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As possibilidades de cura com a hipnose 24/11/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida, Utilidade pública.
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Há dois séculos, a hipnose é alvo de controvérsias e seus benefícios são freqüentemente exagerados. A técnica não pode ajudar ninguém a parar de fumar, por exemplo, embora nenhum outro tipo de tratamento ajude de fato a este respeito.

A atitude do paciente é crucial no êxito do tratamento. Segundo Brian Alman, psicólogo que aplica hipnose em San Diego, na Califórnia, “o poder da hipnose, na verdade, está dentro do paciente, não do médico”.

Roberta Temes, hipnotizadora clínica em Scotch Plains, no Estado de Nova Jersey, defende que a hipnose não tem poder de fazer com que as pessoas façam aquilo que não estão dispostas a fazer. “O processo de hipnose só é bem-sucedido quando empregado para ajudar aquelas pessoas que realmente querem promover uma mudança em suas vidas”, afirma Roberta.

Em seu livro The Complete Idiot’s Guide to Hypnosis, Roberta afirma que a conquista de seus objetivos é a melhor prova de que você foi realmente hipnotizado. A especialista também sugere uma segunda ou terceira visita caso seu objetivo não tenha sido alcançado após a primeira consulta.

Na realidade, a hipnose é a síntese da medicina que trata da mente e do corpo simultaneamente. Ela é capaz de treinar a mente para controlar as reações do corpo, assim como modificar as mensagens que o corpo envia à mente. A técnica tem sido utilizada para combater a náusea de gestantes e pacientes sob tratamento quimioterápico, a angústia causada por testes ou visitas ao dentista, dores do período pós-operatório, tratamento de canal, dores do parto, medo de viajar de avião ou falar em público. Também é aconselhável para soluços de difícil cura e para as pessoas que têm o hábito de arrancar o cabelo compulsivamente, entre outros problemas de saúde.

Ao escrever para a publicação científica The Permanent Journalem 2001, Brian Alman afirmou que “o potencial para beneficiar-se da hipnose está dentro de cada paciente”. “O objetivo da hipnose médica moderna”, o especialista acrescenta, “é ajudar os pacientes a lançar mão deste potencial que está no nosso inconsciente.”

Alman descreveu o caso de uma sobrevivente de um campo de concentração com 65 anos de idade que engasgava sistematicamente quando tentava engolir algum alimento. Exames não mostraram qualquer tipo de obstrução em seu esôfago. Após três sessões de hipnoterapia, seu problema desapareceu. “Eu me libertei do meu esôfago”, comemora a paciente.

Não é preciso sequer ficar cara a cara com um hipnoterapeuta para ter benefícios. Roberta Temes destacou que a hipnose pode atingir bons resultados por meio de CD’s ou, até mesmo, por telefone, prática que ela oferece como parte do tratamento. Segundo ela, muitos CD’s indutores do relaxamento podem ser encontrados no site http://www.hypnosis-network.com.

Talento do profissional

Ellen Fineman, terapeuta corporal de Portland, submeteu-se a cinco cirurgias para reparar uma retina que insistia em se descolar. Durante a sexta operação, Ellen fez uso de uma fita cassete de hipnose preparada por Temes especialmente para pacientes que seriam submetidos a cirurgias. “O material era muito relaxante e tranqüilizador”, garante Ellen. “A fita repetia que eu estava nas mãos de profissionais realmente competentes e que teria poucos inchaços”, diz. “Desta vez, a cirurgia foi um sucesso, não houve inflamação, inchaço ou outro descolamento. O cirurgião ficou muito surpreso e perguntou o que eu tinha feito de diferente desta vez”, assegura.

Como em qualquer outro ramo de atividade, alguns hipnoterapeutas têm mais talento do que outros. Roberta Temes sugere que a propaganda boca-a-boca pode ser a melhor maneira de encontrar alguém com prática em hipnose para cuidar do tipo de problema que se tenta solucionar. Útil também é buscar associações de profissionais, que costumam manter listas de referência de terapeutas, com ou sem certificação, de cada localidade e especialidade.

Embora nem todo mundo seja facilmente hipnotizado, quase todos conseguem entrar em um transe terapêutico, diz Roberta Temes. Outro de seus pacientes, a médica Susan Clarvit, psiquiatra de Nova York, pensava que não conseguiria ser hipnotizada – ela era científica demais, racional demais. “Mas eu estava desesperada”, conta Susan. “Estava grávida de meu segundo filho e tinha náuseas constantes, que não me deixavam em paz”, relembra.

A hipnoterapeuta perguntou à paciente o que ela costumava segurar com mais freqüência e Susan respondeu que era uma caneta. “Ela me hipnotizou de maneira que quando eu segurava uma caneta, tinha uma sensação geral de bem-estar. Segurava uma caneta o tempo todo, mesmo quando estava dirigindo, e não sentia náusea”, surpreende-se.

Sob o poder da hipnose, Susan recebeu uma sugestão pós-hipnótica que ligava a ação de segurar uma caneta a se sentir bem. Tais sugestões permitem que as pessoas se comportem de uma maneira nova e desejada depois de serem trazidas para fora do transe.

Poderia se dizer a alguém que esteja tentando superar o hábito de comer: “Quando você estiver com fome, você vai comer vegetais”. A sugestão para um fumante poderia ser “você vai beber água quando quiser um cigarro”, e poderia ser dito a alguém aterrorizado em falar em público: “Você vai respirar bem fundo quando se sentir com medo”.

Ensina-se a muitos pacientes a praticar a auto-hipnose para reforçar o novo comportamento. A médica Karen Olness, professora de pediatria na Case Western Reserve University e que preside a International Society of Hypnosis, diz que “o treinamento em auto-hipnose em crianças é uma estratégia efetiva e prática para prevenir episódios de enxaqueca.”

Às vezes, pacientes com doenças bem-estabelecidas podem se beneficiar da hipnose. Brian Alman conta sobre uma mulher com esclerose múltipla que só foi curada da depressão com hipnose. Ela não havia conseguido melhorar com antidepressivos. Quase imediatamente, relata ele, a depressão da paciente não só melhorou, como seu modo de andar e a sua fala melhoraram notadamente.

Conforme Alman, para muitos pacientes o problema médico é tão complexo que instruções e comandos específicos podem ser ineficazes. O benefício da hipnose tem mais a ver com o desencadear de processos inconscientes do paciente. “Existe uma riqueza de material no inconsciente do paciente que pode ser usado na cura”, sugere. No entanto, Alman lamenta que, embora a hipnose médica possa freqüentemente produzir uma mudança rápida até mesmo em casos difíceis, a técnica seja tão subestimada como uma ferramenta terapêutica. (The New York Times – Gazeta Mercantil)

Fonte: Gazeta Mercantil

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