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Você tem medo de quê? 11/04/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Fobias, pânico e outros transtornos de ansiedade limitam a vida de qualquer pessoa, além de causarem um sofrimento desnecessário. Psicoterapia e, em alguns casos, medicação resolvem o problema, mas a medicina complementar pode minimizar os sintomas desses distúrbios sem causar efeitos colaterais. Veja como.

O CORAÇÃO DISPARA, o suor escorre abundantemente pelo rosto e pelas mãos e a vontade desesperada de fugir é urgente. Parece que o ditado “pernas, pra que te quero” define exatamente o momento em que ficamos frente a frente com uma ameaça em potencial. Esta é uma reação mais ou menos parecida com aquela enfrentada por nossos ancestrais das cavernas que, ao pressentirem algum perigo, como um animal feroz, se preparavam para encarar o problema ou, em último caso, correr. Adrenalina pura, mas que ajudava a salvar a vida.

Hoje, a situação não é muito diferente. É claro que o ataque não é de nenhum dinossauro faminto ou de uma tribo de canibais procurando o prato principal para o jantar, mas a reação do nosso organismo ainda é a mesma quando temos de lidar com as tensões do dia-a-dia, como a perda do emprego, pressões profissionais, o alto índice de violência e, às vezes, até por traumas que aconteceram na infância, que a gente nem consegue mais se lembrar.

Todos esses fatores juntos geram a ansiedade, que nada mais é do que uma prima do medo. Há pavor de não ter como pagar as dívidas, de perder o emprego, de ser a próxima vítima de um seqüestro, de uma bala perdida ou de não cumprir eficientemente o seu papel dentro da sociedade. Toda essa sobrecarga vai, aos poucos, se transformando nos transtornos da ansiedade.

Estes distúrbios são considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “doenças modernas” que, como a depressão, a anorexia, a bulimia e alguns outros, não param de crescer nos grandes centros urbanos. O número é assustador: 450 milhões de indivíduos no mundo sofrem por conta deles. E a estimativa para 2020 é de que essa quantidade aumente, chegando a mais de 500 milhões de pessoas.

Segundo o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor do curso de especialização em psicoterapia cognitivocomportamental da Unifesp, “12% da população têm algum tipo de transtorno de ansiedade, desde uma simples fobia até a síndrome de pânico. Se não tratados adequadamente, esses distúrbios podem trazer muito sofrimento à pessoa”, explica.

Além da psicoterapia e, em alguns casos, de medicamentos apropriados, como ansiolíticos, a medicina complementar pode minimizar muito os sintomas dessas doenças, ajudando os pacientes a terem mais qualidade de vida, sem efeitos colaterais.

ansiedade crônica
Ao contrário do que acontecia antigamente, quando o homem conseguia se livrar da sensação de ansiedade assim que a situação ameaçadora se resolvia, hoje em dia, as pessoas vivem sempre amedrontadas, como se estivessem na iminência de um perigo constante. É esse processo que leva ao aparecimento das fobias que, de acordo com especialistas, se dividem entre sociais e específicas.

As sociais são ocasionadas por uma pressão interna muito grande, causada pela formação familiar ou por algum trauma. “O indivíduo se sente cobrado e teme ser ridicularizado, mesmo que tenha preparo e competência. Por isso, alguns têm dificuldade em falar em público, apresentar algum projeto inovador numa reunião de negócios ou, simplesmente, almoçar em um restaurante lotado ou ir a um banheiro coletivo, por exemplo.

Já as fobias específicas vêm de um medo exagerado de um objeto, animal, pessoa ou, até mesmo, condições climáticas que possam dar ao cérebro a impressão de perigo. “O número um do ranking é o medo exagerado de animais, seguido pelo de temporais e o de altura. Quando a fobia é por sangue, a pessoa pode até desmaiar. Na maioria das vezes, os pacientes limitam sua vida para tentar fugir destas situações. Como, por exemplo, um indivíduo que tem aversão a gato e evita até falar com um amigo que tem este animal e nem passa perto de sua casa”, explica o psiquiatra.

A síndrome de pânico, por sua vez, é uma crise de ansiedade, aparentemente espontânea, que acelera o coração, provoca sudorese e até formigamentos, gerando uma falsa impressão de que se vai morrer em um destes ataques. “Estes gatilhos podem ser acionados pelas emoções ou pelas condições externas do ambiente. Para estes casos, tanto de fobias como de pânico, nem sempre é preciso receitar medicamentos, só a psicoterapia pode curar o problema”, afirma o especialista.

Alguns outros distúrbios também podem limitar bastante a vida, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), no qual a ansiedade aparece se o paciente não realizar determinados atos repetitivos, e o estresse pós-traumático, em que o medo se manifesta depois de uma situação-limite, como um assalto ou seqüestro.

Neste último caso, o tratamento costuma ser feito com várias sessões de terapia e, para ficar curado, o uso de remédios não é obrigatório. Além disso, enfatiza o médico, é preciso acabar com aquela visão preconceituosa que julga todos que precisam de auxílio de um psiquiatra como loucos ou anormais. “Ninguém diz que uma pessoa que tem uma pneumonia é anormal, mas sim que está doente. Da mesma forma acontece com quem tem transtornos mentais, pois, se olharmos de perto, cada um tem a sua própria singularidade”, finaliza Possendoro.

“12% da população têm algum tipo de transtorno de ansiedade, desde uma simples fobia até a síndrome do pânico. Se não tratados adequadamente, esses distúrbios podem trazer muito sofrimento”
GERALDO POSSENDORO

meditação
Uma das formas mais eficazes de controlar a ansiedade e, assim, evitar as suas complicações, é recorrer à prática da meditação. Segundo Elisa Harume Kozasa, pesquisadora do departamento de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, “a técnica é uma das mais recomendadas por psiquiatras e psicólogos no tratamento desses transtornos. Se for feita com concentração, em duas semanas o paciente já começa a sentir mais calma, tranqüilidade e consegue até controlar uma crise. De qualquer maneira, é indicado que dê continuidade aos cuidados médicos até a cura completa”.

Para conseguir isso, é preciso ter disciplina e praticar a meditação por, pelo menos, 20 minutos todos os dias. Assim: sente-se com a coluna reta no chão, sobre almofadas, ou em uma cadeira, e volte toda a sua atenção para a respiração. Sinta somente o ar entrando e saindo pela pelas narinas. Não pense em coisa alguma, não existe nada mais importante do que a sua respiração.

“Nem sempre dá para relaxar completamente na primeira tentativa, pois a pessoa pode estar muito agitada. Nesses casos, é bom dar início à meditação andando, mas sempre centrada totalmente para a sua própria respiração”, explica Elisa.

Se não conseguir fazer sozinho, existem cursos sobre o assunto em escolas de ioga, academias e no serviço público de saúde. Na Unifesp, há um grupo específico para ensinar técnicas de meditação.

florais de bach
Em certas situações da vida é quase impossível encontrar dentro de nós a serenidade necessária para resolver problemas e lidar com conflitos sem nos entregarmos a fobias. Para casos assim, nada como um bom floral para equilibrar nossas emoções. “O floral trabalha valorizando e ativando a virtude de cada um. Neste aspecto, o remédio enfatizaria a coragem para driblar as pressões do dia-a-dia, que, por algum motivo, foram reprimidas”, explica a terapeuta Eunice Ermel.

ROCK ROSE – dá coragem para enfrentar uma emergência.
MIMULUS – incentiva a bravura e ajuda a combater um medo específico. SHERRRY PLUM – traz calma mental. ASPEM – ativa a fé no desconhecido e trabalha a ansiedade dando mais segurança em seu desempenho.
RED CHESTNUT – gera confiança no fluxo da vida.

