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Um toque de luz 24/02/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
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Criar condições de autonomia às pessoas portadoras de deficiência passa pela geração de empregos, oportunidades de desenvolvimento e respeito às diferenças. São desafios que envolvem uma parceria equilibrada entre poder público e sociedade civil.

Segundo pesquisa específica realizada no Censo de 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população do nosso País apresenta algum tipo de deficiência. Deste universo, quase 7% são portadores de deficiência visual. É um número extremamente alto, especialmente quando comparado aos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apontam apenas 0,5% da população mundial com algum tipo de deficiência visual.

Esses dados nos desafiam e instigam. Como esses brasileiros estão sendo tratados pela sociedade? Trabalham? Estudam? Têm acesso aos direitos básicos de saúde e lazer?

As soluções para essas questões dependem de uma parceria justa e equilibrada entre poder público e sociedade civil. E, quando falamos de sociedade civil, não podemos esquecer que ela também se refere a nós, cidadãos. Um bom começo é aprender a respeitar as diferenças. Outro passo é se dispor a fazer trabalhos de voluntariado. E, para melhorar de vez o mundo destas pessoas, a nossa atitude mais importante é cobrar das autoridades dos governos iniciativas estruturais para incluir estes milhões de brasileiros na vida econômica, social e cultural do País. Vamos dar estes passos?

Um gesto de inclusão

“A valorização da diversidade das partes contribui para a riqueza e a vitalidade do todo”. Essa é uma das nossas crenças mais importantes, na qual baseamos nossas atividades empresariais e compromissos públicos.

Pautados neste respeito às diferenças, lançamos, em agosto, o Portfólio Natura Braille e Visão Sub-normal, uma versão adaptada às necessidades das Consultoras e Consultores Natura, portadores de deficiência visual. A publicação foi produzida com a linguagem em braille, para cegos, e com letras maiores para pessoas com visão subnormal.

A iniciativa é pioneira e beneficiará cerca de 300 Consultores Natura, que terão acesso a informações sobre nossos produtos, conceitos e serviços e farão suas vendas com mais segurança.

Segundo Marcelo Soderi, gerente de comunicação para a América Latina da Natura e responsável pelo projeto, mais do que suporte à atividade de consultoria, o portfólio proporciona aos deficientes visuais condições para que eles assumam o papel de cidadãos independentes, com autonomia desde a venda até o pedido. “Esse lançamento é mais uma forma de materializar nossa preocupação, envolvimento e respeito à diversidade, que caracterizam os nossos relacionamentos”, afirma.

A força das parcerias

O portfólio segue todas as normatizações internacionais de impressão, de forma que o material seja o mais eficiente possível. Para garantir essa qualidade, a Natura contou com a colaboração e o aval da Fundação Dorina Nowill, entidade de apoio a deficientes visuais com a qual a empresa mantém uma parceria de mais de três anos para a impressão de seus relatórios sociais.

A Fundação, especializada na impressão e divulgação de livros em Sistema Braille, foi a responsável pela formatação, diagramação e impressão do portfólio. Tudo para garantir o conforto do manuseio e a eficiência da peça. “Essa iniciativa da Natura foi muito valorosa rumo à inclusão social dos deficientes visuais”, diz Roberto Fernando Galo, gerente de impressão Braille da Fundação. “Poucas empresas, hoje em dia, têm essa preocupação, não só com a inclusão, mas também com a qualidade, que ficou fantástica neste material”, completa.

A produção do material também contou com um pequeno grupo de Consultoras Natura, portadoras de deficiência visual, que determinaram a praticidade da nova publicação no dia-a-dia. Célia Aparecida dos Santos, consultora há quase três anos, foi uma das peças-chave do projeto. Ela deu dicas para facilitar a leitura diária da peça, sugeriu mudanças e ajudou na classificação dos produtos dentro de cada linha.

Como beneficiária da iniciativa, Célia aprovou a idéia. Antes, ela necessitava da ajuda de familiares sempre que algum cliente fazia perguntas básicas, como a indicação de produtos ou preço. “Agora, terei autonomia nas vendas, pois terei à mão as respostas necessárias”, comemora a consultora.

A porta para o mundo

O Sistema Braille foi desenvolvido na França, em 1825, por Louis Braille, a partir do sistema de leitura no escuro de uso militar, criado por Charles Barbier. Trata-se de um código universal de leitura e escrita tátil, usado por pessoas cegas. Utilizando seis pontos em relevo, dispostos em duas colunas, o código possibilita a formação de 63 símbolos diferentes, usados nos diversos idiomas, na simbologia matemática e científica, na música e até mesmo na informática.

Se você quer conhecer mais sobre essa linguagem e também sobre iniciativas para inclusão dos deficientes visuais no Brasil, visite alguns sites na internet.

Fundação Dorina Nowill para Cegos
http://www.fundacaodorina.org.br/selecao.asp

Institutos de Cegos Padre Chico
http://www.padrechico.org.br/

LaraMara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual
http://www.laramara.org.br/

Instituto Benjamim Constant
http://www.ibc.gov.br/

Portal Ler para Ver
http://www.lerparaver.com/

Sociedade Bíblica do Brasil
http://www.sbb.org.br/sbbemacao/def_apresentacao.asp

Braille Virtual – Universidade de São Paulo
http://www.braillevirtual.fe.usp.br/

Senai
http://www.senai.br/psai/braille_apresentacao.asp

Associação de Cegos Louis Braille
http// http://www.deficientesvisuais.org.br/Aclb.htm

Acessibilidade Brasil
http://www.acessobrasil.org.br/

Fonte: Revista BemEstarBem – ano V • ciclo 14 • 02/10/06 – Colaboração EstiloNatura

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