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A superação das diferenças 21/09/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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AS CHAVES DA CASA: relações de conflito e preconceito entre pai e filho portador de esclerose múltipla (Foto: DIVULGAÇÃO)

FORTALEZA – Começa hoje, no Multiplex UCI Ribeiro, a II Mostra da Diversidade, integrada por filmes que tratam da vida das pessoas com necessidades especiais

Engrossando a comemoração do Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, o Cinema de Arte promove a II Mostra da Diversidade, o encanto das diferenças, este ano dedicada às pessoas com necessidades especiais. Seis filmes, quatro inéditos e duas reprises, compõem o evento: os italianos ´As Chaves de Casa´, de Gianni Amélio, e ´Vermelho Como o Céu´, de Cristiano Bortone; os nacionais ´Moacir – Arte Bruta´, de Walter Carvalho, e ´Do Luto à Luta´, de Evaldo Mocarzel; o norte-americano ´Murderball, Paixão e Glória´, de Henry-Alex e Dana Adam Shapiro; e o iraniano ´A Cor do Paraíso´, de Majid Majidi.

A principal característica da mostra é a diversidade temática. ´As Chaves de Casa´, eleito um dos dez melhores filmes do ano pela crítica local em 1995, trata da esclerose múltipla; ´Moacir – Arte Bruta´ revela a vida de artista goiano cuja comunicação se dá através de suas pinturas; ´Murderball, Paixão e Glória´ revela paraplégicos que encontraram no esporte um sentido para suas existências; ´A Cor do Paraíso´ expõe o processo de rejeição de um pai ao seu filho cego; e ´Do Luto à Luta´, o amor de uma família dedicado á filha com Síndrome de Down. ´Vermelho Como o Céu´ conta a história verídica de um garoto que perde a visão mas não seu imaginário de vida e acaba por mudar uma realidade de isolamento dos deficientes visuais.

Em ´As Chaves de Casa´ e ´A Cor do Paraíso´ se expõe a rejeição paterna. No primeiro, o pai rejeita o filho com esclerose múltipla, no segundo, por ser um deficiente visual. O diretor Gianni Amélio, em ´As Chaves de Casa´, adapta o romance autobiográfico do famoso escritor Giuseppe Pontigia, no qual ele narra como, por preconceito, deixou de estar ao lado do filho com esclerose múltipla, de seu nascimento à adolescência, quando o redescobriu. Sob o tema ´a aceitação das diferenças´, o filme será debatido após a sessão de amanhã.

No iraniano ´A Cor do Paraíso´, Majid Mijidi traça a jornada de Mohamamad, um menino de oito anos que, ao sair de férias da escola especial, tenta conquistar, ao longo da jornada de volta para casa, o carinho do pai que, além de rejeitá-lo por ser cego, o vê como um ´coitadinho´ e tem vergonha de ser visto como genitor de um deficiente. O filme expõe a aceitação da Mohammad pelas outras crianças, e até o seu nível superior de aprendizado escolar, fatos irrelevantes para o pai que, na verdade, está preocupado consigo mesmo. Pais preconceituosos são incapacitados de enxergar a grandeza de seus filhos especiais.

´Moacir – Arte Bruta´, de Walter Carvalho, realizador de ´A Janela da Alma´, descobre o artística Moacir, 42 anos, negro, pobre, com problemas de audição, fala e formação óssea, ausente do mundo, com o qual se comunica apenas através de suas pinturas retratando seres humanos, animais, a flora, visões místicas, religiosas e a sexualidade. O filme registra seu cotidiano.

O documentário ´Murderball, Paixão e Glória´, vencedor de vários prêmios em festivais internacionais e candidato ao Oscar da categoria em 2005, faz uma surpreendente e empolgante exposição do mundo dos atletas paraolímpicos. Através da rivalidade das seleções de rúgbi em cadeiras de rodas dos EUA e Canadá numa disputa pela vaga para a Para-Olimpíada de Atenas-2004, revela como um grupo de paraplégicos treina para superar seus limites na disputa dos jogos. O esporte se transforma, para eles, numa razão de vida.

Em ´Do Luto à Luta´, o conhecido cineasta Evaldo Mocarzel, realizador de ´A Margem da Imagem´ (2003) e ´A Margem do Concreto´ (2006), através de sua filha Joana, com Síndrome de Down, promove uma exposição da vida das pessoas com esse problema genético, com ênfase nas suas potencialidades, sem qualquer diferenças com os outros semelhantes: dançam, nadam, surfam, namoram, dirigem carros e até fazem filmes´. A Síndrime atinge cerca de oito mil bebês, anualmente, no Brasil.

Encerrando a Mostra, ´Vermelho Como o Céu´, drama baseado na história real de Mirco Mencacci, garoto que perdeu a visão aos 12 anos ao brincar com uma espingarda, e ao ser remetido para estudar numa escola especial para deficientes visuais, teve de fazer o seu reaprendizado de vida na escuridão, quando ainda tinha a esperança de voltar a enxergar. Ambientado nos aos 70, o filme revela como Mirco, apaixonado pelo cinema, se destacou entre os colegas nascidos com cegueira, levou-os a vivenciar a imaginação e a fantasia e a mudar uma realidade escolar, a segregação das chamadas escolas especiais, abolidas justamente a partir de um movimento popular contra o diretor da instituição, o qual propôs a expulsão de Mirco. O fato promoveu o início do processo de inclusão escolar, o qual conquistou a Itália nos anos 80 e só chegou ao Brasil no final de 1990.

PROGRAMAÇÃO

Sexta, 21, 21h30/Sábado, 10h45
As Chaves de Casa (Lê Chiavi di Casa, Itália, 2005), de Gianni Amélio, com Kim Rossi Stuart e Andréa Ross. 105 minutos. Livre.

Segunda, 19h30
Moacir – Arte Bruta (Brasil, 2005), de Walter Carvalho. 72 minutos. Livre.

Terça, 19h30
Murderball, Paixão e Glória (Murdferball, EUA, 2005), de Henry-Alex Ruby e Dana Adam Shapiro. 86 minutos. Livre.

Quarta, 19h30
A Cor do Paraíso (The Collor do Paradise, Irã, 2003), de Majid Mjidi, com Hossein Mahjoob e Salameh Feyzi. 86 minutos. Livre.

Quinta, 19h30
Do Luto à Luta (Brasil, 2005), de Evaldo Mocarzel. 79 minutos. Livre.

Serviço:
II Mostra da Diversidade – Cinema de Arte/Multiplex UCI Ribeiro, sala 7. De 21 de setembro a 11 de outubro.

Fonte: Diário do Nordeste (Fortaleza)

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