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Grupo de apoio social no Hospital: o caso do “lutando para viver” 05/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida, Utilidade pública.
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Resumo: Este trabalho discute a possibilidade de uma maior participação dos pacientes nos serviços públicos de saúde, por meio de grupos de apoio social. Através de uma pesquisa qualitativa, com um roteiro de perguntas semi-estruturado e por meio da observação participante, foram analisados os papéis da Associação Lutando para Viver e Amigos do Centro de Pesquisas Hospital Evandro Chagas, a partir de dois eixos: um político/institucional e outro assistencial/terapêutico. Discutiu-se as ações desse grupo como geradoras de empowerment para os pacientes. Concluiu-se que é possível a construção de um espaço de atuação dos usuários nos serviços de atenção à saúde.

Gabriela Rieveres Borges de Andrade

Disponibilizamos passagens da tese de Gabriela Rieveres Borges de Andrade, para acessar o texto complero clique aqui.

O desenho estrutural do sistema de saúde sofreu mudanças a partir do estabelecimento do Sistema Único de Saúde, com a tentativa de aproximar a população das questões da saúde. Essa reformulação tem a municipalização como seu norte, entendendo que a proximidade aumenta a possibilidade de os cidadãos influenciarem nas decisões relativas à saúde a partir dos problemas vivenciados pela população daquele local. Também procurou-se institucionalizar a participação da população nos processos decisórios relativos ao planejamento e à execução de políticas de saúde, com a criação dos Conselhos Municipais de Saúde.

Embora muitos desses espaços políticos criados não tenham alcançado seu propósito inicial, já que a mobilização da população e dos usuários dos serviços de saúde ainda seja incipiente, abriu-se a possibilidade de sua ocorrência .Isto trouxe um desafio para os cidadãos que assumem o papel de sujeitos ativos, parceiros, revendo sua postura de expectador-usuário e sua posição de consumidor de direitos em saúde, assumem o papel de co-gestor e propõem alternativas viáveis e satisfatórias frente aos problemas identificados. Os serviços de atendimento à saúde desempenham uma função importante nesse processo a partir do momento em que ele é e tem sido o principal contato da população com o sistema de saúde.

O modelo assistencial construído no Brasil tem sido muito criticado nos últimos anos pelo fato de ser centralizado na figura do médico, com ampla e excessiva medicalização da população. Tentativas de transformação desse modelo têm sido propostas mas a mudança envolve toda uma cultura e ainda é difícil de ser colocada em prática. No entanto, algumas experiências podem apontar questões interessantes para que sejam encontrados caminhos e possibilidades.

Algumas inovações partem dos próprios usuários do sistema público de saúde, na luta por melhor atendimento como por exemplo, nas associações de pacientes em torno dos diversos problemas que cada tipo de patologia coloca (Galvão, 1997). Estudos na área da antropologia e da sociologia procuram dar conta da visão da população sobre o conceito de saúde (Alves & Minayo, 1994) e sobre a importância da participação das comunidades na definição dos seus problemas e nas ações de promoção à saúde (Valla, 1997). Nos hospitais, surgem propostas de humanização (Caprara, 1999), e pesquisas de qualidade das organizações que colocam como importante a opinião dos usuários sobre o atendimento ( Bosi & Affonso, 1998; Ramírez-Sánchez, 1997; Huby, 1997).

Nas associações voluntárias de todos os tipos, as pessoas exercitam habilidades democráticas, participativas e de busca de soluções para seus problemas. São grupos baseados no princípio de solidariedade, que podem não ser tão politizados e atuantes como se poderia querer, mas que apontam para a possibilidade de uma sociedade civil com algum nível de organização e que, em algum momento, podem tornar-se grupos de interesses. A participação envolve um processo contínuo de aprendizado e uma sociedade que se pretenda democrática de fato deve implicar em que os cidadãos se interessem pelas questões da saúde, da cidade e da educação.

Neste sentido, este trabalho de pesquisa surgiu do interesse na participação dos usuários dos serviços de saúde nas instituições de saúde. Alguns estudos no campo da sociologia têm apontado para a possibilidade de o paciente ter um lugar mais ativo em relação aos profissionais de saúde e na instituição, focalizando grupos de pacientes portadores de patologias crônicas (Carapinheiro, 1993; Campos, 1994, Bosi & Affonso, 1998) . Estes, na maioria dos casos, mantêm um contato mais longo e permanente com a instituição de saúde e adquirem uma postura diferenciada, mais informada, dentro deste mundo que passa a ser parte das suas vidas. A cura é entendida como aumento da capacidade de autonomia dos pacientes (Campos, 1994, p.50).

Fonte: Fundação Oswaldo Cruz – Escola Nacional de Saúde Pública

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