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Mulheres têm mais esclerose múltipla 12/06/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Entrevista com Marco Aurélio Lana

Participante do VII do Brazilian Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis, realizado em Goiânia, semana passada, o médico neurologista e presidente do Comitê Latino-Americano de Estudo e Tratamento da Esclerose Múltipla, Marco Aurélio Lana concedeu a seguinte entrevista ao jornal Tribuna do Planalto.

Noêmia Ataíde

Tribuna do Planalto – A incidência de esclerose múltipla tem crescido, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). É possível preveni-la?
Marco Aurélio Lana – Infelizmente não. A doença é causa pela suscetibilidade genética. A pessoa já nasce com predisposição para desenvolver a esclerose múltipla na sua vida adulta. Algum fator de risco ou ambiental, talvez uma infecção viral, faz com a doença se manifeste nos que têm a predisposição. A medicina ainda não tem capacidade para saber quem a desenvolverá.

Drogas como a toxina botulínica, conhecida comercialmente como Botox, podem aliviar os sintomas da esclerose múltipla?
Em algumas situações em que a doença ocasiona uma rigidez da musculatura, essas drogas diminuem o problema e permitem que, com a fisioterapia, se consiga mais mobilidade dos nervos paralisados.

O mercado já dispõe de medicamentos modernos para tratar a doença?
Sim. Há um grande número de drogas que melhora o bem-estar dos pacientes portadores de esclerose múltipla. Há analgésicos para diminuir a dor e a rigidez da musculatura além de melhorar a sensibilidade. A medicina dispõe de um arsenal para proporcionar melhor qualidade de vida aos portadores da esclerose múltipla.

Terapias alternativas, como a ioga e acupuntura melhoram a qualidade de vida dos portadores de EM?
Não há a menor dúvida. Trata-se de uma doença imunológica que está intimamente ligado ao sistema psíquico e emocional da pessoa. É freqüente acontecer crises da doença durante exposição ao estresse ou desconforto emocional dos pacientes. Essas alternativas terapêuticas têm se mostrado muito úteis porque melhoram o bem-estar ao portador do mal, dando-lhe tranqüilidade emocional, prevenindo as ocorrências de crises da doença.

Os hábitos da vida moderna podem contribuir para o desenvolvimento da doença?
Temos conhecimento que, em alguns países mais desenvolvidos e, portanto, onde a sociedade industrial é mais competitiva, a doença tem registrado aumento na incidência. É possível que hábitos adquiridos com a vida moderna tenham, de alguma maneira, propiciado o crescimento do número de casos.

A doença atinge mais mulheres do que homem. Por quê?
Certamente é por causa de fatores hormonais. Há evidências demonstrando o papel importante dos hormônios no início da doença ou às vezes até na proteção de crises do mal. Um exemplo é a diminuição das crises durante a gestação. A mulher portadora de esclerose múltipla, quando grávida, passa esse período de gestação bastante protegida. É rara a ocorrência de crise durante a gravidez, demonstrando então a importância do papel hormonal nesses casos.

Qual faixa etária está mais propensa a desenvolver a doença?
A doença em geral acontece no início da vida adulta da pessoa, mais freqüentemente depois dos 20 anos, principalmente entre 30 e 40 anos. Há alguns casos na infância e são raros os surgimentos da doença depois dos 50 anos.

É possível a pessoa identificar os sintomas da doença?
Sim. O início da esclerose múltipla é bastante variável porque depende do local do sistema nervoso onde a primeira manifestação da doença acontece. Se for no nervo óptico, o indivíduo vai ter visão turva, dor no olho ou alguma perda de visão. Se surge na medula espinhal, o paciente vai sentir fraqueza e redução da sensibilidade nas percas, dificuldades para andar e do controle dos esfínteres, com urina presa ou solta. Se a doença acontece em parte no cérebro, a pessoa pode ter inicialmente vertigens ou visão dobrada. São fenômenos diferentes de acordo com o local em que a inflamação se instala no começo da doença.

Fatores regionais e raciais influenciam no surgimento ou não da doença?
Temos estudos de epidemiologia feitos pelo Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa da Esclerose Múltipla feito em várias regiões do país, principalmente na região sudeste. Sabemos por exemplo que, em São Paulo é de 15 a 17 por 100 mil. É mais provável que no Sul, onde há uma maior quantidade de imigrantes europeus, essa prevalência seja maior. A condição racial influencia muito no surgimento da doença, que é dependente da constituição genética dos pacientes. A doença é mais comum nos países da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e Canadá, embora sabemos que além da questão genética e racial existem também os fatores ambientais que fazem com que o indivíduo predisposto apresente a doença.

O que o senhor sabe a respeito da doença em Goiás?
Há um grande número de casos no Estado. Os profissionais em neurologia e de neurofisiologia têm não só documentado, mas tratado os pacientes da maneira mais moderna que do mundo. Os pacientes em Goiás podem ficar tranqüilos pois estão recebendo a melhor orientação médica possível.

Desafio para a medicina
De causa desconhecida, sem cura e, na maioria das vezes, incapacitante a esclerose múltipla ainda continua sendo um desafio para a medicina e portadores do mal, que sofrem com as limitações de vida impostas pela doença. No país, a doença atinge cerca de 30 mil pessoas (70% mulheres), conforme dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla. Em Goiás, calcula-se em 400 os portadores da doença, segundo Eduarda de Assis Albuquerque Arantes, presidente da Associação Goiana de Esclerose Múltipla.

Dificuldades motoras como diminuição de força nos braços e pernas, desequilíbrio para andar, alterações de sensibilidade, aleração da fala e deglutição, sensação de formigamento, dormência em partes do corpo, dores articulares, visão dupla ou turva, dor ocular são sintomas precoces, segundo a neurofisiologista Denise SisterollI, presidente do VII Congresso Anual do Brazilian Committee for Treatment and Research in Multiple Sclerosis (Bctrims).

Fonte: Tribuna do Planalto – 21 de Maio de 2006.

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