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Respiração e relaxamento 26/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Mistérios do Cérebro
Globo Repórter, 25/08/2006

Se fosse só energia acumulada, uma hora ele teria que apagar. Mas nada leva Leonardo Pirolo Konishi, 7 anos, a nocaute. Nem um dia inteiro de brincadeiras faz o menino dormir à noite. Quando levou um susto grande, então, aí é que o sono sumiu.

“Fiquei uma semana sem dormir”, lembra Leonardo, depois de assistir ao filme “O Grito”.

“Quem dera fosse só uma semana….”, diz a mãe do menino, Valéria Pirolo.

E o mais impressionante: mesmo sem dormir direito, o garoto não dava nenhum sinal de que fosse pifar – nem na escola.

“No meio da explicação de uma aula, ele simplesmente levanta, começa a cantar e correr entre as carteiras. Às vezes, ele até fica sentado, mas começa a cantar ou fazer barulho. A professora pede uma, duas, três vezes, e ele não atende”, conta Valéria.

O diagnóstico dos médicos: Leonardo é hiperativo. A mãe rejeitou a idéia de tratá-lo com remédios e apostou na simplicidade de uma técnica de respiração para crianças com hiperatividade. O sono de Leonardo finalmente voltou.

“Agora ele me pede para ensinar as técnicas na hora de dormir. Então, eu digo para ele relaxar e fazer a respiração que a tia ensinou”, conta Valéria.

A secretária Sueli Pontes agora respira aliviada. Mas, durante anos, conviveu com a sensação inexplicável de que algo muito grave aconteceria com ela. Era a Síndrome do Pânico.

“Cheguei a um ponto que, entre melhoras e pioras, eu fiquei dentro de casa. Não conseguia ir ao outro lado da rua. Isso foi dos 16 aos 39 anos, com crises freqüentes. Em algumas temporadas eu passava bem, em outras, tinha as crises”, lembra Sueli.

Hoje Sueli trabalha e tem uma vida normal. Mas para superar a Síndrome do Pânico, teve de reaprender a respirar.

“A pessoa deve aprender a respirar de forma que ela movimente pouco o peito e expanda o abdômen, como se enchesse a barriga”, orienta o psicólogo José Roberto Leite, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Uma respiração curta e rápida manda ao cérebro uma mensagem de perigo, o que nos deixa tensos, sempre em estado de alerta. Na respiração diafragmática acontece o contrário. A inspiração lenta e profunda expande a barriga e enche mais os pulmões: 30% a mais de oxigênio que chega ao cérebro e proporciona uma sensação de bem-estar. É a respiração natural dos bebês, mas que a maioria das pessoas desaprende quando cresce.

Depois o exercício continua, contraindo e relaxando os músculos. “Você dobra a sua mão direita para trás, na altura do pulso, forçando um pouco e percebendo toda a tensão que se forma no antebraço”, acrescenta o psicólogo.

A técnica usa a contração e a distensão muscular para que o cérebro perceba o corpo, e para que o corpo ajude o cérebro a desencadear o relaxamento.

“Há uma interconexão dos dois sentidos – tanto o emocional afeta o corpo, como o corpo afeta o emocional. É uma via de dois sentidos”, esclarece o psicólogo.

“Tem que lembrar direitinho. Eu sei respirar e sei que, com a respiração, vou controlar. Dá uma sensação de vitória, que só quem tem pânico sabe. Sair sozinha, trabalhar, ir ao shopping – coisas que são tão normais para uma pessoa são uma vitória para quem consegue vencer”, diz Sueli.

A técnica milenar de respiração, Leonardo sabe exatamente como se faz: “Você tem que fazer um relaxamento e respirar pela barriga”.

Mas, no caso dele, um novíssimo tratamento, que espalha eletrodos pela cabeça, também pode ajudar. É o neurofeedback. Funciona como um joguinho sem botões nem controles. É o cérebro dele que manda. Se ficar atento, calmo e relaxado, Leonardo ganha pontos e o desenho de um passarinho continua.

A técnica treina as ondas cerebrais. Estimulado pela exigência do joguinho, o cérebro vai se ajustando, e Leonardo vai marcando pontos toda vez que se mantém dentro das regras. O garoto mantém a atenção no jogo, mas ao mesmo tempo está calmo e relaxado.

“Este estado de consciência é um dos objetivos de outras estratégias conhecidas como técnicas de meditação, ioga etc”, explica a psicoterapeuta comportamental Cacilda Amorim.

Como Leonardo é hiperativo, o problema dele é a intensidade fraca das ondas cerebrais na parte posterior do cérebro, responsável pelo controle dos movimentos.

“A área que deveria manter a pessoa numa condição física estável, capaz de se manter quieta, não funciona bem. E aí precisa ser estimulada”, diz Cacilda.

E quem é que não gosta de vencer fazendo a pontuação máxima?

“Se você der uma ordem ao Leonardo, dificilmente vai ser atendido. Se você propor um desafio, pode ficar tranqüilo que ele vai parar tudo o que estiver fazendo para cumpri-lo”, conta a mãe do menino.

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Leia a matéria completa: Mistérios do Cérebro

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