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É hora de malhar os neurônios 16/08/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Nosso cérebro começa a perder as células do sistema nervoso antes mesmo dos 30 anos. Mas pesquisas mostram que é possível retardar esse processo. E o melhor: jogando videogame

Da próxima vez que você der um presente para alguém acima de 60 anos, pense duas vezes. Opções tradicionais como roupas de dormir ou mesmo jogos de xadrez ou de damas estão perdendo espaço para os videogames. Isso mesmo: videogames. A novidade tem agradado cada vez mais gente nessa fase da vida, principalmente em países como Estados Unidos e Japão — lançadores de tendências. O melhor é que essa moda tem o aval da ciência. Institutos de pesquisa, a exemplo da Universidade do Texas (veja boxe), estão conduzindo estudos e concluindo que esses aparelhinhos ajudam a melhorar o humor, a concentração e até a coordenação motora.

Tudo porque propõem desafios que estimulam o raciocínio e exercitam o cérebro, afastando problemas comuns a partir dos 60 anos, como a perda da memória e até o mal de Alzheimer (doença caracterizada pela progressiva perda das funções intelectuais). Boa novidade também é que eles oferecem a chance de as pessoas interagirem, tirando- as do isolamento — queixa freqüente nessa idade. “De forma geral, são fáceis de jogar e ideais para desfrutar a companhia de outras pessoas”, explica o jornalista David Lemes, mestrando em desenvolvimento de games na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e editor do site www.gamereporter.org.

Os games preservam a memória na terceira idade

Até no Brasil existem centros de pesquisa desenvolvendo estudos na área. Um deles é o Instituto Paulista de Déficit de Atenção. Lá, eles utilizam um treinamento para ondas cerebrais, chamado de neurofeedback, quase uma “musculação para o cérebro”. Segundo a médica Cacilda Amorim, diretora da clínica e coordenadora do Grupo de Estudos em Biofeedback e Neuroterapia da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, esses jogos são específicos para treinar e melhorar a atenção e o raciocínio. Enquanto joga, o paciente fica conectado por meio de um eletrodo fixado em seu couro cabeludo. A médica explica que, de um modo geral, o cérebro pulsa rapidamente quando executa atividades mais exigentes, como fazer cálculos mentais, ou quando precisa de muita concentração. “O terapeuta define os parâmetros de cada sessão (se mais ou menos difícil), dependendo do nível do usuário e da finalidade do seu treino”, diz a especialista.

LIBERADOS PARA MAIORES
Instituto estuda benefícios dos jogos para os maiores de 60 anosQuem pensa que esse assunto não é coisa séria, deve prestar atenção no seguinte número: 13 milhões de dólares. Essa foi a quantia destinada a um estudo da Universidade do Texas para avaliar os benefícios dos games para o pessoal da terceira idade. Chamado Senéludens — associação entre os termos “ idade avançada” e “ lucidez” —, o projeto tem o objetivo de avaliar os processos de envelhecimento, mapeando-os e, a partir disso, desenvolver jogos que vão estimular a memória, mantendo habilidades do cérebro que tendem ao declínio conforme a idade avança. As pesquisas, envolvendo neurocientistas, engenheiros e especialistas em multimídia, entre outros, estão sendo coordenadas pelo professor Mihai Nadin, de 69 anos, que costuma destacar o caráter social desse estudo, uma vez que integra o idoso à sociedade por meio da tecnologia.

Vantagem tecnológica
Na verdade, os jogos que têm o objetivo de estimular as funções cognitivas cerebrais não são novidade. Bons exemplos disso são os de memória, forca, cartas, palavras cruzadas e xadrez — que são estratégicos por excelência. “Como o jogador precisa antecipar o movimento de seu adversário, tem que elaborar suas jogadas mentalmente”, explica Roger Tavares, professor de pós-graduação em games do Senac. A vantagem dos videogames sobre essas brincadeiras é que, conforme as fases vão passando, a dificuldade aumenta. Para quem não sabe, os games têm etapas que variam de um jogo mais fácil para o mais difícil. Esse desafio constante estimula o “bom funcionamento” dos neurônios, fortalecendo as conexões (a comunicação) entre eles.

