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A química do prazer 26/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Mistérios do Cérebro
Globo Repórter, 25/08/2006

Gigantismo e caos. Mais de mil novas ruas nascem todo ano. O taxista João Pereira de Souza tem de enfrentar a fertilidade da malha urbana de São Paulo. Como ele faz para decorar rua nova e não esquecer rua velha? Em cada esquina há uma lógica no seu método de lembrar. Se o Guia das Ruas de São Paulo aumenta, a memória de João vai atrás.

“Eu me lembro de todas as páginas. Um leque se abre na minha cabeça”, diz ele.

A capacidade que o cérebro humano tem de se adaptar, de memorizar, de criar e de raciocinar continua sendo um grande mistério, e a medicina ainda está muito longe de decifrá-lo. O fato é que o nosso cérebro pode nos ajudar até mesmo quando ele não sabe que está nos ajudando. O que se comprova, por exemplo, quando enfrentamos a dor sem o uso de remédios.

Foram 35 milhões de feridos ao final da Segunda Guerra Mundial. Gente demais, remédios de menos. Não havia outra maneira: os médicos passaram a dar pílulas de açúcar para os soldados.

Como se fossem medicamentos de verdade, os comprimidos funcionaram como analgésicos, aliviando a dor. O cérebro achou que estava recebendo um remédio, fazendo o corpo reagir da mesma forma. É o que a medicina chama de efeito placebo.

“Placebo é uma medicação ou técnica utilizada que provoca o bem-estar do paciente, mas que não tem uma relação direta com o problema que estaria sendo tratado”, explica a neurocientista Lúcia Willadino Braga.

A confirmação definitiva de que os médicos da Segunda Guerra Mundial não estavam errados veio somente no ano passado. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos comprovou a eficácia do efeito placebo. Se tomamos uma pílula, mesmo que seja de açúcar, achando que é um remédio para dor, nosso cérebro produz endorfinas, os neurotransmissores que atuam diretamente nos centros receptores da dor.

“Hoje ninguém mais usa o placebo clinicamente porque seria uma perda de confiança na relação médico-paciente. Porque ninguém pode dizer: ‘Estou receitando um remédio para curar isso’, quando está dando uma pílula de açúcar ou de farinha'”, diz Lúcia.

Mas não há nenhum impedimento ético em usar o cérebro sem enganar o paciente. As palavras placebo e prazer têm a mesma origem latina.

Efeito prazer é o que o Hospital Sarah de Brasília usa como parte do tratamento das crianças da enfermaria. Atividades divertidas que têm repercussão na saúde delas. Adivinhe o que aconteceu quando a recreação foi suspensa.

“Verificamos que as crianças começaram a pedir mais remédios para dor. Nós fomos medir, e a falta das pessoas que faziam recreação fez aumentar em 60% o uso de analgésicos. Então, na hora que as crianças ficaram sem uma atividade recreativa passaram a olhar para a dor”, revela Lúcia.

Mais uma das proezas do cérebro: trocar remédio pelo prazer de viver. “Se você procura uma atividade prazerosa, libera neurotransmissores de alegria, que reduzem a sensação de dor. Seria bom as pessoas aprenderem a usar”, aconselha Lúcia.

Leia a matéria completa: Mistérios do Cérebro

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