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Games que treinam o seu cérebro 22/05/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
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Mais que divertidos, uma nova geração de jogos promete melhorar a memória, desenvolver o raciocínio e aumentar a capacidade de adquirir novos conhecimentos

Foi no Japão, berço das novidades tecnológicas, que nasceu em 2003 o primeiro desses joguinhos, o BrainAge, da Nintendo, para DS, seu game portátil (você já deve ter visto alguma criança ou adolescente com um na mão). Em pouco tempo o jogocabeça virou mania. Pudera. O fabricante espalhou aos quatro ventos que não se tratava de mera diversão, mas sim de um instrumento capaz de aumentar a capacidade cognitiva, a memória e o raciocínio. Aqui no Brasil ele só passou a ser encontrado este ano. Desenvolvido especialmente para os adultos, ele propõe desafios como solucionar problemas matemáticos, mas também permite amenidades, como desenhar livremente sobre a tela ou ler clássicos literários,ao microfone.O criador do BrainAge é o neurocientista Ryuta Kawashima, que fi cou famoso na terra do sol nascente ao vender milhões de cópias de um livro sobre desenvolvimento cerebral. O curioso é que o especialista é também o personagem principal do BrainAge, responsável por conferir os resultados e, baseado neles, dar uma idade cerebral ao jogador.

A base teórica do jogo leva em conta a tese, amplamente aceita, de que o cérebro é como um músculo que precisa ser exercitado para se manter forte e saudável. “Estamos falando de atividades mentais que instigam a criatividade”, explica o neurologista Benito Damasceno, da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Ele engrossa o coro dos que acreditam que a leitura, passatempos como palavras cruzadas, exercícios de matemática e a resolução de problemas de lógica servem como verdadeiros halteres para a massa cinzenta. Tudo isso é ainda mais importante para quem já chegou aos 60 anos. “Dá para evitar a perda de cognição que em geral surge com a idade”, revela o psiquiatra Aderbal Viera, da Universidade Federal de São Paulo, que acha legal a possibilidade de os mais velhos se divertirem — ou se exercitarem — com um game portátil.

O BrainAge tem o próprio criador,o doutor Kawashima, como personagem principal. Ele já está à vendano Brasil

O sucesso da Nintendo com a iniciativa foi tanto que hoje não faltam concorrentes. “Há variações do jogo para consoles de diferentes empresas, como o MindFit do Windows”, conta Roger Tavares, professor do curso de pós-graduação em videogames do Senac de São Paulo. “Isso sem falar em outros tantos games com a mesma finalidade que surgiram na internet.” Até mesmo as companhias de telefonia móvel estão lançando suas versões de jogos-cabeça. Um dos primeiros a chegar ao país é o BrainGenius. Ele propõe exercícios diários de memória, cálculo e lógica e ainda conta um pouco da história de grandes pensadores e filósofos. Há quem aposte que outra geração de joguinhos fará enorme sucesso. Os especialistas e games-maníacos já desenvolvem jogos para melhorar o estado emocional das pessoas.

Pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade McGill, no Canadá, investigam o efeito dos videogames sobre a saúde mental de seus pacientes. Eles criaram uma série de jogos eletrônicos que visam melhorar a auto-estima. “Indivíduos com pouco amor-próprio costumam ter pensamentos negativos sobre si mesmos sem perceber”, disse à SAÚDE! Mark Baldwin, um dos responsáveis pelo projeto. “Eles precisam ser condicionados a adquirir uma visão mais positiva a seu respeito e a repetição envolvida nos videogames é uma ótima aliada nesse processo.” Em um dos jogos criados pelo professor Baldwin com essa finalidade o participante é convidado a selecionar um rosto sorridente e simpático em um conjunto de fisionomias um tanto ou quanto tristes e rudes.

GAME OVER

Um outro trabalho inusitado vem da Universidade Rochester, nos Estados Unidos. Os pesquisadores concluíram o seguinte: aqueles que se divertem com jogos de ação por algumas horas diárias durante um mês melhoram em cerca de 20% a capacidade de leitura em testes de acuidade visual. Segundo os autores, esse tipo de game modifi ca o jeito do cérebro de interpretar as informações visuais.

Os jogos eletrônicos prometem invadir até mesmo as escolas. Nos Estados Unidos eles já são usados nas aulas de história, geografi a e até mesmo nas de educação física. E, por iniciativa do governo americano, começam a ser testados os games de dança — aqueles que estimulam o participante a seguir teclas acesas no chão —, e isso, claro, para diminuir a incidência de obesidade na população.

ATÉ QUE PONTO OS JOGUINHOS AUMENTAM A AGRESSIVIDADE?
Pesquisa americana da Universidade de Missouri-Columbia revela que jogos violentos aumentam, sim, a probabilidade de seus usuários se comportarem de maneira agressiva. O estudo avaliou a atividade cerebral de 39 jogadores que manifestaram pouca reação quando expostos a imagens reais de violência, como se estivessem diante de situações banais e aceitáveis. Já o psiquiatra Aderbal Viera, da Unifesp, discorda dos pesquisadores americanos: “Os jovens que gostam desses games possivelmente já são mais hostis e os escolhem exatamente por isso. Culpar os jogos por atitudes violentas é simplificar o problema”.

MÉDICOS MUITO MAIS HÁBEIS
Cirurgiões acostumados a jogar videogame com freqüência têm maior coordenação motora, são mais rápidos e precisos nas operações e ainda cometem menos erros. A afi rmação é de um estudo realizado pelo Centro Médico Beth Israel, de Nova York, Estados Unidos, que comparou a habilidade de mais de 300 especialistas — metade deles de jogadores assíduos.

Fonte: Revista Saúde é Vital, maio de 2007

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