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Endireite seu corpo 20/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Quase todo mundo já teve ou vai ter dor nas costas. Palavra de médico. Posturas erradas são uma das principais causas do problema. E agora uma pesquisa da Universidade de São Paulo pode contribuir para aperfeiçoar os tratamentos

costas.jpgSomos um país de pessoas assimétricas. É verdade. Pelo menos é que o indica um estudo da Universidade de São Paulo recém-saído do forno. De acordo com a tese de doutorado da fisioterapeuta Elizabeth Alves Ferreira, a maioria dos brasileiros, ou, para usar um dado mais preciso, 68% da nossa população, tem uma pequena inclinação do ombro para a direita. A diferença entre um lado e outro fica entre 2 e 3 graus para menos. Além disso, 55% apresentam uma inclinação à direita da bacia e 64% entortam ligeiramente a cabeça para o mesmo lado.

Na contabilidade de Elizabeth, somente 9% das pessoas têm os ombros bem alinhados e 24% apresentam a altura exatamente igual para os dois lados do corpo. Em princípio essa assimetria generalizada não significa necessariamente sinal de encrenca. “Em 16 anos de prática clínica, nunca vi ninguém 100% simétrico”, revela Elizabeth. A questão, então, é outra. Quando a postura gera dores, o tratamento se baseia num padrão
ideal. E esse retrata uma perfeição longe da realidade. “O que é aceito, hoje, é um padrão de simetria”, diz a pesquisadora. Ou seja, os fisioterapeutas se guiam por esse perfil bem alinhado na hora de indicar o tratamento mais adequado para cada caso. E essa avaliação é subjetiva, realizada na base do olhômetro do profissional.

Daí que a especialista resolveu investigar a postura, digamos, nacional, procurando checar qual é o verdadeiro padrão dominante entre nós ou aquele que seria mais próximo da normalidade. Para isso recrutou 115 indivíduos saudáveis na faixa etária de 19 a 43 anos. Os voluntários foram fotografados por uma câmera digital em trajes de banho e com bolinhas de isopor afixadas em 86 pontos anatômicos. Para analisar as imagens e, de quebra, a postura e o equilíbrio do corpo, Elizabeth e uma equipe de físicos coordenada pelo professor Marcos Duarte, também da USP, desenvolveram um programa de informática específico, o Software para Avaliação Postural (Sapo), que pode ser baixado gratuitamente na internet.

“Com o programa, é possível mensurar com objetividade assimetrias em vários segmentos do corpo”, explica a fisioterapeuta. Mais do que isso: é possível deduzir qual o melhor caminho para pôr nos eixos a postura sem desrespeitar a fisiologia corporal de cada um. “Padrões utópicos são evidentemente inalcançáveis”, resume Elizabeth. E podem fazer um tratamento durar mais ou, pior, não resolver de vez o terrível problema da dor.

A humanidade padece de dor nas costas desde que aprendeu a se locomover sobre os dois pés, há milênios. “A gente está pagando o preço da evolução”, diz o ortopedista Eduardo Barros Puertas, chefe do Grupo de Coluna da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Antes, quando o ser humano era quadrúpede, o peso corporal era
mais bem distribuído”, explica o ortopedista Roberto Santin, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. “Aí, ao nos tornarmos bípedes, a coluna passou a sustentá-lo todo.” Sozinha. Até hoje, passado tanto tempo, ela chia com uma tarefa tão árdua, ainda mais quando maltratada. E que reclamação!

Na maioria dos casos, uma dor reverbera na lombar, na parte posterior do abdômen, aquela que suporta as principais pressões do corpo. Trata-se da lombalgia. Médicos especializados no assunto, como o reumatologista Jamil Natour, também da Unifesp, têm uma estatística na ponta da língua e ela dimensiona o alcance do aborrecimento: “Cerca de 80% das pessoas têm ou já tiveram lombalgia”.

