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Esta é para não esquecer 14/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida.
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Ao ler esta reportagem, por exemplo, você está fazendo um ótimo treino mental. “A leitura estimula o cérebro”, diz Cammarota. Caprichar na alimentação e fazer atividade física também são bons antídotos contra o esquecimento. Grave esta: os alimentos são a fonte de energia para o bom funcionamento mental, como você vai ver ao virar a página. E os exercícios ativam a circulação do sangue, o que, no mínimo, ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade, males que tiram a concentração. Quem não presta atenção no que faz não dá à massa cinzenta tempo suficiente para arquivar as informações. Simples assim.

memoria.jpgO que você comeu no jantar de ontem? Não se lembra? Tudo bem, é normal. “Nosso cérebro é programado para apagar algumas informações e priorizar outras”, explica Benito Damasceno, o neurologista da Unicamp. Não fosse assim, acabaríamos loucos como Ireneo Funes, um personagem criado pelo escritor argentino Jorge Luis Borges. Funes simplesmente não conseguia esquecer nenhum fato por mais insignificante que fosse e por isso passou a vida perturbado.

Pequenos lapsos fazem parte da vida. Esquecer onde você pôs a chave do carro, a data de aniversário de um amigo ou a consulta médica marcada com antecedência não é o fim do mundo. Mas, quando esses esquecimentos são recorrentes, pode ser sinal de ansiedade, depressão ou estresse. O ansioso quer absorver tudo ao mesmo tempo. Por isso o processo inicial da memória, que é a assimilação, já acontece de maneira atrapalhada. Para fixar é preciso prestar atenção. Fica difícil arquivar dados quando se passa por eles de raspão, sem aprofundamento. E o quadro piora se houver ansiolíticos na jogada. “É que esses medicamentos inibem algumas funções do cérebro, o que pode interferir na memorização”, avisa o biólogo Martim Cammarota, da PUC-RS.

A mente do deprimido tampouco consegue fixar as informações. Os registros,
então, ficam esmaecidos. Aqui também os antidepressivos só agravam a situação. “É como se as lembranças fossem um desenho feito a lápis cujo traçado vai se apagando. Bem diferente de uma pintura com tintas fortes e carregadas que perdura séculos e séculos”, compara o professor Benito Damasceno.

Já o estressado tem dificuldade para associar idéias. “As preocupações não permitem assimilar as informações que chegam a toda hora”, diz Benito. Aliás, é muito comum dar o famoso branco bem na hora da prova, principalmente se o estudante passou noites a fio em cima dos livros, sem se permitir momentos de lazer. A válvula de escape, então, é ir ao cinema, dar um mergulho, passear. Divertir-se, enfim.

Para afiar a memória

“A principal função do nosso cérebro é memorizar” , diz o professor Martim Cammarota, da PUC-RS. Entretanto, a massa cinzenta tem muito mais a fazer. Que tal, então, dar uma ajuda a esse processo? Espalhar bilhetes por todos os cantos é uma boa. Assim você poupa sua cabeça e abre espaço para novas informações. Outro truque é lançar mão de associações de idéias. Para lembrar-se de um nome, por exemplo, experimente associá-lo a uma característica física. Se a pessoa se chama Glória e tem um pescoço longo, pense em uma girafa, que começa com g de… Glória. Acima de tudo, envolva-se com experiências que lhe dêem prazer. “Quando há motivação, é mais difícil esquecer”, ressalta o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

E a memória se apaga. Para sempre.
Lembra-se do hipocampo? Ele é umas das principais estruturas envolvidas na memorização. “Em pacientes de Alzheimer, essa área sofre uma degeneração e por isso eles acabam com amnésia”, diz o psiquiatra Cássio Bottino, da USP. Parece até que o número de casos aumentou, mas, na verdade, houve melhora no diagnóstico e crescimento da população de idosos. Infelizmente não há tratamentos novos. A mais recente aposta da ciência é uma vacina que estimula anticorpos a combater uma substância que lesa o cérebro. “Mas os primeiros testes em humanos foram desastrosos”, lamenta o psiquiatra Orestes Forlenza, também da USP.

Agora os cientistas estão atrás do erro que levou ao insucesso. Enquanto essa questão não se resolve, o jeito é recorrer aos medicamentos que retardam a evolução do mal. Aquela velha recomendação de diagnosticar o quanto antes é muito bem-vinda. No Hospital Sírio Libanês, na capital paulista, acaba de ser criado o check-up da memória. “Pessoas com mais de 60 passam por uma bateria de testes para avaliar as funções cognitivas”, diz Forlenza. Assim o tratamento se torna mais eficaz.

