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Perguntas mais freqüentes sobre células-tronco 29/03/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Nossa amiga Cell Miranda enviou-nos uma excelente matéria sobre células-tronco. Mensagem da Cell:

Participo de uma associação de lesados medulares aqui, a LEME, e temos uma página numa revista estadual chamada Destaque Gaúcho. Esse mes conseguimos essa matéria sobre células tronco com essas pesquisadoras da UFRGS e estou mandando para ver se vcs aproveitam. Essa é a versão completa. Para a revistas elas tiveram que diminuir o texto.

Segue o texto. Aproveitem!

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CÉLULAS-TRONCO
As perguntas mais freqüentes

1 ) O que são células-tronco?
As células-tronco são células que apresentam grande capacidade de proliferação celular e que podem se diferenciar em diversos tipos de células. Assim, elas podem participar da regeneração de órgãos ou tecidos que tenham sofrido uma lesão. Além disso, as células-tronco apresentam a propriedade de auto-renovação, ou seja, gerar cópias idênticas de si mesmas.

2 ) De onde as células-tronco podem ser retiradas?
Há dois tipos de células-tronco: as células-tronco adultas e as células-tronco embrionárias. As células-tronco adultas são aquelas encontradas nos órgãos e tecidos já formados, tanto dos fetos, quanto das crianças e dos adultos. No entanto, as células-tronco adultas, mais facilmente disponíveis e comumente utilizadas na clínica, são as células-tronco presentes na medula óssea e no sangue de cordão umbilical. As células-tronco embrionárias são definidas por sua origem, e são aquelas encontradas desde os primeiros dias após a fecundação até o estágio de blastocisto, o embrião de quatro e cinco dias após a fecundação. As células-tronco embrionárias que são utilizadas para as pesquisas são aquelas provenientes de embriões gerados em clínicas de fertilização, onde o casal doa, para a pesquisa com fins terapêuticos, os blastocistos não utilizados para a fertilização in vitro. O blastocisto é o embrião até antes de ser implantado no útero, que ocorre a partir do sexto dia. O blastocisto compreende a cerca de 100 a 150 células e o seu tamanho corresponde ao pingo deste “ i ”.

3 ) Qual o uso em potencial destas células-tronco para a medicina?
As células-tronco têm sido vista como uma recente esperança terapêutica para o tratamento de inúmeras doenças. A maior importância da terapia celular através do uso das células-tronco está na sua capacidade de plasticidade que é a propriedade de uma célula originar diferentes tipos celulares. Assim, as células-tronco de um tipo de tecido podem originar tipos celulares de tecidos diferentes, em uma nova localidade ou novo órgão. Desta forma, as células-tronco podem ser totipotentes, pluripotentes ou multipotentes. Totipotentes são as células que originam os mais de 200 tipos de tecidos diferentes que formam o organismo humano, incluindo os anexos embrionários (placenta e cordão umbilical). Esse tipo celular corresponde às células presentes no embrião de até 3 dias. Células pluripotentes são aquelas que formam os mais de 200 tipos de tecidos diferentes do corpo humano, mas não são capazes de formar os anexos embrionários. As células presentes no blastocisto são células-tronco pluripotentes. As células multipotentes apresentam uma capacidade mais limitada, originando apenas os tipos celulares de seu tecido de origem como, por exemplo, as células do coração, do rim, entre outras. A maioria das células-tronco adultas são multipotentes.

As células-tronco embrionárias são células não especializadas com alta capacidade de auto-renovação e que podem ser expandidas indefinidamente. Por possuírem grande plasticidade, quando as células-tronco embrionárias estão sob certas condições fisiológicas ou experimentais, elas podem se tornar células com funções especializadas podendo, por exemplo, se diferenciar em células musculares, células produtoras de insulina, entre várias outras.

4 ) Por que há tanta polêmica em torno do uso das células-tronco embrionárias?
Porque, para termos acesso a essas células, deve-se destruir o embrião que está congelado nas clínicas de fertilização.

5 ) Por que os pesquisadores querem usar as células-tronco embrionárias, já que elas são motivos de tanta polêmica?
Os cientistas precisam estudar todas as células-tronco, as adultas e as embrionárias, pois elas têm características diferentes. Isso significa que algumas células podem ajudar em algumas doenças e outras células-tronco em outras doenças. Por exemplo, as células da medula óssea estão sendo usadas com sucesso para as doenças cardíacas, além das doenças hematológicas. Então, para essas doenças, provavelmente não precisaremos usar as células-tronco embrionárias. Mas há outras doenças, com a diabete e lesão de medula espinhal (paralisia), onde as células-tronco da medula óssea (ou outras células-tronco adultas) não têm mostrado bons resultados. Por outro lado, as pesquisas realizadas em animais com as células-tronco embrionárias têm mostrado que essas células poderão ajudar mais no tratamento dessas doenças. Ou seja, entendemos que é importante estudar todas as células-tronco para aprendermos com elas como ajudar a encontrar a curas de algumas doenças e para podermos comparar os resultados obtidos com as diferentes células-tronco.

