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Novidades do 14º Congresso Brasileiro de Esclerose Múltipla – BCTRIMS 20/06/2013

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Artigo escrito pelo Dr. Diego Zanotti Salarini, e cedido gentilmente ao blog “Neuroinformação” para publicação.

Novidades sobre a Esclerose Múltipla e Neuromielite Óptica – novidades do 14º BCTRIMS

Nessa última semana tivemos a realização do 14º Congresso Brasileiro de Esclerose Múltipla e Neuromielite Óptica (14º BCTRIMS), onde foram discutidos avanços sobre o entendimento de como as doenças ocorrem, como acelerar seu diagnóstico, definir modos de estimar o comportamento da doença, dados demográficos das doenças, sintomas não clássicos, diagnóstico e tratamento. Pretendo colocá-los a par de nossas discussões.

1. Dados demográficos – Mesmo o Brasil sendo um país de dimensões continentais, e o nosso povo ser fruto de uma grande miscigenação, foi determinado que o comportamento da EM no Brasil é igual ao dos nossos amigos europeus. Além disso tivemos uma observação sobre a ocorrência maior de EM em nascidos nos meses de novembro e abril.

2. Vitamina D – Esse assunto sempre dá pano pra manga, visto que existem trabalhos científicos que favorecem e outros que negam qualquer relação entre níveis de vitamina D e  risco de EM. De certeza temos que ainda não há níveis definidos como normais na nossa população; dessa forma, não temos um valor certo para determinar se iremos ou não prescrever vitamina D. Em um trabalho apresentado não houve nenhuma diferença entre grupos de pessoas com níveis acima ou abaixo dos valores ditos “padrão”, tanto em gravidade quanto em ocorrência da EM.

3. Diagnóstico – Ainda temos como principais ferramentas a história clinica, o exame feito pelo neurologista, a ressonância magnética e o exame de bandas oligoclonais (BOC – leia mais sobre isso aqui) no líquor. Mas, de um modo muito agradável, foram relembrados vários outros diagnósticos diferenciais para os mesmos sintomas e as mesmas imagens. A mensagem é: “Todo o cuidado é pouco, EM é diagnostico de exclusão”.

4. Tratamentos – Nada mudou drasticamente. Muito foi falado sobre como iniciar o tratamento e como definir tratamentos mais agressivos. Mas a mensagem principal é que o tratamento tem que ser individualizado, respeitando várias variáveis.

5. Determinar o comportamento da doença – Isso ainda é uma lacuna no nosso conhecimento. Muita energia esta sendo gasta com isso, mas com poucos resultados até o momento.

6. Grupos de pesquisa – Grupos serão montados para estudar questões especificas (EM em crianças e adolescentes, exames de imagem, dados demográficos, etc). Dessa forma, muitas novidades serão assentadas no decorrer dos anos.

7. Sintomas da EM – Muitas apresentações falaram sob fadiga, dor, ansiedade e depressão, como podem acontecer e como diagnosticá-las e tratá-las.

8. Neuromielite Óptica (NMO) – Metade do congresso foi sobre a NMO, e fico feliz em dizer que tivemos sumidades mundiais para nos atualizar sobre o que esta acontecendo. Muito foi comentado sobre diagnóstico e sua confusão, cada vez maior, com a EM. Digo para vocês que está ficando cada vez mais difícil diferenciar NMO da EM com base somente nos exames corriqueiros, salvo alguns dados que temos guardados para o diagnóstico. Dentro das formas de EM e de NMO, fica obrigatório a dosagem do anticorpo para aquaporina-4 (anti-NMO). Porém, o método disponível atualmente ainda deixa a desejar. Os japoneses estão estudando métodos cada vez mais precisos para o diagnostico correto.

Me orgulho em dizer que mais de 300 neurologistas estiveram presentes, tanto especialistas na área quanto especialistas em formação, mestres mundiais dos assuntos e fisioterapeutas. Isso mostra a importância que o assunto tem na nossa comunidade.

Fonte: Blog Neuroinformação
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