da gordura”, explica. “Eles seqüestram essa molécula, formando um complexo solúvel que é eliminado pela urina.”

Uma pesquisa japonesa publicada no periódico americano Nutrition investigou o papel da procianidina, outro componente do chocolate amargo, no controle do diabete tipo 2. Roedores obesos e com o mal consumiram uma beberagem de cacau rica na substância. Passado um tempo, os níveis de açúcar no sangue dos bichos caíram. Segundo os pesquisadores, isso pode ter ocorrido porque as tais procianidinas melhorariam a eficiência da insulina, o hormônio que bota a glicose dentro das células. “Esse tipo de suplementação preveniu o diabete em camundongos obesos”, afirma à SAÚDE! Hirohisa Takano, um dos autores do trabalho. Pesquisas com o chocolate amargo cheio de flavonóides mostraram que a ingestão de 100 gramas diários poderia garantir o mesmo benefício aos humanos, algo que ainda requer mais evidências. Portanto, se você é diabético, é cedo para sair se empanturrando.

Na Espanha, uma pesquisa realizada na Universidade de Barcelona também focou sua mira nos flavonóides do cacau, mas dessa vez com o objetivo de avaliar sua ação no sistema imune de ratos jovens, principalmente em células do batalhão das defesas, como os linfócitos e os macrófagos. Os animais receberam uma dieta enriquecida com o alimento durante três semanas. Depois os especialistas chegaram à conclusão de que houve um aumento na atividade de certas áreas envolvidas com a imunidade. Isso se verificou com maior intensidade no timo, órgão situado no tórax e responsável pela maturação dos linfócitos T, nossos guardiões contra vírus e bactérias. “Descobrimos também que o cacau protege os neurônios dos efeitos dos radicais livres”, conta à SAÚDE! Emma Ramiro, líder do estudo. Mas e o chocolate com isso? “Ele é feito com massa de cacau, onde se encontram os flavonóides do fruto”, explica a pesquisadora. E repete o que todos os estudos já apontam: “Dentre todos os tipos, o chocolate amargo é o que mais contém esse tipo de composto. Assim, ele é o único que pode ter um bom impacto na saúde.”

Além de não deixar o organismo fraco e vulnerável, o alimento mantém o humor da gente em alta. Ele possui duas substâncias cujos nomes são uns verdadeiros palavrões: N-oleoletanolamina e N-linoleoiletanolamina. A dupla estabiliza as anandamidas, uma espécie de maconha produzida pelo nosso próprio cérebro. “Isso faz com que a sensação de bem-estar proporcionada por elas dure mais tempo”, explica Vanderlí Marchiori. Sem falar na fenilalanina e na tirosina, dois aminoácidos que são precursores da noradrenalina e da dopamina, outra dobradinha envolvida no estado de felicidade natural. Quer motivo melhor para curtir esse sabor amargo? Bom apetite!

PAÍSES CHOCÓLATRAS A média de consumo anual por habitante


FONTE: INTERNATIONAL CONECTIONERY ASSOCIATION

CHOCOLATE AJUDA A EMAGRECER? Pelo menos é o que se pode deduzir de um enigmático estudo escandinavo
Há algo de misterioso no reino da Dinamarca, mais especificamente no Departamento de Nutrição Humana da Universidade Real de Copenhague. Seu chefe, o médico Arne Vernon Astrup, conduziu um estudo em que avaliou uma propriedade pouco conhecida do chocolate amargo, a de promover a saciedade. Ou seja, aplacar a fome. Astrup participou do XII Congresso Brasileiro de Obesidade e Síndrome Metabólica, realizado em agosto na capital paulista. Em sua exposição o especialista em obesidade deixou escapar alguns dados sobre sua pesquisa — e SAÚDE! estava lá, de ouvidos bem atentos. O dinamarquês dividiu voluntários em dois grupos. Um deles ingeria logo pela manhã uma pequena barra de chocolate amargo e o outro, a versão ao leite. “Quem comeu o tipo amargo consumiu menos calorias ao longo dos dias”, conta o endocrinologista Márcio Mancini, que coordernou a mesa da qual Astrup participou. Em bom português, parou, por exemplo, de beliscar entre as refeições. Por que será que o chocolate promoveu saciedade? A reportagem da SAÚDE! procurou Astrup, mas ele não esclareceu o mistério: “Sinto muito. Ainda não posso liberar os resultados, pois eles ainda não foram publicados”.

