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Campanha informa sobre esclerose múltipla 30/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

As unidades de saúde e centros hospitalares da região participam nesta quarta-feira do Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla. A doença, que chegou à mídia depois que a atriz Claudia Rodrigues (protagonista do seriado A Diarista, da TV Globo) anunciou ser portadora, é pouco conhecida no país, mas causa seqüelas graves, que podem levar à perda da visão e do movimento dos membros. No Grande ABC, a única estatística sobre a doença é do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, que distribui medicação para 130 pacientes cadastrados. No Brasil, são mais de 30 mil pacientes.

De acordo com a neurologista Margarete Carvalho, a falta de informação sobre a esclerose múltipla e o diagnóstico tardio podem acarretar consequências graves ao paciente. “Essa doença é caracterizada por surtos progressivos ou não, que precisam ser tratados para evitar seqüelas permanentes”, explica. A dificuldade dos médicos para detectar a doença se explica pela gama variada de sintomas. Muitas pessoas desenvolvem a esclerose com sinais leves, como fadiga, dores musculares ou alterações urinárias. Um dos alertas mais comuns, porém, é a perda parcial da visão, sem motivação externa. “Foi o que aconteceu comigo. Estava trabalhando normalmente e comecei a sentir dificuldades para enxergar”, conta a universitária Vanessa Borsos, 23 anos, de Santo André.

O fato relatado pela estudante seria corriqueiro se ela não tivesse outros dois casos na família. A irmã de Vanessa, a dona-de-casa Margarete Borsos Baião, 41 anos, também é portadora de esclerose, assim como uma prima de parentesco distante. “Foi um grande susto para todas nós. A esclerose não tem origem genética e só podemos acreditar que essa foi uma triste coincidência”, comenta Margarete, também moradora de Santo André.

Apesar dos sintomas, que se manifestam de forma esporádica, as irmãs levam uma vida normal, com a ajuda de remédios obtidos gratuitamente. “Depois de muito sofrimento, conseguimos receber os medicamentos, no valor de R$ 8 mil mensais. No começo, quando os médicos diagnosticaram a doença da minha mulher, era muito diferente. O Brasil não estava preparado para a esclerose”, diz o projetista Ari Martins Baião, marido de Margarete Baião.

O tratamento atual é feito com modernos medicamentos fabricados à base de imunomoduladores, chamados de interferons-beta. “Essas substâncias são proteínas produzidas no organismo que servem para reduzir a auto-agressão da doença e proporcionar melhor qualidade de vida. Elas não curam, mas podem fazer com que os surtos sejam mais leves”, diz a especialista Margarete Carvalho.

A classe médica não oferece respostas exatas sobre o surgimento da esclerose múltipla, mas já consegue identificar características comuns entre os pacientes. A primeira delas é que a doença atinge mais mulheres (na proporção de 3 para 1), na faixa etária dos 20 aos 40 anos, e residentes em países do Hemisfério Norte. “Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, a esclerose é comum. Já no Brasil, a doença é vista como rara, o que não é verdade”, afirma a médica Margarete.

A idéia de que a esclerose é totalmente controlada por remédios também não procede, já que o desenvolvimento da doença depende de cada paciente. “Conheço pessoas que já não conseguem andar ou trabalhar. Felizmente, levo uma vida normal, mas tenho medo de próximos surtos”, conta o veterinário Alexandre Capassi, 37 anos, de São Bernardo.

Conheça a esclerose múltipla

O que é?
Doença degenerativa e progressiva do sistema nervoso central e se caracteriza pela perda de uma substância chamada mielina, que envolve os nervos do crânio e da medula espinhal.

Quais são os sintomas?
Os sintomas são variados e dependem da progressão de cada paciente. Os sinais neurológicos mais comuns são problemas na visão, distúrbios de linguagem, falta de equilíbrio, fadiga, formigamento nos membros, alteração das funções intestinais e urinárias, impotência sexual e, em casos extremos, perda dos movimentos e dores musculares constantes.

O que causa?
Não existem ainda causas conhecidas para o aparecimento da doença, mas sabe-se que a esclerose é mais comum em mulheres, na faixa etária dos 20 aos 40 anos. Especialistas também garantem que a maior parte dos doentes está localizada no Hemisfério Norte, onde o índice é de 100 pacientes para cada 100 mil habitantes. Nos países do Hemisfério Sul, essa taxa é, no mínimo, 50% menor.

Como diagnosticar?
O diagnóstico da esclerose múltipla é difícil e depende da experiência do médico neurologista, que deve solicitar – em caso de suspeita – exames detalhados, como a ressonância magnética e o teste do líquido cefalorraquidiano. Entre os sintomas iniciais mais comuns estão a perda de parte da visão e o aparecimento de quadros de fadiga muscular e formigamento.

Qual o tratamento?
Não tem cura, mas a medicina oferece medicação capaz de evitar ou retardar o surgimento de novos surtos. São remédios feitos à base de interferons – proteínas naturalmente produzidas no corpo que servem para reduzir a auto-agressão da doença.

Quanto custa?
O tratamento é extremamente caro (cerca de R$ 8 mil mensais) e os pacientes têm de recorrer aos programas custeados pelo Governo. Em Santo André, o Hospital Mário Covas fornece a medicação mediante cadastro e necessidade comprovada.

Fonte: Diário Online

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