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O tempo cobra seu preço 08/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Por Cyro Andrade
21/07/2006

(…)

A indústria farmacêutica não se move, porém, por razões de compaixão. Persegue acréscimos de faturamento e lucratividade. Por isso, investe pesado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) naquelas áreas em que as perspectivas de demanda sejam mais facilmente reconhecíveis. É o caso, justamente, das doenças neurológicas e neurodegenerativas – como Alzheimer – típicas de vastas porções do mundo em que, como contrapartida de mudanças nos indicadores de desenvolvimento econômico e social, as doenças infecciosas deixaram de prevalecer. “O investimento em P&D relacionada a doenças neurodegenerativas é gigantesco”, afirma Sérgio Queiroz, professor do departamento de políticas científicas e tecnológicas da Unicamp. Passa por aí a dimensão da internacionalidade da P&D geral da indústria farmacêutica, que compartilha com a eletrônica a liderança em investimento, nessa área, para além das fronteiras das empresas-matrizes, lembra Queiroz. É a globalização em seu melhor estilo.

(…)

De um lado, razões econômicas. De outro, necessidades sociais. No meio, uma pergunta antiga: até que ponto uma certa lentidão na chegada de novos produtos ao mercado não seria decorrência de um modelo de negócios típico da indústria farmacêutica, que insiste em buscar os chamados “blockbusters” (o Aricept, da Pfizer/Eisai, é um deles), aqueles medicamentos que lhe dão receitas bilionárias, e gasta somas enormes com políticas de vendas e marketing, em vez de se dedicar ao desenvolvimento de remédios de que as pessoas de fato precisam, querem e podem pagar?

(…) Afinal, de quem seria a “culpa” pelo alegado descompasso entre objetivos da indústria e expectativas dos consumidores? Que peso teriam, em particular, os longos e dispendiosos encadeamentos de testes clínicos?Vagelos admite que “todas as coisas mencionadas como limitadoras da produtividade da indústria farmacêutica estão corretas, em certa medida”. Entretanto, ele recomenda que se amplie o ângulo de visão, para se verificar que ocorrem “ondas de descoberta de novos produtos” associadas à introdução de novas tecnologias.

(…)

Entre tantas coisas que poderão acontecer, ou não, no decorrer desse tempo todo, uma é líquida e certa: patentes perderão validade e medicamentos genéricos continuarão a ocupar espaço no mercado – dois movimentos de primeira importância em qualquer avaliação de perspectivas que se faça para a indústria.

(…)

À medida que patentes expiram e novos produtos chegam ao mercado, haverá mudanças na escala de importância das principais áreas terapêuticas, inclusive por influência da ampliação do espaço ocupado pelos genéricos. Na área de neurologia, também, vários novos medicamentos genéricos estarão chegando ao mercado (antidepressivos, antinauseantes etc.), “que mais do que compensarão [em sentido adverso] os avanços obtidos na terapia de Alzheimer” [com novos medicamentos], diz Northrup.

Queiroz, da Unicamp, observa que a procura de produtividade pelas grandes farmacêuticas está hoje definitivamente atada à atividade das empresas de biotecnologia. “As empresas de biotecnologia desenvolvem competências específicas que freqüentemente não estão nas grandes farmacêuticas. Quando essas competências se revelam promissoras, as farmacêuticas as adquirem.”

Texto editado. Clique no link abaixo e leia a matéria completa: http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/euefimdesemana/cultura/O+tempo+cobra+seu+preco,,,47,3802453.html

Fonte: Valor Online

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