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Milagres, livros raros e o gene Viking 23/04/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Você sabia?.
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Relatos seculares sobre jovens como a holandesa Lidwina ou a islandesa Halldora, embora não tragam certezas quanto ao diagnóstico das mesmas, apenas suposições, podem apontar para vários aspectos interessantes relacionados à esclerose múltipla. Ambas apresentaram o curso dos sintomas compatível com a doença e tiveram, por causa disto, suas vidas envoltas por uma bruma de milagres.

Lidwina chegou a ser impedida de comungar por um período, mas acabou canonizada e é conhecida como a Santa dos patinadores de gelo. Ela quebrou a costela direita e desenvolveu, neste local, um abscesso de difícil cicatrização, devido a uma queda ao patinar num canal congelado. Após este episódio, apresentou uma série de problemas sensoriais, motores e muitas dores. Os sintomas pioraram ao longo dos anos com melhoras ocasionais, configurando um quadro semelhante ao da esclerose múltipla (1).

Halldora recebeu um dos milagres atribuídos ao canonizado Thorlak, que a teria feito voltar a andar após 3 anos de perda progressiva da força (2). Outros sintomas relatados foram perdas da visão e da fala, milagrosamente curados (3). Ela vivia na Islândia, país que já foi dominado por escandinavos e sabemos, atualmente, que a esclerose múltipla é prevalente onde habitam os descendentes destes, por isso, estudiosos cada vez mais pesquisam casos na literatura que apoiem a hipótese do gene Viking na disseminação da doença (2).

Os livros raros, principalmente os escritos por religiosos, são o prato cheio para encontrar casos como os destas jovens. Caso colecione estes livros, preste atenção aos sintomas e a qualquer sinal avise a comunidade científica. Quem sabe? 🙂

Bibliografia:

  1. Murray, T.J. Multiple Sclerosis: the history of a disease. Demos Medical Publishing, NY, 2005.
  2. Holmoy T. A Norse contribution to the history of neurological diseases. Eur Neurol. 2006;55(1):57-8.
  3. Butler M.A. e Bennett T.L. In Search of a Conceptualization of Multiple Sclerosis: A Historical Perspective. Neuropsychology Review, Vol. 13, No. 2, June 2003.

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