“A meditação é a técnica mais recomendada por psiquiatras e psicólogos no tratamento dos transtornos de ansiedade. Se for feita com concentração, em duas semanas o paciente já começa a sentir mais calma , tranqüilidade e consegue até controlar uma crise.
” ELISA HARUME KOZASA

fitoterapia
Outra vertente da medicina complementar que colabora com a medicina convencional no tratamento dos transtornos de ansiedade é a fitoterapia.

Segundo o clínico-geral Alex Botsaris, um estudioso de ervas medicinais e autor do livro Fórmulas Mágicas – como utilizar e combinar plantas para o tratamento de doenças simples (Ed. Nova Era), “alguns chás possuem uma ação ansiolítica. O mais conhecido é o de passiflora (Passiflora edulis) – feito com as folhas do maracujá. Nessa planta existem flavonóides calmantes. Para fazer a infusão, utilizam-se de 4 a 5 gramas de folhas secas para uma xícara de água. Também possuem ação sedativa suave a camomila (Matricaria chamomilla) e a melissa (Melissa officinalis), que podem ser combinadas em uma mesma bebida caseira”. Pesquisas científicas já comprovaram a eficácia de fitoterápicos em casos de transtornos mais sérios, como o GAD (General Anxiety Disorder) – em especial o hipérico (Hypericum perforatum) e a kava-kava (Piper methysticum). Estas ervas estão disponíveis em extratos padronizados, na forma de medicamentos convencionais.

tai chi chuan
A simples observação dos movimentos lentos e tranqüilos do tai chi chuan já traz paz para o nosso espírito.

Não é à toa, pois estes exercícios suaves ativam o poder de rejuvenescimento físico e mental sem causar estresse ou tensão. Maria Angela Soci, da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan e Cultura Oriental, explica que a prática também diminui o nível de ansiedade e colabora nos tratamentos dos medos e fobias.

O exercício a seguir acalma a mente e propicia uma massagem interna, que ativa todas as funções orgânicas.

O ideal é praticar este exercício todos os dias por, pelo menos, 20 minutos ininterruptos.

pequena circulação celestial
Em pé, com as pernas paralelas, separadas na mesma linha dos ombros, flexione levemente os joelhos na direção da ponta dos pés, mantendo quadril encaixado, coluna ereta e queixo recolhido. Eleve os braços à altura do peito com palmas voltadas para dentro, bem arredondadas, como se estivesse abraçando o tronco de uma árvore grande. O peso do corpo deve ficar mais nos calcanhares, deixando os dedos bem relaxados. A respiração deve ser profunda, acompanhan do o movimento de abaixar e elevar os braços. Na inspiração, abrimos o peito, elevando os braços com as palmas das mãos para cima, na expiração recolhemos o peito abaixando os braços com as palmas das mãos para baixo. A inspiração deve ser o mais profunda possível, expandindo o peito e as costas, tentando elevar o corpo todo. Quando chegar ao máximo, faça uma pequena pausa e expire profunda e lentamente com os braços para baixo.
hipnose
Nas sessões desta terapia o psiquiatra utiliza técnicas para acalmar e relaxar a mente do paciente, desacelerando sua irrigação sangüínea cerebral e permitindo que ele entre em um estado de consciência ampliada. Nesse processo, ele se volta para dentro, entrando em transe. “Assim, lançando mão de conteúdos sugestivos, o médico pode induzir a pessoa a se aprofundar em seu inconsciente na busca por conteúdos reprimidos, quebrando os seus mecanismos de defesa”, ensina a psiquiatra Sofia Bauer.

