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Um bom médico ainda é o melhor remédio 18/10/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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De volta para o futuro
Para avançar ainda mais, a medicina revê o passado em busca de exemplos de um atendimento mais humanista e, portanto, completo

Os médicos, que comemoram seu mês agora em outubro, nas últimas décadas vivem sob uma avalanche de informações. Não importa a área de atuação, praticamente todo dia revistas e sites especializados anunciam um equipamento inédito ou uma maneira diferente de tratar determinada doença. Seria preciso abrir mão de muito espaço na agenda para acompanhar tudo. E a impressão é de que para todo mal a ciência pode prometer uma cura.

Paralelamente, em especial no Brasil, viu-se uma modificação social e econômica expressiva: o aumento do número de beneficiários de planos de saúde, com a conseqüente diminuição dos atendimentos particulares, provocando queixas entre os profissionais de jaleco branco. É fato: eles recebem cada vez menos por uma consulta. Os pacientes, por sua vez, reclamam do distanciamento dos médicos.

Uma pesquisa realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ouviu 469 pessoas antes e depois de consultas em clínicas, postos de saúde, hospitais públicos e privados. Acredite: entre as instituições particulares, o tempo de consulta oscilou entre 13 e 26 minutos.

Justamente esses serviços foram os piores, segundo a avaliação dos entrevistados, revela a pesquisadora Cristiane S. Arroyo, da Universidade de São Paulo. Esse dado me surpreendeu, pois esperava encontrar mais atenção ao paciente no setor privado. Entre os serviços públicos, a variação do tempo de atendimento foi maior: de oito a 52 minutos.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Relações com o Cliente ouviu 1,8 mil pacientes em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Entre outras perguntas, buscou-se saber o que os chateava em uma consulta. Resposta: para mais de um terço deles (36,3%), o maior problema seria a desatenção. Em seguida, viriam os atrasos. Indagados se voltariam a ouvir aquele mesmo especialista, 52% disseram que sim mas 48% admitiram que procurariam outro.

Instituições sérias querem entender o que está errado e criar alternativas para que os novos médicos sejam cada vez mais parecidos com aqueles de antigamente, que atendiam olho no olho, com ouvidos abertos às palavras do doente, sem tanta pressa de encerrar a consulta. Elas estão convictas de que, apesar de tanta tecnologia e avanço científico, um bom médico faz a diferença.

Essa não é uma preocupação exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, apesar de todo o avanço tecnológico, os casos de erro médico não caíram: foram 44 mil vítimas no ano passado. Tanto lá quanto cá, só ganha força a tendência de revalorizar a medicina dita humanista, na qual o médico enxerga o paciente de forma global, mas sem deixar de lado, claro, os métodos que melhoraram (e muito) os diagnósticos e tratamentos. É muito importante a relação médico/paciente. Muitas vezes, essa é a principal forma de alívio do sofrimento do indivíduo, diz Jefferson Gomes Fernandes, diretor do Instituto de Educação e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. A medicina hoje busca um equilíbrio entre a técnica e o caráter humanista.

Fernandes sugere que os médicos conversem mais, troquem experiências e debatam os casos a volta da conversa de corredor de hospital. O ideal, aliás, é que houvesse espaço para isso, reconhece. O Moinhos de Vento até já criou uma sala de convívio médico.

Também no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a troca de opiniões é cada vez mais incentivada. Queremos manter bons embates em reuniões e cursos,afirma Roberto Padilha de Queiroz, diretor de ensino do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital. O conhecimento compartilhado diminui a incidência de erros que podem custar vidas. Ele acha que essa é também uma questão de lisura. Na área da saúde, não é ético um profi ssional que não se mantém informado, por maior que seja o volume de pesquisas, assim como não é ético não compartilhar o que já se sabe.

DOUTORES EM NÚMEROS
As estatísticas abaixo traçam um retrato da profi ssão de médico no Brasil

infográfico

Fonte: Revista Saúde! é vital, outubro de 2008

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