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Terapia Ocupacinal » A História de uma Profissão em Expansão 23/10/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida.
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Dra. Andrea Pinto – Terapeuta Ocupacional

Desde os inícios da história que a ocupação faz parte integrante do ser humano e foi através dela que este se desenvolveu. A Terapia Ocupacional desenvolve-se baseada num conceito central – A Ocupação como meio de tratamento. Na realidade, ao longo da história da Humanidade constata-se que sempre foi dado especial relevo ao uso de ocupações como meio de tratar os doentes, relacionando-se de forma directa a saúde e a ocupação, bem como o uso terapêutico de actividades, ou apenas do movimento, como forma de tratamento de doenças.

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Já na antiguidade, Hipócrates (260 a . c), recomendava a leitura, luta livre e o trabalho como formas de manter e melhorar a saúde dos indivíduos, preconizando relação entre o corpo e a mente.

Como consequência da I e II Guerras Mundiais, surgindo a necessidade de tratar os feridos, a Terapia Ocupacional ganhou uma significativa importância. Foi neste contexto que se usaram pela primeira vez dispositivos, técnicas e métodos como análise de movimentos associados à incapacidade física. Sem dúvida, a expansão da Terapia Ocupacional foi grande, uma vez que o número de pacientes não parava de aumentar e consequentemente a necessidade de mais técnicos especializados nessa área de reabilitação, para puder intervir directamente com amputados, traumatismos cranianos, indivíduos com alterações do foro psiquiátrico, como as neuroses de guerra.

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Decorrente das alterações nos contextos sócio económicos e científicos, os Modelos Teóricos da Terapia Ocupacional sofreram várias alterações ao longo dos tempos. O Modelo Mecanicista foi um dos primeiros a surgir, sofrendo este grandes reformulações, acompanhando as mudanças da sociedade e do Serviço de Saúde, dando lugar actualmente ao Modelo Centrado no Cliente, tendo este, uma noção mais holística da dimensão humana.

O desenvolvimento da profissão ao nível internacional e nacional, vem desencadear a necessidade de formação específica, levando ao aparecimento de diversas escolas. Em Inglaterra , a primeira escola de Terapia Ocupacional foi fundada em Bristol em 1930, tendo sido sua fundadora Georgiana Buller (“Bristish Journal Os Occupational Therapy”, 1977).

Em Portugal, como reflexo dos contextos sócio económicos, consequência das sucessivas crises decorrentes dos conflitos bélicos da primeira metade do século, o papel das Misericórdias é reforçado sobrepondo-se ou substituindo-se ao Estado, no apoio à Saúde, levando a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a assumir um papel determinante para o desenvolvimento da Reabilitação (Ferreira, 1990). Neste sentido foi criado o Centro de Reabilitação de Alcoitão, que veio a integrar a Escola de Reabilitação, primeira escola de formação de Terapeutas Ocupacionais em Portugal ( Portaria nº 22 034, de 4 de Junho de 1966). Actualmente existe mais uma escola no país que se localiza na cidade do Porto.
to3.jpgO objectivo do Terapeuta Ocupacional é ajudar as pessoas de todas as idades a alcançar o máximo de independência nas suas ocupações do dia-a-dia e nas suas actividades significativas, utilizando adaptações, para melhorar a sua qualidade de vida.Para tal, estuda os factores que influenciam a ocupação humana, intervindo, em situações que comprometam, ou coloquem em risco um desempenho ocupacional satisfatório e consequentemente, restrinjam a sua actividade e participação.

Na sua abordagem, avalia e intervém ao nível da pessoa, da ocupação e do ambiente, de acordo com os seus valores, promovendo a participação activa desta e da família no programa de intervenção, tendo em conta a seu projecto de vida.

Actua integrada em equipas multidisciplinares, com total autonomia em complementaridade com os restantes elementos da equipa.

Para tal o Terapeuta Ocupacional tem que ter:

» Criatividade

» Motivação

» Capacidade de adaptação

» Capacidade de escuta

» Capacidade de encorajamento

Com as mudanças que a própria sociedade tem vindo a sofrer e consequentemente novas necessidades da comunidade e do sistema de saúde; as áreas de intervenção da Terapia Ocupacional, são cada vez mais alargadas, não se restringindo aos Hospitais, tal como acontecia à uns anos atrás.
Os Terapeutas Ocupacionais intervêm em vários áreas de intervenção, tais como:

Nas Disfunções Neurológicas e Ortopédicas, trabalhando com Traumatismos Cranianos, Acidentes Vasculares Cerebrais, Artrite Reumatóide, Amputados, Esclerose Múltipla, entre outras, em Hospitais Centrais e Especializados, Centros de Saúde, Clínicas Privadas.

Com Idosos, em Lares de 3ª idade, Centros de dia, e trabalho domiciliário intervindo directamente com doenças como o Parkinson, Alzheimer, Estados demenciais.

Nos Hospitais Psiquiátricos, com doentes que sofrem de Esquizofrenia, Depressão. Em Instituições de Apoio à Toxicodependência e Alcoolismo. Em Centros Prisionais.

Na área de Pediatria, intervindo com crianças com Hiperactividade, Atrasos de Desenvolvimento, Deficiência Motora e Mental, Dificuldades de Aprendizagem e Disfunções Sensoriais. Podem ser integrados em Hospitais, em equipas de intervenção precoce, Centros de Saúde, Instituições para pessoas com deficiências (CERCI’s, APPACDM, APPC, etc).

Na área de Ensino e de Investigação, que cada vez mais é um campo aberto para ser explorado e um grande desafio para muitos Terapeutas Ocupacionais.

Sem dúvida que a Terapia Ocupacional é cada vez mais uma profissão em grande desenvolvimento, quer ao nível Nacional, quer ao nível Mundial.

Em Portugal foi considerada no relatório do Grupo de Missão do Ministério da Saúde como uma das poucas profissões com tendência a crescer nos próximos anos.

É sem dúvida, através de gestos simples que se faz o trabalho da Terapia Ocupacional, tendo sempre como missão, acrescentar vida aos anos e não anos à vida.

Fonte: Clínica Ponto da Saúde – Médicos de Portugal

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