Depois das primeiras sessões, explica, já é possível chegar até o ponto que desencadeou aquele medo incontrolável que deu origem às fobias. O mais importante nesta terapia é escolher um profissional, psicólogo ou psiquiatra, que também trabalhe com hipnose. A união das duas técnicas é ainda mais eficaz.

fobias de A a Z
A
abissofobia – medo de abismos ablutofobia – medo de tomar banho
acluofobia – medo de escuro ou escuridão acrofobia – medo de altura
acusticofobia – medo de barulho aerodromofobia – medo de viagens aéreas
afefobia – medo de ser tocado agorafobia – medo de lugares abertos
agrizoofobia – medo de animais selvagens
aicmofobia – medo de agulhas de injeção
ailurofobia – medo de gatos
amaxofobia – medo de dirigir carros
antlofobia – medo de enchentes
apifobia – medo de abelhas
aracnofobia – medo de aranhas
astrafobia – medo de trovões e relâmpagos
autofobia – medo de ficar sozinho

B
basofobia – medo de cair
botanofobia – medo de plantas
batracnofobia – medo de sapos

C
catagelofobia – medo do ridículo
catoptrofobia – medo de espelhos
cinofobia – medo de cães
corofobia – medo de dançar
claustrofobia – medo de espaços confinados
cleptofobia – medo de ser roubado
coimetrofobia – medo de cemitérios
coprofobia – medo de fezes
coulrofobia – medo de palhaços

D
demonofobia – medo de demônios
disabiliofobia – medo de se vestir na frente de alguém
dismorfofobia – medo de deformidade
distiquifobia – medo de acidentes

E
eisoptrofobia – medo de espelhos
eleuterofobia – medo da liberdade
enosiofobia – medo de ter cometido um pecado
entomofobia – medo de insetos
equinofobia – medo de cavalos
ergofobia – medo do trabalho
esciofobia – medo de sombras
escopofobia – medo de estar sendo olhado
escotofobia – medo de escuro
espectrofobia – medo de fantasmas ou espectros

F
filemafobia –
medo de beijar
fonofobia – medo de barulhos ou vozes

G
gamofobia –
medo de casar
geliofobia – medo de rir
genofobia – medo de estrangeiros
gerascofobia – medo de envelhecer
gerontofobia – medo de pessoas idosas
glossofobia – medo de falar em publico

H
hedonofobia – medo de sentir prazer
hematofobia – medo de sangue
herpetofobia – medo de répteis
hidrofobia – medo de água
hidrofobofobia – medo de raiva (doença)
hobofobia – medo de mendigos
hoplofobia – medo de armas de fogo
homofobia – medo de gays

I
iatrofobia –
medo de ir ao médico
ictiofobia – medo de peixe

J
japanofobia –
medo de japoneses

L
lilapsofobia – medo de furacões
lissofobia – medo de ficar louco
logizomecanofobia – medo de computadores

M
malaxofobia – medo de amar
maniafobia – medo de insanidade
mastigofobia – medo de punição
merintofobia – medo de ficar amarrado
metatesiofobia – medo de mudar
musofobia – medo de ratos

N
necrofobia –
medo de morte
nosocomefobia – medo de hospital
nucleomitufobia – medo de armas nucleares

O
obesofobia – medo de ganhar peso
odontofobia – medo de dentista
oftalmofobia – medo de estar sendo vigiado
ounitofobia – medo de pássaros

P
pediofobia – medo de bonecas
pedofobia – medo de crianças
peniafobia – medo da pobreza
pirofobia – medo de fogo
priapofobia – medo do órgão genital masculino em tamanho extremamente grande
pselismofobia – medo de gaguejar

Q
quifofobia –
medo de parar quionofobia – medo de neve

R
radiofobia –
medo de radiação, raio-x ritifobia – medo de ficar enrugado

S
sarmassofobia –
medo de fazer amor siderodromofobia – medo de trem somnifobia – medo de dormir

T
tacofobia – medo de velocidade tafofobia ou
tafefobia – medo de ser enterrado vivo
testofobia – medo de fazer provas (escolares)
triscaidecafobia – medo do número 13

U
uranofobia –
medo do céu

V
vacinofobia –
medo de vacinação

X
xenofobia –
medo de estranhos

Z
zoofobia –
medo de animais

Fonte: Revista Estilo Natural – abril de 2007

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