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Vitamina D no tratamento de esclerose múltipla 03/06/2013

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Utilização ainda é experimental mas existem evidências

Já circulou na internet a informação de pacientes com esclerose múltipla que foram tratados à base de altas doses de vitamina D. O documentário “Vitamina D – Por uma outra terapia”, disponível no YouTube, conta, por exemplo, a história de seis portadores da doença que tiveram suas vidas transformadas a partir deste polêmico tratamento, que não é reconhecido pela maioria dos especialistas por ainda ser considerado experimental.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune, geralmente caracterizada por surtos de alterações na visão, formigamento ou dormência nos membros, perda de equilíbrio, dificuldade de andar.

De acordo com as teorias médicas mais aceitas, a esclerose múltipla é desencadeada por uma combinação de fatores que inclui predisposição genética, aspectos ambientais e infecções virais. Nos seus portadores, as células imunológicas invertem seu papel: em vez de proteger, o sistema de defesa do indivíduo passa a agredi-lo, comprometendo as funções coordenadas pelo sistema nervoso central, como visão, audição, sensibilidade e locomoção.

Um dos fatores de risco ambiental para o desenvolvimento da esclerose múltipla mais estudado atualmente é a deficiência da vitamina D. Apesar disso, Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista do Einstein, adverte que são vários os fatores de risco relacionados com a doença: os genéticos, os ambientais, e a interação destes (e não um fator isolado) que potencialmente desencadeariam os processos imunológicos responsáveis pelo início e pela evolução da doença.

A vitamina D é um precursor hormonal encontrado de duas formas: em plantas e peixes ou sintetizada pela exposição à luz solar. O homem pode manter os níveis necessários de vitamina D expondo-se ao sol, em horários e tempo mais adequados à produção e armazenamento, ou ingerindo alimentos enriquecidos com a vitamina. Esta, por sua vez, ajuda a manter o equilíbrio do cálcio e a mineralização do esqueleto humano.

Por outro lado, a deficiência da vitamina D pode estar relacionada à baixa exposição das pessoas à luz solar, ou por questões geográficas e climáticas. “Pode-se observar o elevado número de pessoas afetadas pela esclerose múltipla em países frios, em altas latitudes, e a baixa prevalência da doença em áreas mais próximas à linha do Equador, onde há maior tempo e clima favorável à exposição solar”, salienta Rodrigo Thomaz.

Um estudo publicado na revista Brain, por Jorge Correale, em janeiro de 2009, indicou que os níveis deficientes da vitamina D podem influenciar positivamente a evolução da doença. Outro estudo, da Harvard School of Public Health, liderado por Alberto Ascherio, em 2006, sugeriu a diminuição de 41% do risco de esclerose múltipla para cada 50nmol/L aumentando os níveis de vitamina D. Isto é, o risco de esclerose múltipla foi mais baixo entre aqueles ministrados com doses mais altas de vitamina D, e os riscos mais altos desta doença ficaram com aqueles com níveis mais baixos desta vitamina.

O neurologista do Einstein afirma: “Não se sabe ao certo como a reposição desta vitamina pode alterar o curso da doença. Outro problema inerente ao tratamento é a dose e o tempo ideal para repor os níveis deficientes, havendo o risco dos efeitos tóxicos incluindo a elevação dos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia), hipertensão arterial, náuseas, diminuição do apetite, fraqueza, constipação intestinal e insuficiência ou dano renal”.

Para Rodrigo Thomaz, até o momento, não existem estudos concluídos e baseados em evidências que indiquem que a substituição dos tratamentos convencionais pelo tratamento exclusivo com altas doses de vitamina D seja benéfica, ou superior.

“Ressalto que pesquisas envolvendo os níveis de Vitamina D em portadores de esclerose múltipla, na sua maioria, são realizados em países onde a incidência de raios ultra-violeta (UV), o tempo de exposição solar e os hábitos alimentares e culturais são diferentes do Brasil”.

No entanto, pontua o neurologista, a ciência evolui e deve estar atenta para os avanços no entendimento da esclerose múltipla e novas perspectivas de tratamento, integrando modos e abordagens terapêuticas como: medicamentos imunomoduladores e imunossupressores, medicamentos sintomáticos, atividades físicas e reabilitação neurológica, técnicas terapêuticas alternativas – medicina chinesa e fitoterapia, homeopatia, meditação e yoga – nutrição, mudança de hábitos e estilo de vida, controle do estresse e apoio psicológico e familiar.

Fonte: Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista do Einstein

Fonte: Albert Einstein

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