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Críticas ao ministro que pediu vistas do processo sobre células-tronco 09/03/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Entidades favoráveis às pesquisas com células-tronco embrionárias criticaram a posição do ministro Carlos Alberto Direito, que pediu vistas do processo

As entidades favoráveis à ciência discordaram da ação do ministro Carlos Alberto Menezes Direito porque julgam que os cidadãos já estão esclarecidos o suficiente sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil viu, na decisão do ministro, um “novo alento” para a instituição.Para Dom Antonio Augusto Dias Duarte, doutor em medicina pela Universidade de São Paulo e em teologia moral por Navarra e membro da Comissão Vida e Família da CNBB, o pedido de vista trouxe um alento para a Igreja Católica. “A Igreja [católica] está muito apreensiva porque parecia que o STF estaria a favor. Estávamos desalentados”, disse, em entrevista a ÉPOCA.

Para o bispo da CNBB, a igreja já se pronunciou “nem contra nem a favor ao progresso da ciência”. O que significa, no entendimento da instituição, ser favorável às pesquisas com as células adultas, porém contra as feitas com células de embriões. “Não estamos diante de um aglomerado de células ou de material descartável. O maior valor é a vida”, afirmou.

Dom Antonio Augusto acredita que o prazo maior para o julgamento vai servir para “deixar a poeira baixar” e para os ministros terem tempo de “avançar com serenidade e ponderação”. Para a Igreja, mesmo se considerada a hipótese de que o destino de tais embriões seria o descarte, não é correto permitir que sejam utilizados nas pesquisas. “Permiti-las é abrir mão dessa dimensão humana dos embriões”, falou.

A entidade Católicas pelo Direito de Decidir tem o catolicismo no nome, mas está a favor do uso de células-tronco embrionárias humanas em pesquisas, conforme explica Dulce Xavier, coordenadora da entidade. Em pesquisa feita em 2008 pelo Ibope, grande parte da população brasileira também é favorável aos estudos. Entre os 1863 brasileiros entrevistados, 75% concordam plenamente com as pesquisas e 20% aprovam-nas com ressalvas. De todos os entrevistados, 95% acreditam que os experimentos são uma defesa da vida e que devem ser feitos para ajudar na recuperação de doenças. Do total de pessoas que responderam à pesquisa, 1230 eram católicas e 386, evangélicas.

Mara Gabrilli, vereadora em São Paulo cujo principal trabalho é adaptar os espaços urbanos para as pessoas com deficiência, como ela, tetraplégica há 14 anos, também acredita que a população já está esclarecida sobre a importância das pesquisas. “Talvez a estratégia do ministro seja diminuir a visibilidade do assunto”, afirma. “Mas, como se trata de vidas humanas, que precisam do resultado dessa audiência, ninguém vai esquecer”, afirmou.

“ É capaz que até ministros que tinham a opinião contrária passem a ter uma opinião mais favorável com o adiamento”, afirma Mara. “Já o contrário não aconteceria de forma alguma: quem já está decidido a favor, está decidido”. Para a vereadora, há inúmeros ganhos na aprovação urgente do projeto. Dentre os principais, destaca a possibilidade de desenvolver tecnologia própria para esse tipo de pesquisa, o que liberaria o país da dependência de outros e do pagamento de royalties.

Mara explica que as pesquisas favorecem pessoas que têm doenças degenerativas, como distrofias, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, mal de Parkinson, câncer e diabetes. “O ministro pedir vistas é até uma situação constrangedora para ele, porque as pessoas vão se revoltar”, diz. “Essas pessoas lutam em seu dia-a-dia contra a morte. É um assunto que exige urgência”, disse.

Depois de analisar o processo, o ministro Direito deve devolvê-lo ao plenário, para que entre na fila de votação novamente. Caso a presidente do Supremo, Ellen Gracie, queria colocá-lo entre as prioridades, a decisão pode demorar menos. Ellen já se declarou favorável às pesquisas.

Fonte: Revista Época

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