Aqui no Brasil, a nutricionista Vanderlí Marchiori já receita o chocolate amargo para quem precisa controlar o apetite. “Recomendo de 30 a 40 gramas para o lanche do meio da manhã”, revela. “Dar chocolate para esses indivíduos é algo transgressor.” Explica-se: é como se eles estivessem incorrendo num comportamento socialmente incorreto. Mas, no fi nal das contas, essa gente dá um basta nas guloseimas e passa a comer menos. O porquê desse efeito ainda é incompreendido. Existe a suspeita de que ele ocorra graças a substâncias do alimento que agem como as anfetaminas, suprimindo a vontade de comer. Vamos aguardar, então, mais notícias da Dinamarca.

OS TRÊS TIPOS Diferenças e semelhanças de um doce trio

AMARGO
Entram na sua composição as sementes de cacau, um mínimo de manteiga de cacau, pouco açúcar e nada de leite. Seu sabor peculiar se deve à maior quantidade de massa do fruto do cacaueiro. Uma barra de 30 gramas fornece 150 calorias.

AO LEITE
Licor e manteiga de cacau, açúcar, leite, leite em pó ou leite condensado. Esses são alguns dos ingredientes que podem ser incluídos na receita desse chocolate, que é, aliás, creditada ao farmacêutico alemão Henri Nestlé (1814 – 1890). Calorias em 30 gramas: 159.

BRANCO
Muita gente não o considera digno de ser classificado como chocolate. Isso porque as sementes de cacau não fazem parte da fórmula desse alimento. Para obter o tipo branco, a indústria se vale de uma mistura de leite, açúcar, manteiga de cacau e lecitina. São 164 calorias em 30 gramas.

Em outras línguas ninguém se refere ao sabor para falar dele, como nós, que dizemos chocolate amargo. O espanhol e o francês, por exemplo, o chamam de negro — negro e noir, respectivamente. Em inglês o alimento é denominado dark chocolate, ou chocolate escuro

FONTES: DIETA DO VIVER BEM, DE MAURO FISBERG / VANDERLÍ MARCHIORI, NUTRICIONISTA DE SÃO PAULO/CLAUDIA PASSOS GUIMARÃES DA AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA

DELÍCIA SAUDÁVEL Fique por dentro de outros benefícios do chocolate amargo

PAPO CABEÇA
Um estudo britânico mostrou que uma bebida à base de um tipo de cacau lotado de flavonóides foi capaz de aumentar o fluxo sangüíneo na massa cinzenta. Em outras palavras, esses compostos do cacau e do chocolate poderão ser usados no futuro no tratamento de problemas nos vasos cerebrais.

DOCES LEMBRANÇAS
A epicatequina, uma substância encontrada no cacau e, por extensão, no chocolate amargo, pode, juntamente com exercícios físicos, estimular a memória, revela um estudo que saiu há pouco no periódico científico americano The Journal of Neuroscience.

MENTE LONGA-VIDA
Cientistas franceses acompanharam 1 640 pessoas com média de idade de 77 anos durante uma década. Quem seguia uma dieta com alimentos ricos em flavonóides, caso do chocolate amargo, teve menor declínio das funções cognitivas.

GÁS TOTAL
Pesquisadores da Escola Médica Hull York, no Reino Unido, descobriram que o consumo diário de 45 gramas desse chocolate reduz os sintomas da síndrome da fadiga crônica, que é caracterizada por um cansaço generalizado.

AMARGO VERDE-E-AMARELO Por enquanto estes são chocolates nacionais com maior teor de cacau


1. SUFLAIR DARK
A Nestlé lançou este ano uma versão do chocolate aerado com 70% de cacau na sua composição. A edição, no entanto, era limitada — e talvez você já encontre difi culdade para achá-la em supermercados.

2. HERSHEY’S SPECIAL DARK
Recém-chegada ao mercado, a linha, com 60% de cacau na receita, vem em quatro sabores: menta, cappuccino, laranja e tradicional.

3. CACAU 70%
Como o próprio nome entrega, esse chocolate da Kopenhagen apresenta mais de dois terços de cacau na sua fórmula. O produto pode se encontrado em dois sabores: tradicional e com leve toque de laranja.

CREME DENTAL DE CHOCOLATE? É o que sugere uma pesquisa americana. Mas, se ouvir esta por aí, ainda não leve tão a sério

A notícia vem da Univer sidade Tulane, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Um de seus cientistas, Ar man Sadeghpour, chegou a um extrato do pó de cacau que ajudaria a fortalecer o esmalte dentário e dar um basta nas cáries. Nesse quesito, o composto seria mais efi ciente do que o fl úor hoje utilizado nas pastas de dente. O odontólogo Jaime Cur y, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, no interior paulista, mostra-se cético quanto a esse resultado. “Será muito difícil uma outra substância preencher os atributos do fl úor para controlar o desenvolvimento da cárie”, afirma, categórico, o especialista.

Fonte: Revista Saúde é Vital – outubro de 2007