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10 avanços históricos da medicina 31/12/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Você sabia?.
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VEJA analisa (…) as inovações médicas (…) surgidas em 2006 que terão impacto na vida das pessoas em 2007 e nos anos seguintes.

Muita gente não sabia sequer que substância é essa que atende pelo estranho nome de gordura trans. No ano que passou, as pessoas não apenas foram apresentadas a ela, mas souberam de seus malefícios à saúde de forma tão conclusiva que aprenderam a fugir dela nos supermercados. Ainda no campo da dieta, firmou-se no mundo científico a idéia de que a única forma reconhecida de prolongar a vida dos animais de sangue quente é a “restrição calórica” – trocando em miúdos, comer menos, muito menos do que estamos habituados mesmo sob regimes severos. No campo das idéias, ficou óbvia a noção de que o governo é um ente caro demais para as dimensões da economia brasileira – e só sua reforma drástica abrirá caminho para o progresso sustentado do país. O Brasil ficou em ponto morto em 2006, mas, seja pela negação, seja pela afirmação, este foi um ano de muitas e úteis lições. É o que se vai ler nas próximas páginas.

INIMIGO ISOLADO

Royalty-Free/Corbis/Stock Photos

A gordura trans foi para a berlinda. Utilizada para dar mais sabor, melhorar a consistência e prolongar o prazo de validade de alguns alimentos, ela está na pipoca de microondas, nos salgadinhos de pacote, nos donuts, nos biscoitos, nas bolachas, nos sorvetes, na maioria das margarinas ou dos lanches fast-food. De acordo com um estudo americano, além de sua relação com um aumento nos níveis do colesterol ruim e uma queda nas taxas do colesterol bom, o consumo de trans está associado ao acúmulo de tecido adiposo no abdômen – o mais nocivo à saúde, por elevar os riscos de infarto, derrame, diabetes e de uma série de outros distúrbios. A descoberta abre caminho para que, no futuro, o consumo de gordura trans seja abandonado. Em agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma resolução que obriga os fabricantes de alimentos industrializados a discriminar no rótulo do produto a quantidade de trans contida nele. E, no início de dezembro, a prefeitura de Nova York aprovou uma lei que proíbe, a partir de julho de 2008, os restaurantes da cidade de usar a gordura trans no preparo de seus pratos.

ATAQUE AO CÂNCER DE COLO DE ÚTERO

Blasius Erlinger/Getty Images

Em agosto, foi aprovada no Brasil a primeira vacina contra o vírus HPV, causador do câncer de colo de útero. O vírus ataca uma em cada sete mulheres sexualmente ativas e é responsável por 70% dos tumores uterinos – atualmente é a terceira causa de morte por câncer entre as brasileiras. Por isso, as meninas pré-adolescentes são o alvo principal da nova vacina. De acordo com os estudos feitos até o momento, a vacina é capaz de prevenir sete em cada dez casos de câncer de colo de útero. Os médicos acreditam que a imunização contra o HPV mudará o curso das contaminações, transformando o câncer de colo de útero numa doença relativamente rara.

SEM MEDO

Dois de cada dez homens com mais de 40 anos sofrem as conseqüências da baixa de testosterona: irritabilidade, alterações do sono, dores, cansaço físico, desânimo, diminuição do desejo sexual e perda de potência. Até pouco tempo atrás, não havia consenso sobre a adequação de receitar a reposição desse hormônio como forma de combater esses sintomas. Em 2006, no entanto, os médicos perderam definitivamente o medo de indicar aplicações de testosterona para homens de meia-idade. Ainda que faltem pesquisas de controle que atestem seus efeitos a longo prazo, os estudos mais recentes demonstraram que doses extras do hormônio fazem mais bem do que mal – a testosterona, além de melhorar a qualidade de vida, pode reduzir a incidência de várias doenças. Apesar do otimismo recente em relação ao hormônio, é preciso ter cautela. A sua reposição é contra-indicada em uma série de casos e só deve ser adotada com indicação médica.

ARSENAL REFORÇADO

Em 2006, foi dado um passo importante para o controle do diabetes, doença caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue, que atinge 10 milhões de brasileiros. Trata-se da criação de medicamentos que atuam sobre as incretinas, uma família de hormônios produzidos pelo intestino, capaz de potencializar a secreção da insulina, o que, em última instância, ajuda a controlar a absorção de açúcar pelo organismo. Tidos como inteligentes, esses remédios só aumentam a secreção de insulina quando o corpo precisa, de forma muito parecida à natural, em sintonia com a demanda do organismo. Os antidiabéticos tradicionais não têm essa característica. Outra conquista para o tratamento da doença foi a chegada ao mercado da primeira insulina inalável, a Exubera. Esses avanços representam o início de uma era em que o controle do diabetes se torna mais preciso e menos penoso, sem a necessidade das injeções diárias de insulina – o que facilitará a adesão do paciente ao tratamento e ajudará a reduzir as conseqüências nefastas decorrentes do controle precário da doença

