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Esclerose múltipla e fatores ambientais 09/03/2013

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Este artigo foi tirado a partir de informações do site Medlink
Vários fatores do ambiente podem determinar aumento ou diminuição do risco de desenvolvimento da esclerose múltipla (EM), associadamente a determinantes genéticos. Alguns estudos, embora com resultados conflitantes, demonstram que pessoas que migraram de locais de baixa incidência para locais de alta incidência da doença antes dos  seus 15 anos de idade possuem risco mais alto de desenvolver a doença em comparação a pessoas que migraram após os 15 anos de idade, o que sugere que alguns fatores ambientais determinam cedo a possibilidade de desenvolvimento da doença.
Sabe-se que a EM não é transmitida de mãe para o feto (transmissão via placenta ou vertical), nem através do leite materno, nem através de transfusões de sangue ou relações sexuais, o que fala contra infecções virais como causa da doença. No entanto, estas mesmas infecções podem ocasionalmente desencadear surtos em pacientes já com a doença. Há vários vírus envolvidos nisso, principalmente os vírus responsáveis por infecções respiratórias. O tratamento com interferons (um dos tratamentos para a forma mais comum da doença, a remitente-recorrente) não reduz as taxas de infecções virais, mas previne que estas infecções desencadeiem surtos.
Infecções bacterianas também podem aumentar o risco de surtos em EM. Sabe-se também que pacientes portadores de EM que fumam, talvez pela possibilidade de inflamações brônquicas como bronquites, além da ativação do sistema imune respiratório, têm 60% mais chance de apresentarem um surto que não fumantes (esta é uma boa hora para você parar de fumar). Também sabe-se que fumantes regulares têm duas vezes mais chance de terem EM, sendo o risco maior em homens que em mulheres, e talvez maior na adolescência.
Alguns estudos associam cáries dentárias a uma alta incidência de esclerose múltipla, talvez pelo fato de cáries serem processos inflamatórios, assim como periodontite. Portanto, vá sempre ao seu dentista e trate seus dentes.
Um assunto que vem dominando o cenário da EM é o uso de vitamina D. Ao que parece, a vitamina D (1,25-dihidróxi-colecalciferol) afeta o início e a evolução da doença. Sabe-se que a vitamina D é produzida na pele através do contato dos raios ultravioleta do sol com moléculas de colesterol. A variação sazonal (ou seja, de acordo com as estações do ano e mudanças climáticas) na atividade da EM possivelmente relaciona-se à ingesta ou produção cutânea de vitamina D, mas ainda não se sabe exatamente se isso é verdade. Sabe-se que a exposição ao sol regula a imunidade de vários modos.
Vários estudos demonstram, talvez não de modo consistente, que:
1. Aparentemente níveis aumentados de vitamina D no sangue correlacionam-se com resistência ao desenvolvimento da EM;
2. Consumo de peixe, pessoas que trabalham em ambientes externos, trabalhadores rurais, têm menos chance de problemas sérios causados por EM;
3. Mães com alta ingesta de vitamina D têm menos chance de terem filhos com EM;
4. Enfermeiras (mas pode ser qualquer mulher) que fazem uso de suplementos de vitamina D (o artigo sugere 400UI ou mais por dia, o que já é uma boa dose) têm 40% menos chance de desenvolver EM que as que não fazem uso, apesar de talvez haver diferenças no estilo de vida entre os dois grupos, o que pode responder por esta discrepância entre riscos;
Estas “evidências” acima necessitam de mais estudos para serem completamente comprovadas.
Pacientes com EM parecem ter níveis séricos (no sangue) de vitamina D menores. Mas, contrário ao que se demonstra acima, os genes responsáveis pelas vias metabólicas de produção da vitamina D não têm correlação com riscos de esclerose múltipla, o que sugere que há mais fatores envolvidos além da simples deficiência da vitamina D.
Obesidade em adolescentes e adultos jovens parece dobrar o risco de desenvolver EM, pelo simples fato de os hormônios produzidos pela gordura levarem a inflamações (serem pró-inflamatórios).
Ou seja, há vários fatores ambientais potenciais (ainda em estudo para comprovar sua veracidade) envolvidos, e quase todos são modificáveis (tabagismo, excesso de peso, alimentação, saúde dos dentes).
Além disso, há ainda a necessidade de mais e mais estudos para confirmar se o tratamento com vitamina D pode mesmo alterar a evolução da doença (por enquanto, isso é somente uma hipótese – leia mais sobre isso aqui e aqui – links em inglês). Fora isso, o tratamento com vitamina D deve ser administrado por médico conhecedor do assunto para que se evitem complicações do uso em excesso da vitamina (a chamada hipervitaminose D que, segundo a Wikipedia pode levar a sintomas agudos, como desidratação, vômitos, irritabilidade, fadiga e fraqueza muscular, e a  sintomas crônicos, como aumento do conteúdo de cálcio no coração, rins, tecidos moles da pele e ossos, levar a produção de cálculos renais, além de hipertensão arterial).
Fonte: Neuroinformação
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