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Tratamento imunomodulador na esclerose múltipla: experiência em um centro brasileiro com 390 pacientes 21/04/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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O estudo conduzido pelo neurologista Charles Peter Tilbery e colegas, no Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla da Santa Casa de São Paulo (CATEM), teve como objetivo avaliar o comportamento dos pacientes com esclerose múltipla em uso de imunomoduladores no decorrer de 5 anos. A eficiência das drogas não foi analisada e foram excluídos os portadores das formas progressiva secundária sem surtos (PS) e progressiva primária (PP).

No início do tratamento, os 390 pacientes selecionados, encontravam-se com as seguintes formas clínicas e uso de imunomoduladores:

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emgraf.JPG

RR: forma remitente-recorrente; PSS: forma progressiva secundária com surtos; IM: intramuscular; SC: subcutâneo

Alguns dados obtidos do artigo referentes aos 390 pacientes:

  • 89,2% iniciaram o tratamento com imunomoduladores
  • 18,6% tiveram efeitos adversos transitórios e os principais foram: reações de alergia cutânea, calafrio, febre e mialgias
  • 23,6% converteram da forma RR para PS
  • 50% migraram entre imunomoduladores
  • 27,7% usaram outras drogas associadas (imunossupressores, imunoglobulinas e tratamentos sintomáticos)
  • 9% pararam de utilizar a medicação
  • 41% pacientes continuaram usando o imunomodulador inicial
  • 78,2% dos pacientes completaram 1 ano de tratamento
  • 17% completaram 5 anos de tratamento

Razões da migração entre os imunomoduladores em 120 pacientes:

  • Erro terapêutico 4,6%
  • Progressão 11,5%
  • Reações adversas 15%
  • Gravidez 13,8%
  • Abandono 18,4%
  • Não especificada 36,7%

Os pesquisadores concluíram que a parada do uso de imunomoduladores emerge como um problema no segundo ano de tratamento e pode ser pela não responsividade aos interferons beta ou pelo surgimento dos anticorpos neutralizantes.

Algumas dificuldades encontradas pelos autores foram:

  • a maioria dos pacientes que recebe o tratamento com interferon beta não é submetida à mensuração periódica de anticorpos.
  • saber o que é e como determinar a falha terapêutica, mesmo sendo algo subjetivo na área da ciência.
  • obter informações retrospectivas dos pacientes por falha no preenchimento dos registros médicos.

Fonte: TILBERY, Charles Peter, MENDES, Maria Fernanda, OLIVEIRA, Bianca Etelvina Santos de et al. Immunomodulatory treatment in multiple sclerosis: experience at a Brazilian center with 390 patients. Arq. Neuro-Psiquiatr., Mar. 2006, vol.64, no.1, p.51-54.

Citado e editado por Tica

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Comentários

1. Djaime - 21/04/2006

“a maioria dos pacientes que recebe o tratamento com interferon beta não é submetida à mensuração periódica de anticorpos. ”
Como é feita essa mensuração periódica de anticorpos? Punção lombar, exame de sangue…qual o procedimento?
Obs.: meninas, esta página que vocês criaram está cada dia melhor! Passo por aqui todos os dias.

2. esclerosemultipla - 21/04/2006

Olá Djaime, obrigada mais uma vez pela sua visita e comentários!
Temos uma tradução adaptada de um resumo do artigo de 2005 publicado no site da National MS Society (EUA) e esperamos que possa esclarecer.

Os anticorpos são proteínas do sistema imune que surgem em resposta às substâncias estranhas ao corpo, incluindo vírus e bactérias. Algumas pessoas que recebem o medicamento beta interferon (Avonex®, Betaseron®, Rebif®) desenvolvem uma forma de anticorpo à proteína injetada. Isto é chamado “anticorpo neutralizante” (NAb) porque interfere com-ou neutraliza as propriedades biológicas do interferon. Não há nenhuma evidência até o momento que os anticorpos desenvolvidos em pessoas que utilizam o acetato de glatiramer tenha algum significado clínico. Nem todas as pessoas que usam o interferon desenvolvem NAbs. Quando ocorre, os NAbs aparecem tipicamente de 12 a 18 meses após o começo do tratamento. Os estudos indicam que a freqüência do desenvolvimento de NAbs difere entre os produtos do interferon, com o Avonex® (interferon 1a beta – injeção intramuscular uma vez por a semana) que produz NAbs menos frequentemente do que Rebif® (interferon beta-1a – injeção subcutânea três vezes semanais) ou Betaseron® (interferon beta-1b – injeção subcutânea em dias alternados).

Não está claro se estas diferenças estão relacionadas aos diferentes procedimentos de manufatura, dosagem, freqüência das doses e/ou vias de administração. Os estudos indicam que os NAbs podem ter um impacto na eficácia clínica de um medicamento: Nos indivíduos que mantêm níveis elevados de NAb ao longo do tempo, parece que a eficácia clínica do medicamento pode ser reduzida; as taxas do surto e atividade na RNM são mais elevadas do que naqueles indivíduos que permanecem com NAbs negativos. Alguns estudos recentes sugerem que a progressão da doença é mais rápida naquelas que desenvolvem NAbs. NAbs parecem desaparecer naturalmente após um determinado período de tempo em alguns pacientes. Conseqüentemente, é difícil tomar decisões acerca do tratamento baseadas nos resultados de um único exame, particularmente se a pessoa continua bem clinicamente (isto é, taxa de surtos, sintomas e atividade na RNM).

Exames de NAbs repetidamente positivos ao longo do tempo em uma pessoa que não esteja tão bem clinicamente, entretanto, pode sugerir que seja útil a mudança para um medicamento que não o interferon. Desde que uma pessoa apresente NAbs para uma das preparações do interferon, terá também para as outras, mudar para uma outra preparação do interferon não seria benéfico. Alguns dados a respeito dos NAbs permanecem difíceis de interpretar e, conseqüentemente, controversos por diversas razões: Os estudos de NAbs utilizaram ferramentas diferentes de medida, critérios diferentes para interpretar os resultados dos testes, estratégias estatísticas diferentes para avaliar os dados e populações diferentes de pessoas.

Fonte: http://www.nationalmssociety.org/Clinup-Antibodies.asp

Abraços e um bom feriado.

3. esclerosemultipla - 21/04/2006

Ops, sim, é no sangue (soro). 🙂

4. Djaime - 21/04/2006

Mais uma vez, obrigado, meninas.
Um excelente feriado!

5. esclerosemultipla - 02/05/2006

É um prazer tê-lo por aqui. Volte, pergunte e comente sempre! 😉

Um abraço.


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