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Muito mais vida 10/05/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Cromoterapia, florais, meditação e nutrição colocam o corpo e a mente em sintonia. Entenda como essas e outras técnicas podem aumentar a imunidade e a auto-estima de pacientes com câncer, ajudando-os a superar a doença

A NOTÍCIA É DAQUELAS que ninguém gosta de ouvir. Muitas vezes nem se sabe exatamente o que virá a partir dali, pois a imagem da doença é tão ruim que resta pouco espaço para o otimismo. Medo e incerteza são dois dos sentimentos mais comuns entre os que recebem a confirmação da enfermidade, mas é necessário ter em mente que, mais do que nunca, a vida está exigindo uma postura firme e muita força de vontade. “O melhor para o portador de câncer não é ser paciente, mas ativo. Ele deve apostar na recuperação o tempo todo. Precisa entender os processos que estão acontecendo com seu corpo, conversar com os médicos, fortalecer o seu psicológico, buscar alternativas que diminuam seu sofrimento e, o mais importante, querer de verdade se curar”, afirma Ângela Freitas, terapeuta holística do Espaço Girassol, em São Paulo.

As estatísticas da doença chamam mesmo a atenção. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o câncer é hoje responsável por mais de 12% de todas as causas de óbito no mundo, o que corresponde a cerca de sete milhões de mortes por ano. O crescimento dos casos se deve a vários motivos, como o aumento da longevidade da população, que facilita a incidência de doenças crônico-degenerativas, e a maior exposição a fatores de risco, como agentes químicos, tabaco e alimentação inadequada.

No entanto, graças aos avanços tecnológicos e aos diagnósticos precoces, o índice de cura chega a 50%. Além disso, a abordagem multidisciplinar do problema permite mais qualidade de vida aos doentes, mesmo durante o tratamento: “Cada vez mais os especialistas estão compreendendo que o combate à molestia não se resume a destruir as células cancerosas. O bem-estar dos portadores tem de ser preservado”, diz Ricardo Antunes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. Isso explica o resultado de uma pesquisa da Universidade de Harvard, divulgada no ano passado, que revelou que 42% dos pacientes oncológicos norte-americanos usam pelo menos um tipo de tratamento complementar em conjunto com a quimio e a radioterapia. Segundo o Instituto Paulista de Cancerologia (IPC), no Brasil esse número é ainda maior: 48%.

“O melhor para o portador de câncer não é ser paciente, mas ativo. Ele deve apostar na recuperação o tempo todo, buscar alternativas que diminuam seu sofrimento e, o mais importante, querer de verdade se curar”

ÂNGELA FREITAS

O câncer e as “más águas”

Os terapeutas holísticos acreditam que tudo o que pensamos e sentimos exerce influência sobre nossas vidas, primeiramente no plano mental e energético. No entanto, se um padrão emocional for adotado com muita freqüência, acaba também por interferir em nosso físico. Assim, as emoções negativas começam envenenando nosso pensamento, tornam nossas vibrações mais densas e acabam, por fim, debilitando as funções de nosso organismo.

No livro Você pode curar sua vida, ed. Best Seller, a autora americana Louise L. Hay relaciona a incidência do câncer a pessoas que carregam dentro de si mágoas e ressentimentos muito antigos e profundos. Essa teoria foi confirmada pelos estudos do pesquisador japonês Masaru Emoto, que demonstrou como as moléculas de água reagem ao que dizemos. Ele evidenciou que, quando colocadas em contato com palavras, músicas ou fotos com mensagens negativas, pequenas porções de água, que depois são congeladas, reagem criando cristais deformados. Porém, se as mensagens forem boas, o líquido se transforma em lindas figuras, semelhantes a belos diamantes. Para se entender o sentido que isso tem para nós, seres humanos, basta lembrar que 70% do nosso corpo é água.

“O câncer caracteriza-se por um crescimento desordenado das células do organismo. Elas começam a invadir tecidos saudáveis, interrompendo o bom funcionamento dos órgãos. O mesmo ocorre com quem guarda culpa ou mágoa. É tanto sofrimento represado que a pessoa acaba ficando sem espaço para cultivar bons sentimentos dentro de si. Precisamos aprender a deixar algumas experiências ir embora para dar lugar a outras”, explica Ângela.

Para o médico acupunturista Paulo Luiz Farber, as evidências de que o câncer tenha também origem emocional são muitas: “Durante minha residência médica no setor de ginecologia oncológica, perguntei a todas as pacientes internadas se elas haviam passado por algum trauma psicológico nos seis meses anteriores ao aparecimento da doença. Obtive resposta positiva de todas. Portanto, possivelmente há conexão entre o fator emocional e o surgimento do problema”, diz.

