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Qual o valor do exame de ressonância em pacientes com suspeita clínica de EM? 02/05/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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A esclerose múltipla (EM) tem o seu diagnóstico baseado no princípio de disseminação das lesões no tempo e no espaço. Os critérios são predominantemente clínicos. As ferramentas para o diagnóstico são a anamnese para caracterizar a presença dos surtos e o exame neurológico para estabelecer correspondência entre os surtos e a estrutura do SNC lesada. De acordo com os critérios recentes, o paciente deve apresentar dois surtos (ataques) de disfunção neurológica ocorrendo num espaço de tempo (pelo menos 1 mês) e afetando partes diferentes do sistema nervoso central – os sinais ou sintomas não podem ser atribuídos a uma única lesão. Muitos anos podem separar o primeiro do segundo surtos e nem todos os pacientes com um único surto desenvolverão a esclerose múltipla. Em pacientes com suspeita clínica de EM, a ressonância nuclear magnética (RNM) permite o diagnóstico de acordo com os critérios de McDonald (2001), mas estes critérios não são universalmente aceitos.

A revisão sistemática publicada este mês no British Medical Journal, avalia a acurácia das imagens de RNM para o diagnóstico precoce da EM e questiona se este exame superestima a proporção de pessoas diagnosticadas com um único episódio clínico (surto).

Esta revisão foi criticada por muitos médicos (ver os comentários). Uma das críticas chama a atenção para a utilidade da RNM em descartar outras patologias que entram no diagnóstico diferencial da EM.

Os resultados da revisão indicam que a RNM é um exame pobre para descartar ou diagnosticar a EM e que, na prática clínica, um diagnóstico falso positivo de EM é potencialmente mais perigoso do que um falso negativo.

Os autores alertam:

  • Para a falta de grandes estudos qualitativos e quantitativos sobre o assunto.
  • Que um diagnóstico falso positivo de EM é potencialmente mais perigoso do que um falso negativo, pois implica em exames sucessivos e tratamentos desnecessários, assim como ansiedade e estresse psicológico para o paciente.
  • Que descartar erroneamente o diagnóstico de EM após um primeiro surto parece menos perigoso: nem todos os pacientes que experimentam um primeiro surto desenvolverão a doença e, até o momento, nenhum tratamento mostrou ser capaz de atrasar a conversão para a EM definitiva ou ter impacto nas incapacidades a longo termo.

Aconselham que os neurologistas discutam com os seus pacientes o diagnóstico potencial, tratamento e os efeitos finais de potenciais resultados falsos positivos e negativos obtidos através das imagens de ressonância nuclear magnética.

Clique aqui para ver a revisão completa.

Fontes:

  • Whiting P, Harbord R, Main C, Deeks JJ, Filippini G, Egger M, Sterne JA. Accuracy of magnetic resonance imaging for the diagnosis of multiple sclerosis: systematic review. BMJ. 2006 Apr 15;332(7546):863-4.
  • Calegaro D. Diagnóstico e Tratamento da Esclerose Múltipla. Academia Brasileira de Neurologia. 29 de Julho de 2001.

Citado e adaptado por Tica

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