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Querer é poder 23/05/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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É claro que os desafios existem, mas em vez de torná-los impedimentos para o alcance dos nossos sonhos, podemos fazer deles motivos de crescimento e aprendizado. Munidos de persistência e positivismo podemos chegar a qualquer lugar e resolver todos os problemas. Saiba mais

VOCÊ CERTAMENTE DEVE CONHECER a fábula da lebre e da tartaruga. Conta essa história que, por ser o animal mais veloz da floresta, a lebre saía por aí desafiando todos os outros bichos a vencê-la em provas de corrida. Depois de tantas derrotas, os outros animais já não aceitavam mais seus desafios. Até que um dia, para a surpresa geral, a tartaruga, conhecida por sua extrema vagarosidade, declarou que entraria na competição. A reação da bicharada? Muitas gargalhadas! Como poderia, justo a tartaruga, vencer a lebre em uma prova de agilidade? Mesmo assim ela manteve-se firme. Sabia que suas perninhas curtas a impediam de dar passos largos como os da lebre. Sabia também que seu casco era pesado e atrapalhava bastante sua locomoção, mas estava certa de que podia chegar lá vitoriosa e então ser reconhecida por todos da floresta.

No dia da competição, não teve um só bicho que não abandonasse a toca para acompanhar o embate. A lebre chegou mais cedo e ficou circulando entre o público, já cantando vitória e fazendo piadas sobre sua desafiadora. A tartaruga, porém, chegou calmamente, tomou seu lugar e decidiu concentrar- se. “Eu sei que posso!”, pensava, com uma determinação de dar inveja a muitos atletas. Foi dada a largada e, como era esperado, a lebre disparou na frente. Muitos, menos confiantes, desistiriam ali mesmo, mas a tartaruga seguia com seus passos pequenos, porém cheia de positivismo. Suas costas doíam muito e suas pernas já estavam cansadas logo no início, mas precisava prosseguir.

Percebendo que abrira uma vantagem muito grande e que estava a poucos metros da linha de chegada, a lebre decidiu recostar-se sobre uma árvore e tirar uma soneca. Estava tão na frente que imaginou que não haveria problema em descansar um pouquinho. Acontece que a brisa era fresca, a grama fofinha e aconchegante e a lebre estava tão esgotada que acabou caindo num sono pesado. A tartaruga, que continuava caminhando, lenta e confiante, chegou ao ponto em que a lebre dormia e percebeu que estava diante de uma grande oportunidade de se sagrar vencedora. Nesse momento, concentrou toda a sua força de vontade e esforçou-se para alcançar a linha de chegada, antes que sua oponente acordasse. Cruzou a marca e foi declarada vencedora, para a surpresa e alegria dos animais, que já estavam incomodados com a prepotência da lebre. Essa só foi acordar muito tempo depois, quando não havia mais ninguém no local da corrida, já que estavam todos numa festa, comemorando a vitória da tartaruga.

Geralmente, essa fábula é passada para as crianças, no intuito de ensiná-las a não desistir de seus objetivos, ainda que as dificuldades para alcançar o êxito sejam muitas. No entanto, é na fase adulta que nos deparamos com as maiores adversidades, problemas quase diários que exigem de nós muita persistência: “Nossa existência é caracterizada por desafios. Nascemos e, a partir daí, estamos o tempo todo lutando por algo. Nessa busca, surgem dificuldades que exigem superação. É isso que tempera a nossa vida. Persistir é concentrar esforços, refletir sobre as melhores táticas, voltar todo nosso foco para a conquista de um objetivo específico e valioso para nós”, explica o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira.

E por meio dos desafios que amadurecemos emocionalmente e nos tornamos aptos a enfrentar melhor as situações seguintes: “Dificuldades e obstáculos podem se transformar em portais, entradas de conhecimento e sabedoria. Ao procurarmos meios de penetrá-los, acabamos crescendo. É como as pétalas de uma flor se abrindo, certa resistência as torna mais fortes. Assim também acontece conosco”, afirma a monja Cohen, fundadora da Comunidade Zen-Budista de São Paulo.

É importante, contudo, saber usar esse ensinamento a nosso favor. Para o psicólogo, o persistente se difere do insistente ou do teimoso por combinar em sua perso nalidade uma série de virtudes: “Quem persiste tem que estar preparado para se adaptar às situações e mudar de método, caso isso se torne necessário. O insistente dificilmente consegue isso, ele está tão preso às suas opiniões e convicções que não percebe que, para chegar aonde deseja, precisa, vez ou outra, ser mais flexível”, diz. A monja concorda: “Nossas questões devem ser respondidas, compreendidas e transcendidas, mas há limite para tudo. Se o avançarmos, passamos de persistentes a inconvenientes”.

Outra característica inerente a quem luta pelo que deseja é a paciência. Somente com a ajuda dela nos tornamos capazes de entender que o tempo das coisas não obedece a nossa vontade, mas que se o objetivo tiver bases firmes, será alcançado na hora certa. “Para persistirmos em nossos propósitos muitas vezes precisamos saber aguardar a oportunidade correta, a maturação das causas e condições para sua concretização. Contudo é preciso também ter cuidado, pois há uma tênue e sutil diferença entre paciência e acomodação. Ser paciente é ser cheio de esperança e de confiança sem deixar de agir e de lutar pelo que se quer”, pondera a monja.

A seguir, leia e se inspire com a história de três mulheres que se comprometeram de verdade com um objetivo e conseguiram alcançá-lo com muita obstinação. Elas garantem que, no final, a batalha compensa!

Fonte: Revista Estilo Natural, maio de 2007

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