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Nova substância pode ser alternativa para o tratamento da esclerose múltipla 17/10/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Primeiros resultados do estudo clínico mundial com o anticorpo monoclonal alentuzumabe serão apresentados no 23º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Pesquisa da Esclerose Múltipla

Os resultados preliminares de um novo estudo clínico internacional envolvendo pacientes com esclerose múltipla serão apresentados na próxima semana, durante o ECTRIMS 2007 (23º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Pesquisa da Esclerose Múltipla), que acontece de 11 a 14 de outubro em Praga, na Republica Tcheca. O estudo avalia, pela primeira vez, a eficácia e a segurança do alentuzumabe (anticorpo monoclonal humanizado que age diretamente no sistema imunológico) no tratamento de pacientes com diagnóstico de esclerose múltipla, mas que ainda não foram tratados com as terapias convencionais. O medicamento é co-desenvolvido pela Bayer Schering Pharma (BSP), divisão da Bayer HealthCare, e a Genzyme, sendo estudado para as áreas de oncologia, esclerose múltipla e outras indicações. A BSP mantém os direitos exclusivos de distribuição e comercialização do medicamento em todo o mundo sob a marca Campath®.

Para o neurologista Dagoberto Callegaro, coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas e professor da USP, o medicamento poderá ser uma nova opção de classe terapêutica para o tratamento e controle da doença. “O alentuzumabe age diretamente eliminando as células inflamatórias do sistema imunológico, o que reduz a inflamação e conseqüente desmielinização do sistema nervoso central”, explica o médico.

O estudo clínico comparativo CARE-MS I está em andamento (fase III) e envolve 524 pacientes de aproximadamente 60 centros de pesquisa da América do Norte, Austrália, Europa e América Latina, inclusive o Brasil. O trabalho visa avaliar a resposta dos pacientes ao alentuzumabe, em comparação com a betainterferona 1a, terapia convencional utilizada no tratamento da doença. O estudo analisa as taxas anuais de surtos e o tempo que o paciente leva para desenvolver incapacidade permanente (seqüelas que podem causar problemas motores ou sensoriais). Durante o congresso europeu, serão divulgados os resultados preliminares de 36 meses da fase II do estudo.

A análise prévia dos resultados de fase II, demonstra que os pacientes tratados com o alentuzumabe em altas doses tiveram uma redução de 87% do risco de novos surtos e diminuição de 66% do risco de progressão da incapacidade permanente, em comparação com os pacientes tratados com a betainterferona 1a. Os resultados também foram similares nos pacientes que receberam o alentuzumabe em baixas doses.

Além da diferença no mecanismo de ação, os medicamentos são administrados de forma distinta. Enquanto com a betainterferona 1a, o paciente recebe três injeções semanais, subcutâneas, durante todo o período de tratamento, o alentuzumabe é administrado em apenas dois ciclos anuais por via endovenosa. Inicialmente, o paciente recebe uma dose de 12mg por dia durante cinco dias consecutivos e, após 12 meses, recebe outra dose de 12mg por dia durante três dias. “O tratamento em ciclos poderá facilitar a adesão dos pacientes ao tratamento, pois alguns reclamam da necessidade de aplicações freqüentes das terapias atuais”, informa a neurologia Maria Lucia Brito, gerente do Serviço de Neurologia e coordenadora do Centro de Referência para Pacientes Portadores de Doenças Desmienalizantes do Hospital da Restauração de Recife.

O estudo CARE-MS I é realizado com pacientes que receberam o diagnóstico de esclerose múltipla do tipo recorrente-remitente, a forma mais comum da doença e que ocorre em 60% dos casos. Na maioria dos pacientes, a doença provoca uma série de surtos, de intensidade variável que podem durar de um dia a oito semanas. Os surtos são seguidos por períodos de remissão com recuperação completa ou quase completa. Os principais sintomas são visão dupla ou embaçada, fraqueza muscular, desequilíbrio, fadiga, parestesia (sensação tátil anormal, como formigamento) e alterações de memória.

Sobre a esclerose múltipla

De acordo com a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, existem cerca de 2,5 milhões de pacientes em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que são mais de 30 mil pacientes, sendo que desse total apenas seis mil recebem tratamento. A esclerose múltipla é uma doença inflamatória desmielinizante auto-imune do sistema nervoso central, que provoca dificuldades motoras e sensitivas e comprometem a qualidade de vida dos pacientes. É um processo desencadeado pelo próprio sistema imunológico (auto-imune) e que destrói a mielina (desmielinizante), estrutura lipoprotéica que reveste o neurônio e é fundamental na transmissão dos impulsos nervosos, já que auxilia na condução das mensagens que controlam todos os movimentos conscientes e inconscientes do organismo.

Atualmente, os principais objetivos do tratamento são reduzir o número e a gravidade dos surtos, retardar o desenvolvimento de incapacidade neurológica permanente. Entre os medicamentos que podem modificar o curso da EM, os mais utilizados são as betainterferonas, que reduzem os surtos e retardam a evolução da doença. O primeiro medicamento dessa classe aprovado foi a betainterferona 1b (Betaferon®), da Bayer Schering Pharma, divisão da Bayer HealthCare. O medicamento é fornecido gratuitamente pela rede pública de saúde no Brasil.[14]

Terapia inteligente

CAMPATH® (alentuzumabe) é um anticorpo monoclonal indicado pelo FDA (Food and Drug Administration) como tratamento de primeira linha em leucemia linfocítica crônica (LLC). É classificado como “terapia-alvo”, pois atua seletivamente contra a proteína antígeno CD52, nos linfócitos malignos. A diminuição da proliferação das células cancerígenas exerce efeito benéfico no estado clínico do paciente e aumenta a expectativa de vida. Aprovado pela ANVISA no Brasil, CAMPATH® é indicado para pacientes com LLC em estágio avançado da doença ou que não respondem à quimioterapia padrão e está disponível desde abril de 2007.

Fonte: SEGS – Portal Nacional de Seguros & Saúde

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