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Sobre vitórias e derrotas 15/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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A Copa acabou e a Seleção Brasileira perdeu antes mesmo de chegar às semifinais, deixando um país inteiro debatendo as razões do fracasso de um time que tinha tudo para ser vitorioso. No cotidiano nem sempre é fácil entender o que é ganhar e o que é perder. Avalie melhor esses conceitos e descubra como você está no jogo da vida

O sabor da derrota é amargo e se alastra pelo corpo.

Olhos vagos ardem, músculos estancam, gestos endurecem, cristalizados. Palavras engasgam, enquanto cenas da capitulação voltam em flashes. O pulmão pára de respirar. E a cabeça, puf!, parece que vai cair a qualquer momento. Que difícil de acreditar! Quando o escrete canarinho vacilou diante da França ­ e saiu de campo derrotado nesta Copa de 2006 ­ foi um déjà vu danado: parecia que o Brasil voltara oito anos no tempo, e lá estávamos nós, perdendo mais uma vez.Tudo se misturou na memória. Os lances certeiros e cruéis de Zidane, um novo algoz chamado Henry e mais um grupo de astros do futebol sem explicações. Afinal, não somos os melhores do mundo? O que falta, enfim, para jogarmos tudo o que sabemos? Sabemos dar um show?

Com um peso no peito, sem achar conforto, uma idéia surgiu em meus pensamentos. Havia acabado de escrever esta reportagem, sobre como ganhar e perder faz parte da vida e o quanto podemos aprender em ambas as situações. E ainda: toques para sabermos se estamos ganhando ou perdendo na tabela de sonhos e anseios que almejamos para nossa história, que está sendo escrita o tempo inteiro, todos os dias. Será que o texto, enfim, tinha algo de valor, de prático? Porque, se assim fosse, deveria trazer alguma reflexão até mesmo para as inconsoláveis dores de futebol ­ sem falar nas de amor, que mereceriam uma categoria à parte, hors-concours. Corri para o computador e, enquanto a máquina inicializava, dei uma boa suspirada ­ ah, esses franceses!

Hum, ligou. Abrir documento…

Momento nostalgia. Você vai precisar de uma caneta ou lápis. Marque (x) quando foi vitorioso e conseguiu algumas das doces conquistas abaixo. E pinte (•) quando perdeu a vez:

( ) Campeonato de bolinhas de gude contra os meninos da outra rua.
( ) Completar um álbum de figurinhas, com a carta premiada.
( ) Ser da seleção de futebol, vôlei ou basquete do colégio ­ na reserva também vale.
( ) Beijar a(o) garota(o) mais bonita(o) da última série.
( ) Conseguir passar direto em todas as matérias, sem recuperação.
( ) Acertar as três argolas e ganhar a prenda mais legal da festa junina.
( ) Finalmente entender as aulas de física e conseguir fazer as provas.

Pois é, a vida da gente, desde cedinho, é cheia de momentos que se fixam em nossa memória.Tem de tudo um pouco: o chocalho no berço, o primeiro dia de aula na escola, o sorriso de um novo colega, a excursão para pescar em um ônibus apertado, o prato de família saindo do forno… Independentemente do valor afetivo, parte de nós funciona igual aos computadores. E lá vamos classificar cada um desses fatos como algo bom ou algo ruim, mediante um pouco de tudo: nossos próprios juízo e gosto, elogios familiares, broncas professorais ou, simplesmente, o olhar dos outros. E aí, em 99,9% dos casos, não tem ninguém (sejamos sinceros, por favor) que se vanglorie por uma derrota, certo? “Em uma sociedade extremamente competitiva, somos estimulados a ser os melhores, a ser os vencedores já na infância”, comenta o psicanalista paulistano Tiago Corbisier Matheus. Imagino: eu tenho até um amigo que me contou que, quando ele nada pela manhã, compete arduamente em silêncio com os que treinam nas outras raias.

