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Reprimir vontade de ir ao banheiro pode fazer mal à saúde 03/09/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Vergonha de deixar vestígios de cheiro ruim, de demorar muito e as pessoas comentarem ou resistência a usar banheiros públicos ou coletivos por recomendação dos pais. Essas são barreiras que quase toda mulher teve ou, ainda tem, e alguns homens também. Se fosse apenas uma questão cultural, não haveria problema. Porém, quando vira rotina reprimir a vontade de ir ao banheiro, o (mau) hábito pode ter reflexos na saúde.

De acordo com a chefe do setor de Fisiologia ano-retal e coloproctologia da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, Lúcia de Oliveira, fisiologicamente há uma explicação para as mulheres serem mais afetadas pela prisão de ventre do que os homens.

– As mulheres apresentam um tempo de trânsito colônico mais prolongado em relação aos homens. Significa dizer que os movimentos de contração do intestino para deslocar o bolo fecal se fazem de forma mais lenta – explica.

A prisão de ventre “adquirida” pode provocar desconforto abdominal ou dor no baixo ventre, distensão, flatulência, sensação de evacuação incompleta, irritação e até alterações do humor.

– O famoso “intestino preguiçoso” pode também provocar náuseas, sensação de pressão no reto, além de se associar a formação de fissuras ou feridas na borda anal, que são dolorosas e podem sangrar.

Se a constipação não for tratada, a pessoa pode desenvolver um quadro de fecaloma podendo ter que passar por um procedimento de urgência para a retirada do bolo fecal endurecido . Isso porque essa “censura” interrompe um reflexo natural e, quanto mais evitamos evacuar, mais tempo podemos ficar sem vontade de ir ao banheiro.

Por ser, geralmente, mais preocupadas com as medidas, as mulheres vivem fazendo dietas, nem sempre saudáveis. Muitas vezes, as refeições são substituídas por líquidos pobres em fibras ou então, há um uso exagerado de chiclete para diminuir a fome.

– Atualmente temos visto uma associação muito grande de transtornos alimentares (anorexia, bulimia) com sintomas do aparelho digestivo. Há uma incidência muito grande de mulheres anoréxicas constipadas. Geralmente são jovens e iniciam o quadro de constipação pela falta de alimentos no tubo digestivo, principalmente alimentos como as fibras.

Uma boa alimentação pode contribuir para a solução do problema. O ideal é incluir verduras e frutas na dieta e beber água. O excesso de alimentos como massas e farináceos e longos períodos em jejum também devem ser evitados. Mastigar bem os alimentos, evitar mascar chiclete todos os dias e ingerir líquidos durante as refeições.

– A utilização dos lactobacilos como reguladores da função intestinal é assunto controverso. Sua eficácia nos casos de diarréia está comprovada, porém para a constipação os trabalhos divergem. Entretanto, o uso de iogurtes que contêm lactobacilos não está contra-indicado; se associados a um cereal, eles podem de fato auxiliar o funcionamento intestinal – explicou.

Segundo ela, treinar o intestino para funcionar depois de uma refeição é positivo.

– O ideal seria um funcionamento intestinal que proporcionasse um bem-estar, uma sensação de alívio. Quando nos alimentamos, há um fenômeno fisiológico que ocorre chamado reflexo gastro-cólico. É como se a chegada do alimento no estômago estimulasse os movimentos intestinais e o indivíduo tem a vontade de evacuar.

Para não inibir esta vontade, ela recomenda que todos usem um “kit intestinal” com lenços umedecidos, lenços de papel ou pedaços de papel higiênico e spray de ambiente.

Recorrer a laxantes que contém fenolftaleína, bisacodil, cáscara sagrada e senne, chamados também de laxantes irritantes, não são recomendados pela especialista. Os com outros componentes podem ser usados, desde que com um acompanhamento especializado.

– É importante mudarmos o hábito de aceitar a sugestão do comercial ou do farmacêutico sem passar por uma consulta médica.

O uso de laxantes a longo prazo, além de poder provocar dependência, pode causar alteração da pigmentação da parede do intestino e modificar seu funcionamento independente.

– O intestino perde sua contratilidade, fica atônico, lento. Com o tempo pode alternar períodos de diarréia. Nesta situação as mulheres sofrem com a distensão abdominal e acúmulo de gases.

Fonte: Globo Online

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