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Calor que cura 09/08/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida.
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Sem lançar mão das agulhinhas, que despertam medo em muita gente, a moxabustão, uma forma diferente de aplicação da acupuntura, combate dores articulares, gripes, resfriados e problemas digestivos, além de aumentar a imunidade do organismo

DOR NAS COSTAS, insônia, ansiedade, excesso de peso e uma série de doenças. Seja qual for o problema, a acupuntura é quase sempre uma solução garantida ou mesmo um valioso tratamento coadjuvante. Uma prova disso é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma lista das 40 enfermidades que podem ser tratadas pela técnica com sucesso. É o reconhecimento do Ocidente para algo que os orientais já sabem há mais de seis mil anos. Mas, mesmo com todo esse respaldo, muita gente ainda se recusa a adotá- la. O motivo para tanta resistência? As agulhas, oras! O medo das danadas é, muitas vezes, maior do que a vontade de dar fim à dor. O que pouca gente sabe, no entanto, é que há outros meios de usufruir dos benefícios do método sem ter que levar as temidas picadinhas. Exemplo disso é a moxabustão, terapia que usa o calor proveniente da queima das folhas de artemísia (Artemísia vulgaris L.) para estimular pontos ou áreas do corpo que apresentem problemas. “A palavra chinesa que se refere à acupuntura é zhenjiu, que se traduz por picar e queimar. Sendo assim, para os chineses, acupuntura e moxabustão significam o mesmo”, explica o médico e acupunturista Paulo Luiz Farber.

A moxa, como também é chamada, visa ao restabelecimento da saúde por completo e tem excelentes resultados no tratamento de desequilíbrios relacionados à deficiência da energia yang (quente). “Ela é indicada principalmente para tratar patologias decorrentes do frio, como gripes, resfriados e dores articulares. Também é muito eficiente contra a baixa resistência gerada pela depressão, insônia e estresse”, afirma Francisco Madureira, terapeuta do CETAS – Centro de Estudos e Tratamento Alternativo para a Saúde, de São Paulo. Nas páginas seguintes, conheça melhor a técnica e saiba como ela pode ajudar a cuidar de sua saúde.

origem casual
Segundo Madureira, a idéia de se criar uma terapia que atuasse pela promoção de calor surgiu por acaso. “Estudiosos dizem que há muito tempo, no norte da China, as famílias tinham o costume de se reunir ao redor de fogueiras, a fim de afastar o frio intenso. Algumas vezes a lenha pipocava e lançava pequenas brasas sobre as pessoas. A partir daí começaram a observar que, quando entravam em contato com o corpo, essas pequenas chamas aliviavam dores e incômodos comuns no inverno”, explica.

É claro que esse foi só o ponto de partida. As técnicas mais rudimentares, feitas com base nessas observações, eram muito problemáticas, já que causavam sérias lesões pelo corpo. Aos poucos e com o auxílio dos conhecimentos da acupuntura, o método foi aprimorado. Surgiram então os diferentes tipos de moxabustão (veja no box), como a forma em bastão ou em botões, maneiras menos invasivas de curar com calor. “Constatou-se que não há necessidade de queimar, basta aquecer a estrutura ou o ponto que será tratado. Aqui no Ocidente, as práticas que geram queimaduras são proibidas e os terapeutas que as utilizam podem responder a processo por lesão corporal”, pondera Madureira.

uma técnica, muitas funções
A moxaterapia parte do princípio que, aquecendo a região do corpo que se pretende tratar ou o ponto de acupuntura que corresponda à região, algumas funções do organismo são estimuladas ou equilibradas. Dentre elas está a produção de serotonina, substância que causa sensação de bem-estar, e de endorfina, que age como analgésico. Além disso, a técnica promove a vasodilatação, desbloqueia o fluxo energético, melhora a cicatrização, combate os processos inflamatórios, auxilia a regeneração celular e a eliminação de toxinas. “Esse método prima pelo bom funcionamento dos órgãos e vísceras. Com os sistemas trabalhando melhor, a imunidade cresce e a saúde se restabelece”, garante o terapeuta. Por fortalecer o corpo, a moxabustão possui também um forte caráter preventivo.

artemísia: a protagonista
Depois de seca, moída e peneirada, a artemísia ganha a consistência de um algodão e passa a ser chamada de moxa. Mas por que, dentre tantas outras plantas, ela foi escolhida como base dessa terapia? “Segundo livros chineses, ela é amarga, acre e produz calor naturalmente. Sua natureza é puramente yang e, por conta disso, ela aquece, mesmo quando não é queimada”, explica Paulo Luiz Farber.

Segundo Francisco Madureira, estudos laboratoriais comprovaram que, quando incandescente, essa planta emite mais luz e calor do que qualquer outra erva popular. “Alguns relacionam a ação da luz proveniente da queima da artemísia com o efeito do laser”, completa Farber.

Há uma erva chamada santonina que produz efeitos semelhantes. “No entanto, ela só é encontrada na Sibéria e em períodos específicos, enquanto a artemísia nasce em todas as estações e cantos do mundo”, conclui Madureira.

diferentes aplicações
Saiba um pouco mais sobre os vários tipos de moxabustão:

 direta: a fibra de artemísia é acesa diretamente sobre a pele. Nessa técnica os riscos de queimadura são grandes e, por isso, ela não é comum no Ocidente.
 indireta: a planta é separada da pele por um isolante,tradici onalmente uma fatia de gengibre ou cebola. Esses elementos potencializam o efeito contra gripes e resfriados. Alguns terapeutas os substituem por materiais como papelão.
 em bastão: a artemísia seca é enrolada, formando uma espécie de charuto que o médico segura próximo ao ponto ou manipula sobre o meridiano.
 moxa carvão: bastão que, além da moxa, mistura outros oito tipos de ervas terapêuticas. Dessa forma, o cheiro forte da artemísia, incômodo e até irritante para alguns, é suavizado.
 moxa botão: adesivos colantes feitos com a erva. Por serem extremamente seguros, são bastante indicados pelos terapeutas brasileiros.
 na ponta da agulha: nessa técnica, o calor é dirigido diretamente ao ponto de acupuntura.

Fonte: Revista Estilo Natural – Agosto de 2007

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