Há uma verdadeira obsessão pela vitória em nossa mentalidade e sociedade. Chegar em segundo lugar? Nem pensar! Para começar, em uma sociedade aguerrida e bastante seletiva como a brasileira, esse tal segundo lugar pode significar não conseguir um emprego, não receber uma promoção. Ou mesmo não obter uma vaga no colégio ­ existem alguns, nas maiores capitais brasileiras, que têm uma prova de admissão, um verdadeiro vestibulinho. A vida é incerta, sim, e cheia de desafios, vários deles monetários, e muitos pais projetam suas frustrações nos filhos, querendo que eles sejam ou conquistem o que não conseguiram. “É o famoso ‘meu filho vai chegar lá, aonde não cheguei’”, afirma Corbisier Matheus. “Acabamos por enxergar o mundo de forma dicotômica. No topo, existem os vencedores, ou os winners, pelo modelo americano de comportamento, e todo o resto de perdedores, ou os losers, os zeros à esquerda, que não conseguem nenhum destaque na vida social”, complementa o psicanalista. Puxa, você deve estar comentando: “Mas é claro, não é? Como e por que eu iria comemorar uma derrota?” Calma, mais alguns parágrafos de conversa e chegamos lá.

Ai de quem perde!

Além da necessidade real de conseguir um lugar ao sol, sempre queremos conseguir o que queremos, do jeito que for. O jeitinho brasileiro é um típico comportamento tinhoso, em que se busca ganhar a todo custo, sem pensar nas conseqüências. E mais: o brasileiro nem percebe que usa o tal jeitinho o tempo todo. Isso porque o brasileiro promete, promete, mas não faz. Diz que sabe fazer, mas não sabe. Força a tinta nos currículos, deixa trabalhos para a última hora (ai, ai, desse mal este repórter confessa que sofre, e muito). Enfim, leva com a barriga. “Um jeito foi dado uma vez, e com isso uma forma de resolução foi obtida. E assim as cartas são lançadas repetidas vezes”, diz o antropólogo Roberto DaMatta no livro O Que Faz o Brasil, Brasil? É de pensar se os nossos nobres administradores dos órgãos públicos não padecem desse estilo. Ou até a nossa querida Seleção, que a olhos leigos pareceu ser assim, um grande improviso, contando apenas com o talento dos craques. Nesse caso, não vai ser dessa vez que teremos nosso conforto social. Não só aqui, mas em muitos países, a vitória da seleção nacional tem muitos usos. Em 1970, o tricampeonato amarelinho enfraqueceu o descontentamento de um povo subjugado por uma ditadura militar. Oito anos depois, ocorreu o mesmo na Argentina, que fez de tudo para ser campeã, com casos comprovados de suborno a atletas adversários. Já em 1998, do lado de lá da vitória, a França viu o país melhorar sua auto-estima em um ano crucial: a integração com a Comunidade Européia.

Por toda essa angústia, os perdedores são malvistos pela sociedade. Até hoje, quando se revêem as imagens falhadas, em preto e branco, quase não se vê por onde a bola passou quando o Uruguai marcou o segundo gol. Para Barbosa, goleiro da Seleção Brasileira na final da Copa de 1950, essa bola nunca parou de passar. Responsabilizado pela derrota brasileira e pelo trauma do país ao perder o título em casa, em pleno Maracanã, o excelente goleiro nunca mais foi lembrado por nenhuma de suas defesas ­ e sua biografia parece não constar em lugar algum. Parece apenas existir esse segundo gol, e nada mais. Contase à boca pequena que muitos anos depois Barbosa ainda era reconhecido nas ruas e mercados e apontado como o homem que fez o Brasil inteiro chorar. O piloto Rubinho Barrichello, então, tem um único pecado: não trouxe nenhum título ao Brasil e sofre zombarias apesar de anos e anos pilotando entre os melhores do seu tempo. Mas isso, além de trágico, foge um pouco da realidade, não? Afinal, ter perdido o concurso de pipas no parque da sua cidade fez de você alguém pior? Assim como entre o preto e o branco existem múltiplas tonalidades de cinza, entre o que chamamos de derrota e vitória… Bem, há muitas formas de encarar a questão.

