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O que você tem na cabeça 28/06/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Se as pontadas nessa região nunca o incomodaram, saiba que isso é uma questão de tempo… A cefaléia é a dor mais comum de todas, afeta pelo menos 90% da humanidade

Na enxaqueca, a dor, que pode ser unilateral, começa ao redor dos olhos e se irradia para outras partes do cérebro

Ela pode surgir de repente ou dar sinais de sua chegada com horas de antecedência. Quando vem, pode se manifestar como pontada, um aperto nas têmporas, como se fosse o efeito de um forte torniquete em cima dos olhos, uma dor pulsante em um ou ambos os lados da cabeça… Sua intensidade também varia de incômoda a muito severa, de tal modo que sua vítima não consegue sequer abrir os olhos. Seu nome é cefaléia, a popular dor de cabeça, queixa mais comum nos consultórios. “Seja a dor a doença ou o sintoma de um outro problema de saúde, a cefaléia é um fenômeno universal que, segundo estimativas, atinge 90% da humanidade”, garante o neurologista Mário Peres, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e professor de Neurologia e coordenador do Ambulatório de Cefaléia da Faculdade de Medicina do ABC (SP).

Estudos recentes registram que, ao longo da vida, 69 a 93% de indiví duos do sexo masculino e 94 a 99% da população feminina terão ao menos um episódio de cefaléia. Os sintomas são variados e os especialistas contabilizam entre 150 e 300 tipos de dores de cabeça. Não existe também apenas uma causa para o mal. Fatores como fi- car sem se alimentar, o estresse, a falta ou o excesso de sono, variações de temperatura ambiente, a presença de um tumor cerebral e até o orgasmo (em alguns casos raros) podem servir de gatilhos para a dor.

A boa notícia é que o tratamento existe, evoluiu e não se limita apenas ao uso de analgésicos. Aliás, muitas vezes, esse tipo de remédio nem é o mais indicado — o abuso de analgésicos pode até transformar uma cefaléia episódica em crônica. O primeiro passo é procurar um profissional que faça o diagnóstico certo, especialmente nas seguintes situações: “quando a freqüên cia das crises ultrapassar três episódios por mês; se houver mudança no padrão habitual da sensação dolorosa; caso a dor aumente progressivamente; se os analgésicos rotineinão estiverem fazendo efeito; ou se houver uma associação com sintomas como febre, déficits neurológicos e visão dupla, por exemplo”, enumera a neurologista Valéria Santoro Bahia, do Hospital São Camilo, em São Paulo.

Como prevenir-se

O tratamento preventivo, que tem como objetivo diminuir a freqüência, a intensidade e a duração das crises, também é importante. “Em muitos casos são indicados medicamentos anticonvulsivantes, antidepressivos e anti-hipertensivos em doses pequenas”, informa o neurologista Mário Peres, professor da Faculdade de Medicina do ABC. Como medidas preventivas, a Sociedade Internacional de Cefaléia recomenda que a pessoa faça as refeições e durma em horários regulares; diminua ou elimine alimentos que possam detonar a dor, como queijos e chocolates; evite bebidas fermentadas; não fique muito tempo exposto ao sol ou à claridade; evite se exercitar em dias quentes; maneire o uso de perfume; não permaneça em locais recém-pintados ou onde esteja sendo usado solvente; e invista em qualidade de vida, alimentando- se bem e praticando atividades físicas regularmente e relaxamento.

Para afastar essa doença que afeta de crianças a idosos, Viva Saúde levantou os tipos de cefaléias mais comuns e as formas mais eficazes de prevenção e tratamento.

ENXAQUECA

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, afeta cerca de 20% das mulheres e de 5 a 10% da população masculina.

O QUE É: também conhecida como migrânea, é uma doença neurovascular causada por uma disfunção química cerebral hereditária. Apresenta- se como uma dor latejante que pode durar de quatro horas a até três dias seguidos”, avisa a neurologista Célia Roesler, coordenadora do Departamento Científico de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. Alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.

