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Substância semelhante à maconha pode atacar doenças do cérebro 12/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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Segundo cientistas, o corpo humano produz sustâncias semelhantes ao componente ativo da maconha

VIENA – As substâncias canabinóides criadas pelo próprio corpo humano poderiam abrir novas possibilidades de tratamento para doenças como o mal de Alzheimer ou a esclerose múltipla, anunciaram nesta terça-feira vários especialistas reunidos em um congresso científico europeu em Viena.

Os cientistas explicaram, durante o 5º Fórum Europeu de Pesquisadores de Neurociência, que acontece na cidade até 12 de julho, que o corpo humano produz substâncias semelhantes ao componente ativo da maconha.

Os canabinóides são moléculas presentes na planta Cannabis sativa, que também são produzidas de forma natural pelo corpo humano e que podem ser modificadas no laboratório.

Estas sustâncias atuam sobre o cérebro aumentando ou diminuindo a atividade das células que reconhecem a dor, as que movem os músculos ou as que produzem o apetite, entre outras.

A maconha natural já foi aplicada como analgésico por um cirurgião chinês há cerca de 4 mil anos, e no século 18 um médico irlandês a utilizou com sucesso contra a enxaqueca. Entre 1900 e 1936, dois preparados de maconha estiveram no mercado nos Estados Unidos, explicou Michael Walker, da Universidade de Indiana.

Os efeitos positivos da maconha foram comprovados no passado por pacientes de aids, esclerose múltipla e outras doenças, mas até pouco tempo os biólogos ainda não haviam começado a decifrar seu impacto.

Recentemente, a farmacêutica Sanofi Aventis colocou no mercado o primeiro medicamento que surte o mesmo efeito que a maconha natural no sistema cerebral e na medula óssea.

Os especialistas atribuem ao novo medicamente, conhecido como Rimonabant, um efeito positivo para os que querem emagrecer ou para abandonar o vício do tabaco.

David Becker, do Instituto UCL de Neurologia de Londres, realizou experimentos com ratos nos quais havia provocado artificialmente uma doença semelhante à esclerose múltipla em seres humanos.

Ele disse no congresso que, até agora, se procurava frear o processo auto-imune e a inflamação do sistema nervoso central desses pacientes, o que ajuda a impedir os ataques agudos da esclerose múltipla.

Mas quando o estado do paciente piora em uma fase tardia da doença, os medicamentos comuns já não funcionam e então tem-se que combater, frente ao quadro, a morte das células cerebrais estimulando os receptores de canabinóides I, o que Becker conseguiu nos ratos.

O cientista conseguiu proteger as células nervosas através do sistema próprio de produção de canabinóides, e os animais, ainda que continuassem sofrendo surtos da doença, se recuperaram mais rapidamente.

Um efeito parecido parece possível no tratamento do Alzheimer, ainda que aí seja decisivo o emprego da substância em uma fase inicial, enquanto que a aplicação tardia pode inclusive piorar a doença.

Além disso, os pesquisadores informaram sobre a possibilidade de combater os ataques de epilepsia ativando os receptores de canabinóides no cérebro.

No entanto, assinalaram que não é preciso recorrer à maconha natural como medicamento, pois bastaria refrear a redução dos canabinóides próprios do organismo ou estimular os receptores mediante imitações da maconha.

Fonte: Estadão

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