Onde é o topo?

Quer ver um só exemplo onde vencer não é o que parece? Antes disso, olhe só que interessante este outro teste a seguir. Sendo bastante sincero, eu mesmo fiquei com (•) em todos os itens. Pudera, dessa vez a lista bate lá no topo das conquistas que mostram estabilidade e sucesso no jogo capitalista. Será que você já tem alguns (x)? Se está quase lá, se dê um desconto. Qualquer traço de semelhança com o que tem já vale assinalar o item, ok? Veja:

( ) Carro do ano, moto novinha, bicicletas iradas e uma prancha pronta para o surfe.
( ) A casa própria, não importam o tamanho e a localização.
( ) Ser chefe da equipe, ganhar melhor que a turma e ainda ir embora mais cedo.
( ) Casamento estável, crianças alimentadas, animais de estimação.
( ) Pós-graduação, mestrado, avanços acadêmicos, treinamentos no exterior.
( ) Férias todo ano, dessas de viajar por um mês por praias desertas.
( ) Claro, por que não?, uma casa na praia, na beira do mar.

Sim, com certeza a lista é difícil e de propósito. Para os que estão distantes de preenchê-la, ela pode parecer um ideal de vida nada simples e até exagerado. Por outro lado, tem muita gente que conseguiu algo semelhante, equivalente, ou que já batalha anos e anos para conquistar alguns dos itens, sem nunca abandonar o jeito simples de viver ­ “Eu quero uma casa no campo”, também cantava a saudosa Elis Regina. É o que praticamente Marvin Kundera (o nome, o cargo e a empresa foram alterados para preservar a identidade do entrevistado, em busca real de caminhos) tem, mesmo sem sair da capital paulista. Gerente comercial de uma gigantesca empresa nacional de alumínio, Marvin marcou sem pestanejar (x) em toda a lista e assim o faria até se a lista fosse 50% maior ­ ou mais! Sua casa, em um bairro afastado do centro, é espaçosa, com múltiplos andares e uma grande varanda, igual a um deque de madeira, debruçada sobre uma intocada área verde.Mas se você já está imaginando Marvin como um cara de bem com a vida, não é nada disso. “Deixei de aprender onde estou. Depois de implementar muitas inovações ­ e quebrar a cabeça com isso ­, agora o meu setor dentro da empresa navega estável, sem novidades. Estou parado, insatisfeito”, conta o executivo. “Sem desafios, me sinto o cara errado na hora e no lugar errados. Por isso, busco mudanças.”

Enquanto se enfurna em sua oficina pessoal e reforma calmamente uma moto antiga, Marvin pensa no futuro com o olhar atento de quem conseguiu vantagens materiais, porém não se apega a elas. Perguntado se o que ele quer, na realidade, é subir mais e mais na carreira, ele refuta: “Isso é impossível. Sempre haverá um cara melhor que você, ganhando mais, acima da sua posição. Seguir esse caminho não leva a nada. A mudança que busco é para descobrir, de verdade, o que me satisfaz, o que me traz dinamismo. E só”.

Quebre o círculo

Vencer por vencer, conquistar por conquistar? Afinal, até onde isso pode ir? Para as cadeias de fast food, sempre temos o funcionário do mês (foto com aquele sorrisão escancarado, claro!), que muda logo no outro mês. Em academias de ginástica, o professor da semana (sim, também muda constantemente). Até em cabeleireiros está lá a tesoura de ouro do mês (habilíssima e, por isso, um pouco mais cara). Claro, desculpe, como esquecer: nos Big Brother da vida, sempre temos o líder da semana. Nas agências, quem vende mais ganha mais ­ e luta com os colegas do lado para vender mais ainda. Atores e atrizes, quando em voga, gravam comerciais, fazem peças de teatro, estão na novela das 8, se preparam para a próxima minissérie, aproveitam para ter três ou quatro namoros rápidos, sem falar nas jornadas fotográficas para inúmeras revistas. Profissionais do marketing nem param para pensar: quando na crista da onda, é livro, palestra, vídeo, conferência…

