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Músico lamenta manipulação dos direitos civis 05/03/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Músico Marcelo Aversa a favor das pesquisas com uso de células-tronco embrionárias - Leonardo Aversa - O GloboEstamos a pouco tempo da votação que irá definir o futuro das pesquisas com células-tronco embrionárias no país. O que será que está em jogo nesse momento? Será o sucesso dos cientistas? Será o progresso na medicina? Será a possibilidade de cura para tantas lesões ou doenças diferentes?

No meu ponto de vista, todas essas e também a possibilidade de o Brasil ter autonomia numa das pesquisas científicas mais importantes dos últimos tempos. Além disso, é inegável que as pesquisas com células embrionárias possuem maior possibilidade efetiva de resultado do que as com células adultas. ( Leia também: Lula defende aprovação de pesquisas com células-tronco )

Porém, mais uma vez a desinformação se torna o braço mais forte para a manipulação política de nossos direitos civis. Digo isso baseado na Constituição brasileira, que garante a liberdade de exercer qualquer tipo diferente de fé, credo ou religião. A Igreja Católica toma uma posição política clara, baseada em seus dogmas, contra as pesquisas com células embrionárias.

O que será que está em jogo nesse momento? Será o sucesso dos cientistas? Será o progresso na medicina? Será a possibilidade de cura para tantas lesões ou doenças diferentes?

A posição da Igreja Católica (a maior do Brasil, mas também apenas uma das igrejas) historicamente já mostrou-se muitas vezes equivocada, como por exemplo no caso das encíclicas em relação à proibição do uso da camisinha, a principal defesa mundial contra a Aids.

É engraçado que tal posição às vezes se torna, em sua essência, contraditória, pois há poucos anos essa mesma Igreja Católica apoiou a defesa dos deficientes físicos no Brasil, mas deixou de fora, com essa proibição, um dos tipos de deficiência mais cruel: a deficiência imunológica.

Neste exato momento, o poder da Igreja revive todos os equívocos do passado, fazendo a história se repetir pois sua moral baseada em dogmas corre o risco de se trair. No passado, os negros foram escravizados, fato que foi moralmente aceito até mesmo pela Igreja. Creio que o processo civilizatório mais importante se dá quando não estamos a serviço da moral, mas sim da ética, porque essa é atemporal, essa não é dogmática, essa é o cerne de toda a lei que, além de nos dar deveres e direitos, não dá também algum perfume de liberdade.

MARCELO YUKA é músico e compositor

Fonte: O Globo Online

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