A DOR: uma crise típica, reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física. “Em geral, vem acompanhada por outros sintomas, como náuseas, vômitos, intolerância à luz, odores, barulho e movimentos”, explica a neurologista Célia. Outra característica menos comum, porém diagnosticada em portadores de enxaqueca, é a presença da aura — um conjunto de reações neurológicas que se manifestam, em geral, antes das crises. São flashes de luz, falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague.

OS GATILHOS: são vários os estímulos capazes de detonar uma crise de enxaqueca em indivíduos predispostos ao problema. A lista varia de paciente para paciente, mas as causas mais comuns são: estresse, sono prolongado, jejum, traumas cranianos, ingestão de certos alimentos como chocolate, laranja, comidas gordurosas e lácteas, privação da cafeína para os que estão acostumados a tomar grandes quantidades de café, uso de medicamentos vasodilatadores, exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas, mudanças súbitas da pressão atmosférica, como as experimentadas nos vôos em grandes altitudes, alterações climáticas, exercícios intensos e queda dos níveis hormonais antes da menstruação.

COMO TRATAR: a primeira preocupação do médico é aliviar o mais rápido possível a dor do paciente. “Atualmente existe uma classe de medicamentos chamados triptanos (substâncias vasoconstritoras), que são usados para abortar a crise de dor. Mas estes fármacos só funcionam se for enxaqueca. Não têm boa resposta quando usados para cefaléia tensional”, avisa a médica Célia Roesler.

CEFALÉIA TENSIONAL

O tipo tensional tem duas origens: a parte de trás e a fronte ou ao redor de toda a cabeça, dando uma forte sensação de aperto

É o tipo de dor de cabeça mais comum. Estudos mostram que a versão episódica dessa cefaléia (quando ela, às vezes) atinge até 87% da população. Já a sua forma crônica (mais de 15 vezes por mês) afeta 35% das pessoas.

O QUE É: a definição é polêmica. Segundo a médica Célia Roesler, pode ser o resultado de uma contração muscular exagerada junto com uma constrição dos vasos sangüíneos intramusculares, desencadeados por tensões emocionais. Pode ser também o reflexo de um desequilíbrio bioquímico cerebral responsável pela deficiente produção de serotonina, neurotransmissor que, entre outras funções, garante a eficiência do sistema analgésico do corpo. “Foi demonstrada que há uma diminuição da concentração intracelular de serotonina e um aumento na concentração do ácido gama aminobutírico (GABA) em pessoas com esse tipo de dor de cabeça”, explica a neurologista Valéria Santoro Bahia.

A DOR: uma sensação de peso, pressão ou aperto, como se a pessoa estivesse usando uma faixa ou capacete apertado em volta da cabeça. Em geral, se localiza na fronte, na nuca ou no topo da cabeça. De intensidade leve a moderada, esse tipo de cefaléia não impede a realização de atividades rotineiras. Normalmente não há sintomas associados, mas alguns pacientes podem se queixar de intolerância a ruídos mais intensos. A dor pode durar de meia hora até sete dias, conforme a pessoa. Alguns têm crises uma vez por mês, enquanto outros podem apresentar dor 15 vezes a cada 30 dias.

OS GATILHOS: inúmeros trabalhos científicos associam esse tipo de cefaléia à ansiedade e à depressão. Porém, ainda não está provado que alterações emocionais como estresse psicossocial, tensão, ansiedade e depressão, possam ser realmente os responsáveis pelas crises, embora esses quadros sejam freqüentes nos pacientes que procuram o médico devido ao agravamento da cefaléia.

COMO TRATAR: melhora com atividade física ou relaxamento. Fisioterapia para alongar os músculos da fronte, da cabeça, do pescoço e da face também pode ajudar, mas é preciso indicação. Para uma dor de cabeça tensional episódica, os médicos recomendam analgésicos, como paracetamol e dipirona, que podem ou não ser associado à cafeína, que também ajuda a diminuir a dor. Alguns profissionais indicam o uso de relaxantes musculares. Antiinflamatórios modernos como o clonixinato de lisina e o ácido tolfenâmico também podem ser opções eficazes. Já nas dores tensionais crônicas, podem ser indicados medicamentos preventivos usados na enxaqueca. Os antidepressivos podem aumentar o nível de serotonina e melhorar a ação do sistema analgésico que se mostra deficiente. As doses devem ser iniciadas de forma gradual. Se houver melhora superior a 80% após quatro meses, o tratamento pode ser diminuído até cessar.