SINAIS DE ALERTA
costas2.jpgEssa verdadeira chateação é dividida, ainda, em dois grupos: a dor aguda e a crônica. É aguda quando dura até três meses. Felizmente, em 80% desses casos, o sofrimento desaparece espontaneamente. No entanto, se persiste por mais de seis meses, o indivíduo muito provavelmente está às voltas com, uuh!, o tipo crônico do problema.

Uma boa investigação sobre as causas do tormento é sempre recomendável. Não à toa. Na sua sala na Unifesp, onde recebeu a reportagem da SAÚDE!, o professor Eduardo Barros Puertas aponta um slide de PowerPoint na tela do seu computador: “Veja só. A lombalgia pode ser causada por mais de 50 doenças ortopédicas”, ele diz. “E que fique claro: a dor lombar é um sintoma, não um mal em si”, complementa. Além da postura inadequada, infecções e até mesmo metástases de tumores podem deflagrar todo o martírio.

Por isso, os médicos que tratam da coluna devem assumir uma persona de detetive. “Temos de pesquisar qualquer sinal de alerta”, conta Jamil Natour. “Podemos indicar analgésicos ou antiinflamatórios e observar a evolução do quadro. E se ela for ruim, precisamos partir para mais investigações.” É doloroso dizer, mas “somente 15% dos ocorrências vão ter um diagnóstico nos primeiros 30 dias”, como lembra Eduardo Barros Puertas. A procura por pistas que levem à solução do caso começa pelo levantamento do histórico da dor. O paciente também é submetido a exames físicos, além de testes de imagem, como os raios X, a tomografia e a ressonância magnética.

“Os exames afastam ou comprovam uma suspeita, mas, sem uma boa consulta, eles podem até atrapalhar”, observa Natour. O reumatologista explana esse painel com o exemplo da fibromialgia, quando a coluna e tudo o mais no corpo doem. O paciente, sem saber que tem o problema, recebe o diagnóstico de uma hérnia de disco, quando aquela espécie de amortecedor entre as vértebras acaba desgastada. Aí, se submete a uma cirurgia que não vai provocar nenhuma melhora. “Há uma tendência dos médicos de só olhar para as imagens sem fazer o mais importante: examinar e conversar com o paciente”, critica Santin. “Deve-se pensar muito antes de indicar uma cirurgia de coluna.”

Sabe aquele ditado batido, batido, que diz que é melhor prevenir do que remediar? Pois é. Perdão, mas ele cai como uma luva no caso de dores na coluna. Uma série de medidas ajuda a dar um chega-pra-lá nessa ameaça. Evitar os quilos extras é um dos primeiros passos sim, a obesidade também contribui para males nas costas. “Suportamos transportar como carga extra o equivalente a 20% do nosso peso corporal e olhe lá”, estima o reumatologista José Knoplich, da Universidade de São Paulo. “Além desse limite, a coluna termina machucada e a dor pode surgir mais tarde.”

A barriga é outra que tem culpa no cartório. Isso porque o excesso de gordura abdominal altera nosso centro de gravidade. “É como se o corpo se curvasse para trás, procurando se equilibrar com as nádegas”, resume Knoplich. Eis a popular lordose entrando em cena. O recado aqui não vai só para os gordinhos. Quem é sedentário e não está nem aí para esse papo de fortalecer o abdômen também pode ficar à mercê das dores nas costas.

Os indivíduos mais estressados são outros candidatos a ter dores do gênero. Não é para menos. Os músculos da coluna são considerados os mais potentes do corpo. Assim, naqueles momentos em que a tensão vai às alturas, são os primeiros a ficar enrijecidos. “Aí, achatam uma vértebra contra a outra”, descreve Knoplich. Dá para imaginar o resultado final, não é mesmo? Esfriar a cabeça nunca é demais.

FORTALEÇA SUA MUSCULATURA

costas3.jpgO fundamental, no entanto, é adotar uma postura correta. “Mesmo na área da saúde, os profissionais se preocupam mais com o tratamento da dor do que com uma educação postural”, lamenta a fisioterapeuta Anamaria Jones, de São Paulo. “É preciso ensinar as pessoas a se proteger nas suas atividades cotidianas e a evitar posições
que provoquem estresse nas articulações e na coluna”, acrescenta.

Outra atitude imprescindível diz respeito ao fortalecimento dos músculos. O aconselhável é que se trabalhe a musculatura paravertebral, a posterior, e a abdominal, anterior. Na cartilha da fisioterapia, prevalece a regra de que uma não pode ser mais desenvolvida do que a outra. Tem de haver equilíbrio entre elas. Ou, de novo, a postura sairá dos eixos.

Por fim, caro leitor, não fique parado. Mexa-se! “Quem faz uma atividade física regular acaba compensando um movimento errado que realiza durante o dia”, garante Anamaria. Isso, inclusive, graças ao bem-estar proporcionado por agentes químicos naturais do organismo, as endorfinas. E, para o pessoal que travou, nada de ficar na cama, em repouso absoluto. “A pessoa pode se levantar, andar e até trabalhar, embora talvez não com a mesma carga horária até o tratamento surtir efeito”, esclarece Eduardo Barros Puertas. Ficar largado na cama sem fazer nada é um chamariz para a depressão. Exercícios fisioterapêuticos são uma boa. Sem contar aqueles para alongar, como os do pilates e os da ioga. Uma alternativa é a RPG, a Reeducação Postural Global. Tudo para o bem da coluna.

QUICK MASSAGE: VALE A PENA?
Ela se tornou pra lá de comum nas grandes cidades brasileiras. Mas será que vale a pena apelar de cara para esse recurso quando a dor na coluna teima em incomodar? “O certo seria, antes de mais nada, averiguar se esse tipo de massagem é indicado para o quadro do paciente”, opina a fisioterapeuta Anamaria Jones, de São Paulo. Além disso, quando a
quick massage é realizada naquelas cadeiras inclinadas, em que a barriga fica voltada para baixo, pode dar chabu. A posição provoca uma aumento da curvatura lombar e… Ai! “Na verdade a massagem rápida não vai resolver muito”, sentencia Anamaria.

PARA NÃO ENTORTAR
A fisioterapeuta Anamaria Jones, de São Paulo, dá algumas dicas para você se endireitar no dia-a-dia: Na hora de escovar os dentes, apóie a mão livre na pia. Assim o peso fica distribuído ali, protegendo a coluna. Quando for calçar um sapato, sente-se, cruze a perna e ponha o calçado. Depois apóie o pé novamente no chão e calce o outro. No trabalho, faça pausas a cada uma hora. A gente adota uma posição errada porque o corpo se cansou daquela postura. Levante-se e vá tomar um copo d’água. Cinco minutos de intervalo já são um baita repouso para os músculos das costas.

Fonte: Revista Saúde, edição de julho de 2006

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Comentários

1. Ana Gabriela Bueno Melo de Carvalho - 25/07/2006

Boa noite
A uns três anos sofri uma dor de cabeça terrível e meu braço esquerdo ficou dormente por alguns minutos. Fui ao médico neurologista ele disse que era enchaqueca. No entanto, depois deste episódio muitas coisas mudaram na minha vida.
Vinha sentindo algumas sensações desagradáveis como a dor de cabeça, formigamento, comprometimento da memória, depressão sem motivos, dores nas articulações, mudança de humor, tonturas… Alguns deste sintomas me levaram a crer que estria até com fibrimialgia, devido as dores freqüentes e o nervosismo.
Mas no entanto, após a entrevista da atriz Cláudia Rodrigues na TV percebi que meu problema poderia ser um pouco além de uma enxaqueca. Procurei na internet mais sobre a doença, e notei que apresentava muitos dos sintomas.
Gostaria de saber se há alguma probabilidade de estar com a doença, já que apresento estes sintomas.
Desde já, agradeço a atenção de vocês.
Abraços
Ana Gabriela

2. Tica - 25/07/2006

Prezada Ana,

Não fazemos diagnósticos no blog.

Você deve procurar um neurologista para que, através de todo o seu histórico, exame físico e exames complementares, chegue a um diagnóstico.

Desejamos boa sorte.
Abraços


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