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Exame do Líquido cefalorraquidiano (LCR) 04/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in O que significa?.
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O exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) ou líquor vem sendo utilizado como arma diagnóstica desde o final do século XIX, contribuindo, significativamente, para o diagnóstico de patologias neurológicas. Além do diagnóstico, a análise do LCR permite o estadiamento e o seguimento de processos vasculares, infecciosos, inflamatórios e neoplásicos que acometem, direta ou indiretamente, o Sistema Nervoso. Através da puncao_lombar.jpgpunção liquórica (imagem) é possível, também, a administração intra-tecal de quimioterápicos, tanto para tratamento de tumores primários ou metastáticos do Sistema Nervoso Central, como para a profilaxia do envolvimento neurológico de tumores sistêmicos. No Quadro 1 estão listadas as indicações do exame do LCR, segundo a Academia Americana de Neurologia (AAN).

Não há preparo específico para o exame do LCR. O paciente pode alimentar-se normalmente e não deve estar fazendo uso de medicação anticoagulante ou de drogas que interfiram na coagulação sanguínea. A sedação está indicada naqueles pacientes extremamente agitados, mas pode ser realizada em todos aqueles que o desejarem. A punção liquórica está formalmente contra-indicada nos indivíduos com hipertensão intracraniana ou quando houver processo infeccioso no trajeto da agulha. Naqueles indivíduos sob tratamento anticoagulante, o médico deve estar atento para o risco de sangramento decorrente da punção e para a real necessidade desta.

Quadro 1: Indicações do exame de LCR, segundo a AAN

  • Processos infecciosos do SN e seus envoltórios
  • Processos granulomatosos com imagem inespecífica
  • Processos desmielinizantes
  • Leucemias e linfomas (estadiamento e tratamento)
  • Imunodeficiências
  • Processos infecciosos com foco não identificado
  • Hemorragia sub-aracnoidea

A análise dos resultados obtidos no exame do LCR deve ser sempre feita em conjunto e tendo como base a sintomatologia apresentada pelo paciente.

Líquido cefalorraquidiano (LCR) na Esclerose Múltipla

Doença de evolução polifásica e com sintomatologia diversa, a esclerose múltipla (EM) tem no exame de LCR um excelente método diagnóstico e de acompanhamento. Freqüentemente são encontradas pleocitose linfomonocitária e hiperproteinorraquia discretas, até 30 células/mm3 e até 100 mg/dL, respectivamente. O dado liquórico mais importante e útil no diagnóstico é a presença de bandas oligoclonais, que ocorre em mais de 90% dos casos. Também é de grande importância a determinação da produção intra-tecal de IgG, que está elevada entre 70 e 90% dos casos. A dosagem da proteína básica de mielina, antigamente utilizada, não apresenta valor diagnóstico, por níveis variáveis e por ser altamente inespecífica.

Fontes: Fleury. Manual Neurodiagnóstico: Líquido cefalorraquidiano (LCR) (texto) e Irish Health Information Website (Imagem)

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