jump to navigation

Diagnóstico e tratamentos corretos são fundamentais para qualidade de vida 28/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
trackback

ELIANA TEIXEIRA

Formigamento, incontinência urinária, dificuldade para segurar os chinelos nos pés e a sensação de ter o tórax fortemente comprimido por um espartilho eram apenas alguns sintomas de Luzia Aparecida de Lazari, 57, agravados progressivamente com o tempo. A dona de casa chegou a fazer tratamento para a coluna e até o início deste ano, não podia imaginar que sofria de esclerose múltipla. A doença caracteriza-se pela degeneração dos neurônios cerebrais e da medula, podendo atingir os sistemas de coordenação e equilíbrio sensitivo, motor, autonômico, visual, cognitivo e tronco cerebral. Na próxima quarta-feira (30), é o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla.

Ao afetar o sistema sensitivo, a doença provoca dores, dormências, formigamentos, queimações. No motor, a esclerose múltipla causa fraqueza dos membros e fadiga. As dificuldades para caminhar, os desequilíbrios e tremores acontecem quando o sistema de coordenação e equilíbrio é afetado. Se a doença atinge o autonômico, há perda do controle urinário e de fezes, alterações da sudorese.

No sistema visual, ocorrem perdas progressivas da visão por inflamações repetidas no nervo óptico. No cognitivo, há perda da memória e desatenção e no sistema tronco cerebral, as manifestações são variadas, com queixas de todos os sistemas citados. “Acredita-se que a doença seja provocada por células do sistema imunológico produtoras de anticorpos nocivos ao próprio organismo”, explica o neurologista André Serafin Gallina, pertencente à equipe muldisciplinar de um centro de neurologia clínica da cidade.

Segundo Gallina, médico que há cinco meses diagnosticou a doença de Luzia Aparecida, as causas não são conhecidas, mas estudos apontam para anomalias imunológicas, genéticas e infecções provocadas por vírus. A maior incidência é em países de clima frio, com até 100 pessoas a cada 100 mil habitantes. No Brasil, o índice cai para 6,6 pessoas a cada 100 mil habitantes.

Mulheres da etnia branca, de 20 a 40 anos de idade, são as mais atingidas. A esclerose múltipla afeta de três a quatro mulheres para cada homem. Porém nada descarta o acometimento da doença fora desses grupos. A esclerose múltipla, explica o neurologista, é doença crônica, imprevisível, que interfere em diversos aspectos da vida do paciente.

Muitos doentes sentem estresse, ansiedade, diante da incerteza do diagnóstico. Os sintomas são subjetivos e necessitam de bom exame neurológico, além de o paciente apresentá-los separadamente ao longo do tempo. “De três a seis meses, o paciente tem de apresentar pelo menos dois sintomas que mostrem o comprometimento de duas áreas cerebrais diferentes”, detalha.

Para obter o diagnóstico, o médico conta com as informações dadas pelo paciente durante a consulta e resultados de ressonância magnética e exames neurofisiológico, que envolve estímulos de vias visuais e sensitivas motoras e do líquido cérebro-espinhal para análise das alterações. Vítimas da esclerose múltipla que não fazem tratamento adequado podem ter surto remissão – sintomas variados por curtos períodos intercalados por períodos longos assintomáticos – a cada 300 dias. “Com o tratamento, conseguimos prolongar o aparecimento de outro surto até mil dias”, garante.

O tratamento envolve acompanhamento com neurologista, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. O controle do estado emocional do paciente, ressalta Gallina, é fundamental no tratamento. “A medicação é constante, mas em intervalos regulares. Usamos também medicação sintomática para controlar fadiga, rigidez muscular, incontinência urinária”, enumera. “A motivação e a prudência são outros aliados na melhora da qualidade de vida”, completa.

De acordo com o médico, é utilizada a Escala de Padrão de Incapacidade Expandida para avaliar o estado do paciente. A escala vai de zero a 10, sendo zero o nível normal e 10 para casos de morte em decorrência da doença. Na primeira consulta, a dona de casa Luzia Aparecida chegou de cadeira de roda e com nível 7,5 dentro da Escala de Padrão. Três dias depois, ela teve surto e ficou mais de uma semana internada para tratamento medicamentoso. “Perdi a firmeza nas pernas, não conseguia subir escadas. Não saía mais de casa, ficava deprimida, só chorava”, relembra a paciente.

Trinta dias após o início do tratamento, a melhora de Luzia Aparecida era significativa. Com medicamentos, fisioterapia e acompanhamento médico, a dona de casa conseguiu recuperar boa parte dos movimentos. Trocou a cadeira de rodas por andador, depois por bengala de quatro apoios, por outra de apenas um. Agora, caminha sozinha e utiliza a bengala, apelidada de “Vitória”, apenas para dar voltas no quarteirão sozinha. “Faço fisioterapia três vezes por semana e os exercícios em casa”, comenta.

A auto-estima de Luzia melhorou e hoje, ela sai de casa para passear na companhia de “Vitória”, da filha ou de amigos. A dona de casa tem a consciência de que a esclerose múltipla é uma doença que precisa ser monitorizada mesmo quando o quadro é assintomático. Os exames são anuais e as consultas trimestrais ou conforme a necessidade do momento. “Tomo banho sentada, para não cair e não anda mais de ônibus. Mas estou bem”, relata.

Fonte: Gazeta de Piracicaba – 27/08/06

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: