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Meninges e Líquido Cefalorraquidiano 16/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, O que significa?.
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Artigo da Liga de Neurociências: sistemanervoso.com

  O sistema nervoso (medula e encéfalo) encontra-se envolvido por membranas de tecido conjuntivo, denominadas meninges. As meninges são representadas pela dura-máter (paquimeninge), pela aracnóide e pia-máter (conhecidas como leptomeninges). Todas elas possuem função protetora. 

  Apesar de sua função protetora, as meninges podem ser alvo de patologias importantes, como alguns tumores benignos, geralmente meningiomas e as conhecidas meningites.
  O conhecimento anatômico e funcional das meninges é muito importante tanto para entender sua função protetora, como também para entender as patologias que podem afetá-las.

Dura-máter

  • A dura-máter é a mais externa, resistente e espessa das três meninges existentes;
  • Ricamente vascularizada e inervada por terminações sensoriais. Por ser a única região do encéfalo que possui terminações nervosas sensoriais, é a principal responsável por dores de cabeça;
  • No sistema nervoso central, a dura-máter é formada por dois folhetos (externo e interno); o folheto externo é ricamente vascularizado (sua irrigação provém da artéria meníngea média) e está intimamente aderido à tabua óssea, comportando-se como um periósteo inativo, visto que não possui atividade osteogênica;
  • Em algumas regiões do encéfalo os dois folhetos da dura-máter se separam um do outro formando algumas estruturas:
    – foice do cérebro: septo mediano que se insere na fissura longitudinal dividindo o cérebro em dois hemisférios;
    – tenda do cerebelo: septo que separa o lobo occipital do cerebelo, dividindo as estruturas do encéfalo como supra e infratentoriais;
    – foice cerebelar: septo que divide o cerebelo em dois hemisférios;
    – diafragma selar: isola e protege a glândula hipófise ao fechar a sela túrcica; este diafragma possui uma abertura para a passagem da haste hipofisária que liga a glândula ao encéfalo.

Seios da dura-máter

  • São canais venosos localizados entre os folhetos da dura-máter cuja função é drenar o sangue venoso vindo das veias do encéfalo e do bulbo ocular e enviá-lo para as veias jugulares internas retirando-o da cavidade craniana;
  • Existem vários seios espalhados ao longo da dura-máter entre eles podemos citar alguns:
    – seio transverso: localiza-se de ambos os lados ao longo da tenda do cerebelo e dá origem ao seio sigmóide;
    – seio sigmóide: tem forma de letra S e vai da porção petrosa do osso temporal até o forame jugular, onde desemboca na veia jugular interna. Este seio drena quase que a totalidade do sangue venoso craniano;
    – seio cavernoso: situado dos dois lados do corpo do osso esfenóide e da sela túrcica. Elas drenam o sangue vindo das veias oftálmicas superiores, central da retina e região da face. Algumas estruturas atravessam este seio, entre elas estão a carótida interna, o nervo abducente, oculomotor e ramo oftálmico do nervo trigêmeo. Como a carótida atravessa este seio, aneurismas nesta região podem ocasionar compressão de nervos que resultam em distúrbios oculares.

Aracnóide

  • É uma meninge intermediária, pois fica entre a dura-máter e a pia-máter;
  • É uma fina membrana trabeculada próxima a dura-máter, separada desta por um espaço virtual conhecido como subdural. Suas trabéculas se ligam à pia-máter formando com ela o espaço subaracnóideo;
  • O espaço subaracnóideo é a região que abriga o líquor, ele está presente no encéfalo e na medula espinal, sendo uma via direta de comunicação entre a medula e o encéfalo.

men_01.jpg

Cisternas subaracnóideas

  • São espaços ou cisternas maiores que o espaço subaracnóideo formados entre a pia-máter e a aracnóide cujo acúmulo de líquor é maior que em outras regiões;
      As principais cisternas são:
    – cisterna magna: vai da face inferior do cerebelo à face posterior do bulbo, onde se liga ao IV ventrículo. Esta cisterna, em alguns casos, devido às suas grandes dimensões, é utilizada para a obtenção de líquor através de punção;
    – cisterna pontina: localizada anteriormente à ponte;
    – cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular;
    – cisterna quiasmática: localizada anterior ao quiasma óptico;
     
  • Granulação aracnóidea ou de Pacchioni: são pequenas projeções da aracnóide para o interior da dura-máter, sendo responsáveis pela absorção ou drenagem do líquor do espaço subaracnóideo.

Pia-máter

  • É a meninge que está intimamente aderida ao encéfalo e aos feixes de fibras medulares. Sua função é dar resistência aos órgãos nervosos, que são de consistência extremamente delicada e mole.

Líquor

  • O líquor é uma substância secretada pelo epitélio ependimário através dos plexos coróides. Esses plexos estão localizados nos ventrículos laterais e no III e IV ventrículos. 
  • É um líquido a base de água que está presente no espaço subaracnóideo e ventricular, cuja função é a proteção mecânica do encéfalo. Para isto, o líquor acolchoa o cérebro, deixando-o flutuar nesse meio;
  • São produzidos cerca de 500 mL de líquor por dia, em contra partida, os ventrículos juntamente com o espaço subaracnóideo, conseguem armazenar apenas 150 mL. Para que não ocorra acúmulo deste líquido no encéfalo, as granulações aracdônicas atuam absorvendo este líquor do espaço subaracnóideo.
  • O líquor atua como um amortecedor contra choques que possivelmente causariam lesões cerebrais, pois quando a cabeça sofre um choque, o cérebro desloca-se simultaneamente com o crânio, impedindo que porções do cérebro sejam mais afetadas que outras;

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Circulação liquórica

  • O líquido produzido no ventrículo lateral se dirige para o III ventrículo pelos forames interventriculares (de Monro). Do III ventrículo ele parte para o IV ventrículo através do aqueduto do mesencéfalo (de Sylvius). Pelas aberturas do IV ventrículo (forames de Luschka e Magendie) o líquor atinge a cisterna magna e depois dela todo o espaço subaracnóideo da medula e encéfalo, sendo reabsorvido nas granulações de Pacchioni. A circulação do líquor se faz primeiramente em direção à medula e depois sobe para o encéfalo como mostrado na figura abaixo indicado pelas setas:

men_03.jpg
 

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