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Lembre-se de alimentar sua memória 16/12/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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A cabeça que vive dando brancos sinaliza que você pode ter se esquecido de pôr alguns alimentos no prato. Afinal, um cérebro afiado também depende da dieta

Falam tanto que os peixes fazem bem à massa cinzenta que fica difícil apagar essa informação da memória. No entanto, é bom que ela grave outros alimentos. No que depender de novos estudos, a lista de compras para dar um gás às funções cerebrais deveria ser mais extensa e não se limitar à peixaria. É na banca de frutas do mercado, por exemplo, que se encontra a fisetina — mais precisamente no morango, no pêssego, na uva, no kiwi, no tomate e na maçã. Ah, ela também está na cebola. Graças ao renomado Instituto Salk, na Califórnia, Estados Unidos, a substância vem sendo considerada fundamental para quem deseja ter boas e más lembranças. É a neurobióloga Pamela Maher, líder desse estudo, quem explica: “Ela estimula a formação de conexões neuronais novas e muito mais fortes. E isso é importantíssimo para a memorização”.O fenômeno foi observado em ratos. Eles também foram cobaias de outro trabalho americano, este realizado na Universidade de Massachusets Lowell. “Os animais que ingeriram o equivalente a três copos diários de suco de maçã tiveram melhor desempenho em testes de memória do que os que não consumiram a bebida”, conta o professor Thomas B. Shea. Ele faz questão de ressalvar: “Estamos analisando o poder da maçã, mas outros vegetais cheios de compostos que reduzem os danos dos radicais livres no cérebro podem melhorar nossa capacidade de armazenar informações”. A uva e o espinafre, de fato, obtiveram efeitos semelhantes ao suco da maçã em outras pesquisas realizadas mundo afora.

Por aqui, o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, chama a atenção para a colina, molécula que se encontra com fartura na gema do ovo. Ela participa da construção da membrana de novas células cerebrais e na reparação daquelas já lesadas. E faz mais: “O registro de dados no hipocampo, área da massa cinzenta fundamental para a memorização, depende de um neurotransmissor chamado acetilcolina”, diz Coimbra. O nome já denuncia sua principal matéria-prima: a bendita colina da gema.

Os peixes são sempre lembrados quando a idéia é dar uma força para a memória. “Ainda mais os de água fria, ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, anchova, atum, arenque e cavala”, ressalta Jocelem Salgado, professora de Nutrição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, no interior de São Paulo. Reparou que o bacalhau não é citado embora faça parte do grupo? É que o tal ácido graxo benéfico está armazenado em suas vísceras. Como o peixe é vendido já limpo, não conte porções generosas de ômega-3 numa bacalhoada. A família de ácidos ômega — que, por sinal, está presente em boa parte da massa cerebral — também compõe o óleo de oliva, as sementes de linho, as castanhas, a noz, a amêndoa e o abacate.

Vitaminas do complexo B são igualmente importantes. Elas ajudam a regular a transmissão de dados entre os neurônios e estão em carnes, aves, grãos integrais, leguminosas, leite e derivados. O ferro, onipresente nas carnes vermelhas, é outro que entra na receita da boa memória. “Para completar, encha o prato de frutas, verduras e legumes coloridos, repletos de antioxidantes”, ensina o nutrólogo Alexandre Merheb, do Rio de Janeiro. “E procure fugir de alimentos com alto índice glicêmico, como massas e cereais refinados, batata e doces em geral. Eles elevam a produção de insulina e de ácido aracdônico, um dos responsáveis pela inflamação que envelhece as células cerebrais”, diz.

O neurofarmacologista Ivan Izquierdo, da Universidade Católica do Rio Grande do Sul, não acredita que um ou outro alimento, isoladamente, tenha efeitos sobre o armazenamento de informações no sistema nervoso — e ele é uma das maiores autoridades mundiais no assunto. No entanto, assegura: “Proteínas, gorduras, carboidratos, minerais e vitaminas na dose certa mantêm não só a memória, como todas as outras funções cerebrais, a pleno vapor.”

PIRÂMIDE DA MEMÓRIA
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FONTE: VANDERLÍ MARCHIORI, DE SÃO PAULO, SP

LEMBRE-SE SEMPRE DESTES ALIMENTOS
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Neuroprotetores

Essa função cabe às substâncias antioxidantes, mais presentes nas frutas cítricas, na uva escura, no morango, na maçã e na amora. Quanto às hortaliças, aposte naquelas com folhas escuras, como o espinafre. Podemos ressaltar a vitamina E dos óleos de amendoim, soja, palma, milho, cártamo e girassol, do germe de trigo e das nozes; e ainda o betacaroteno, que colore vegetais como a cenoura, o mamão, a abóbora, a manga, o damasco e o pêssego. Entre os minerais, as revelações são o zinco — encontrado em doses generosas na ostra, na carne, no iogurte e nos cereais — e o selênio, que está nas aves, nos frutos do mar, nas vísceras, nos grãos integrais, na cebola e no alho. Por fim, o ômega-3 dos peixes de água fria, diga-se, também protege os neurônios.

Produtores de novas células

A colina, substância derivada de um aminoácido bastante freqüente na gema do ovo, tem papel fundamental na composição da membrana gordurosa que reveste os neurônios. E, como nas regiões cerebrais responsáveis pela aquisição e pelo armazenamento de novos dados a formação de novas células é mais intensa, haja colina! Uma única gema tem cerca de 130 mg da substância, enquanto em 100 g de salmão há 56 mg. Você pode encontrá-la também na soja, no fígado, no germe de trigo, no feijão, no levedo de cerveja e nas ervilhas, mas em menor concentração. Está provado que seu consumo durante a gravidez e na fase de aleitamento influi no desenvolvimento cerebral da criança.

Estimulantes das conexões entre as células

Os alimentos deste grupo contêm substâncias que facilitam a comunicação entre os neurônios, aumentando também a capacidade de memorizar. É o caso da fisetina, que marca presença no morango, no tomate, na cebola, na maçã, no pêssego, na uva e no kiwi. As vitaminas do complexo B também facilitam a conexão celular e você irá achá-las em carnes, peixes, aves, grãos integrais, nozes, sementes, germe de trigo, soja, feijão, leite e derivados. Finalmente, o famoso fósforo, que faz bem à beça. Ele está nos peixes, no farelo, no germe de trigo e ainda nas sementes de girassol e abóbora.

Fonte: Revista Saúde – dezembro de 2006

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