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Acetato de Glatiramer (Copaxone ®) 09/05/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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A história do acetato de glatiramer, anteriormente chamado de copolímero 1 (cop 1), começou em 1960, quando três cientistas sintetizavam copolímeros com a intenção de estimular o modelo animal da esclerose múltipla (EAE*) e descobriram que, ao invés disto, alguns exibiam a capacidade de proteger o animal da doença.

O acetato de glatiramer é formado por polipeptídeos sintéticos compostos por quatro aminoácidos (alanina, glutamina, lisina e tirosina). Apresenta algumas similitudes imunológicas com um dos principais componentes da mielina, a proteína básica da mielina, sem causar encefalite. Passaram-se 36 anos de esforços até que, em setembro de 1996, a FDA aprovou o seu uso clínico.

O mecanismo(s) de ação ainda é objeto de pesquisas. Utilizando o modelo animal da doença (EAE), os resultados do estudo de Aharoni R e col. indicam que o acetato de glatiramer não exerce somente um efeito antiinflamatório, mas também melhora a neuroproteção e regeneração dos elementos neurais no cérebro doente.

Estudos têm confirmado a efetividade na redução do número e severidade dos surtos e sua habilidade em reduzir o número de novas lesões cerebrais (RNM com galdolíneo) na forma surto-remissão (remitente-recorrente) da esclerose múltipla.

A administração é por injeção subcutânea diária. Não pode ser por via intramuscular nem intravenosa.  Estudo recente (2006) sobre a administração oral diária de doses de 5 mg a 50 mg em pacientes com EM do tipo surto-remissão não mostrou eficácia na redução da taxa de surtos nem na melhora de parâmetros clínicos e de imagem (ressonância). Portanto, os autores concluíram que o tratamento com formulações orais do acetato de glatiramer, nas doses testadas, não pode ser recomendado.

Nenhum estudo controlado, até o momento, foi realizado em mulheres grávidas e não sabemos se o medicamento passa para o leite materno, contra-indicando o uso na gravidez e lactação.

De acordo com o Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa de Esclerose Múltipla (BCTRIMS), não há contra-indicação da associação a corticosteróides (pulsoterapia). O uso deve ser monitorado com hemograma e provas de função hepática, não havendo necessidade de RNM ou LCR na monitoração. Advertem que estas recomendações serão revistas e modificadas quando novas evidências e condutas se tornarem normas aceitas na literatura mundial.

Em alguns pacientes pode ocorrer, uma vez ou outra, sensação de aperto no peito, rubor, ansiedade ou encurtamento da respiração, logo após a administração. Estas reações sistêmicas têm duração limitada, em geral não mais do que 30 minutos; sem evidências de arritmias cardíacas, angina ou envolvimento da pleura. Outras reações adversas incluem hipertonia, sudorese, diarréia, insônia, náusea, reações no local da injeção (vermelhidão, dor, coceira e edema) e lesões lipoatróficas.

*EAE: Encefalomielite Autoimune Experimental

Fontes:

  • Aharoni R, Eilam R, Domev H, Labunskay G, Sela M, and Arnon R. The immunomodulator glatiramer acetate augments the expression of neurotrophic factors in brains of experimental autoimmune encephalomyelitis mice. PNAS, Dec 2005; 102: 19045 – 19050.
  • Fernando Dangond, MD. Multiple Sclerosis. eMedicine (http://www.emedicine.com/)
  • Filippi M, Wolinsky JS, Comi G; CORAL Study Group. Effects of oral glatiramer acetate on clinical and MRI-monitored disease activity in patients with relapsing multiple sclerosis: a multicentre, double-blind, randomised, placebo-controlled study. Lancet Neurol. 2006 Mar;5(3):213-20.
  • Fiore APP e Fragoso YD. Tolerability, adverse events and compliance to glatiramer acetate in 28 patients with multiple sclerosis using the drug continuously for at least six months. Arq. Neuro-Psiquiatr., Sept. 2005, vol.63, no.3b, p.738-740.
  • Johnson KP, Brooks BR, Cohen JA, et al: Copolymer 1 reduces relapse rate and improves disability in relapsing- remitting multiple sclerosis: results of a phase III multicenter, double-blind placebo-controlled trial. The Copolymer 1 Multiple Sclerosis Study Group. Neurology 1995 Jul; 45(7): 1268-76.
  • Johnson KP, Brooks BR, Cohen JA, et al: Extended use of glatiramer acetate (Copaxone) is well tolerated and maintains its clinical effect on multiple sclerosis relapse rate and degree of disability. Copolymer 1 Multiple Sclerosis Study Group. Neurology 1998 Mar; 50(3): 701-8
  • Murray, T.J. Multiple Sclerosis: the history of a disease. Demos Medical Publishing, NY, 2005. 
  • National MS Society (http://www.nationalmssociety.org/)
  • Tilbery CP, Moreira MA, Mendes MF, et al. Recomendações quanto ao uso de drogas imunomoduladoras na esclerose múltipla: o consenso do BCTRIMS. Arq Neuropsiquiatr 2000;58:769-776.

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