jump to navigation

Importante efeito imuno-modulador da vitamina D no modelo de estudo da EM 29/05/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
trackback

Estudo das modificações na resposta imunológica na encefalomielite experimental auto-imune após tratamento com vitamina D

Painel apresentado no XIII Congresso Interno de Iniciação Científica da Unicamp. 28 a 29 de setembro de 2005

Camila Ortolan Fernandes de Oliveira (Bolsista PIBIC/CNPq), Leonilda M. B. Santos (Co-orientadora), Alessandro Farias (Co-orientador) e Prof. Dr. Francesco Langone (Orientador), Instituto de Biologia – IB, UNICAMP

Introdução: A Esclerose Múltipla é a mais importante doença desmielinizante que acomete adultos jovens. Sua etiologia é desconhecida, mas admite-se que se trata de uma doença multifatorial de natureza auto-imune, onde o fator ambiental e a susceptibilidade genética parecem ter um papel essencial na sua determinação. Pacientes com Esclerose Múltipla possuem uma deficiência em vitamina D, podendo ser resultado de pouca exposição ao sol ou de uma alimentação carente em vitamina D. O modelo utilizado para o estudo da Esclerose Múltipla é a Encefalomielite Experimental Auto-imune (EAE) que pode ser induzida em animais geneticamente susceptíveis pela inoculação de antígenos presentes no Sistema Nervoso Central (SNC), tais como a Proteína Básica de Mielina (MBP). A EAE é patologicamente caracterizada pela invasão de células CD4+, do tipo Th1, no sistema nervoso central. Recentemente foi mostrado que o tratamento com a vitamina D pode polarizar a resposta imunológica para um padrão Th2. Desta forma, a vitamina D teria o potencial de modular a resposta do tipo Th1 e conseqüentemente reduzir a gravidade da EAE.

Objetivos: Estudar o efeito da administração da vitamina D, na evolução clínica da EAE, e no padrão de resposta inflamatória.

Métodos: EAE: A doença foi induzida ativamente, através da imunização com a MPB emulsificada em CFA (v:v). A evolução clínica da doença foi avaliada diariamente. Scores clínicos foram dados para os diferentes graus da doença de acordo com a escala: 0 = sadio a 5 = morte de acordo com o grau de paralisia do animal. Tratamento: A vitamina D foi ministrada diariamente por gavagem, nas diferentes concentrações (2,5 μg/Kg/Dia, 5 μg/Kg/Dia, 10 μg/Kg/Dia e 15 μg/Kg/Dia ) em propileno glicol. O grupo controle recebeu apenas a solução veículo. Proliferação celular: Células esplênicas e dos linfonodos, de animais tratados 30 dias antes da imunização, após a imunização e controles foram cultivadas na presença de MBP (144 h) e Con-A (48 h) em diferentes concentrações. A proliferação celular foi avaliada pela incorporação de Timidina tritiada. Quantificação das citocinas: A dosagem de citocinas foi realizada por ELISA de captura em tratados e não tratados com a vitamina D (15 μg/Kg/dia). Marcadores celulares: Células recuperadas do SNC através de gradiente de Percoll foram marcadas para CD4, TCR, OX40 e IL2R com anticorpos purificados (30’ 4°C), seguida da adição de anticorpo secundário (anti-mouse APC (FL4-H)) e analisadas em citômetro de fluxo (FACS calibur), apenas os linfócitos. Histologia: Cortes de medula de animais tratados e não tratados com a vitamina D foram emblocados em parafina e corados com HE.

Discussão: A literatura mostra que a vitamina D pode regular a resposta imune na EAE, e provavelmente na EM, os mecanismos, no entanto, não estão muito claros. Nossos resultados mostram claramente que a administração de vitamina D reduz a gravidade da EAE. Foi observada também significativa diminuição da resposta proliferativa dos linfócitos auto-reativos, assim como a regulação negativa de marcadores de ativação, que sabidamente estão diretamente envolvidos com a capacidade encefalitogênica das células CD4+ no SNC. Nossos dados mostram ainda que as células encefalitogênicas não perdem totalmente a capacidade de migrar para o SNC, mas que funcionalmente sintetizam em níveis aumentados a IL-10, polarizando a resposta para o padrão Th2, o que pode explicar o efeito benéfico na evolução da EAE.

Em conjunto, essas observações confirmam importante efeito imuno-modulador da vitamina D no modelo de estudo da Esclerose
múltipla humana.

Fonte: UNICAMP

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: