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Terapia ortomolecular – defensores e detratores 10/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
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O legado de Linus Paulling
por José Antonio Mariano

A terapia ortomolecular promete reequilibrar as funções do organismo por meio da suplementação vitamínica e de demais substâncias, mas há quem não veja fundamento científico nessa proposta

Quem deu a partida na controvérsia foi Linus Paulling, simplesmente o ganhador de dois prêmios Nobel (Química, em 1954; e Paz, em 1963), quando afirmou: “Substâncias que são fabricadas pelo organismo ou ingeridas via alimentação, essenciais para a manutenção da vida, podem ser utilizadas para melhorar a saúde humana“. Talvez essa tenha sido a certidão de batismo da terapia ortomolecular (TerOrto), uma terapêutica que, tanto quanto outras disponíveis, opõe defensores e detratores. O dr. Cyro Masci, psiquiatra e pós-graduado em Acupuntura Médica e Medicina Ortomolecular, diz que na TerOrto são administrados complementos de vitaminas, minerais, ervas, e outras substâncias “comprovadamente benéficas, com o objetivo de fornecer melhores condições ao organismo tanto para enfrentar as agressões do dia-a-dia quanto para facilitar o tratamento médico convencional durante ou após uma doença”.

”Somos formados por substâncias químicas que o tempo todo reagem umas com as outras, visando, por exemplo, reparar as células e facilitar aos órgãos um funcionamento de modo harmônico, permitindo, com isso, que nossas faculdades em manter a saúde e a vitalidade estejam numa ótima capacidade”. O dr. Masci diz que tais substâncias químicas naturais constituem o grande arsenal do qual lança mão para auxiliar as pessoas. “São elas, as substâncias, que permitem ao organismo exercer suas funções com excelência, uma vez administradas de modo equilibrado, controlado e adequado às necessidades de cada paciente”. Para chegar a essas necessidades, o dr. Masci realiza alguns exames (no próprio consultório), através dos quais avalia o nível de desgaste orgânico e as carências nos componentes químicos. “Se necessário, inicia-se uma suplementação com as substâncias necessárias”.

É aqui talvez que a TerOrto sai da vala comum das chamadas terapias alternativas, uma vez que as substâncias que usa são reconhecidas por suas propriedades e não possuem nada de exótico ou misterioso. Essencialmente, são vitaminas, como o ácido ascórbico (vitamina C), tocoferol, betacaroteno e algumas pertencentes ao complexo B; minerais como zinco, magnésio, cromo, selênio; e aminoácidos como arginina, taurina, ornitina, cisteína, N-acetil cisteína. Ocorre também que é justamente nesse aspecto que repousa uma das críticas dos que não vêem com bons olhos essa prática. Para muitos deles, essa suplementação é desnecessária, já que uma dieta equilibrada, com todos os grupos de alimentos, abastece o organismo com tudo o que se precisa. “Com nossas fontes naturais de alimentação contaminadas com toda sorte de produtos químicos, é um tanto difícil acreditar que só a dieta pode fornecer os nutrientes necessários”, conceitua o dr. Carlos Eugênio Ventura, médico ortomolecular da clínica Kyron, em São Paulo.

Reequilíbrio

O dr. Eduardo Gomes de Azevedo, geriatra e diretor da clínica Anna Aslan no Brasil, conta que na década de 1930, o solo dos Estados Unidos passou por um processo de transformação natural que durou 15 anos e conseguiu retomar 70% de sua eficiência. Para suprir os 30% restantes, a população faz uso das vitaminas. Segundo o médico, talvez fosse necessário fazer algo similar no Brasil, uma vez que, ele alega, o solo brasileiro é pobre em minerais, “o que desequilibraria as estruturas física e mental da pessoa, mesmo que ela mantenha uma alimentação correta e equilibrada”. Equilíbrio, aliás, é o que se busca com a terapia. O próprio termo provém de duas palavras gregas, “orto” (equilíbrio) e “molecular” (referente às moléculas). A TerOrto tem como objetivo básico compreender a bioquímica que ocorre no organismo e atuar para manter o equilíbrio das moléculas e, de maneira global, das células, órgãos e sistemas que compõem esse organismo.

Ela está estreitamente relacionada ao conceito de radicais livres. “A medicina ortomolecular traz à tona o paradoxo: o mesmo oxigênio, vital para a nossa existência, é também fator de alta toxicidade para as nossas células”, afirma a dra. Audrey Katherine Worthington, cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pós-graduada em Medicina Estética. “Quando respiramos, parte do oxigênio consumido, obrigatoriamente, é transformado em radicais livres – moléculas instáveis que causam oxidação de todas as macromoléculas da célula”. É certo e sabido que os radicais livres são a origem de várias doenças. Os livros de clínica médica e bioquímica adotados nas faculdades de medicina de praticamente todo o mundo consideram o excesso de radicais livres um fator fundamental nas lesões celulares provocadas por várias doenças. Pelo menos é o que diz o dr. Paulo Roberto Carlos de Carvalho, em seu livro Medicina ortomolecular (editora Nova Era).

A TerOrto teve início na década de 1950, quando alguns psiquiatras começaram a adicionar doses altas de nutrientes aos tratamentos para problemas mentais graves. A substância original era a vitamina B3 (ácido nicotínico ou nicotinamida) e a terapia era denominada “terapia de megavitamina”. Mais tarde, o regime do tratamento foi expandido para incluir outras vitaminas, minerais, hormônios e dietas, já que qualquer um deles pode ser combinado com a terapia medicamentosa convencional e com os tratamentos de eletrochoque. Atualmente, cerca de uma centena de médicos norte-americanos usam esta abordagem para tratar uma variedade de distúrbios, tanto mentais como físicos. Ela desembarcou no Brasil, vinda dos EUA, há 15 anos, com uma atraente e polêmica proposta: retardar o envelhecimento, equilibrar e evitar danos ao nosso organismo.

Qual a novidade?

Sua promessa é a de evitar a osteoporose, reduzir os efeitos da tensão pré-menstrual, combater insônia e estresse, e melhorar a memória – já que provoca aumento do fluxo sangüíneo cerebral. Segundo seus defensores, a TerOrto é capaz de tratar com eficácia alcoolismo, alergias, artrites, epilepsia, hipertensão, hipoglicemia, dor de cabeça, depressão, transtornos do aprendizado, retardo intelectual, transtornos metabólicos, afecções de pele e hiperatividade. Hoje, está claro que o estresse oxidativo está envolvido em inúmeras condições patológicas, enfatizando a importância das terapias antioxidantes na medicina preventiva. Tanto é assim que no mundo inteiro, são mais de 4 mil cientistas pesquisando radicais livres, transformando essa área em uma das mais atuantes na ciência da atualidade. Mas é justamente nos EUA que estão seus maiores críticos. Um deles é Stephen Barrett, psiquiatra aposentado da Pensilvânia, muito conhecido como um “desmistificador” e um descobridor de fraudes.

Ele afirma que nos anos de 1970, uma força-tarefa organizada pela Associação Americana de Psiquiatria investigou a prática ortomolecular de vários psiquiatras americanos, observando que vários desses profissionais usavam “métodos não convencionais para realização de diagnóstico e tratamento”. Eles concluíram que o uso da chamada “terapia da megavitamina” não era efetiva e que a massiva divulgação da TerOrto é que tornava a prática popular entre a população. Barrett diz ainda que pesquisadores holandeses realizaram 53 trabalhos em 1991, avaliando as megadoses de vitamina B6 e niacina em transtornos mentais, e concluíram que alguns achados reportaram melhora em um pequeno número de crianças altistas, “mas não em hiperatividade, síndrome de Down, esquizofrenia, transtornos emocionais e em outros, inclusive em adultos”. Estudos conduzidos por pesquisadores americanos em 1995 chegaram a resultados similares.

Mas não é somente nos EUA que a TerOrto sofre críticas. Em reportagem publicada no dia 22 de outubro de 2004, no jornal Diário de São Paulo, o prof. dr. Joel Rennó Júnior – doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Pró-Mulher, Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) – faz severas críticas à prática: “Essa dieta não apresenta nada de novo. Os profissionais, supondo haver uma ingestão insuficiente de vitaminas, sais minerais e proteínas, recomendam reeducação alimentar, ou seja, comer várias vezes ao dia porções pequenas e pouco calóricas, dando-se preferência a verduras, legumes, frutas e carnes brancas, além dos cereais integrais. Outras interessantes e ‘inéditas’ informações referem-se à restrição de doces, carne vermelha e frituras, além das atividades físicas. Qual a novidade nisto tudo?”, pergunta.

Fonte: Phoenix Comunicação Integrada – 19/06/2006

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Comentários

1. jane - 13/08/2006

Desde jan/2006 que iniciei tratamento com ortomolecular, além dos suplementos minerais, semanalmente faço ozonioterapia (oxigênio aplicado diretamente no sangue, em quantidades e concentrações que variam conforme a doença a ser tratada). Senti melhora considerável no falar, caminhar e redução na fadiga.

2. Esclerose Múltipla - 15/08/2006

Jane,

É sempre bom recebermos notícias de pessoas que, assim como você, estão se dando bem com os tratamentos!

Que você melhore cada vez mais!

Abraços.

3. Cyro Masci - 17/08/2006

Ola pessoas, já que fui citado no texto, convido para conhecer meu site em http://www.masci.com.br e o blog http://masci.blog.terra.com.br

Na verdade, sinto-me honrado em poder colaborar indiretamente mais de uma vez (veja mais em https://esclerosemultipla.wordpress.com/?s=masci&searchbutton=go%21

abraço cordial

Cyro Masci

4. Esclerose Múltipla - 18/08/2006

Que honra receber sua visita, Dr. Cyro! Agradecemos pela sua grande colaboração!

Abraços e tudo de bom.

5. Josiane Maria Rosa Fidelis - 21/09/2006

Dr. Gostaria de saber mais sobre a dieta hoodia.
Tenho 32 anos, estou com depressão forte, a qual trato com sertralina 100mg, e rivotril 2 mg, e lexotan 6 mg. Sou super ativa, ansiosa e acabei por engordar 30 Kg em nestes últimos seis meses. estou desesperada!!! Assisti sua entrevista no programa Charme, no SBT, e estou interessada em tal dieta. Moro em S.S. Paraíso – MG (sul de MG) e como poderia fazer para realizar tal tratamento, visto que aqui não tem médico ortomolecular?
Obrigada,
Josiane

6. Esclerose Múltipla - 21/09/2006

Josiane,

Você provavelmente procura contato com o Dr. Eduardo Azevedo, porém não temos essa informação.

Temos informações de contato do Dr. Cyro Masci, também citado no post:

http://www.masci.com.br
http://masci.blog.terra.com.br

Abraços.


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