Mas é nos campeonatos de basquete americanos que os limites dessa história avançam mais e mais. A premiação parece não ter fim de uns tempos para cá, e não só o cestinha do jogo tem sido aclamado. Há o assistente, o reboteiro, o cara que faz bloqueios, o matador de três pontos, ih!, é uma lista grande, em expansão, que serve a todos que querem ver seu trabalho reconhecido. E leia-se reconhecido por, além de dar boas enterradas, aparecer na TV, dar retorno ao patrocinador e vender camisetas com seu nome. Poucos são os que vão construindo a carreira de forma mansa, passo a passo ­ isso em todas as áreas. Ou que sabem que, após um ciclo positivo, pode vir outro menos produtivo. E depois, como a natureza, alternâncias, transformações e, por fim, outros e outros ciclos bemaventurados… “Na vida, ocorre um processo evolutivo que pode oferecer mil derrotas com o intuito de que você chegue à única e verdadeira vitória, aquela sobre si mesmo, sobre o seu excesso de individualidade”, diz Jo Azer, mestre da arte marcial vajramushti. Com mais de 38 anos dedicados a essa arte, o vigoroso lutador sessentão cita um antigo pensamento sobre o tema, que muito lhe agrada: “Um verdadeiro homem trata uma pepita de ouro e um pedaço de carvão como a mesma coisa. O ouro ele gasta e o carvão ele queima”. Assim, a derrota não deveria deixar o travo tão amargo na boca que freqüentemente tem. Nem a vitória ser tão doce e saborosa, como pode parecer.

Vitórias reais

Vale a pena deixar de ver as vitórias como os primeiros lugares no pódio. Por quê? Para que possamos saborear nossas verdadeiras vitórias, dentro de nossos limites reais, e na superação deles.Para tal, os sonhos de grandeza não ajudam. “Basta ter os pés no chão para poder vencer de verdade”, diz Osmar Rosseto Bambini Filho, corredor de aventuras. Aos 33 anos, Osmar trabalha na distribuidora de produtos de higiene e beleza da família. Mas se dedica a treinos diários de três horas para estar pronto a se jogar com sua equipe em aventuras para lá de radicais, corridas que duram 24, 48 horas ou até mesmo uma semana, nas quais remam, pedalam, escalam, correm. E passam frio, fome, sono, cansaço, dores em todas as regiões do corpo. Além disso, Osmar sabe que sua equipe, a NexCare3M Senta a Pua, está entre as do segundo pelotão. “Só chegamos na frente das grandes quando algo de errado acontece com elas”, diz. E chegar na frente pode ser o último dos objetivos da Senta a Pua. Na última prova Ecomotion Pro, umas das mais difíceis desse tipo ­ e a mais árdua ocorrida no Brasil ­, Osmar e seus amigos ultrapassaram seus limites a ferro e fogo. “Nos perdemos, corremos risco de vida, estávamos machucados. Chegamos em um suadíssimo último lugar.Mas chegamos! Há três anos tentávamos ver a linha de chegada e nada. Parávamos por muitos motivos. Quando conseguimos, bem próximos ao tempo limite para a classificação, foi uma choradeira só. Tiramos o peso dos ombros, sentimos o senso de dever cumprido. Se fomos os últimos na prova, não teve a mínima importância”, diz Osmar.