Se é comum a doença ser antecedida por alguma dor, na maioria dos casos a descoberta do mal e o início do tratamento fazem com que a situação se agrave ainda mais. A primeira traz consigo o medo. A etapa seguinte gera uma série de conseqüências desagradáveis, como a queda dos cabelos, o surgimento de manchas pelo corpo, mutilações (a da mama é a mais comum), fadiga constante, entre outras. Se o paciente não estiver bem estruturado emocionalmente, pode ter uma baixa significativa na sua auto-estima, podendo até chegar à depressão. “Se fica muito deprimida, a pessoa se entrega à doença. É preciso educá-la para lidar bem com essas mudanças que podem ser apenas momentâneas. A família também precisa auxiliar. Muitas vezes o doente aceita bem o diagnóstico, mas seus parentes se desesperam. Isso atrapalha muito!”, comenta Ângela.

Quando o assunto é câncer, o tratamento convencional é indispensável. Mas as terapias complementares têm muito a contribuir. Preparam o corpo para responder melhor aos remédios e equilibram as emoções, tornando a pessoa mais apta a encarar o mal e a superá-lo.

Confira a seguir algumas alternativas que ajudam a aumentar a qualidade de vida dos portadores de câncer.

Cromoterapia e florais de Bach

Algumas terapias holísticas, como a cromoterapia, partem do princípio de que possuímos centros de energia espalhados em nosso corpo. Ao todo são sete chakras, cada um deles responsável por nutrir com energia vital uma parte específica do organismo. Às vezes, esses centros ficam obstruídos e os órgãos ligados a eles passam a trabalhar em desequilíbrio. A terapeuta Ângela Freitas afirma que é muito importante manter a integridade dos chakras para ter saúde. “Isso se torna ainda mais necessário quando estamos doentes, pois precisamos potencializar a capacidade do corpo e da mente de responderem ao tratamento”, justifica a especialista.

Ela explica que a combinação de cores que será escolhida para auxiliar o paciente a lutar contra o câncer depende muito da localização da doença. Nesse tipo de método, é comum haver o desequilíbrio de dois chakras em especial: o cardíaco e o esplênico. O primeiro, localizado próximo ao coração, está ligado ao que chamamos de amor incondicional. Sua desarmonia costuma estar associada a sentimentos como mágoa e desconfiança. O esplênico, por sua vez, se encontra na direção do baço, absorve a energia vital e a distribui a todos os centros. Tem relação direta com a imunidade.

A terapia das cores é, em geral, associada ao tratamento com florais de Bach: “É uma combinação muito eficaz. Enquanto a cromo se propõe a equilibrar e a acalmar as funções do corpo, os florais tratam características pessoais que atrapalham o processo de cura”, esclarece.

O objetivo das essências é lapidar nossas emoções negativas. “Existem florais específicos para aqueles que se desesperam ao descobrir a enfermidade, para os que se culpam por isso, para quem toma uma postura pessimista diante da vida, para os que se isolam do mundo por estarem enfermos, etc. Tratar esses pontos fornece um sustento emocional imprescindível para quem quer enfrentar a doença e viver melhor”, conclui.

Ioga

Atualmente, vários médicos já prescrevem a prática da ioga como parte do tratamento contra o câncer. Um dos grandes méritos dessa técnica é que ela não trabalha o físico de forma extrema. O esforço e desgaste ficam em segundo plano, enquanto são priorizadas a concentração e a respiração. “Durante as aulas, o paciente volta toda a sua atenção para si, esquecendo das influências externas. Isso é muito importante para aquietar a mente. Ele é estimulado o tempo todo a respirar de forma consciente e precisa se concentrar nos movimentos para não se desequilibrar”, diz Renata Quirino, professora do estúdio Satya Mandir, em São Paulo.

Com a mente focada e os pensamentos serenos, o corpo diminui a produção dos hormônios relacionados ao estresse: “O excesso desses hormônios prejudica a saúde e diminui a imunidade”, pondera. Mas não é só isso: “A ioga leva à auto-aceitação e mostra que somos muito mais do que a imagem refletida no espelho. Assim, fica mais fácil encarar as mudanças que o corpo sofre na fase do tratamento”, finaliza a professora.

Uma das melhores opções é a ioga integrativa, que usa posturas restauradoras e suaves, mais indicadas para quem está debilitado. O ideal é praticar duas vezes por semana.

a cromoterapia é uma ótima opção de tratamento complementar

Nutrição

Segundo a OMS, mais de 30% dos casos de câncer estão diretamente relacionados a dietas desequilibradas e pouco nutritivas. Um dos principais facilitadores do mal é o consumo exagerado de gordura animal, bem como de produtos embutidos e defumados.

“Para favorecer o tratamento, é fundamental uma alimentação equilibrada, contendo carboidratos, proteínas e gorduras. Além disso, a presença de vitaminas e minerais é fundamental”, explica Dylea Gaspar, nutricionista do IPC. Algumas medidas simples podem ser adotadas para amenizar certos desconfortos do tratamento: “Aos pacientes que estão passando pela quimioterapia, orientamos a não consumir alimentos ácidos para prevenir a mucosite e aftas, que são muito freqüentes. Também para esses fins, devem-se evitar comidas geladas”, afirma.

Outra preocupação necessária é o cuidado quanto à higiene do que se come, principalmente verduras e frutas. “Assim, evita-se a ingestão de alguma bactéria que possa causar diarréia, que diminui ainda mais a defesa do organismo, principalmente na quimioterapia ou pós-cirurgia”.

Para facilitar a vida dos enfermos e de seus familiares, o Instituto Paulista de Cancerologia criou o IPC Nutri, que além de oferecer orientação nutricional, comercializa pratos individuais congelados, com os alimentos ideais para esta fase. Nesse trabalho, cada paciente é instruído individualmente em sua dieta: “Primeiro, é feita uma anamnese alimentar do doente. São considerados seu estado nutricional atual, a localização e o tipo de câncer, se já passou ou será submetido à cirurgia e seus sintomas específicos. Daí, são indicados alimentos ricos em importantes vitaminas, minerais, fibras, aminoácidos, óleos essenciais e substâncias com efeitos comprovados pelas mais recentes pesquisas na área”, finaliza Dylea.

Ana Luisa Massardi, da Hara, aplica oxigenoterapia em paciente

Oxigenoterapia

Uma alternativa interessante como aliada no tratamento do câncer é a oxigenoterapia. Essa técnica consiste em submeter o paciente ao oxigênio puro, emitido por meio de jatos ou câmaras especiais. “O oxigênio aumenta o poder de defesa do organismo, causa bem-estar e ainda dá mais ânimo e disposição, auxiliando na desintoxicação do sangue e combatendo a migração, por via sangüínea ou linfática, de vírus, bactérias, parasitas e das próprias células cancerosas”, explica Ana Luisa Massardi, proprietária e terapeuta da Clínica de Estética Hara, em São Paulo.

Outro mérito da terapia é melhorar a aparência, questão importantíssima para os doentes, sobretudo para as mulheres. “O tratamento convencional envelhece e resseca a pele, às vezes, deixa a pessoa inchada, causa manchas, olheiras, entre outros problemas. Nessa fase, as pacientes não podem usar muitos cosméticos, então o oxigênio ajuda a regenerar, clarear e tonificar a pele, dando-lhe um brilho natural. Isso se reflete diretamente na auto-estima da mulher”, conclui Ana Luisa.

Meditação

De acordo com Madeva Suvalia, terapeuta transpessoal do Hotel Ponto de Luz, em Joanópolis, São Paulo, a meditação é uma oportunidade de entrarmos em contato com nossa fonte, nossas emoções verdadeiras. “É um momento de olhar para dentro, perceber nossos medos e anseios, sua proporção, as sensações que eles nos trazem e a partir de um profundo estado de relaxamento, aceitar esses sentimentos como parte de nós. Essa aceitação não vem da acomodação e nem da impotência diante da situação, mas do entendimento de que tudo é passageiro e está em constante movimento. Não há mal que dure para sempre”, afirma.

A especialista explica que, ao contrário do que muitos pensam, meditar não significa desligar a mente. Pelo contrário. É entrar num profundo estado de consciência. “Você dá mais atenção a tudo. A forma como se senta, a resposta do seu corpo aos seus estímulos e pensamentos, à sua respiração. Temos facilidade em observar o outro, porém esse é o momento de voltar-se para si, sem julgamentos. É bom refletir, nesses instantes, sobre o quanto você é maior que a situação em questão, no caso, a doença”, diz. Além de trazer tranqüilidade, controlando a ansiedade, a técnica combate as crises de pânico, a revolta e o negativismo.

Dar sentido à vidaEm seu livro, A vida secreta da água, ed. Cultrix, Masaru Emoto sugere que um dos tratamentos mais eficazes para as pessoas com câncer é encontrar um sentido para suas vidas, seja dando palestras sobre como estão enfrentando a doença, escalando montanhas, sorrindo. Para ele, se a mente se ocupa com coisas boas, o sistema imunológico se fortalece e o câncer regride. A professora Wanda Ribeiro Fortes compartilha da idéia de que o otimismo é uma ferramenta essencial na luta contra o mal. Na obra Um câncer sem perder a alegria, ed. Edições Inteligentes, ela conta como vem convivendo com a enfermidadee buscando sua cura, sem perder a vontade de viver. Outro ponto importante a ser considerado pelos pacientes e suas famílias é a questão da auto-estima. Afinal, quem não aprova o próprio corpo, terá mais dificuldades para superar a doença. Pensando em oferecer mais do que respaldo clínico ou cirúrgico aos enfermos, o IPC tem uma loja especializada em próteses, roupas adaptadas, meias-calças, perucas e apliques. Mais informações no site: www.ipc-cancerologia.com.br/eipc.htm

Na rede

Criado por um grupo de ex-pacientes de câncer de mama, o site www.cminfi.org.br é um espaço informativo sobre o câncer, suas etapas desde a prevenção, efeitos do tratamento, incluindo pesquisas, depoimentos, dicas de leitura e direitos das pacientes. A página foi criada com o propósito de servir como canal para que as pessoas que têm a doença troquem suas experiências.

Fonte: Revista Estilo Natural

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