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Senado inicia debate sobre células-tronco e Bush acena com veto 18/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Agência EFE – 19:05 17/07

O Senado dos Estados Unidos discute, a partir de hoje, três propostas sobre as pesquisas com células-tronco, um tema que dividiu o Congresso e que enfrenta o veto declarado por parte do presidente George W. Bush.

O debate de dois dias, em particular sobre o financiamento de tais estudos com fundos federais, acontece em um ano eleitoral no qual os republicanos apelam a suas bases com assuntos como este para tentar, em novembro próximo, manter o controle do Congresso.

Dos três projetos de lei que estão sendo debatidos e que o Senado votará nesta terça-feira, o mais polêmico é o chamado HR810, aprovado na Câmara de Representantes (Baixa) e que amplia os fundos federais para as pesquisas com células-tronco derivadas de embriões descartados pelas clínicas de fertilização.

O projeto eliminaria as restrições impostas por Bush em 9 de agosto de 2001, que limitam o uso de tais fundos a pesquisas com células embrionárias extraídas antes dessa data.

A iniciativa inclui diretrizes de ética para que, com o consentimento dos doadores – que não poderão ser remunerados por isso -, apenas sejam utilizados os embriões restantes de um tratamento de fertilidade.

As células-tronco, extraídas de células adultas ou de embrionárias, são, segundo os cientistas, capazes de se desenvolver e repor qualquer um dos mais de 200 tipos de células do corpo humano, e desta forma contribuir no tratamento ou cura definitiva de células danificadas por doenças degenerativas.

De acordo com os promotores do HR810, as células-tronco embrionárias podem ajudar a tratar desde queimaduras graves até doenças como o diabetes, o câncer, a esclerose múltipla, o mal de Alzheimer e o de Parkinson, defeitos congênitos e problemas cardiovasculares.

Mas Bush – que travou uma batalha contra o aborto desde que assumiu a Presidência, em 2001 – prometeu vetar qualquer projeto de lei sobre o uso de embriões. O presidente, assim como muitos conservadores, se opõe ao uso de células embrionárias porque seu processo de extração supõe a destruição de embriões, algo que considera imoral e desnecessário.

Por outro lado, um projeto de lei do senador republicano Rick Santorum promove as pesquisas com células-tronco sempre que não sejam extraídas de embriões. Já o do republicano Sam Brownback proíbe fetos que possam ser eventualmente usados cientificamente.

A Casa Branca, por meio do Departamento de Administração e Orçamento (OMB, na sigla em inglês), emitiu hoje três comunicados nos quais deixa claro que Bush vetará o HR810 caso este seja aprovado amanhã. O Senado precisaria de 67 votos para anular o veto presidencial.

Segundo a Casa Branca, as pesquisas com células embrionárias ainda são incipientes e “não resultaram em aplicações terapêuticas para humanos”.

“Existem terapias e tratamentos promissores com células-tronco adultas e com outros tipos de células não embrionárias”, insistiu a Casa Branca, que apóia as outras duas iniciativas.

Para os analistas, o assunto renovou o conflito entre a ideologia e a ciência, que a humanidade enfrentou durante toda sua história e que, após uma inflamada resistência inicial, levou ao desenvolvimento de vacinas e tratamentos agora muito populares.

O debate no plenário do Senado refletiu a dificuldade que os próprios republicanos têm para chegar a um consenso sobre o tema.

O republicano Arlen Specter, presidente do Comitê Judicial do Senado e vítima de câncer, proferiu um inflamado discurso – repleto de referências pessoais – sobre a necessidade de financiar as pesquisas em questão.

“Não tem sentido não aproveitarmos as pesquisas com células-tronco”, disse Specter.

Calcula-se que 70% da opinião pública apóia as pesquisas com células-tronco, desde celebridades de Hollywood até a maioria da comunidade científica e grupos afins, em um país onde, segundo foi dito durante o debate, mais de 100 milhões de pessoas padecem de doenças crônicas ou incuráveis.

Lawrence Smith, presidente da Associação Americana sobre o Diabetes, pediu a aprovação do HR810 por oferecer esperança aos 20,8 milhões de diabéticos nos EUA.

Fonte: Último Segundo

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