Assim é também para o fotógrafo de Brasília Dalton Camargos. Sua maior vitória não vem em momentos de estripulia, mas em cada clique, em cada foto, que ele continua a tirar diariamente. Uma rara infecção se alojou em sua medula seis anos atrás. Em plena sexta-feira de Carnaval, ele se viu sem seus movimentos do pescoço para baixo a caminho de uma cirurgia difícil, em que os médicos drenaram todo o líquido de sua espinha vertebral. “A partir daí, não se sabia o que iria acontecer. Acordei ainda paralisado, mas com uma remota chance de recuperação”, conta ele. Em dois meses, Dalton reaprendeu boa parte dos movimentos. Depois, ao fim de um ano, recuperou uma coisa de cada vez: andar, correr, sentar, pegar objetos, escrever, dirigir. Inclusive fotografar. “De certa forma, perdi tudo e depois ganhei quase tudo. Pois algumas lesões mínimas ficaram. Perdi um pouco da habilidade da mão esquerda e, por isso, tive que reaprender a manejar todas as minha máquinas fotográficas.”O que não fez Dalton parar. Todos os dias, lá vai ele. “Agora, bem mais consciente da fragilidade da vida, o que eu ganhei foi sensibilidade no olhar.”

O limite de cada um

Vamos lá, você está num dia ruim. Levou broncas no trabalho, brigou feio com a(o) nova(o) namorada(o) bonitinha( o), o seu filho te acha um(a) chato(a) e se tranca no quarto. Pequeninos contratempos que levam, todos juntos, a se sentir com um carimbo na testa que diz “derrotado( a)”. Que bom, a derrota nesses ciclos da vida tem muita utilidade. No caso acima, ela vai mostrar que você tem limites e que nem sempre o seu melhor é o suficiente para acertar uma situação. Serve também para quando você participou da concorrência interna em busca da vaga dos seus sonhos. E, na última peneira, você não passou. De novo, outra lição dos dias ruins: os outros também têm valor. Que tal ver as qualificações de quem ganhou a promoção e buscar se aperfeiçoar? Tirando a ansiedade e a vontade de viver e resolver tudo de uma só vez, outro ensinamento da perda é perseverar. Ainda não fez as pazes com o vizinho após a festa de arromba? Insista um pouquinho. Aí, não é bacana? Aprender limites, reconhecer o outro, perseverar. Seriam as derrotas o caminho do zen?

Continuemos no mesmo cenário. Os dias passaram, você foi elogiado pelo chefe, o namoro decolou que só e seu filho te comprou um presente ­ e ainda quer que você vá a um show com ele. Veja só: o que antes era um limite agora não é. Superar limites são sinais de vitória, sim. Quer mais? Teve outra seleção até para uma vaga melhor. Lá foi você, perseverante, confiante em si depois de estudar umas coisinhas aqui e acolá. Bingo! Novos desafios, aumento no bolso, sorrisão, auto-estima encostando no céu! E não é que você tem crédito, rapaz? Para terminar, o vizinho fez as pazes, sim, mas ainda não liberou o prédio para outra festa.Vai ter que ser dia após dia, uma atitude constante, realista, pé no chão. Mas você bem que já pode comemorar, não? Superou limites, aprendeu seu valor, mas se manteve realista, sem nariz empinado ou pose de general. Taí, as vitórias também ensinam. E não é pouco.

Crie sua tabela

Hum, então vitórias e derrotas não vêm necessariamente dos pódios e campeonatos. Interessante. Como saber, então, se estamos indo bem na nossa tabela pessoal, na que tem o verdadeiro valor? Vai depender muito ­ parece até chavão ­ do modo como você pensa. Para a escritora Lya Luft, “ganhar não é algo material, evidente, mas algo como esperança, otimismo, alegria, experiência e maturidade”. Já para o senador Eduardo Suplicy, que neste ano irá concorrer ao cargo novamente, “qualquer derrota nunca pode abater, apenas ensinar a perseverar por seus ideais. As vitórias, por outro lado, nunca podem subir à cabeça. Depois delas, você continua sendo um ser humano normal, com responsabilidades até maiores”. Podemos, então, deixar de ver como perdas e ganhos as marcas da infância e adolescência, assim como a luta que temos para conquistar uma estrutura para viver? Claro que não.Vale a pena acrescentar outras questões para nossa evolução pessoal.Aproveite a caneta que está ao seu lado e faça mais este teste:

