jump to navigation

Os genes determinam as doenças? 28/11/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida, Utilidade pública, Você sabia?.
trackback

“Os problemas encontrados nas raras moléstias associadas a um único gene se multiplicam quando os geneticias estudam doenças comuns, como o câncer e as doenças cardíacas, que envolvem redes de múltiplos genes. Nesses casos, segundo Evelyn Fox Keller,

os limites da compreensão que temos atualmente aparecem muito mais. O efeito líquido [de tudo isso] é que , embora tenhamos nos tornado peritos em identificar riscos genéticos, a perspectiva da obtenção de benefícios medicinais significativos – benefícios que, há meros dez anos, esperava-se que decorressem do desenvolvimento das novas técnicas de diagnóstico – recua para um futuro ainda mais distante.

É improvável que a situação mude até que os geneticistas comecem a ir além dos genes e se concentrem na organização complexa da célula como um todo. Como explica Richard Strohman:

Para os males da artéria coronária, [por exemplo], já se identificaram mais de 100 genes que dão de algum modo a sua contribuição. Dada a existência de redes formadas por 100 genes e mais os seus produtos, que interagem com um ambiente sutil para afetar [as funções biológicas], é ingenuidade pensar que se possa omitir da análise diagnóstica uma teoria não-linear de redes.

Enquanto isso, porém, as empresas de biotecnologia continuam a promover o obsoleto dogma do determinismo genético para justificar suas pesquisas. Como observa Mae-Wan Ho, a tentativa de identificar “predisposições” genéticas para doenças como o câncer, o diabetes ou a esquisofrenia – ou, pior ainda, para problemas como alcoolismo ou a criminalidade – estigmatiza indivíduos e nos desvia a atenção da contribuição fundamental dos fatores sociais e ambientais para o desenvolvimento desses problemas.

Está claro que o interesse principal das empresas de biotecnologia não é a saúde humana nem o progresso da medicina, mas o lucro. Um dos meios mais eficazes de que elas dispõem para garantir que o valor de suas ações continue alto, mesmo à revelia de quaisquer benefícios médicos significativos, é a perpetuação, perante os olhos do público, da idéia de que os genes determinam o comportamento.”

Do livro ‘As Conexões Ocultas – Ciência para uma vida sustentável’ de Fritjof Capra, Editora Pensamento – Cultrix, 2002.

Leitura adicional:  Genoma Humano: propriedade privada

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: