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Comissão cria grupo para debater políticas para esclerose múltipla 13/04/2010

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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A Comissão de Defesa de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio criou um grupo de trabalho para debater políticas públicas voltadas aos pacientes de esclerose múltipla. O objetivo do grupo, organizado durante audiência pública, nesta terça-feira (13/04), será identificar os centros de atendimento existentes para este tipo de doença neurológica e os pacientes do estado, além de gerar um registro dos medicamentos disponibilizados. De acordo com o presidente da comissão, deputado Marcelo Freixo (PSol), para ter ação é fundamental que se obtenha informação. “Sem os dados referentes à esclerose múltipla, o Governo não sabe direito quantos pacientes tem, de quais medicamentos fazem uso e onde os utilizam. Desta forma é muito difícil que a política pública de Saúde seja eficaz. Com isso, é crescente o número de ações na Justiça para a obtenção de medicamentos quando eles deveriam chegar aos pacientes de forma automática”, frisou o parlamentar.

Responsável pela Unidade de Esclerose Múltipla e Programa de Epilepsia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio (UFRJ), a neurologista Soniza Leon explicou que a doença decorre de um processo inflamatório com o ataque da mielina nas fibras nervosas, os chamados axônios. “A esclerose múltipla é uma doença autoimune e é a interrupção do impulso nervoso nos neurônios. Os sintomas geralmente ocorrem em indivíduos jovens, prevalece em mulheres, e eles normalmente acometem regiões onde há uma quantidade de mielina maior passando, que é o alvo atacado no processo inflamatório”, explicou Soniza. A neurologista citou ainda turvação visual, visão dupla, fraqueza muscular e paralisias transitórias, dentre outros, como fatores para a identificação da doença, que precisa de diversos exames para ser diagnosticada.

De acordo com Soniza, até chegar a um quadro de confinamento em cadeira de rodas, o paciente pode levar cerca de 10 a 15 anos, caso não seja tratado, e de 20 a 30 anos, se receber o tratamento ideal. Para os pacientes que não respondem aos medicamentos atuais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o uso de um grupo de novas drogas, anticorpos monoclonais, que podem controlar a doença em 85% dos casos. Mas a luta do grupo de trabalho será focada nos medicamentos usados atualmente. Flávio Badaró, representante da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, disse que o fornecimento dos remédios está abaixo de 80%. “Estamos tentando organizar nosso programa para atender melhor os pacientes. Queremos informatizar o cadastro e ter uma relação exata do número de atendidos no estado”, informou ele, que estava acompanhado da superintendente de Atenção Básica da Secretaria de Saúde, Mônica Almeida.

A necessidade de o estado cumprir o seu papel de custear medicamentos e tratamentos de alto custo a portadores de doenças graves foi destacada por Daniel do Vale, membro da Comissão Municipal de Pessoa com Deficiência. Deficiente visual em decorrência da doença, o jovem de 29 anos foi o primeiro a sugerir o grupo de trabalho. “Com a aliança entre pacientes, parlamentares e membros do próprio Poder Executivo, ficará mais fácil criar um atalho para pressionar o estado a cumprir seu papel”, avaliou do Vale, lembrando que no estado do Rio existem mais de mil pessoas com esclerose múltipla e patologias semelhantes. “Todos os tratamentos de saúde e fornecimento de remédio são funções do estado, já que a Constituição Nacional estabelece a saúde como um direito fundamental”, frisou.

Deputado Marcelo Freixo (PSol) fala após audiência sobre esclerose múltipla. Clique aqui para ouvir.

Fonte: Alerj Notícias

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