6 ) A morte encefálica (ou morte cerebral) é o critério para o indivíduo ser declarado morto. Como isso, permite-se que os seus órgãos podem ser doados para transplante. Sendo assim, o início da vida não poderia ser considerado quando as primeiras células nervosas aparecem?
Sim e grande parte dos cientistas ao redor do mundo têm usado esse critério para se sentirem eticamente resguardados para usarem as células-tronco embrionárias, sem que isso signifique destruir um ser humano. Esse fato fundamenta-se na comprovação científica de que as primeiras células do sistema nervoso central só começam a se desenvolver a partir do 14º dia após a fecundação e se esse embrião estiver no útero materno. As células das quais estamos falando referem-se às células do blastocisto, o embrião de 4 e 5 dias, e que estão congelados e foram produzidos por um processo de fertilização assistida. Ou seja, jamais foram ou irão atingir um útero materno. Entendemos, também, que o útero materno é uma barreira intransponível. Se estivéssemos falando de uma fecundação natural, o embrião só atinge o útero após o sexto dia. Mas estamos nos referindo aos embriões que foram produzidos fora do organismo materno e que não foram usados para a implantação no útero. Ou seja, os mesmos encontram-se em um tubo de vidro e estão congelados e, porque os pais não querem mais ter filhos, os mesmo não serão mais usados para gerar um novo ser no útero materno. Portanto, inexoravelmente, esses embriões serão destruídos. Sendo assim, parece mais digno que as células desses embriões, como se fossem doadores de órgãos, sejam usadas para pesquisa, do que permitir que as mesmas sejam descartadas.

7 ) O uso das células-tronco embrionárias pode ser considerado aborto?
Não. A definição de aborto é a retirada do embrião ou feto de dentro do útero ou organismo materno. Estamos falando de embriões que jamais estiveram ou estarão em um organismo materno e que encontram-se congelados em clínicas de fertilização.

8 ) O que diz a lei que permite o uso de células-tronco embrionárias?
A Lei 11.105 de 24 de março de 2005 proíbe (1) a engenharia genética de embriões (quer dizer, a manipulação genética de embriões); (2) a clonagem reprodutiva ou terapêutica; (3) a produção de embriões humanos para outro fim que não a reprodução e (4) a comercialização de embriões humanos. Sendo assim, a lei permite obter células-tronco a partir de embriões, desde que, cumulativamente, esses embriões: (1) sejam excedentes; (2) foram produzidos para reprodução por fertilização “in vitro”; (3) estejam congelados por mais de 3 anos ou que serão descartados por serem inviáveis (inadequados para a implantação) e (4) somente após o consentimento dos genitores e mediante doação.

9 ) O que está sendo discutido no STF (Supremo Tribunal Federal) atualmente, sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, já que elas foram aprovadas em 2005?
Logo após a aprovação da lei em 2005, o antigo procurador geral da república entrou com uma ADIN (ação direta de inconstitucionalidade) para pedir a proibição da lei que autoriza a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas. Esse tipo de processo deve ser julgado pela Suprema Corte do Brasil, o que é um caso inédito no mundo. É a primeira vez que a lei sobre uso de células-tronco embrionárias humanas está por ser julgada pela Suprema Corte de um país. Em breve, o STF deverá se reunir novamente para votar a continuidade da vigência da lei ou a sua proibição.

Os pesquisadores estão confiantes que o STF irá votar pela constitucionalidade de lei. Pois, após todo o progresso atingido com os inúmeros debates que resultaram na aprovação da lei, entendemos que a mesma permite o uso das células-tronco embrionárias humanas dentro de limites éticos e morais.

10) Quais as doenças onde as células-tronco já têm mostrado resultados? E a lesão de medula espinhal, já tem resultados promissores?
Doenças cardíacas, hepáticas, doenças auto-imunes, como esclerose múltipla e sistêmica, entre outras, têm mostrado resultados promissores. O nosso grupo de pesquisa da UFRGS, coordenado por mim, Patricia, e pelo professor Carlos Alexandre Netto, têm trabalhado com o uso das células-tronco para doenças como acidente vascular cerebral e lesão de medula espinhal, com boas perspectivas de resultados.

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Patricia Pranke*
Professora da Faculdade de Farmácia da UFRGS, Chefe do Laboratório de Hematologia e Células-tronco e Sócia Fundadora do Instituto de Pesquisa com Células-tronco. Foi uma das duas pesquisadoras que prestou assessoria científica no Senado e Congresso Federal durante todo o processo de discussão e elaboração da lei, desde 2003 e que culminou com a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias humanas no Brasil em 2005. Participou da primeira audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal, na defesa científica da lei que permite o uso das células-tronco embrionárias humanas.

Sandrine Wagner**
Professora de Hematologia dos Cursos de Biomedicina e Ciências Farmacêuticas da Feevale-NH- e Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular da UFRGS.

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