Não é difícil entender. Os neurônios são células que estão ligadas umas às outras, sendo responsáveis por conduzir o impulso nervoso. Se não forem estimuladas, podem morrer, comprometendo a transmissão de informações para outros neurônios, músculos ou glândulas. “A idéia é usar para não perder”, explica a médica Cacilda Amorim.

É verdade que nem todo problema de memória é decorrente do envelhecimento ou de perda dessas células. Segundo a médica, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, excesso de trabalho e estresse crônico prejudicam a atenção e, conseqüentemente, os processos de formação e recuperação da memória. É justamente aí que os games podem ajudar, à medida que relaxam, ao mesmo tempo que estimulam a superação individual.

De olho nesse filão, a indústria está encurtando a distância entre as clínicas que estudam esse tipo de jogo e a sala de estar das casas. Um exemplo? O Nintendo Wii, considerado o game do momento com seu console diferenciado (lembra um controle remoto), é muito mais fácil de ser usado. “Ele possui sensores que, até então, foram pouco explorados pela indústria desses jogos”, diz David Lemes.

Ao contrário do que acontece em outros países, no Brasil, boa parte dos idosos não está familiarizada com a tecnologia e tem até certa aversão a novidades. Por conta disso, a chegada do Nintendo Wii vai representar um grande avanço na tentativa de aproximá-los da tecnologia.

Brincadeira não tem idade
“Nasci em uma época em que se jogava cartas e gamão na porta de casa”, comenta o comerciante paulistano Francisco Paulo, de 68 anos. “Como não quero parar de trabalhar, estou me acostumando com o computador. Mas não sei se conseguiria jogar videogame”, afirma. Já Beto Andrade, 55 anos, pensa diferente. Vice-presidente de uma multinacional, afirma que recorre aos games pelo menos uma vez por semana. Ele não tinha conhecimento dos benefícios dos jogos eletrônicos. “No começo, era uma maneira de me aproximar do meu filho. Hoje, jogo quando tenho uma folga. O melhor de tudo é que vou poder brincar com os netos daqui a algum tempo”, conta. Para Roger Tavares, professor do Senac, essa versão da Nintendo é ideal para o pessoal da terceira idade porque, além de permitir até quatro jogadores, dispõe de jogos como o Maestro, para reger uma orquestra, e o Wii Sports, ideal para simular jogos de tênis e boliche, por exemplo.

O uso moderado estimula o cérebro e não vicia

Por conta desse e de outros apelos, virou mania nos Estados Unidos e até uma casa de repouso organiza um campeonato de boliche entre seus moradores, que competem com seus aparelhinhos. O neuropsicólogo Paulo Cunha, doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, só alerta para o tempo dedicado a esses jogos: em excesso, não importa a idade, vira vício.

GIRO PELO MERCADO
Entre as opções abaixo, escolha a que melhor se adapta ao seu gosto, sem prejudicar o bolso:1. Brain Age – criado em 2003 pelo neurocientista Ryuta Kawashima, é portátil e possui exercícios de memorização, desenhos e aritmética, além de manter o registro do seu desempenho. Na versão moderna – Brain age: train your brain in minutes a day (em português, treine seu cérebro alguns minutos por dia), a proposta é determinar a idade mental da pessoa. Por R$ 800 (o aparelho e o jogo)

2. The Sims – jogo de computador em que o objetivo é montar uma família e administrar a casa. De R$ 100 a 130 (a versão mais moderna).

3. Mini Brain Trainer – o aparelho de bolso possui exercícios e quebra-cabeças para treinar a atenção e o raciocínio. Custa R$ 40.

4. Nintendo Wii – a versão Wii Sports reúne modalidades como tênis, boxe, boliche, baseball e golfe. Por R$ 2000.

5. Sudoku – jogo de raciocínio e lógica, em que o jogador precisa elaborar seqüências de números em um grande quadro. É possível jogá-lo em sites como http://sudoku.mundopt.com.

Fonte: Revista Viva Saúde, agosto de 2007

 

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