CEFALÉIA EM SALVAS

A dor de cabeça em salvas é unilateral, chega a atingir a região dos olhos e é muito intensa

É a mais cruel. Pesquisadores acreditam que seja responsável por 6% do total de casos. Mais comum em homens, na proporção de três para um, inicia-se em qualquer idade, mas costuma surgir entre 20 e 30 anos.

O QUE É: as causas ainda são desconhecidas. Mas acredita-se que haja uma disfunção em uma estrutura cerebral conhecida como hipotálamo. Estudos recentes sugerem também a relação dela com distúrbios do sono como apnéia e ronco. Os mecanismos que deflagram as crises não foram definidos, mas, durante as crises, ocorrem alterações do tipo edema e tortuosidade na parede da artéria carótida interna, em alguns dos seus trechos dentro do crânio.

A DOR: as crises apresentam- se sempre do mesmo lado da cabeça, em volta do olho, na fronte, na têmpora ou até na face. São de intensidade elevada e lancinante. Duram de 15 minutos a três horas. Aparecem em dias seguidos ou alternados, com freqüência de uma a oito vezes por dia e em horários semelhantes, de dois a quatro meses por ano. Comuns durante a madrugada. Já chegam de forma intensa. Estão associadas a vermelhidão ocular, lacrimejamento e entupimento (às vezes, corrimento) nasal do mesmo lado da dor. Desaparece sozinha para retornar após um período variado de tempo, que pode durar anos. Pode evoluir para o estado crônico, sem ciclos de crises.

OS GATILHOS: problemas neurológicos e, acredita-se, também distúrbios do sono.

COMO TRATAR: a terapia medicamentosa reduz o tempo de dor e varia desde o uso de medicamentos sublinguais e injetáveis até a aplicação de oxigênio úmido sob máscara. Além dos vasoconstritores triptanos (versões injetáveis ou nasais, pois agem mais rapidamente), os médicos podem receitar anti-hipertensivos e outros remédios.

MAIS RARAS, PORÉM IGUALMENTE INCÔMODAS

De acordo com a Classificação Internacional de Cefaléias, existem dores de cabeça ainda pouco compreendidas, que precisam ser avaliadas de forma mais minuciosa. São elas:

CEFALÉIA PRIMÁRIA EM FACADA: são pontadas de curta duração (03 segundos ou menos), não estão associadas a doenças orgânicas, mas freqüentemente presentes em portadores de enxaquecas (40 %) e cefaléias em salva (30 %).

CEFALÉIA PRIMÁRIA DA TOSSE: dor bilateral, ocasionado por tosse ou esforço abdominal. Aparece após os 40 anos de idade. Nesse caso, é importante a avaliação com exames de imagem, como a tomografia computadorizada do crânio.

CEFALÉIA PRIMÁRIA DO ESFORÇO FÍSICO: são decorrentes de qualquer forma de esforço físico e aparecem quase sempre em clima quente ou em altitude elevada.

CEFALÉIA PRIMÁRIA ASSOCIADA À ATIVIDADE SEXUAL: desencadeada pelo ato sexual, começa com a sensação de peso dos dois lados da cabeça e aumenta de intensidade durante o orgasmo.

CEFALÉIA HÍPNICA: a dor acorda o paciente e ocorre pela primeira vez após os 50 anos de idade.

CEFALÉIA TROVOADA PRIMÁRIA: A dor é descrita como se um raio partisse a cabeça ao meio. Um rápido diagnóstico pode confirmar ou não a presença de um aneurisma intracraniano.

Fonte: Revista Viva Saúde, edição 49

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