COMBATE AO TABAGISMO

Com a aprovação, em maio, nos Estados Unidos, da substância varenicline, a medicina deu grande passo rumo ao combate do tabagismo. Vendida sob o nome comercial de Champix, ela é o primeiro remédio a bloquear a sensação de prazer proporcionada pela nicotina. Ou seja, mesmo que o paciente sofra uma recaída durante o tratamento, não sentirá satisfação alguma com as tragadas. Os estudos mostram que 45% dos fumantes que usaram varenicline largaram o vício nas primeiras doze semanas de tratamento. O abandono acontece progressivamente, o que evita as crises de abstinência e, conseqüentemente, os riscos de recaídas. Apenas 30% dos fumantes conseguem parar de fumar no mesmo período seguindo os tratamentos convencionais. Sem a ajuda de medicamentos, o índice cai para 17%. A esperança é que a oferta de remédios mais efetivos contra o vício do cigarro, aliada ao rigor das legislações nacionais, consiga reduzir drasticamente o tabagismo nos próximos anos. O novo medicamento dever chegar ao Brasil em 2008

COMER POUCO FAZ BEM

The New York Times

A edição de dezembro da revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences trouxe os resultados de um estudo muito esperado pelos especialistas: o impacto das dietas de restrição calórica na saúde de primatas. Pesquisas desse tipo com ratos já tinham comprovado que comer muito pouco melhora o sistema imunológico e desacelera o envelhecimento. Ao demonstrar que o mesmo acontece com macacos, o estudo, além de fornecer pistas de que isso também pode ocorrer com humanos, lança sementes para mudanças nos protocolos de nutrição. Os especialistas prevêem que, no futuro, as dietas de restrição calórica podem ser indicadas como uma ferramenta para melhorar as funções orgânicas.

UMA ESTRATÉGIA PARA CADA TUMOR

Um importante passo rumo ao tratamento individualizado do câncer de mama foi dado em 2006. Em setembro, pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, comprovaram a eficácia de um novo método para selecionar as pacientes que mais se beneficiariam da quimioterapia. A novidade confirma a evolução das técnicas para análise genética dos tumores. Os médicos apostam que esse tipo de investigação vai revolucionar o tratamento do câncer de mama, já que permite a criação de terapias muito mais personalizadas – e, portanto, mais eficazes e seguras do que as feitas atualmente.

VISÃO PRESERVADA

Foi aberta uma nova frente de combate à degeneração macular, doença que afeta cerca de 5 milhões de brasileiros e constitui a principal causa de cegueira entre pessoas acima de 65 anos. Os novos remédios agem sobre a formação anormal de vasos sanguíneos na mácula, uma estrutura localizada no centro da retina, responsável pela captação das luzes e cores do ambiente. O primeiro da categoria, o ranibizumabe, foi lançado em 2006, nos Estados Unidos, e deve chegar ao Brasil neste ano. As pesquisas com ele mostraram que, depois de um ano de uso, 40% dos pacientes apresentaram melhora na visão. Outro remédio da classe, o bevacizumabe, no mercado para o tratamento de câncer de cólon, apresentou bons resultados clínicos contra a degeneração macular, o que encorajou os médicos a prescrevê-lo antes mesmo da liberação das agências reguladoras para essa finalidade. Até bem pouco tempo atrás, os únicos tratamentos disponíveis eram indicados a pouquíssimos pacientes e, ainda assim, apenas uma ínfima parte deles tinha sucesso no tratamento. Abre-se, portanto, a possibilidade de uma mudança efetiva no curso natural da doença.

POR DENTRO DO CORAÇÃO

Hiroko Masuike/The New York Times

Uma pesquisa americana divulgada em setembro colocou em xeque a segurança da utilização de stents recobertos com medicação, utilizados para facilitar o fluxo sanguíneo de artérias coronárias. No início dos anos 2000, esse tipo de terapia foi alardeado como uma das grandes evoluções da cardiologia, já que representava uma opção menos invasiva às cirurgias de revascularização do músculo cardíaco. Segundo o estudo mais recente, os stents com medicamentos aumentam (ainda que ligeiramente) os riscos de formação de coágulos em comparação com os stents não revestidos. O resultado reacendeu uma antiga polêmica: a escolha entre a cirurgia e a angioplastia, a normalização da circulação arterial por meio de um cateter. Até o momento, porém, os órgãos reguladores de saúde consideram os dados do levantamento americano insuficientes para recomendar o abandono da técnica. Mas demonstram a necessidade de que mais estudos nessa área sejam feitos, o que poderá resultar em mudanças nos protocolos de tratamento cardiológico. É possível, por exemplo, que nos próximos anos os especialistas invistam mais em tratamentos clínicos, como o uso de medicamentos, dietas e exercícios.

CONTRA A OBESIDADE

The New York Times

Em 2006, uma substância presente em grandes quantidades na casca da uva vermelha, o resveratrol, ganhou destaque. Um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que altas doses diárias da substância podem evitar alguns dos males decorrentes da obesidade. Outro trabalho, esse de pesquisadores franceses, revelou que o consumo da substância melhora a performance física. Apesar de esses estudos ainda serem preliminares – ambos foram feitos com ratos –, eles abrem a possibilidade para o desenvolvimento de medicamentos contra os males decorrentes da obesidade.

Fontes: Marcos Tambascia e Freddy Goldberg, endocrinologistas, Raul Santos e Jaqueline Issa, cardiologistas, Mauro Campos, oftalmologista, Artur Katz, oncologista, Falvio Alóe, neurologista, e Arthur Timerman, infectologista.

Publicado na Revista Veja, Edição 1989 – 30 de dezembro de 2006

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