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Medicamentos estão em falta 14/12/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
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Os portadores de esclerose múltipla do Distrito Federal voltam a enfrentar problemas com a falta de medicamentos. Desde novembro, os remédios Interferon do tipo Avorex, Betaferon e Rebif faltam nas farmácias de Alto Custo e Central, do Hospital de Base. Desde o dia 17 de novembro, o estoque de Avorex não é reposto. Cada ampola custa R$ 950.

O sub-secretário de Apoio Operacional da Secretaria de Saúde, Ornello Costa, disse que aguarda o repasse de R$ 470 mil da Secretaria da Fazenda (Sefaz) para comprar 500 unidades de Avorex. “O Betaferon foi repassado às farmácias ontem e ainda temos unidades de Rebif”, garante. Ele adiantou também que a verba, provavelmente, sairá nesta semana.

Além de ser cara, a medicação não pode ser fornecida ou comercializada em outras farmácias do DF. Para controlar a doença degenerativa, algumas pessoas têm que usar uma ampola a cada dois dias. A esclerose múltipla é uma doença congênita que afeta 120 pessoas em todo o DF. Ela degenera o fio de mielina, uma espécie de capa do neurônio responsável pela transmissão de impulso nervoso. Sem a mielina as atividades do neurônio ficam prejudicadas até que o organismo a reponha naturalmente. Dependendo da área afetada, o paciente fica sem andar ou perde temporariamente a visão, entre outras seqüelas.

“O remédio impede que o organismo ataque a mielina”, explica o neurologista Heber Correa, integrante da Sociedade de Esclerose Múltipla de Brasília (Sembra). Ele conta que seus pacientes freqüentemente passam por períodos de falta de remédio e, desde novembro, reclamam da ausência do Interferon. Segundo ele, o surto da doença é imprevisível. Ele pode aparecer depois de um dia sem a medicação ou até um ano. “O remédio reduz em 35% as chances de a pessoa ter o surto”, diz.

Ação

Só existe um medicamento regular nas farmácias, que é o Copaxone. A estudante Heloísa Leite Povoa, 21 anos, entrou na semana passada com uma ação no Ministério Público contra a Secretaria de Saúde para receber o Betaferon. Dias antes ela tinha começado um surto da doença e teve que sair às pressas para o hospital. “Comecei a ver tudo nublado. Se não tivesse ido ao hospital, teria ficado com uma cegueira temporária”, conta ela, que descobriu a doença há seis anos.

A dona de casa Maria das Graças Ferreira Hass, 50 anos, teme ficar na cadeira de rodas se não receber o Betaferon o quanto antes. Ela não encontra o remédio na farmácia desde o dia primeiro deste mês. Ontem, o marido foi à Farmácia de Alto Custo, mas foi avisado que o remédio não tinha chegado. “No ano passado tive um surto por ficar sem medicamentos por mais de dez dias. Fiquei muito tempo sem andar”, conta.

Os portadores da doença têm que fazer renovação do cadastro na Farmácia de Alto Custo a cada três meses. Nos dias de renovação as filas chegam a 20 metros. Maria das Graças conta que pede para seu marido para procurar o remédio e fazer o cadastro. “O desgaste é muito grande. O rmédio deveria ser levado para a nossa casa”, queixa-se Maria das Graças.

Fonte: Jornal de Brasília/DF: 12/12/2006

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