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Ministro da Saúde diz que Brasil poderá entrar na era do obscurantismo se não aprovar pesquisas com células-tronco embrionárias 01/03/2008

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta sexta-feira, durante visita ao Hospital da Lagoa, que espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida, no dia 5 de março, aprovar as pesquisas com células-tronco embrionárias. De acordo com Temporão, o Brasil entrará numa época de obscurantismo e de atraso ou seguirá no caminho para produzir no país as tecnologias do futuro.

Poderemos entrar numa época de obscurantismo e de atraso para a medicina e para a ciência brasileira

– Essa é uma área em que o Brasil tem todas as possibilidades de estar na fronteira do conhecimento no mesmo pé de igualdade que os paises mais avançados. O Ministério da Saúde está financiando, neste momento, um estudo multicêntrico, investindo R$ 15 milhões em terapia celular com célula-tronco adulta para tratamento de doenças cardiovasculares – disse o ministro.

– Especialistas estimam que se este tratamento pudesse ser feito com célula tronco embrionária, teríamos grande possibilidade de desenvolver novas tecnologias, novas abordagens terapêuticas, que poderiam ter grande impacto no tratamento de doenças crônicas, como demência, Alzheimer, degenerações, doenças cardíacas, diabetes e uma série de outras patologias. Essa decisão interessa muito a ciência e a medicina brasileira. Poderemos entrar numa época de obscurantismo e de atraso para a medicina e para a ciência brasileira ou seguir no caminho do fortalecimento da capacidade brasileira de enfrentar as doenças dos brasileiros e ter condições de produzir aqui no nosso pais as tecnologias do futuro – acrescentou ele.

Afinados com o ministro, portadores de distrofia muscular, pacientes com câncer, familiares e amigos reuniram-se hoje em frente ao Supremo Tribunal Federalpara defender a legalidade da Lei de Biossegurança, que permite a pesquisa com células-tronco embrionárias. Com balões, flores e faixas, eles pediam aos ministros do Supremo que rejeitassem, na semana que vem, a ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, em 2005.

As células embrionárias representam a esperança de tratamento e cura para centenas de doenças degenerativas e progressivas para as quais não havia esperança nenhuma

O grupo, que reúne 62 entidades médicas, de pacientes e científicas, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), recolheu 41 mil assinaturas num abaixo-assinado em defesa do artigo da Lei de Biossegurança que é alvo da ação de Fonteles. As faixas continham as seguintes mensagens: “Votos que salvam vidas” e “Célula-tronco embrionária: esperança de um futuro melhor”.

A coordenadora do Movimento em Prol da Vida no Distrito Federal, Gabriela Costa, de 32 anos e vítima de distrofia muscular, defendeu as pesquisas com células-tronco embrionárias na busca da cura de doenças degenerativas como a sua e o Mal de Parkinson.

– As células embrionárias representam a esperança de tratamento e cura para centenas de doenças degenerativas e progressivas para as quais não havia esperança nenhuma. Para quem não tinha nada, isso representa muito – disse Gabriela.

Será um passo sério na direção do processo sistemático de legalização do aborto

CNBB: Células-tronco abrem caminho para legalizar aborto

Mas nem todos pensam assim. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, criticou as pesquisas com células-tronco embrionárias por, segundo ele, “violarem o direito à vida”. A CNBB apóia a ação direta de inconstitucionalidade que será julgada pelo Supremo na semana que vem.

– A Igreja não é insensível ao sofrimento de tantas pessoas que desejam a cura para suas doenças – disse Dom Geraldo. – Manipular o sentimento e a dor de pessoas com informações falsificadas é não só irresponsável, mas desumano. Salvar um e matar outro não é resposta. O que não podemos é, para aliviar o sofrimento dessas pessoas, apresentar solução que não é solução.

Na mesma linha, o secretário-geral da entidade, Dom Dimas Lara Barbosa, defendeu que os embriões congelados em clínicas de fertilização in vitro e que não serão utilizados para fins de reprodução permaneçam dessa forma.

A Igreja não é insensível ao sofrimento de tantas pessoas que desejam a cura para suas doenças. O que não podemos é, para aliviar o sofrimento dessas pessoas, apresentar solução que não é solução. Salvar um e matar outro não é resposta

– O que está em jogo é uma questão de princípio em defesa da vida. As pesquisas que se mostraram realmente promissoras, que têm gerado patentes, são as pesquisas com células-tronco adultas. Transigir agora seria abrir as portas para outras formas progressivas de manipulação da vida humana – disse d. Dimas.

Ele teme que o uso de células embrionárias nas pesquisas científicas, conforme prevê a Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso em 2005 leve à legalização do aborto:

– Não vai ser o primeiro passo, porque o aborto não é penalizado nas situações previstas em lei, mas será um passo sério na direção do processo sistemático de legalização do aborto – afirmou o secretário-geral.

Segundo d. Dimas, o uso de células-embrionárias, assim como o aborto de fetos anencefálicos, pode suscitar o debate sobre a legalização do aborto.

Na quinta-feira, a geneticista Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP) e uma das mais conhecidas cientistas do país, foi ao Supremo Tribunal Federal defender as pesquisa com células-tronco embrionárias no Brasil. Ela apresentou argumentos favoráveis à liberação das pesquisas aos ministros Eros Grau e Ricardo Lewandowski.

O que está em jogo é uma questão de princípio em defesa da vida

Na próxima quarta-feira, o STF vai decidir se essa linha de pesquisa fica, de vez, liberada no país ou se será proibida, como quer a Igreja católica. Na visita, Mayana mostrou aos ministros uma vareta de congelamento de embriões. Trata-se de um instrumento da espessura de uma agulha muito fina, com cerca de cinco centímetros de comprimento, que serve para armazenar centenas de embriões humanos.

Ela ressaltou que não há vida humana nesse estágio e que as pesquisas com o material embrionário poderão resultar em tratamentos para doenças como diabetes, atrofias musculares, paralisias e mal Alzheimer.

1º objetivo é entender como se dá a transformação de célula básica

As chamadas células-tronco embrionárias estão entre as primeiras a se formarem no organismo, logo após a fecundação. São elas que, ao se multiplicarem e se diferenciarem, dão origem a todos os tecidos e órgãos do corpo humano. Como estão na base do desenvolvimento dos mais diversos tipos de células do organismo, elas são um instrumento precioso para a pesquisa.

O primeiro objetivo dos cientistas é entender como se dá a transformação dessa célula básica em outras mais específicas. O conhecimento desse processo é essencial para a compreensão da formação dos tecidos. Esse conhecimento promete levar ao desenvolvimento de uma nova medicina.

Um segundo passo importante, que já está sendo estudado em várias partes do mundo, é pesquisar o uso dessas células em doenças degenerativas e lesões graves. Nesses casos, a reconstrução do tecido afetado – seja por enfermidade ou acidente – poderia ser alcançado com as células. O pulo do gato, que todos os cientistas buscam, é justamente dominar a tecnologia que induz as células-tronco a se diferenciarem no tipo exato de tecido que se busca.

Experiências desse tipo já foram feitas com sucesso parcial com células-tronco adultas (as reservas que todos apresentam no organismo). Mas os cientistas acreditam que os resultados seriam muito melhores com as embrionárias, mais flexíveis.

Fonte: O Globo Online

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