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Célula de pêlo gera camundongos clonados 14/02/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Núcleos extraídos dos folículos capilares foram mais eficientes na produção de clones.

Achado pode apontar novo caminho para produção de células-tronco embrionárias.

Reprodução

Mais de dez anos após o nascimento da ovelha Dolly, a clonagem continua envolta em mistério. O processo ainda é brutalmente ineficiente e cheio de problemas técnicos. Pesquisadores nos Estados Unidos, usando camundongos, parecem ter descoberto uma forma de melhorar a eficiência e a praticidade da tecnologia: usar as células que dão origem aos pêlos, que são abundantes e de fácil acesso e manipulação.

Ao contrário do que se poderia imaginar, porém, os pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York, não estão interessados em criar cópias genéticas de incautos arrancando deles um fio de cabelo. A idéia deles é facilitar a produção de células-tronco a partir de embriões clonados. As células-tronco embrionárias são famosas por sua versatilidade: podem assumir a função de qualquer tecido do organismo. Se produzidas a partir de um clone de uma pessoa com problemas cardíacos, por exemplo, poderiam fornecer tecidos sem riscos de rejeição.

Daí o interesse do experimento com roedores. Elaine Fuchs, Peter Mombaerts e seus colegas usaram uma população específica de células dos folículos capilares. Elas pertencem a um tipo adulto de células-tronco, já que podem dar origem tanto a pêlos quanto a epiderme e glândulas sebáceas.

Ao injetar os núcleos dessas células em óvulos de camundongo sem núcleo, eles produziram embriões, os quais foram colocados no útero de mães de aluguel. No fim do processo, obtiveram filhotes clonados, com um grau de eficiência de 5,4% – o mais alto já obtido na clonagem da espécie.

Como as células dos folículos capilares são abundantes e de fácil acesso, os pesquisadores dizem acreditar que elas se tornarão a fonte-padrão de núcleos para os estudos de clonagem. Além do mais, esses núcleos são pequenos, o que facilita o trabalho de injetá-los nos óvulos.

Entretanto, há um senão curioso: a eficiência só foi grande no caso de clones de camundongos machos. Como isso aconteceu em outras técnicas de clonagem também, os pesquisadores especulam que fêmeas talvez sejam intrinsecamente mais difíceis de clonar. O motivo seria a presença, em fêmeas, de dois cromossomos X, em vez do X e Y dos machos.

Com dois cromossomos X, é preciso haver um sistema de desativação das cópias dos genes em um deles. Quando ocorre a transferência de núcleo que dá início a clonagem, todo esse sistema precisa ser “reiniciado”, o que pode levar a uma série de erros fatais para o embrião.

O trabalho está na edição desta semana da revista científica “PNAS”.

Fonte: G1

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