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Esclerose afeta cada vez mais pessoas no mundo 15/07/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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A universalização de vacinas, medicamentos e antibióticos pode provocar uma mudança no padrão imunológico das pessoas, favorecendo a esclerose múltipla, segundo especialistas. Também acontece nos países com menos radiação solar.

A esclerose múltipla (EM), doença auto-imune, causada por um ataque do sistema imunológico contra o próprio organismo, tende a afetar cada vez mais pessoas, de acordo com especialistas. A EM afeta diretamente o sistema nervoso central e pode levar à perda de movimentos. Uma das hipóteses para esse aumento na prevalência aponta para as condições próprias da vida moderna.

A melhoria sanitária nos centros mais desenvolvidos, com a universalização de vacinas, medicamentos e antibióticos, pode provocar uma mudança no padrão imunológico das pessoas, segundo argumenta o neurologista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Charles Tilbery.

“Vivemos em um ambiente mais asséptico e o organismo fica menos exposto a doenças infecciosas. Quando ativado, o sistema imunológico pode produzir uma hiper-reação” – diz.

De outro lado, a falta de vitamina D também pode estar associada ao aumento da prevalência – explica o professor de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Cícero Galli Coimbra.

Os países com radiação solar menos intensa têm uma população mais suscetível à esclerose múltipla. Na Europa e no Canadá, a incidência da doença é mais alta. “E à medida em que há mais progresso, as pessoas ficam mais confinadas, menos expostas à luz solar, matéria-prima da vitamina D”.

A vitamina D age no sentido de tornar o sistema imunológico mais tolerante. Embora um maior número de casos seja observado por alguns neurologistas nos consultórios, faltam estudos publicados que demonstrem a evolução da doença. Estima-se que no Brasil a esclerose múltipla afete de 25 mil a 30 mil pessoas. No mundo, são dois milhões de pessoas afetadas.

Em São Paulo, o mais recente trabalho significativo, realizado em 1997, mostra que a prevalência da doença era de 15 casos por 100 mil habitantes, contra 4,3 episódios por 100 mil habitantes em 1992. Para o chefe do ambulatório de esclerose múltipla do hospital da Universidade de Santo Amaro, Leandro Calia, a falta de dados disponíveis não permite confirmar que esteja realmente havendo um aumento no número de casos. (da Folhapress)

SAIBA MAIS

– Esclerose múltipla é a mesma coisa que esclerose mental?
Não. A esclerose múltipla não tem como característica levar à perda de memória ou prejudicar funções como raciocínio, linguagem, atenção e cálculo, embora possa, eventualmente, causar alguma perda cognitiva. É importante não confundir a esclerose múltipla com o Alzheimer.

– É possível diagnosticar a esclerose múltipla antes de aparecerem os sintomas?
Não. A evolução da genética deve permitir um diagnóstico prévio, mas é “algo que ainda está por vir”, diz Calia. A esclerose múltipla aparece sem aviso prévio, em geral com um surto -pode ser a perda de sensibilidade ou de força em algum membro, ou a perda momentânea da visão.

– A esclerose múltipla sempre deixa seqüelas?
Não. Após o primeiro surto, 98% dos pacientes têm uma recuperação total. A probabilidade de a doenças provocar danos irreversíveis aumenta na medida em que novos surtos forem aparecendo. Por isso, é importante manter o controle da doença.

– Os pacientes com esclerose múltipla têm muitas restrições?
Não. O tratamento é feito à base de drogas chamadas imunomoduladores, que modulam a ação do sistema imunológico. Mas o paciente pode levar uma vida normal, segundo Tilbery.

E MAIS

– Um trauma ou uma situação de estresse podem levar à precipitação de surtos em pacientes com esclerose múltipla, diz o professor de neurologia da Unifesp Cícero Galli Coimbra. Ele diz que um trauma – físico ou emocional – pode ter o efeito de ativar o sistema imunológico. “É muito comum que mulheres recém-separadas, por exemplo, apresentem uma exacerbação da esclerose”, diz.

– Um estudo divulgado em 2002 que acompanhou 23 pacientes do sexo feminino por um ano identificou que 85% dos surtos sofridos por essas pacientes foram precedidos por traumas ou estresse. A pesquisa levou em consideração situações como violência física e acidente de trânsito.

Fonte: Jornal O Povo – Fortaleza, CE

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