Construir lembranças e preservá-las depende também de atitudes saudáveis, como demonstram pesquisas e mais pesquisas. Abaixo listamos cinco hábitos que ativam a massa cinzenta e o processo de recordação. Não vai tentar? Então esqueça!

1. COMA DIREITO
Para começar, capriche no café da manhã. Depois de um longo período em jejum, o cérebro precisa de glicose para funcionar a todo vapor. Quem costuma pular essa refeição não consegue captar e registrar as informações a contento.

No cardápio de todo dia, adote alimentos ricos em antioxidantes, como o mamão, a uva, a laranja, o caju, a couve e a abóbora. A professora Leonor Bezerra Guerra, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que essas moléculas protetoras ajudam a diminuir a ação de agentes que lesam nossos neurônios. O neurologista Benito Damasceno, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, lembra que as vitaminas B1 e B12 participam da formação do sistema nervoso e que o ômega-3 de peixes como o salmão e o atum garantem a boa vascularização do cérebro. O ácido fólico, que está no feijão, no grãode- bico e no brócolis, também faz a sua parte diz uma pesquisa da Universidade Wageningen, na Holanda. Os cientistas ainda não sabem explicar o elo entre esse nutriente e a memória, mas garantem: ele existe.

2. EXERCITE SUA CABEÇA
Você na certa já ouviu que resolver palavras cruzadas ajuda a botar o cérebro para trabalhar. Verdade. Mas o efeito só é alcançado se você gosta do passatempo. Do contrário, procure outra atividade. “Pode ser a leitura de um livro ou de uma revista”, diz o biólogo molecular Martim Cammarota, da PUC-RS. Se você se diverte com jogos como caça-palavras, xadrez ou damas, vá em frente. Ou, quem sabe, sua praia é escrever. Qualquer exercício intelectual é capaz de aumentar as sinapses conexões entre as células cerebrais. Procure diversificar e fugir da rotina. Assim você movimenta todo o cérebro e estimula a memória.

3. PRATIQUE ATIVIDADE FÍSICA

Uma pesquisa recente da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, mostra que dar um chega-pra-lá no sedentarismo também ajuda. Os cientistas botaram cobaias para se exercitar e notaram o crescimento de uma substância chamada BDNF. A professora Leonor Guerra, da UFMG, ajuda a elucidar essa história. “A BDNF é uma proteína que aumenta o tempo de vida dos neurônios e ajuda na formação de novas sinapses.” O psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria da USP, ressalta outro efeito da atividade física. “Ela melhora a oxigenação do cérebro, o que é ótimo para captar e armazenar informações.”

4. OUÇA MÚSICA
De preferência a erudita. Existem estudos apontando o compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart como o maior aliado das funções cognitivas. Sons alteram o ritmo cerebral, o que ajuda na assimilação de informações. Mas se você não é fã dos clássicos e prefere mesmo um bom rock, tudo bem. “Basta que traga boas emoções”, diz o psiquiatra Orestes Forlenza, da USP. Está comprovado que o fator emocional é muito importante na evocação da memória.

5. DURMA COM OS ANJOS

Seu cérebro precisa de sono para reorganizar as idéias e consolidar a memória. “Nesse período de descanso a massa cinzenta processa o que é relevante e apaga o que não é mais necessário”, diz Benito Damasceno. Um estudo concluído há dois meses na Universidade de Caen, na França, mostra que isso acontece na fase REM, aquela em que ocorrem os sonhos.

1. Hipocampo
Está relacionado tanto à memória de curto quanto à de longo prazo. É na rede de neurônios localizada aqui que fica o registro de fatos que aconteceram minutos atrás. Mas é também o hipocampo que ajuda a arquivar lembranças de meses ou anos. Graças a ele, gravamos tudo aquilo que não queremos (ou não podemos) esquecer.

2. Amígdala
Sensações de aflição e medo ficam gravadas nesta região. É a chamada memória emocional, aquela que dá as caras quando se escuta um barulho como o do motorzinho do dentista.

3. Córtex pré-frontal
Aqui fica a memória de curto prazo, que permite novos registros, como decorar o número de um telefone que você tecla e depois esquece, porque não vai mais precisar.

Fonte: Revista Saúde, edição de agosto de 2005

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