( ) Aprendeu a ter paciência com sua família.
( ) Já não cobra tanto dos outros, mas busca aperfeiçoar a si mesmo.
( ) Sabe se virar sozinho nesta vida, sem choro nem vela.
( ) Consegue expressar seu afeto pelos amigos, amores e afins.
( ) Banca seus sonhos e não se deixa acomodar.
( ) Ouve seu coração vez ou outra e sabe se fazer feliz.
( ) Estuda seus limites e trabalha para ultrapassá-los com sabedoria.

E não é que este teste não é tão fácil de responder? Neste ponto da história, mais valor terá uma lista, e um teste preparado apenas por você,o único capaz de, com isenção, dizer onde está no seu jogo da vida. Claro, você já deve ter percebido, mas não custa repetir. Ao mesmo tempo em que se ganha, às vezes também se perde. O exemplo mais clássico do mundo é este: quem está casado em alguns momentos olha com uma ponta de inveja o primo solteirão, baladeiro. E ele, que cai na gandaia, tem dias que acorda querendo mesmo é estar ao lado de uma doce esposa. Mas o planeta ensina um pouco a mais sobre isso, sem nenhuma ansiedade de ter tudo ao mesmo tempo agora.

Para os biólogos evolutivos, nada se perde nem se ganha. Uma certa árvore, que lança mil sementes ao vento para reproduzir sua espécie, tem apenas três ou quatro dessas sementes aproveitadas, sementes que conseguem vingar e crescer. As outras, os passarinhos comem, os insetos devoram e até os esquilos beliscam ­ fora o solo, que digere algumas como nutrientes para outras espécies. Perda quase total? Para a teoria de Géia, que defende que a Terra é um organismo vivo, a conta que a árvore faz é outra: sementes a mais para doar aos pássaros, aos insetos, aos roedores e ao solo. Ela colabora com as espécies, que por seu turno também colaboram com a árvore de outras formas. E por aí vai.

Vencer, perder, viver

Ah, sim, o sonhado hexa… Existe algum consolo? A perda do sexto título mundial pode não ser algo tão dramático se deixarmos de lado nossa própria euforia e as idéias de título fácil vendidas em exorbitantes campanhas de marketing.Vencer a todo custo e sempre? Pois é, já sabemos que não é bem assim. Só para pensarmos mais um pouquinho: craques campeões em seus times e em suas carreiras, como Leônidas, Barbosa, Ademir da Guia, Leão, Zico, Sócrates, Valdir Perez, Falcão, Casagrande, Roberto Dinamite e o maestro Telê Santana, entre muitos outros, por mais que tenham suado a camisa brasileira nunca levantaram o caneco. Ninguém duvida que cada chute deles, dividida, pênalti perdido, bola na trave, defesa, nossa!, tanta história em campo, tudo isso tenha feito e construído junto aos que levantaram a taça cinco vezes uma glória maior que as vitórias: uma nação que ama o futebol. Como na vida, o nosso valor não mora nas vitórias e nas derrotas, tão efêmeras, mas sim nas estrelas que carregamos dentro do peito. Afinal, o coração teima em bater, haja o que houver. Na vitória e na derrota.

Para saber mais

Livros:
• Perdas e Ganhos, Lya Luft, Record
• O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell,Cultrix/Pensamento
• O Poder do Mito, Joseph Campbell, Palas Athena

Filmes:
• Ponto Final, Woody Allen, 2005
• Estrela Solitária, Win Wenders, 2005
• Flores Partidas, Jim Jarmusch, 2005
• Mar Adentro, Alejandro Amenabár, 2004
• Menina de Ouro, Clint Eastwood, 2004
Fonte: Vida Simples

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